RECEITA DE ANO NOVO, por Carlos Drummond de Andrade

RECEITA DE ANO NOVO

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade , “Receita de Ano Novo”. Editora Record. 2008.
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Industrie 4.0 – The Fourth Industrial Revolution

The vision of tomorrow’s manufacturing: In intelligent factories, machines, raw materials, and products communicate within an “Internet of things” and cooperatively drive production.

Products find their way independently through the production process. The objective: highly flexible, individualized and resource-friendly mass production. That is the vision for the Fourth Industrial Revolution. Siemens is playing a major role in shaping the future of industry. Find out more here

Inteligência Competitiva Brasil: PNAD Contínua: em novembro, taxa de desocupação foi de 11,9%

Resultado de imagem para desemprego

 

Indicador / Período Set – Out – Nov
2016
Jun – Jul – Ago
2016
Set – Out – Nov
2015
Taxa de desocupação 11,9% 11,8% 9,0%
Rendimento real habitual R$ 2.032 R$$ 2.027 R$ 2.041
Variação % do rendimento em relação a: (estável) (estável)

A taxa de desocupação do trimestre móvel de setembro a novembro de 2016 (11,9%) foi a mais elevada desde o início da série, em 2012, embora tenha ficado estatisticamente estável em relação à taxa do trimestre móvel de junho a agosto de 2016 (11,8%). Em relação ao mesmo trimestre de 2015 (9,0%), houve alta de 2,9 pontos percentuais.

A população desocupada no período chegou a 12,1 milhões de pessoas, o maior contingente da série histórica, mantendo estabilidade estatística em relação ao
trimestre móvel de junho a agosto de 2016 (12,0 milhões) e crescendo 33,1% em relação ao mesmo trimestre de 2015, o que equivale a 3,0 milhões de pessoas a mais em busca de trabalho.

A população ocupada, estimada em 90,2 milhões, ficou estável em relação ao trimestre de junho a agosto de 2016 e recuando 2,1% em comparação com igual trimestre do ano passado (92,2 milhões de pessoas), o que representa uma redução de aproximadamente 1,9 milhão de pessoas ocupadas.

O contingente de empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada (34,1 milhões de pessoas) ficou estável em relação ao trimestre de junho a agosto de 2016, mas caiu 3,7% (ou menos 1,3 milhão de pessoas com carteira de trabalho assinada) em relação ao mesmo trimestre móvel de 2015.

O rendimento médio real habitualmente recebido pelas pessoas ocupadas
(R$ 2.032) ficou estável frente ao trimestre de junho a agosto de 2016 (R$ 2.027) e também em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (R$ 2.041).

A massa de rendimento real habitual em todos os trabalhos pelas pessoas ocupadas (R$ 178,9 bilhões) não mostrou variação significativa em relação ao trimestre de junho a agosto de 2016 e caiu (-2,0%) frente ao mesmo trimestre de 2015. A publicação completa da PNAD Contínua Mensal pode ser acessada aqui.

Quadro 1 – Taxa de Desocupação – Brasil – 2012/2016

Trimestre móvel 2012 2013 2014 2015 2016
nov-dez-jan 7,2 6,4 6,8 9,5
dez-jan-fev 7,7 6,8 7,4 10,2
jan-fev-mar 7,9 8,0 7,2 7,9 10,9
fev-mar-abr 7,8 7,8 7,1 8,0 11,2
mar-abr-mai 7,6 7,6 7,0 8,1 11,2
abr-mai-jun 7,5 7,4 6,8 8,3 11,3
mai-jun-jul 7,4 7,3 6,9 8,6 11,6
jun-jul-ago 7,3 7,1 6,9 8,7 11,8
jul-ago-set 7,1 6,9 6,8 8,9 11,8
10° ago-set-out 6,9 6,7 6,6 8,9 11,8
11° set-out-nov 6,8 6,5 6,5 9,0 11,9
12° out-nov-dez 6,9 6,2 6,5 9,0

Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua

Gráfico 2 – Pessoas de 14 anos ou mais de idade, desocupadas na semana de referência – Brasil – 2012/2016 (em mil pessoas)

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua.

