Inteligência Competitiva Empresas: FBI prende executivo da Volks por fraude

Oliver Schmidt. Image taken from Google Plus.

A polícia federal dos Estados Unidos, o FBI, prendeu um executivo da Volkswagen acusado em processos cíveis de ter desempenhado papel importante no acobertamento do escândalo das emissões de veículos a diesel da montadora. Oliver Schmidt, que chefiou o escritório de conformidade da Volkswagen nos EUA, foi preso no sábado.

A detenção chega em meio aos esforços da montadora para concluir um acordo penal com as autoridades americanas sobre o escândalo das emissões, no qual a Volkswagen admitiu que veículos a diesel foram equipados com um programa de computador com o objetivo de subestimar as emissões de gases nocivos nos testes oficiais.

O acordo representaria um marco para os esforços da Volkswagen de deixar o escândalo para trás. O caso foi descoberto por autoridades de regulamentação dos EUA em 2015 e se transformou na pior crise na história da empresa.

A Volkswagen confirmou a prisão de Schmidt, que foi chefe do escritório ambiental e de engenharia da montadora nos EUA de 2014 ao início de 2015, mas não deu mais detalhes.

A prisão foi noticiada primeiramente pelo “The New York Times”, segundo o qual ele foi acusado de conspiração para enganar os EUA e seria denunciado em Detroit ontem. Schmidt e representantes do FBI não foram encontrados de imediato para comentar as informações.

A Volks admitiu em setembro de 2015 ter instalado programas em até onze milhões de veículos a diesel no mundo que indicavam nos testes oficiais de laboratório valores menores do que os reais nas emissões de óxido de nitrogênio.

Um estudo do International Council on Clean Transportation, uma organização sem fins lucrativos, feito em março de 2014, foi o primeiro a mostrar como as emissões de óxido de nitrogênio de alguns veículos a diesel da Volkswagen na estrada eram até 35 vezes maiores do que os níveis permitidos pelos padrões dos EUA.

Processos cíveis ajuizados em 2016 por vários Estados americanos, inclusive por procuradores ­gerais de Nova York e Maryland, contêm acusações de que a equipe de conformidade da Volkswagen reagiu ao estudo de 2014 com “uma estratégia de revelar o mínimo possível” sobre o software que burlava os testes.

Os procuradores ­gerais de Nova York e Maryland acusaram Schmidt de ter desempenhado um “papel importante” nos esforços para encobrir das autoridades reguladoras americanas a verdadeira razão para “as emissões ilegalmente altas de óxido de nitrogênio [dos carros a diesel Volkswagen] no mundo real primeiro detectadas na primavera [americana] de 2014”.

Em correspondência interna da Volkswagen obtida pelo jornal dominical alemão “Bild am Sonntag”e à qual o “Financial Times” teve acesso posteriormente, Schmidt transmitiu as preocupações das autoridades reguladoras para outros executivos da empresa.

Em e-­mail datado de 15 de maio de 2014, por exemplo, Schmidt escreveu para Michael Horn, então chefe da Volkswagen nos EUA, mencionando quais seriam os riscos e penalidades potenciais ligados à possível violação da lei americana do Ar Limpo por até 600 mil carros a diesel.

Ele listou estimativas de penas por carro, de US$ 37,5 mil, da Agência de Proteção Ambiental, que tem sede em Washington, e, de US$ 5,5 mil, do Conselho de Recursos do Ar, da Califórnia.

Em junho passado, em acordo cível parcial nos EUA, a Volkswagen aceitou pagar até US$ 15,3 bilhões, em disposições que permitiriam recomprar muitos carros a diesel envolvidos no escândalo e em indenizações para os proprietários afetados. Schmidt continua empregado pela Volkswagen.

Ele deu evidências a parlamentares do Reino Unido em janeiro de 2016, prestando conhecimentos técnicos juntamente com o diretor-­gerente da unidade britânica da Volkswagen, Paul Willis.

Na ocasião, Schmidt descreveu-­se como a pessoa “comandando o escritório para o desenvolvimento do trem de força”dos veículos do grupo e esclareceu que quando os problemas com o software dos veículos a diesel vieram à tona ele foi encarregado de voltar à sede da empresa em Wolfsburg para ser “um dos principais contatos com as agências pelo mundo”.

Em setembro, James Robert Liang, engenheiro da Volkswagen, tornou­-se a primeira pessoa a admitir culpa em acusações penais, entre as quais a de conspiração para enganar as autoridades e clientes nos EUA.

Ele aceitou cooperar com os procuradores.

Fonte: Patrick McGee | Financial Times, de Frankfurt, Valor Econômico, 10/01/2017, 05:00

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