Inteligência Competitiva – Empresário: Cérebro da Amazon estava correto

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Jeff Bezos na Amazon em Seattle, 2007. No início, ele encontrou interessados em investir na sua empresa apesar dos prejuízos (Stuart Isett para The New York Times)

Aqueles que duvidam de Jeff Bezos, fundador da Amazon.com, passaram boa parte das duas décadas mais recentes questionando as decisões dele e retratando o executivo como vilão: foi descrito como “monopolizador”, “inimigo número 1 da literatura”, “conhecido fraudador do fisco internacional”, “impossível”, “chefe implacável” e, mais de uma vez, “Lex Luthor”. Sua empresa costumava ser descrita como Amazon.con [Amazon.fraude].

Mas aqui estamos nós, 20 anos após a abertura do capital da Amazon, e Bezos pode afirmar hoje que mudou nossa maneira de viver.

Ele mudou nossa maneira de fazer compras. Mudou a forma com que as empresas usam computadores, transferindo boa parte das informações e sistemas para serviços na nuvem. Mudou até nossa maneira de interagir com os computadores usando a voz: “Alexa!”

Ao longo do caminho, ele comprou (e consertou) o Washington Post, uma das mais importantes instituições jornalísticas dos Estados Unidos. E, por meio de sua empresa aeroespacial, Blue Origin, ele investiu bilhões de dólares na corrida espacial.

Nos primórdios, até Warren Buffett demonstrou ceticismo em relação à Amazon. “Fui burro demais para perceber o que estava para acontecer”, admitiu ele na reunião anual da Berkshire Hathaway, realizada este mês. “Sou um admirador de Jeff, já faz muito tempo, mas não imaginei que ele fosse alcançar um sucesso de tamanhas proporções”. Buffett acrescentou, “perdemos esse bonde”.

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Por meio da empresa Blue Origin, Jeff Bezos investiu bilhões de dólares numa corrida espacial (Isaiah J. Downing/Reuters)

Atualmente, a Amazon tem o valor de mercado avaliado em US$ 464 bilhões. Um investimento de US$ 10 mil na época da oferta pública da empresa teria se convertido hoje em quase US$ 5 milhões.

Talvez o feito mais surpreendente de Bezos tenha sido encontrar investidores dispostos a confiar nele quando a Amazon acumulava perdas. Isso não quer dizer que estivessem sempre satisfeitos com Bezos: as desvalorizações das ações eram frequentes. Então, de tempos em tempos, ele surpreendia a todos com lucros, como quem diz, “podemos ganhar dinheiro quando quisermos, se não estivermos interessados em investir no futuro”.

A maioria dos executivos se preocupa com o trimestre seguinte, mas Bezos está de olho no que vai ocorrer daqui a anos. “Se nosso planejamento tiver um horizonte de três anos, estaremos concorrendo com muita gente”, disse ele à Wired em 2011. “Mas, se estivermos dispostos a trabalhar com um horizonte de sete anos, a disputa passa a ser com uma fração dessa concorrência, pois pouquíssimas empresas estão dispostas a fazer isso.”

Bezos sempre foi claro em relação às próprias ambições e sua abordagem de longo prazo. “Graças à nossa ênfase em um prazo mais longo, tomamos decisões e pesamos os prós e contras de maneira diferente da maioria das empresas”, escreveu ele na primeira carta aos acionistas, em 1997. “Não vamos afirmar que a filosofia de investimento acima é a ‘correta’; basta dizer que é a nossa filosofia, e temos a responsabilidade de deixar claro que essa é a abordagem que adotamos e seguiremos adotando”.

Bezos teve seus fracassos (lembram de quando ele tentou entrar no ramo dos celulares?), mas seus sucessos são muito mais frequentes.

Seria Bezos um chefe fácil de lidar? Longe disso. Tem a reputação de ser extremamente exigente. Mas é difícil acreditar que os novos e criativos produtos incubados e lançados pela Amazon teriam nascido se ele fosse um destruidor de almas profissional.

Na capacidade de autor, eu deveria odiar Bezos. Afinal, ele pressionou as editoras, cortou as margens de lucro delas e praticamente acabou com as livrarias à moda antiga. Mas esse ponto de vista não compreende a natureza da inovação. Trata-se de um fenômeno que vira indústrias inteiras de pernas para o ar (o exemplo é o massacre atual no varejo, que se tornou obsoleto por causa da Amazon e das empresas que tentam imitá-la).

“Não é a Amazon que está afetando as vendas de livros”, explicou Bezos, defendendo seu papel numa entrevista concedida a Charlie Rose em 2013. “É o futuro que está afetando as vendas de livros”.

E o futuro está chegando agora às lojas do varejo e até aos supermercados, a próxima conquista de Bezos. E, claramente, o futuro está chegando à computação empresarial.

A risada de Bezos é famosa (basta pesquisar no YouTube). No momento, ele tem todo o direito de rir.

Fonte: ANDREW ROSS SORKIN, New York Times International, Estadão, Maio 26, 2017

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