Inteligência Competitiva Empresas: Embraer vê 2017 tão desafiador quanto 2016, diz presidente

Presidente da Embraer, Paulo Cesar Silva, prevê 2017 “desafiador”

O ano de 2017 será tão desafiador quanto 2016, disse o presidente da Embraer, Paulo Cesar Silva, com incertezas econômicas e políticas no Brasil, Europa e América do Norte que podem afetar demandas nos segmentos de aviação executiva e comercial.

O executivo ponderou que a companhia está preparada para atravessar mais uma temporada com o balanço equilibrado e preservar o grau de investimento junto às agências Standard & Poor’s e Fitch.

O presidente da Embraer citou como exemplos de fontes de incertezas os três eventos ontem, que podem ter ligação com o terrorismo — assassinato do embaixador russo na Turquia, atropelamento de pessoas em um mercado natalino em Berlim, na Alemanha, e tiroteio em uma mesquita na Suíça. Paulo Cesar disse a jornalistas, em encontro em São Paulo nesta terça-­feira, que esses são casos deixam incertezas no mundo, que afetam planos e também investimentos e demanda.

O executivo citou ainda riscos que podem vir da crise econômica da Itália, da nova presidência nos Estados Unidos e da recessão econômica no Brasil como outros fatores que tornam 2017 um ano de incertezas. “Mas a Embraer está preparada para mais um ano desafiador. Fizemos investimentos de US$ 5,5 bilhões nos últimos anos para termos novos produtos em todas as áreas”, disse Paulo Cesar sobre novos modelos de jatos executivos, comerciais e de defesa e militares.

“Nossa estreia da nova família do E­2 está dentro do cronograma. Começamos a voar [fase de testes] da quarta aeronave em janeiro. Temos uma carteira forte para os novos jatos”, disse o presidente da Embraer. Sobre o KC­390, novo modelo do cargueiro militar, o presidente da Embraer disse que o projeto vai levar a companhia a ampliar a presença em territórios fora do Brasil “para atender novos clientes que teremos”.

“O setor de defesa & segurança vai ganhar cada vez mais importância na Embraer”, disse Paulo Cesar a jornalistas. O presidente da Embraer destacou ainda a produção de diversos aviões executivos de jatos executivos em unidades nos Estados Unidos, como modelo Phenom e Legacy. Paulo Cesar afirmou que a Embraer preservou o grau de investimento — em duas agências (Fitch e Standard & Poor’s) — apesar de o risco soberano ter caído para classificação de risco especulativo.

“Isso mostra o equilíbrio de nosso balanço, o que queremos manter em 2016”, afirmou. Grau de investimento O vice­-presidente executivo financeiro e relações com investidores da Embraer, José Antonio de Almeida Filippo, afirmou que a companhia tem condições de atravessar 2017 com o balanço equilibrado e preservar o grau de investimentos nas agências que mantiveram esse status para a fabricante de aeronaves, a Fitch e a Standard & Poor’s.

“A Moody’s rebaixou [a Embraer] porque o Brasil caiu e porque, pelas regras deles, não pode haver uma empresas com classificação de mais de dois degraus acima do soberano”, disse a jornalistas o vice presidente da Embraer. O executivo destacou que a empresa tem um prazo médio de vencimento de dívidas de seis anos e taxas confortáveis. “Vamos fechar este ano ainda com dívida líquida, mas temos caixa confortável”, disse Filippo.

O vice-presidente da Embraer disse que a empresa está preparada para realizar a maior parte dos desembolsos do programa de investimentos da nova família de jatos comerciais E­2, que ocorre no biênio 2016 e 2017 . “Nós nos planejamos para isso”, afirmou. Segundo Filippo, os desembolsos do programa dos jatos E­2 começam a cair em 2018, ano em que começam a ocorrer as primeiras entregas. “Teremos então uma curva [para as receitas] que gera caixa”, afirmou o executivo.

A Embraer encerrou o terceiro trimestre com uma posição de dívida líquida de R$ 2,118 bilhões, 7 ,6% mais que o endividamento de R$ 1,968 bilhões ao fim de junho, mas 17 ,2% menos que os compromissos líquidos, de R$ 2,558 bilhões, do terceiro trimestre de 2015.

Entre julho e setembro, o caixa gerado pelas atividades operacionais, líquido de investimentos financeiros e ganhos (perdas) não realizados, foi de R$ 7 02,9 milhões, levando a um uso livre de caixa de R$ 124 milhões, comparados a um caixa líquido gerado pelas atividades operacionais de R$ 128,4 milhões e um uso livre de caixa de R$ 528,9 milhões do terceiro trimestre de 2015.

Fonte: João José Oliveira | Valor, 20/12/2016,­ 15:13. Foto: Luis Ushirobira/Valor

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