O nível da ocupação (percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar) foi estimado em 54,1% no trimestre de setembro a novembro de 2016, com estabilidade frente ao trimestre de junho a agosto de 2016, (54,2%) e retração de 1,8 ponto percentual, em relação ao nível do mesmo trimestre do ano anterior (55,9%).

A força de trabalho (pessoas ocupadas e desocupadas), estimada em 102,3 milhões de pessoas, ficou estável em relação ao trimestre de junho a agosto de 2016 e cresceu 1,1% (mais 1,1 milhão de pessoas) frente ao mesmo trimestre de 2015.

O contingente fora da força de trabalho no trimestre de setembro a novembro de 2016 (64,5 milhões de pessoas) apresentou estabilidade em relação ao trimestre de junho a agosto de 2016 e cresceu 1,5% (mais 967 mil pessoas) frente ao mesmo trimestre de 2015.

O contingente de empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada, estimado em 34,1 milhões de pessoas, apresentou estabilidade em comparação com o trimestre de junho a agosto de 2016. O confronto com o trimestre de setembro a novembro de 2015 mostrou queda de 3,7%, o que representou diminuição de cerca de 1,3 milhão de pessoas com carteira de trabalho assinada.

Já o número de empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada (10,5 milhões de pessoas) cresceu 2,4% (ou mais 246 mil pessoas) em relação ao trimestre móvel de junho a agosto de 2016 e aumentou em 3,5% (mais 350 mil pessoas) contra o mesmo trimestre de 2015.

A categoria dos trabalhadores por conta própria (21,9 milhões de pessoas) caiu (-1,3%) frente ao trimestre de junho a agosto de 2016 (menos 297 mil pessoas). Em relação ao mesmo período de 2015, também houve queda (-3,0%, ou menos 673 mil pessoas).

O contingente de empregadores, estimado em 4,2 milhões de pessoas, teve crescimento de 5,5%, mais 216 mil pessoas em relação ao trimestre de junho a agosto de 2016. Em relação ao mesmo período do ano anterior, esse contingente manteve-se estatisticamente estável.

O contingente dos trabalhadores domésticos (6,1 milhões de pessoas) ficou estável em ambas as comparações.

Gráfico 4 – Pessoas de 14 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência – Brasil – 2012/2016 (mil pessoas)

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua.

A análise do contingente de ocupados, segundo os grupamentos de atividade, do trimestre móvel de setembro a novembro de 2016, em relação ao trimestre de junho a agosto de 2016, mostrou retração em dois grupamentos: na agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e agricultura (3,9%, ou seja – 359 mil pessoas) e na construção (-2,2% ou seja, 155 mil pessoas) e expansão nos grupamento de alojamento e alimentação (4,6%, ou seja, 209 mil pessoas) e de outros serviços (5,7%, ou seja, 237 mil pessoas). os demais grupamentos se mantiveram estáveis.

Em relação ao mesmo trimestre de 2015, os seguintes grupamentos se retraíram: agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e agricultura, –4,7% (-438 mil pessoas), indústria geral, -8,2% (-1,0 milhão de pessoas), construção, -9,0% (-702 mil pessoas), informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, –2,6% (-256 mil pessoas) e serviços domésticos, -3,1% (-194 mil pessoas). Houve aumentos nos grupamentos de alojamento e alimentação, 7,8% (346 mil pessoas) e outros serviços, 7,0% (287 mil pessoas). os demais grupamentos não sofreram alteração.

O rendimento médio real habitualmente recebido pelas pessoas ocupadas (R$ 2.032) ficou estável frente ao trimestre de junho a agosto de 2016 (R$ 2.027) e também em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (R$ 2.041).

A única posição na ocupação com queda no rendimento médio real habitual em relação ao trimestre de junho a agosto de 2016 foi a dos trabalhadores por conta própria (-2,7%). As demais categorias não variaram. Em relação ao mesmo trimestre de 2015, os empregadores tiveram queda no rendimento (-5,9%) e as outras categorias ficaram estáveis.

