Por que o Brasil precisa de Inteligência Competitiva?

Relatório de Competitividade Global 2016-2017 – As economias mais competitivas da América Latina

Chile 33 – México 51 – Peru 67 – Uruguai 73 – *Brasil 81 – Relatório de Competitividade Global 2016-2017 *Posição entre 138 economias em 2016-2017.

  • Chile, Panamá e México são as economias mais competitivas da América Latina. Panamá é o grande  vencedor da região no Relatório de Competitividade Global 2016-2017
  • Entre as principais conclusões deste ano estão o declínio da abertura econômica e a importância da competitividade para a eficácia de programas de estímulo monetário
  • Para as economias em desenvolvimento da América Latina, tecnologia, sofisticação empresarial e inovação superaram infraestrutura, competência e mercados eficientes como propulsores essenciais de competitividade
  • Acesse o relatório completo, infográficos, vídeos e outros aqui

Genebra, Suíça, 28 de setembro de 2016 – Chile e Panamá permanecem na liderança em termos de competitividade econômica na região da América Latina, de acordo com o Relatório de Competitividade Global 2016-2017 publicado hoje pelo Fórum Econômico Mundial, e que também aponta forte atuação do México e declínio do Brasil.

O relatório é uma avaliação anual de fatores que promovem produtividade e prosperidade em 138 países, e seu Índice de Competitividade Global – ICG (na sigla em inglês, GCI) constata que o Chile subiu duas posições, tornando-se a 33ª economia mais competitiva do mundo. Entre os top 50, o Panamá foi um dos países que mais conquistaram posições, no total de oito, atingindo o 42º lugar. As maiores economias da região, Brasil e México, trilharam caminhos divergentes, com o México subindo seis posições (para 51ª) e o Brasil caindo o mesmo número, para 81ª posição. A Venezuela é a economia mais abaixo no ranking, apesar de ter subido duas posições, de 132ª para 130ª.

De uma perspectiva global, um achado importante no relatório deste ano é como o fechamento da economia ao longo de uma década representa um risco para crescimentos e inovações. O grau de abertura para o comércio internacional de bens e serviços está diretamente relacionado ao crescimento da economia e ao potencial de inovação de uma nação. A tendência negativa de uma década, baseada em índices de percepção, refere-se a países em todos os níveis de renda e é atribuída principalmente ao aumento de barreiras não tarifárias, embora também leve-se em conta outros três fatores: encargos de procedimentos alfandegários, impacto de leis sobre IED (investimento estrangeiro direto) e predominância de investimentos estrangeiros. O que é de especial relevância para a América Latina, já que países se esforçam para diversificar sua economia e descobrir novas maneiras de crescimento.

“Os níveis decrescentes de abertura econômica global estão prejudicando a competitividade e dificultando o incentivo para um crescimento sustentável e inclusivo”, afirma Klaus Schwab, fundador e presidente executivo do Fórum Econômico Mundial.

O relatório também evidencia as razões pelas quais afrouxo quantitativo e outras medidas de controle monetário têm-se mostrado insuficientes para relançar o crescimento no longo prazo em economias mundiais mais avançadas, além de constatar que intervenções feitas por economias com baixo ICG não conseguiram gerar o mesmo efeito realizado por aquelas com altos índices, o que sugere que uma forte e implícita competitividade é requisito fundamental para incentivos monetários bem sucedidos.

O relatório oferece ainda uma revelação sobre as mudanças de prioridades nas nações em fases iniciais de desenvolvimento. Embora propulsores básicos de competitividade como infraestrutura, saúde, educação e mercados eficientes continuem a ser importantes, dados do ICG sugerem que o desempenho dos países em termos de prontidão tecnológica, sofisticação empresarial e inovação têm atualmente a mesma importância no estímulo da competitividade e crescimento.

