Inteligência Competitiva Tecnológica: Talvez você não precise mais de emprego! Veja seis previsões tecnológicas para nosso futuro

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A tecnologia está avançando tão rapidamente que experimentaremos mudanças radicais na sociedade nos próximos anos. Já começamos a enxergar maneiras pelas quais a computação, os sensores, a inteligência artificial e as ciências genéticas estão remodelando indústrias inteiras e nosso cotidiano.

À medida que sofremos essa rápida mudança, muitas das velhas premissas nas quais confiávamos não se aplicam mais. A tecnologia está criando um novo conjunto de regras que mudarão nossa própria existência. Aqui estão seis delas:

1) Qualquer coisa que puder se tornar digital, se tornará

A digitalização começou com palavras e números. Em seguida, mudou para os jogos e, mais tarde, para outras mídias – como filmes, imagens e música. Também migramos funções complexas dos negócios, ferramentas médicas, processos industriais e sistemas de transporte para o domínio digital. Agora, estamos digitalizando tudo sobre nossas vidas diárias: nossas ações, palavras e pensamentos.

O sequenciamento de DNA [métodos que decifram e interferem em nosso DNA] a baixo custo e as técnicas de machine learning [aprendizado de máquina – quando o computador aprende observando padrões de comportamento] estão desbloqueando as senhas dos sistemas da vida. Sensores onipresentes e de baixo custo estão documentando tudo o que fazemos e criando registros digitais completos de nossa vida.

2) Seu trabalho tem chance significativa de ser eliminado

Em vários campos, as máquinas e robôs estão começando a fazer o trabalho dos humanos. Vimos isso acontecer primeiro na Revolução Industrial, quando a produção manual deu lugar às fábricas e muitos milhões de pessoas perderam seus meios de subsistência. Novos empregos foram criados, mas foi um período terrível, e houve um deslocamento social significativo (da qual surgiu o movimento ludita – que lutava contra a mecanização do trabalho).

O movimento de transformar os empregos em digitais está bem encaminhado nas indústrias que têm baixos salários. A Amazon confia em robôs para fazer uma parte significativa de seu trabalho de armazenamento. A Safeway (cadeia de supermercados) e a Home Depot (rede de materiais de construção e para casa) estão expandindo rapidamente o autoatendimento na hora de pagar. Logo, os carros autônomos vão eliminar milhões de empregos de motoristas.

Também estamos vendo desaparecerem funções no Direito, com softwares especializados eliminando a necessidade de legiões de advogados associados para vasculhar papeis e documentos digitais. oS diagnósticos automatizados irão substituir médicos em campos como radiologia, dermatologia e patologia.

O único refúgio será em segmentos que são criativos de alguma forma, como marketing, empreendedorismo, estratégia e áreas técnicas avançadas. Novos empregos que não podemos imaginar hoje surgirão, mas não substituirão todos os empregos perdidos. Devemos estar prontos para um mundo de elevada taxa de desemprego. Mas não se preocupe, porque…

3) A vida será tão acessível que para sobreviver não será preciso ter um emprego

Note como os minutos das ligações via celular são quase gratuitos e como nossos computadores passaram a ser mais baratos e poderosos nas últimas décadas. À medida que avançam, tecnologias como computação, sensores e energia solar diminuirão seu custo. A vida como a conhecemos se tornará radicalmente mais barata. Já estamos vendo os primeiros sinais disso: graças aos avanços no mercado de carros compartilhados e a serviços de aplicativos como o Uber, toda uma geração está crescendo sem a necessidade ou mesmo o desejo de possuir um veículo.

Saúde, alimentação, telecomunicações, eletricidade e computação vão ficar mais baratos rapidamente, assim que a tecnologia reinventar estas indústrias.

4) Seu destino estará em suas mãos como nunca antes

O benefício da queda nos custos de vida será que a tecnologia e as ferramentas para nos manter saudáveis, felizes, bem-educados e bem informados serão baratas ou gratuitas. O aprendizado online em praticamente qualquer área já é gratuito. Os custos também estão caindo com dispositivos médicos embarcados em dispositivos móveis. Seremos capazes de fazer autodiagnósticos sofisticados e tratar uma porcentagem significativa de problemas de saúde usando apenas um smartphone e um software inteligente.