Na comparação com o trimestre de junho a agosto de 2016, o único grupamento de atividade que apresentou variação no rendimento médio real habitual foi o da agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e agricultura (3,5%). Frente ao mesmo trimestre do ano anterior, esta estimativa permaneceu estável em todos os grupamentos de atividade.

A massa de rendimento real habitual em todos os trabalhos pelas pessoas ocupadas
(R$ 178,9 bilhões) não mostrou variação significativa em relação ao trimestre de junho a agosto de 2016 e caiu (-2,0%) frente ao mesmo trimestre de 2015.

Quadro 3 – Rendimento real habitualmente recebido em todos os trabalhos
pelas pessoas ocupadas – Brasil – 2012/2016

Trimestre móvel 2012 2013 2014 2015 2016
nov-dez-jan 2.001 2.058 2.102 2.037
dez-jan-fev 2.013 2.080 2.102 2.020
jan-fev-mar 1.982 2.025 2.103 2.103 2.035
fev-mar-abr 1.996 2.031 2.100 2.092 2.023
mar-abr-mai 1.983 2.040 2.094 2.087 2.030
abr-mai-jun 1.985 2.058 2.063 2.092 2.005
mai-jun-jul 2.001 2.071 2.034 2.074 2.011
jun-jul-ago 2.004 2.079 2.043 2.063 2.027
jul-ago-set 2.003 2.078 2.067 2.066 2.023
10° ago-set-out 1.998 2.084 2.081 2.058 2.030
11° set-out-nov 1.996 2.077 2.074 2.041 2.032
12° out-nov-dez 1.994 2.064 2.085 2.030

Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua

Comunicação Social, 29 de Dezembro de 2016 

Livro Homem no Fogão e Mulher na Gestão por um preço muito especial na…

hfmgsaraiva

Em se falando no Natal das lembrancinhas, a Saraiva está com uma oferta muito especial para o livro “Homem no Fogão e Mulher na Gestão” (de R$ 98,00 por R$ 19,90): Como Antecipar Movimentos de Mercado e da Concorrência em um Mundo Dirigido pela Maior Participação das Mulheres nas Compras de Produtos e Serviços, através de Estratégia e Inteligência Competitiva com Enfoque Global e Local

De Alfredo Passos e Sandra Maria Martini. São Paulo : LCTE Editora, 2010. 512 p. ISBN: 9788579420245

O livro apresenta os mais recentes artigos científicos, estudos de caso, conceitos, metodologias, teorias e exemplos práticos sobre Inteligência Competitiva, Inteligência Competitiva Tecnológica e Inovação Aberta.

Dividido em duas partes. Na primeira parte estão descritos os fundamentos em Inteligência que todo profissional precisa conhecer para iniciar ou se desenvolver neste campo de trabalho, como definições, ciclo de Inteligência, benefícios de Inteligência para empresa, além do perfil profissional exigido nos países desenvolvidos.

Na segunda parte contém práticas avançadas para a prática e a Gestão em Inteligência. Como criar uma cultura corporativa, como se manter a par dos avanços tecnológicos, entre outros temas.

Ainda capítulos voltados as necessidades de Inteligência, como entrevistas, relatórios e condições para o bom andamento do trabalho.

Também conceitos e práticas da coleta de informações em Inteligência, acesso às fontes de informação, desenvolvimento de técnicas e transposição da informação para o formato apropriado a empresa.

E uma das partes mais importantes, ou seja, o coração do trabalho: a análise em Inteligência. Além de um capítulo reservado a discussão sobre Comunicação em Inteligência, bem como, o que é Inteligência.

Indicado para executivos, profissionais de Inteligência Competitiva, Inteligência de Mercado, Marketing, Comunicação, Vendas, Pesquisa de Mercado, Planejamento Estratégico, bem como estudantes de graduação e pós-graduação (Stricto sensu e Lato sensu), de administração, pesquisa de mercado, comunicação social, biblioteconomia, relações internacionais, entre outras.

Capa de Ana Cossermelli.

