E a conclusão é: Natal das lembrancinhas, por Cida Damasco

lembrancinha-de-natal-usando-garrafa-pet-8Os balanços do varejo do fim de ano divulgados nesta segunda-feira (26) simplesmente confirmam o que já vinha se observando ao longo de meses e meses. Natal fraco para fechar um ano fraco. De acordo com a associação de lojistas dos shoppings, as vendas nesse tipo de estabelecimento encolheram 3,2% neste ano, em termos nominais, ou seja, sem descontar a inflação. É a primeira vez que isso ocorre desde o início da pesquisa, em 2004. Diminuíram também o número de lojas em shoppings e o número de novos empreendimentos – deixando para trás aquela época em que a construção de shoppings não só atendia à demanda crescente como também conferia status a bairros mais afastados das grandes metrópoles e pequenas cidades do interior.

Na mesma direção, as vendas a prazo caíram 1,46% em 2016, segundo levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito e da Confederação Nacional dos Dirigentes  Lojistas. Nesse caso, porém, a redução foi menos intensa do que a observada em 2015, o que pode significar algum ânimo para 2017.

O que se espera, no entanto, para o novo ano não é nenhuma virada no comportamento do consumidor. Depois de um período difícil de digestão das dívidas assumidas no período de crédito abundante, é natural que ele permaneça arredio a assumir compromissos mais pesados – até porque o desemprego continua firme e forte.

O que pode aliviar a situação é o uso dos saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitação de dívidas – e, por tabela, alguma folga no orçamento para uma volta, ainda que lenta e tímida, ao consumo. O governo decidiu liberar integralmente os saques das contas inativas do FGTS, sem qualquer limitação de finalidade. É de se esperar, mesmo assim, que o uso prioritário seja para zerar ou pelo menos reduzir dívidas, tendo em vista o custo proibitivo de carregar débitos não honrados no prazo.

Qualquer efeito da liberação do FGTS, no entanto, só deve aparecer no cenário econômico lá pelo segundo trimestre do ano: o calendário para saques será divulgado em 1º de fevereiro e obedecerá a data de aniversário dos trabalhadores.

EM TEMPO: pode até ser que neste ano a crise tenha reforçado essa característica, mas sinceramente não me lembro de um Natal que não tenha sido “das lembrancinhas”. Assim como não me lembro de um Natal em que o consumidor não tenha ido às compras na última hora. Será que o oposto um dia vai virar notícia?

Fonte: Cida Damasco, O Estado de S.Paulo, 26 Dezembro 2016 | 13h56

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