Inteligência Competitiva – Indústria 4.0: Modelo pode reverter desindustrialização

José Borges Frias, diretor de estratégia da Siemens: a indústria 4.0 é uma boa forma de dar salto de produtividade

A indústria 4.0 pode funcionar como instrumento para reverter o processo de desindustrialização e recuperar a participação do setor industrial no PIB brasileiro. Criado na Alemanha, com o objetivo de utilizar a tecnologia digital para aumentar a produtividade industrial e fortalecer a economia do país face ao abalo da crise financeira global de 2008-­2009, o modelo pode ajudar a indústria brasileira a dar um salto de competitividade, acredita José Borges Frias Jr., diretor de estratégia, inteligência de mercado e business excellence para as divisões digital factory e process industries and drives da Siemens Brasil.

“A indústria brasileira, se quiser participar das cadeias globais de valor, precisa ter melhor produtividade e a indústria 4.0 é uma boa forma de dar esse salto”, diz o executivo. Grandes empresas globais de setores como o automotivo, químico, de papel e celulose, bens de capital e bens de consumo são as que se destacam hoje no país na adoção desse conjunto integrado e conectado de tecnologias, que permite o uso mais racional de materiais e energia, menor custo e maior eficiência na fabricação, logística e distribuição dos produtos.

Utilizando tecnologias como internet das coisas (IoT) e computação em nuvem, o novo modelo também permite a customização em massa, eliminando a necessidade da produção de grandes lotes de um único modelo para obter­se economia de escala. Uma mesma linha pode comportar vários modelos, sem encarecer o produto, como ocorre hoje com a Volkswagen, cliente da Siemens, na fábrica de São José dos Pinhais (PR), onde são produzidos os modelos Golf, Audi e Fox em uma mesma linha de montagem.

No setor de papel e celulose, a Fibria investiu em um sistema de análise preditiva da SAP aplicado a projetos como o desenvolvimento de novos clones de eucalipto e melhores práticas de manejo florestal. No agronegócio, a Stara, fabricante de máquinas agrícolas, desenvolveu em conjunto com a SAP um protótipo de trator com a tecnologia IoT que permite ao agricultor monitorar on­line e em tempo real os processos de plantio, preparo, adubação e correção do solo, pulverização e colheita.

Os dados podem ser integrados ao sistema de gestão da fazenda, possibilitando análise em tempo real. A SAP, que nos últimos cinco anos investiu € 10 bilhões em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias, vai destinar € 2 bilhões, até 2020, apenas à IoT. Mário Rachid, diretor executivo de soluções digitais da Embratel destaca a solução de internet das coisas aplicada a automóveis, que permite acionar autofalantes e microfones do sistema hands­free, travar portas a distância, conectar aplicativos e solicitar à central de uma montadora o acompanhamento em rotas perigosas. A tecnologia já é usada pela GM no Brasil nos modelos Médio Cruze 2016 e no novo Cobalt da Chevrolet.

A Volvo aplicou a solução no modelo XC60. Entre os serviços oferecidos pela Embratel para a indústria 4.0 estão a transmissão de dados, cloud computing, M2M/internet das coisas e datacenter. Para Rachid, a facilidade de acesso e a flexibilidade da nuvem contribuem para melhorar a produção e o gerenciamento de fábricas e escritórios. “Por meio de aplicações em nuvem, as indústrias podem aumentar sua capacidade em momentos de pico e reduzir quando for necessário, otimizando gastos e investimentos”, afirma. A indústria 4.0 baseia­se em padrões abertos e pressupõe colaboração e parcerias entre fabricantes, integradores, companhias de telecomunicações e usuários.

“Colaboração é a palavra chave do sucesso nesse novo mundo digital”, diz Orlando Cintra, vice-­presidente sênior da área de digital enterprise platform da SAP. Em setembro, SAP e Bosch firmaram parceria para interligar suas plataformas de internet das coisas e indústria 4.0. “Foi uma parceria para facilitar a inteligência de nossos projetos de indústria 4.0 com o sistema SAP de produção e informação que já utilizamos”, diz Júlio Monteiro, diretor industrial da Bosch.

