Inteligência Competitiva Tecnológica e O Modelo de Inovação Aberta

Mas seria essa a única forma de se realizar inovação?  Se pensarmos que para inovar, as empresas necessitam de maior amplitude de conhecimento; necessitam de conhecimento mais especializado e sofisticado; se adicionarmos a isso o custo de juntar o conhecimento necessário e o fato de que esse conhecimento dificilmente estará num mesmo lugar, temos que nos render a evidências de que o modelo fechado de inovação não está mais respondendo adequadamente à geração da inovação.

Há outras razões no entorno das empresas, que estão modificando o contexto e mostrando que o modelo fechado deve ser usado com cautela ou de maneira limitada.

Entre as razões, Chesbrough cita a crescente mobilidade do conhecimento tácito.  O grande número de empresas e as necessidades de especialidades profissionais diversas têm estimulado com maior intensidade nos últimos anos, o périplo de especialistas de uma para outra empresa, na maioria dos setores industriais.

Os motivos podem ser salariais ou de valores individuais, mas o fato é de que a mobilidade intelectual tem dificultado a fiança da empresas de que o conhecimento, quando necessitado, estaria imediatamente à mão.

Uma segunda razão para o aumento das dificuldades concentra-se no aumento e disponibilidade de capital de risco para novas idéias e/ou inovações.

Assim, empreendedores corporativos não precisam mais ver suas idéias serem abortadas, ignoradas ou guardadas para futuras oportunidades, que jamais acontecem, em suas empresas de origem. Novas idéias podem ser transformadas em eventos empreendedores de sucesso através de capital de risco ou de dinheiro-semente.

Assim, aquilo que poderia ser uma solução inovadora para uma empresa, passa a ser um novo evento empreendedor, nas mãos do inventor, impedindo a empresa original de usufruir os lucros e a participação mercadológica de possíveis inovações dentro de suas paredes.

Uma terceira razão refere-se à elevada ineficiência da gestão dos processos de desenvolvimento da inovação (modelo fechado).  Tais processos são burocráticos, longos e custam muito caro, não pela burocracia, mas pelo tempo necessário ao desenvolvimento (a obtenção de uma patente, por exemplo, leva otimisticamente cerca de 10 anos), pelo da mão de obra especializada e pelo custo da infra-estrutura necessária.

Manter equipes de especialistas custa caro.  Mas otimizar seu desempenho com uma infra-estrutura de equipamentos atualizada e de acesso a bases de dados especializada custa talvez ainda mais caro.

Por fim, uma quarta razão refere-se à diminuição do ciclo de vida dos produtos e tecnologias.

Como a velocidade de desenvolvimento de novas tecnologias está cada vez maior, novas soluções tecnológicas vão repondo as tecnologias correntes, diminuindo o ciclo de vida dos produtos no mercado.

Para pelo menos manter-se na corrida, as empresas precisa acelerar a disponibilidade de soluções em seu poder. Isso requer delas novas soluções e em espaços de tempo cada vez mais curtos.

Esse novo contexto que molda o entorno corrente das empresas, sugere que a estratégia de inovação deva levar em consideração idéias, tecnologias e conhecimentos existentes fora da empresa, ou alhures, nos vários núcleos de conhecimento especialista no mundo.

Esse é o fundamento do Modelo Aberto de Inovação. Os princípios deste modelo sustentam um processo de inovação no qual a empresa usa idéias próprias, idéias de outras empresas, ou combina ou complementa suas idéias com outras existentes no ambiente, e amplia sua presença no mercado entrando em nichos novos ou utilizando caminhos diferentes para chegar ao mercado.

O princípio mais contrastante entre o modelo aberto e o modelo fechado de inovação é de que a pesquisa não precisa ser feita internamente para que a empresa usufrua dela.

A empresa também não possui os únicos especialistas, nem necessariamente os maiores especialistas, em sua área de competência.  Idéias ou desenvolvimentos externos podem acrescentar inestimável valor a bens, produtos ou processos internos, podendo ser usados de forma primária, de forma combinada ou de forma complementar à base de conhecimentos ou tecnologias existentes na empresa. E por fim, a propriedade intelectual (PI) interna pode servir de fonte de receita quando licenciada, e a externa pode servir de suporte para avançar o modelo de negócio da empresa.

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