Kits modulares e de código aberto estão tornando o “faça-você-mesmo” mais fácil. Assim, você cria seus próprios produtos. O DIYDrones.com, por exemplo, permite que qualquer um mescle ou combine componentes, com instruções relativamente simples, e assim construa seu próprio dispositivo voador não-tripulado. Com impressoras 3D, você pode criar seus próprios brinquedos. Em breve, elas permitirão que você “imprima” itens domésticos comuns – e até eletrônicos.

A tecnologia que impulsiona estas melhorias em eficiência também tornará a personalização de massa e a melhor distribuição da produção uma realidade. Sim, você talvez tenha uma pequena fábrica em sua garagem, e seus vizinhos também.

5) A abundância se tornará um problema muito maior do que a escassez

Com a tecnologia tornando tudo mais barato e abundante, nossos problemas estarão mais no consumir em excesso do que na escassez. Isso já é evidente em algumas áreas, especialmente no mundo desenvolvido, onde as doenças de afluência – obesidade, diabetes, parada cardíaca – são as maiores assassinas.

Estas pragas rapidamente chegaram, junto com a dieta ocidental, ao mundo em desenvolvimento. Os genes humanos adaptados às condições de escassez são lamentavelmente despreparados para condições de excesso calórico. Podemos esperar que este processo só piore com a queda dos preços do Big Mac, e de outros produtos dos quais nossos corpos não precisam, tornando tudo isso acessível para mais gente.

O crescimento da mídia social, a era da internet e as conexões constantes são outras fontes de excesso. Os seres humanos têm evoluído para gerenciar as tarefas em série. A degradação de nossa atenção e o aumento precipitado dos problemas de déficit dela, que já experimentamos, são em parte atribuíveis a esse espalhar rarefeito de nossa concentração.

Como o número de entradas de dados e opções para a atividade mental continuam crescendo, só vamos dividir mais e mais nossa atenção. Então, mesmo que tenhamos as ferramentas para fazer o que precisamos, forçar nossos cérebros a se comportar bem o suficiente para finalizar as coisas se tornará uma tarefa cada vez mais árdua.

6) A diferença entre homem e máquina ficará cada vez mais obscura

A controvérsia sobre o Google Glass mostrou que a sociedade continua inquieta sobre a fusão entre homem e máquina. Lembra-se daqueles óculos estranhos que as pessoas usavam, que gravavam tudo ao redor? O Google parou de vendê-los por causa da frenesi, mas versões miniaturizadas deles logo estão em toda parte. Os implantes de retina já usam silício para substituir ligações nervosas.

As próteses que operam com a ajuda de softwares são extensões personalizadas e altamente específicas de nossos corpos. Exoesqueletos guiados por computador serão usados pelas forças armadas nos próximos anos e deverão se tornar ferramentas comuns de mobilidade para deficientes e idosos.

Vamos tatuar sensores em nossos corpos para monitorar indicadores básicos de saúde e transmitir esses dados para os nossos telefones. Isso se soma aos numerosos dispositivos que interagem diretamente com nossos corpos e dão feedbacks informativos e biológicos. Como resultado, a própria ideia do que significa ser um humano mudará. Será cada vez mais difícil traçar uma linha entre o humano e a máquina.

*Esta coluna é baseada no próximo livro de Vivek Wadhwa, “Driver in the Driverless Car: How Our Technology Choices Will Create the Future” [“Motorista em um Carro Sem Motorista: Como Nossas Escolhas Tecnológicas Vão Moldar o Futuro”, em tradução livre]”, que será lançado nos próximos meses nos Estados Unidos. Wadhwa é professor da Carnegie Mellon University Engineering no Vale do Silício (Califórnia) e diretor de Centro de Empreendedorismo e Pesquisa de Mercado da Duke University (Carolina do Norte).

Fonte: Vivek Wadhwa, Washington Post, Gazeta do Povo, 17/11/2016, 14h13

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