Segundo ele, as parcerias nascem sempre de uma necessidade. “Mesmo neste período de crise estamos conseguindo implementar atividades da indústria 4.0, porque elas trazem um ganho”, afirma Monteiro. Um torno equipado com um sistema de manutenção on­line introduzido na fábrica da Bosch de Campinas (SP) em novembro de 2015 já propiciou redução de 35% em manutenção corretiva e de 12% em manutenção preventiva entre janeiro e julho deste ano, em comparação com igual período de 2015.

Como integradora e consultora para o novo cenário da indústria digital, a HP Enterprise Services (HPE) trabalha com uma gama grande de parceiros globais em áreas nas quais não atua, como empresas de automação, sensorização, telecomunicações e outras de soluções específicas para alguns nichos.

“Nós não temos todas as peças, mas sim as de Tecnologia da Informação e precisamos capacitá-­las a trabalhar melhor as informações, que são a matéria-­prima desse conceito”, diz Reinaldo Lorenzato, diretor de soluções da HPE para as áreas de manufatura e agronegócio.

Fonte: Gleise de Castro, Valor Econômico, 29/11/2016,­ 05:00

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ICT – Inteligência Competitiva Tecnológica para sair da crise

O interesse conceitual pela inovação não é recente. Em 1934, Joseph Schumpeter lançou a idéia da “destruição criadora”, onde velhas tecnologias são destruídas pelas novas.  Seu principal argumento era de que o desenvolvimento econômico é conduzido pela inovação por meio de um processo dinâmico em que novas tecnologias substituem antigas, o que foi por ele denominado de “destruição criadora”, melhorando a produção e baixando custos. 

Segundo Schumpeter, inovações radicais engendram rupturas mais intensas, enquanto inovações incrementais dão continuidade ao processo de mudança.

O autor propôs uma lista de cinco tipos de inovação:

i) introdução de novos produtos (que os consumidores não conheçam ou de qualidade nova);

ii) introdução de novos métodos de produção (ainda não testado no meio industrial em questão);

iii) abertura de novos mercados;

iv) desenvolvimento de novas fontes provedoras de matérias-primas e outros insumos;

v) criação de novas estruturas de mercado em uma indústria (1982).

Até Schumpeter (1982) a academia e o mundo empresarial haviam pouco se preocupado com a inovação, como alavanca de desenvolvimento econômico.   Sob o ponto de vista das funções e de seu papel nos negócios, a inovação foi estudada de forma gradativa. Schumpeter, ele mesmo preocupou-se essencialmente com as implicações da inovação sobre a lucratividade e continuidade dos negócios, nas décadas de 1930 e 40.  Mas por seu foco mais econômico, Schumpeter não deu nenhuma dispensou atenção ao estudo da inovação, em termos de sua natureza, de suas formas e do fenômeno como um todo.

A inovação começou com Schumpeter, passou por Von Hippel, Chesbrough, Christensen, Santos, Doz, Williamsom, até os dias de hoje ter a estrutura de um sistema de Inteligência Competitiva Tecnológica, para sair da crise que paralisa profissionais e empresas atualmente

Inovação foi novamente retomada somente no final da década de 1960 em diante, mas as abordagens dos estudos aí realizados retringiram-se à análise do fenômeno da inovação (ALBERNATHY,1978; CAMPBEL,1969).

Em outras palavras, as abordagens voltavam-se para a análise de como acontecem as descontinuidades tecnológicas e de qual a lógica que subsidia os modelos de mudanças de inovações tecnológicas, como os propostos pelo modelo sociocultural Evolucionário de Variação Tecnológica (CAMPBELL, 1969; JENKINS, 1975; LANDES, 1983), ou por modelos mais simples, como os de Variação Tecnológica (ALBERNATY, 1978; HUGHES, 1983; 1987, DAVID, 1985) e o do ciclo de mudanças tecnológicas (BASALLA, 1988).

Por volta da década de 1980, a estratégia da inovação na indústria considera as descontinuidades tecnológicas como mecanismo dominante do processo de inovação, como alavanca impulsionadora da evolução industrial. Tushman; Anderson (1986) definiam a descontinuidade tecnológica como a competência de uma inovação sobre uma tecnologia dominante em aperfeiçoá-la ou destruí-la e substituí-la.

A partir do início da década de 1990, porém, as abordagens para concepção e estudo do fenômeno da inovação passaram a ser processualísticas e formais. Em outras palavras, estudar os processos e as formas de inovação passou a ganhar os espaços nas pesquisas e publicações dos estudiosos da inovação e praticantes da gestão de sistemas de inovação.