Compre este livro e receba-o em sua casa ou escritório, Saraiva, aqui de R$ 98,00 por R$ 19,90 (post de 28/12/2016 – válido até o término dos estoques ou até a Saraiva aceitar o seu pedido, este blog não tem responsabilidade sobre a oferta da Saraiva). Indicação de serviço.

E a conclusão é: Natal das lembrancinhas, por Cida Damasco

lembrancinha-de-natal-usando-garrafa-pet-8Os balanços do varejo do fim de ano divulgados nesta segunda-feira (26) simplesmente confirmam o que já vinha se observando ao longo de meses e meses. Natal fraco para fechar um ano fraco. De acordo com a associação de lojistas dos shoppings, as vendas nesse tipo de estabelecimento encolheram 3,2% neste ano, em termos nominais, ou seja, sem descontar a inflação. É a primeira vez que isso ocorre desde o início da pesquisa, em 2004. Diminuíram também o número de lojas em shoppings e o número de novos empreendimentos – deixando para trás aquela época em que a construção de shoppings não só atendia à demanda crescente como também conferia status a bairros mais afastados das grandes metrópoles e pequenas cidades do interior.

Na mesma direção, as vendas a prazo caíram 1,46% em 2016, segundo levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito e da Confederação Nacional dos Dirigentes  Lojistas. Nesse caso, porém, a redução foi menos intensa do que a observada em 2015, o que pode significar algum ânimo para 2017.

O que se espera, no entanto, para o novo ano não é nenhuma virada no comportamento do consumidor. Depois de um período difícil de digestão das dívidas assumidas no período de crédito abundante, é natural que ele permaneça arredio a assumir compromissos mais pesados – até porque o desemprego continua firme e forte.

O que pode aliviar a situação é o uso dos saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitação de dívidas – e, por tabela, alguma folga no orçamento para uma volta, ainda que lenta e tímida, ao consumo. O governo decidiu liberar integralmente os saques das contas inativas do FGTS, sem qualquer limitação de finalidade. É de se esperar, mesmo assim, que o uso prioritário seja para zerar ou pelo menos reduzir dívidas, tendo em vista o custo proibitivo de carregar débitos não honrados no prazo.

Qualquer efeito da liberação do FGTS, no entanto, só deve aparecer no cenário econômico lá pelo segundo trimestre do ano: o calendário para saques será divulgado em 1º de fevereiro e obedecerá a data de aniversário dos trabalhadores.

EM TEMPO: pode até ser que neste ano a crise tenha reforçado essa característica, mas sinceramente não me lembro de um Natal que não tenha sido “das lembrancinhas”. Assim como não me lembro de um Natal em que o consumidor não tenha ido às compras na última hora. Será que o oposto um dia vai virar notícia?

Fonte: Cida Damasco, O Estado de S.Paulo, 26 Dezembro 2016 | 13h56

Inteligência Competitiva – Sinais de Mercado: Imóveis – Galpões vagos em São Paulo somam 300 Maracanãs

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Um dos retratos da crise na economia está estampado ao longo das estradas paulistas. Num raio de mais de 100 quilômetros da capital, percorridos pelo ‘Estado’ entre as rodovias Anhanguera e Bandeirantes, há centenas de placas de alugam-se galpões, além de áreas industriais e rurais à venda e painéis vagos à espera de anunciantes num dos principais corredores logísticos do País. É o reflexo concreto da mais longa e profunda recessão, que fez inúmeras empresas encolherem ou fecharem as portas.

Pela primeira vez desde que o setor de galpões logísticos começou a se desenvolver no País em 2010 houve neste ano devolução de imóveis pelos inquilinos. Só no Estado de São Paulo 38 mil metros quadrados foram entregues aos locadores no terceiro trimestre, nas contas da Cushman & Wakefield, consultoria especializada em serviços imobiliários. Nesse total já estão descontadas as novas locações ocorridas no período.

“Nunca havia tido devolução líquida de galpões”, diz Gustavo Garcia, chefe de pesquisa de mercado e inteligência de negócios para a América do Sul da consultoria.