O Índice de Competitividade Global em 2016 Pelo oitavo ano consecutivo, a Suíça ocupa a posição de economia mais competitiva do mundo, pouco à frente de Singapura e Estados Unidos, seguidos por Holanda e Alemanha, que subiu quatro posições em dois anos. Os países seguintes, Suécia (6) e Reino Unido (7), avançaram três posições, considerando que o ICG do Reino Unido foi medido com dados pré-Brexit. Os outros países entre os dez com melhores índices, Japão (8), Hong Kong SAR (9) e Finlândia (10), regrediram.
Apesar de as economias europeias continuarem a dominar as dez melhores posições, a divisão entre o norte e o sul do continente persiste. A Espanha subiu uma posição, chegando a 32º lugar, mas a Itália desceu uma (44º) e a Grécia cinco, colocando-se em 86º lugar. França, a segunda maior economia da zona do euro, subiu uma posição, para 21º lugar. Para todas as economias da Europa, manter e melhorar os níveis de prosperidade irá depender muito de sua capacidade de aproveitar inovações e talentos de sua força de trabalho.

A competitividade dos maiores mercados emergentes do mundo parecem estar em convergência. A China (em 28º lugar) permanece à frente entre os membros do BRICS, mas outra explosão da Índia – que subiu 16 lugares, chegando ao 39º – além da ascendência da Rússia e África do Sul em duas posições, 43ª e 47ª, respectivamente, demonstra a diferença mínima entre seus pares. Apenas o Brasil caiu no ranking.

Por sua vez, a lacuna de competitividade entre os países do Leste da Ásia e Pacífico vem aumentando. Embora treze das quinze economias analisadas consecutivamente desde 2007 tenham conseguido melhorar seu ICG na última década, neste ano nota-se retrocessos em alguns dos maiores mercados emergentes da região: Malásia sai do grupo dos top 20, caindo sete posições e indo para o 25º lugar; Tailândia cai duas e vai para 34º; Indonésia cai quatro, para 41º; e Filipinas, cai dez e vai para 57º. Um tema importante para todos os países em desenvolvimento da região é a necessidade de se fazer incursões em áreas mais complexas da competitividade relacionadas a sofisticação empresarial e inovações para que possam escapar da armadilha do rendimento médio.

A queda dos preços de energia ressalta a urgência de avançar as agendas de competitividade no mundo árabe. Com três economias entre as top 30 – Emirados Árabes Unidos (16º lugar), Qatar (18º) e Arábia Saudita (29º) – todas as nações exportadoras de energia deveriam continuar a diversificar suas economias e dedicar maior empenho para melhorar a competitividade básica entre os países importadores de energia da região.
Na África subsaariana, Ruanda apresentou grande melhora, subindo seis posições e chegando ao 52º lugar, próximo às economias mais competitivas da região, Maurício e África do Sul, embora esses países tenham  registrado melhoras modestas, atingindo os 45º e 47º lugares, respectivamente. Mais abaixo no ranking, Quênia sobe para o 96º, Etiópia permanece no 109º e Nigéria desce três posições, indo para o 127º lugar.

“Na minha opinião, o interesse pelo crescimento econômico vem da potencial importância que ele exerce sobre a melhora do bem-estar das pessoas. O Relatório de Competitividade Global nos ajuda a entender os propulsores de crescimento, e esta edição vem em uma época de estagnação de produtividade, o fator determinante de crescimentos futuros”, afirma Xavier Sala-i-Martín, Professor de Economia na Columbia University.

Como é baseado o Relatório
O ranking do Relatório de Competitividade Global baseia-se no Índice de Competitividade Global (ICG), estabelecido pelo Fórum Econômico Mundial em 2005. Definindo competitividade como um conjunto de instituições, políticas e fatores que determinam o nível de produtividade de um país, o ICG é calculado pela união de dados nacionais em doze categorias – os pilares da competitividade – que, reunidos, formam uma imagem abrangente da competitividade do país. Os doze pilares são: instituições, infraestrutura, ambiente macroeconômico, saúde e educação básica, educação superior e treinamento, eficiência do mercado de produtos, eficiência do mercado de trabalho, desenvolvimento do mercado financeiro, prontidão tecnológica, tamanho do mercado, sofisticação empresarial e inovação.

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