Inteligência Competitiva no Brasil do século XXI

“Muitas empresas privadas e públicas ainda precisam descobrir as técnicas, metodologias e os profissionais de Inteligência Competitiva, para não só competirem melhor, como também para alcançarem melhores resultados”.

Em essência, se os conceitos estratégicos são para desempenhar um papel efetivo em determinar o crescimento e a sobrevivência de uma empresa, então esses conceitos devem ser realinhados, usando uma abordagem que enfatize os fundamentos básicos da natureza combativa das condições atuais do ambiente empresarial. Dada a natureza competitiva do mercado e as limitações, uma postura de ataque e defesa requer uma estratégia de negócio semelhante a estratégia militar. Nesta situação, uma ferramenta estratégica de análise se faz naturalmente imprescindível, a Inteligência Competitiva.

Em termos históricos, os serviços de inteligência possuem raízes militares: 2.500 anos antes de Cristo, o General Sun Tzu, em seus apontamentos sobre a Arte da Guerra, já creditava ao serviço de inteligência, a condição fundamental para um exército suceder nas guerras. Conhecer o número e posição, o campo de batalha, as armas e os movimentos importantes dos adversários é tarefa essencial da estratégia militar (RICCARDI; RODRIGUES, 2003).  A visão deste general sobre uso inteligente e estratégico da informação, permaneceu ao longo dos tempos como fundamento da inteligência militar. O aperfeiçoamento das técnicas da IC, porém, atingiu seu ápice durante a segunda grande guerra e a seguir, durante o período da guerra fria.

Inteligência Competitiva permite a profissionais de empresas de todos os tamanhos e portes, tomar decisões atualizadas sobre o ambiente externo e interno de uma organização, especialmente quanto aos processos de pesquisa & desenvolvimento e comercialização, para definição da estratégia empresarial a longo prazo.

Inteligência Competitiva é um processo efetivo e contínuo de informação, de forma ética e legal, analisadas e disseminadas para os formadores de opinião.

John  E.  Prescott  e  Stephen  H.  Miller,  comentam  que  “a  Inteligência  Competitiva  nas empresas se beneficiou grandemente de práticas e conhecimentos da inteligência militar e governamental. Muitos dos pioneiros da comunidade de inteligência empresarial são originários de várias organizações governamentais. Eles trouxeram consigo um conjunto de conceitos e visões decantadas ao longo de séculos.”

Prescott e Miller, comentam que o “trabalho de Sun Tzu sobre inteligência militar, continua sendo lido e é considerado o pai da inteligência. Ainda os filmes de James Bond e os romances de John LeCarré, embasados na experiência de seus autores no serviço secreto britânico, prenderam a atenção do público em geral.”

Ainda  com  definições:  para  o  jornalista  Larry  Kahaner,  inteligência  competitiva  é  um programa sistemático de coleta e análise da informação sobre atividades dos concorrentes e tendências gerais dos negócios, visando atingir as metas da empresa.

Leonard Fuld, um dos pioneiros nesse campo e dos fundadores da SCIP, define inteligência competitiva  como  a  informação  analisada  sobre concorrentes  que  tem  implicações  no processo de tomada de decisão da empresa.

Para Jan Herring, inteligência competitiva é o conhecimento e previsão do mundo que nos cerca – prelúdio para as decisões e ações do presidente da empresa.

Ben Gilad, outro membro da SCIP, define inteligência competitiva como a informação que garante ao tomador de decisão que a empresa ainda é competitiva.

Morais (1999), desdobra o conceito de Inteligência Competitiva a um sistema que contempla o processo de planejamento a priori e a utilização, disseminação e avaliação a posteriori, em relação ao processo de coleta e análise de dados.

Segundo Lesca (1996), a inteligência competitiva ou a vigília estratégica é o processo informacional através do qual a organização realiza a escuta “antecipativa” dos “sinais fracos” do seu ambiente socioeconômico com o objetivo criativo de descobrir oportunidades e de reduzir os riscos ligados à incerteza. A importância do processo encontra-se em montar o quebra-cabeças de informações em buscas de utilização estratégica para as organizações.

Para Coelho et al. (2001), o processo da IC é realizado por meio da coleta ética e do uso da informação pública e disponível sobre tendências, eventos e atores no ambiente externo da organização, sistematizada para ser utilizada dentro da análise de cada organização.

Teixeira Filho (2003), define inteligência competitiva como o acompanhamento sistemático do ambiente de negócio monitorando as informações sobre clientes, fornecedores, concorrentes, agentes reguladores, governo, novas tecnologias e tudo mais que possa influir no mercado da empresa.

Riccardi e Rodrigues (2003, p.186) oferecem uma importante contribuição para o entendimento da inteligência competitiva: “se entende por tal, a um sistema pragmático de recoleção, análise e distribuição das atividades dos competidores e das tendências dos negócios para poder assegurar consistência aos objetivos da empresa”.

IC, como um processo formal de práticas gerenciais, no entanto, foi incorporada pelas organizações e absorvida no campo do saber da administração só muito recentemente, nos últimos 20 anos (TYSON, 1998; RICCARDI; RODRIGUES, 2003).  O grupo de estudiosos da IC no mundo é ainda bastante restrito. Organizam-se por meio de sociedades ou associações com a finalidade de avançar no conhecimento e na disciplina das práticas profissionais, como a Strategic and Competitive Intelligence Profissionals (SCIP, 1986) nos USA e no Brasil, a Associação Brasileira de Analistas de Inteligência Competitiva (ABRAIC, 2000).

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