Ele explica que nesse período houve uma segunda fase de ajuste das empresas ao tamanho menor do mercado. Na primeira fase, a correção ocorreu nas companhias ligadas ao setor de veículos e da construção civil. Agora, diz Garcia, o ajuste pegou os setores ligados a móveis, eletrodomésticos e eletrônicos. Assim como a construção civil e veículos, esses segmentos também são movidos a crédito, mas com prazos menores. No entanto, o ritmo de produção e vendas foi igualmente afetado pela escassez de financiamentos.

Embora o Estado de São Paulo seja o principal mercado, o movimento de devolução de espaços vazios também ocorreu em outras regiões, mas em menor proporção. A pesquisa aponta que no Paraná foram devolvidos 18 mil metros quadrados e em Pernambuco 14 mil metros quadrados no terceiro trimestre, descontadas novas locações. A região Norte foi a única que apresentou valor positivo para o indicador.

Vacância. Com o encolhimento das empresas, o nível de ociosidade nos galpões logísticos disparou. A taxa de vacância no País atingiu 22,7% e no Estado de São Paulo subiu 23,8% no terceiro trimestre.

Essa vacância nos galpões é quase o triplo da registrada em 2011, quando a economia estava em rota de crescimento e o setor corria para entregar novos empreendimentos.

Garcia acredita que a ociosidade encerre este ano em 24,5% e permaneça nesse patamar durante o próximo ano por causa do processo de reacomodação das empresas que ainda está em curso: “A ociosidade dos galpões deve começar a cair em 2018”.

Outro indicador do momento de ajuste aparece no preço pedido de locação. No terceiro trimestre, a cotação média do metro quadrado era R$ 19,99, uma cifra 2,5% menor em relação ao valor pedido no mesmo período do ano passado, sem descontar a inflação. Garcia frisa que esse é o preço pedido. O preço fechado deve ser menor por causa dos descontos dados pelos proprietários.

Fonte: Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo, 25 Dezembro 2016 | 05h00. Foto: Alex Silva|Estadão

Inteligência Competitiva Empresas: Edgard Corona revela as dificuldades que passou e o que aprendeu em 20 anos

corona-768x512O fundador da rede de academias Bio Ritmo e Smart Fit, Edgard Corona. Foto: Gabriela Bilo/Estadão

De uma unidade em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, a uma rede de academias que encerra 2016 com 395 lojas, sendo que 100 delas estão no México, Chile, República Dominicana e Colômbia com um total de 1 milhão de alunos e previsão de faturamento superior a R$ 900 milhões, a vida empresarial de Edgard Corona, fundador das marcas Bio Ritmo e Smart Fit, passou por turbulências, erros e grandes aprendizados.

Para começar, ele diz que ele e seus então sócios erraram durante oito anos com a academia na zona sul, inaugurada em 1996. “Nós nos ferramos”. Segundo ele, o projeto estava errado, faltava equilíbrio entre estacionamento e o preço que cobravam. “Quando era caro, sobrava vaga e não tinha público, quando era barato, não tinha vaga.”

Depois de oito anos, o negócio melhorou e houve um bom período de dois anos. Mas o imóvel onde a academia estava instalada foi desapropriado para a construção de uma estação de metrô. O jeito foi recomeçar.

Foi quando surgiu a Bio Ritmo, no Conjunto Nacional da Avenida Paulista, com uma “pegada” top de linha. “Eu queria fazer uma coisa diferente, não tradicional em academia. Chamei o arquiteto João Armentano para fazer o projeto. Ele fez um trabalho bonito, deu uma diferenciada no produto e criamos uma experiência diferente para os clientes.” .

Em seguida, vieram mais duas unidades. Uma deu certo, a outra, no Morumbi, não teve o resultado esperado. Serviu como aprendizado. “Quando não se faz uma benchmarking bem feito, paga-se com o bolso. Foi um negócio muito dolorido”, admite Corona.

