Inteligência Competitiva Tecnológica: Um robô de US$ 2 mil, que se esforça para ser seu amigo

Francois Mori / Associated Press

Imagine um atendente capaz de memorizar os rostos de até 10 mil clientes, recordar seus gostos pessoais e, ainda por cima, trabalhar 12 horas seguidas sem perder o bom humor. Esse “vendedor ideal” tem 1,20 metro de altura e olhos que mudam de cor para expressar suas emoções. Trata-­se de Pepper, robô lançado pela SoftBank em junho de 2015 e que hoje recepciona e esclarece dúvidas de consumidores em mais de 140 lojas da companhia de telecomunicações no Japão.

Longe de ser um brinquedo ou uma simples curiosidade, o androide já tinha conseguido seu primeiro emprego antes do lançamento comercial: em 2014 a suíça Nestlé anunciou que iria utilizá-lo para ajudar a vender máquinas de café no Japão. O uso do robô em estabelecimentos comerciais funciona como vitrine para outro mercado, o de consumidores finais.

“Nós queríamos criar primeiro um companheiro emocional, para mostrar ao mercado e às pessoas que os robôs podem ser nossos amigos, podem proporcionar apoio emocional”, conta o americano Sean McKelvey, de 34 anos, gerente de desenvolvimento que liderou a equipe responsável pela criação de Pepper. Desde o início do projeto, a intenção era criar um “robô emotivo”que fosse capaz de interagir e conviver de forma agradável com todos os integrantes de uma família.

O robô reage de maneiras distintas, por exemplo, ao interagir com uma criança ou um adulto. “E se você tem, vamos dizer, uma filha única de cinco anos?

De repente, Pepper chega e todos se encantam com ele. A menina pode ficar com ciúmes. Como você cria uma relação entre Pepper e essa criança?”, diz McKelvey, que esteve no país para participar do Wired Festival Brasil 2016, evento realizado na semana passada pelas Edições Globo Condé Nast e pelo jornal “O Globo”.

A atenção a esse tipo de detalhe explica em parte porque a SoftBank não escolheu um engenheiro ou um programador para liderar o projeto do robô­ McKelvey é formado em psicologia. Para identificar as emoções externadas por seu interlocutor e reagir a elas, Pepper foi dotado de tecnologias que lhe permitem reconhecer rostos e a maneira como mudam de expressão. Outro recurso usado pelo androide é a análise do ritmo, da entonação e altura de uma voz.

A partir da combinação dessas duas variáveis (voz e expressões faciais), o software usado no robô gera uma pontuação que indica o estado emocional de quem está interagindo com Pepper, o que lhe permite, por exemplo, mudar o rumo de uma conversa. Devido à complexidade na fabricação do produto, a SoftBank Robotics, braço de robótica da companhia japonesa, fabrica apenas mil unidades por mês do robô, absorvidas inteiramente pelo mercado nipônico.

As vendas via internet são abertas só um dia por mês, à meia-­noite. A aceitação tem sido boa, apesar de a versão doméstica do robô custar em torno de US$ 2 mil, mais uma taxa de serviço mensal. Nos dez primeiros meses após o lançamento, as mil unidades disponíveis mensalmente foram vendidas em menos de um minuto.

A SoftBank desenvolve programas ­piloto com o Pepper na França e em Taiwan e se prepara para iniciar testes nos Estados Unidos ainda este ano, informa McKelvey, revelando uma das razões que levam a companhia a fazer estudos detalhados em cada mercado: “Diferentes países e culturas têm relações e expectativas diferentes a respeito dos robôs.

A mídia japonesa já tem seus robôs atraentes e prestativos há décadas. Quando a maioria dos japoneses vê um robô, não sente medo. Já os americanos, quando veem um, pensam logo no Exterminador do Futuro.

Fonte: Rodrigo Carro, Valor Econômico, 05/12/2016, 05:00. Foto: Francois Mori/Associated Press

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