Inteligência Competitiva Tecnológica – Sinais de Mercado: Máquinas "pensantes" dão o tom da inovação

Inteligência Artificial: Como a internet, cuja presença invisível ajudou a remodelar a maneira como as pessoas trabalham, conversam e se divertem, a inteligência artificial (IA) tem, aos poucos, se tornado indissociável da vida das pessoas. Créditos: iStock

Há cerca de uma década, a pesquisa sobre inteligência artificial (IA) estava praticamente restrita a dois territórios: os laboratórios acadêmicos e as obras de ficção científica. Nos últimos tempos, porém, a IA passou a ser alvo do interesse de mais e mais companhias à medida que se descobriam aplicações práticas para esse ramo da ciência. O resultado é uma revolução silenciosa que está modificando o dia a dia das pessoas.

Não por acaso, a IA é o elo que liga a maioria das 10 tendências tecnológicas do Valor para 2017 , uma lista que completa sua 7 ª edição neste ano. A relação, além da própria inteligência artificial, inclui os seguintes temas: blockchain, carros autônomos, fintechs, gêmeos digitais, novos riscos virtuais, pós­verdade, realidade virtual/aumentada, streaming de vídeo e substituição mais lenta de equipamentos.

Os assistentes pessoais digitais são a parte mais conhecida da inteligência artificial. São programas como a Siri, da Apple; a Cortana, da Microsoft; e o Google Assistant. Eles ajudam a fazer buscas na web, agendar compromissos, verificar o trânsito, checar a previsão do tempo etc.

Boa parte dessas funções já existiam. A novidade é a interface. A IA muda a maneira como as pessoas interagem com o mundo virtual. Em vez de seguir vários passos ­ pegar o aparelho, abrir o aplicativo, pressionar botões ­ basta fazer uma pergunta à assistente para ouvir a resposta. É a simulação de uma conversa, como se existisse uma pessoa real do outro lado. E a tendência é que esses softwares fiquem cada vez mais inteligentes, antecipando as necessidades do usuário. Por exemplo, consultar a agenda de compromissos e tomar a liberdade de chamar um táxi com antecedência para que o usuário não perca o horário.

Há, no entanto, muitos avanços em outras áreas. É o caso dos carros autônomos. Os sistemas de IA são imprescindíveis para o sucesso dos veículos que dispensam motorista. A expectativa é que, no futuro, eles tomem decisões sobre o que fazer no trânsito, sem colocar em risco a segurança de pedestres e passageiros. Um carro que dispense totalmente a interferência humana ainda está distante, mas a expectativa é de anúncios importantes em 2017 .

A IA também está sendo fortemente usada pelo setor financeiro. As fintechs estão liderando parte desse movimento. Essas empresas, cujo DNA mistura serviços financeiros com tecnologia, já constavam na lista de 2016. Retornam, agora, sob outra perspectiva ­ como alvo de aquisição dos bancos tradicionais, que têm encontrado valor nas inovações propostas pelas startups do setor.

Mesmo áreas que aparentemente não teriam muito a ver com a IA estão sob sua influência. Os serviços de streaming de vídeo, como o Netflix, usam essas tecnologias para fazer recomendações de conteúdo que podem interessar ao espectador. Se o sistema entende que alguém é fã de filmes de terror, por exemplo, fará mais sugestões de títulos do gênero, determinadas pelas escolhas anteriores do assinante.

A IA já encontrou até um papel de corroteirista. O Netflix usou um algoritmo, chamado NetflixBot, para coletar dados sobre os programas mais populares de seu catálogo. Depois, analisou os temas de maior destaque e os mesclou num único seriado. O resultado é a série de mistério “Stranger Things”, que traz de volta hábitos e elementos culturais dos anos 80.

Da lista do ano passado, nove previsões se mostraram acertadas, em maior ou menor grau ­ internet das coisas; cidades inteligentes; a própria inteligência artificial; realidade virtual, que retorna neste ano; drones; equipamentos híbridos entre tablets e notebooks; dinheiro digital; blockchain, outro tema que permanece; e o consumo de entretenimento em múltiplas telas.

O que não ocorreu como previsto foi o avanço mais acelerado das leis relativas à internet. Os crimes digitais continuam a ocorrer ­ e ameaçam se tornar ainda mais sofisticados em 2017 , com o uso da inteligência artificial. O ambiente regulatório, no entanto, ainda apresenta muitas lacunas em relação a infrações cujas características são bem peculiares ao universo digital.

Fontes: Gustavo Brigatto e João Luiz Rosa, Valor Econômico, 02/01/2017,­ 05:00

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s