Ele passou a buscar aprendizado no mercado americano, que é mais maduro, que é mais maduro, segundo ele. Uma medida, foi trazer “uma turma que trabalhava o mercado americano” para mudar a gestão. Na sequência, buscaram um profissional para trabalhar a retenção do cliente. “Para que as pessoas tivessem resultado e as ficassem na academia.”

De acordo com Corona, era momento de expandir. “Sabíamos vender e reter. Agora, precisávamos ter capilaridade para fazer a marca. Aí começamos a fazer a expansão.” De acordo com o empreendedor, havia dificuldade de crescer com capital de terceiros, em razão dos altos juros. “Sobrava dinheiro, fazia uma unidade, depois sobrava mais um pouquinho, e fazia outra.”

Ele diz que o negócio “andou” baseado num modelo parecido com o que lá fora dava certo. “As redes que cresciam lá fora cresciam nesse formato, barra, sala de musculação e cárdio, então crescemos nesse modelo.”

Outra mudança ocorreu em 2003/2004, quando mudou o formato de gestão, que se tornou mais horizontal. “Quando se trata do setor de serviços não se pode ter um modelo em que a pessoa diga ‘preciso perguntar para a sede’, tem de resolver na hora. É necessário, então, treinar muito a equipe, desenvolvê-la, estruturar as lideranças para que a entrega fosse mais consistente.”

Apesar do crescimento, em 2007, um problema, que Corona atribui a um software de gestão, inclusive financeira, quase levou ao fim de todo o empreendimento, porque houve um descontrole em relação ao fluxo de caixa. Mas duas novas unidades, Campo Belo e Cerro Corá, entraram em funcionamento. “Daí para frente foi velocidade de cruzeiro. As operações estavam bem estruturadas, bem enxutas, lucrativas com um bom produto, tínhamos uma boa operação.”

Em 2009, uma nova mudança, com a criação da rede Smart Fit, baseada no conceito de baixo custo, com a inauguração de quatro unidades: São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Porto Alegre. A empresa alega que a rede é a que oferece a melhor relação custo-benefício do mercado. A marca Smart Fit tem um modelo enxuto de gestão, equipamentos modernos e preços que atraem um grande número de clientes.

Com o investimento feito na empresa pelo fundo Pátria, em 2010, foi possível pavimentar o caminho para uma expansão mais forte, tanto no Brasil quanto na América Latina. “Temos 68 clubes no México, somos líder lá. Somos a maior rede mexicana lá com a marca Smart Fit. O país terminará 2016 com 70 clubes e com 110 em 2017. A segunda cadeia lá tem 45 unidades.”

O fundo contribuiu não apenas financeiramente, mas também para aperfeiçoar a gestão. Ao mesmo tempo, a adoção do modelo de franquias também favoreceu o crescimento. Das 359 unidades, 60 são de franqueados, sendo que 52 estão no Brasil e 7, na República Dominicana.

Para 2017, além projetar que a rede chegue a 500 unidades, a empresa planeja que todas as academias do grupo comercializem produtos com a marca Smart Fit. Para isso, investiu cerca de R$ 2 milhões na criação da própria linha de suplementos e isotônicos para esportistas.

Outro projeto é a entrada no mercado de moda fitness, resultado de um investimento de R$ 2,5 milhões. A ideia é que as peças sejam comercializadas via plataformas online. “Cerca de 35% dos mais de um milhão de clientes que temos toma algum tipo de suplementação. Por que não fornecer para essa turma um produto que formatamos e formulamos aqui? Escolhemos um laboratório farmacêutico e o produto vai da fábrica direto para o consumidor. Achamos que conseguimos reduzir os preços em torno de uns 20% do que ele paga hoje.”

A experiência obtida em 20 anos de atuação no ramo, deixou em Corona dois grandes aprendizados. “Eu acho que é um aprendizado constante no Brasil é que você não pode ficar devendo. Se a pessoa estiver um pouco alavancada demais pode tomar um contrapé, pode ser perigoso.” A segunda grande lição, diz ele, é mudar o modelo de gestão para um modelo horizontalizado.

Fonte: Redação, Cláudio Marques, O Estado de S.Paulo, 28 Dezembro 2016 | 06h53