Desde meados da década de 1980, Von Hippel (1986) apontava a contribuição de usuários para o processo da inovação.  A princípio com pouca atenção da academia, suas contribuições, porém, foram resgatadas no início da década de 2010.

Tarapanoff (2001) apresenta a visão de inovações como causadoras de novos ciclos econômicos, científicos e tecnológicos, dentro das provocações de Schumpeter. Inovações podem causar rupturas no ciclo anterior, causando alterações em cascata do ponto de vista social, comportamental e cultural, nas pessoas e nas organizações.

Durante a última década do século XX, contudo, estudos importantes dos processos e formas de inovação, como os processos de exploração interna e externa propostos por March (1991), começam a estabelecer as bases para os conceitos de inovação aberta propostos por Chesbrough (2003; 2007).

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Inteligência Competitiva: “Quem”, “Quando”, “Como”, “Onde” e “Por quê”?

O principal para se dizer a respeito de Inteligência Competitiva é que um profissional busca insights exclusivos e relações até então não detectadas entre os dados

  • Quem usa Inteligência Competitiva?

Em uma organização, empresa com fins lucrativos, profissionais tomadores de decisão – em pesquisa e desenvolvimento, marketing, planejamento estratégico, gestão produtos, vendas – procuram obter informações antecipadas sobre os movimentos do mercado, seus clientes e consumidores.

À medida que aumenta o número e a complexidade dessas informações, aumenta o número de profissionais para processá-las. E desse processo nasce o processo de “Inteligência Competitiva”.

E nesse processo, informação, integração e acesso formam as condições fundamentais para que um profissional, uma área ou um departamento possa dar suporte à tomada de decisões que qualquer gestor moderno necessite.

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Inovar para diferenciar

A maioria das grandes empresas é parecida em seus processos administrativos, especialmente nos processos de gestão, envolvendo o estabelecimento de metas, planejamento, orçamentação e avaliação do desempenho.

Talvez por isso, Hamel (2007) tem argumentado que há necessidade de se repensar estruturas, processos, recursos e capacidades nas organizações para criar diferenciação e poder competitivo.

Para essa questão, Hamel (2011, p. 4) aponta diferentes caminhos nos quais algumas empresas têm adotado a conexão com a tecnologia visando à sua transformação, reinventando assim, seus valores e competências centrais.

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Inteligência Competitiva Brasil 3: Apesar da crise, compra de bens duráveis segue estável

máquina de lavar

Maior aumento foi no número de lares com máquina de lavar (5,7%); hoje, 61,1% do total de lares possuem esse eletrodoméstico

RIO – Apesar da crise, a compra de bens duráveis se manteve estável no País, informa a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2015, que o IBGE divulgou nesta sexta-feira. O crescimento dos domicílios com fogão foi de 1,5%; com televisão, também 1,5%; com geladeira, 1,8%. O maior aumento foi no número de lares com máquina de lavar (5,7%). Hoje, 61,1% do total de lares possuem esse eletrodoméstico.

A presença de automóveis subiu 2,6% em 2015 frente a 2014, e a de motocicletas, 1,6%. O que caiu foi o número de domicílios com microcomputadores – eram 48,5% dos lares com o aparelho, e passaram a ser 46,2%. Foi a primeira vez, desde 2004, que o número de domicílios com computador caiu no País: eram 32,5 milhões e passaram a ser 31,4 milhões de lares. Isso se deu na esteira do aumento do acesso à internet via celular, que vem se tornando o único aparelho de telefone dos domicílios.

Em 2015, o Brasil tinha 102,1 milhões de internautas de 10 anos ou mais, o que equivale a 57,5% da população. A taxa pode estar subestimada, alertou a gerente da Pnad, Maria Lúcia Vieira. Isso porque muitos entrevistados, na hora de responder ao IBGE e, não reconhecem redes sociais e aplicativos de mensagem como acesso à internet. Ou seja, embora usem esses aplicativos, afirmaram não utilizar a internet.

O número de usuários teve um crescimento de 7,1% em relação a 2014 – foram 6,7 milhões de pessoas conectadas a mais. Em 2008, apenas 34,8% da população se disse usuária da internet. De 2014 a 2015, o maior crescimento do contingente de internautas foi no Norte, com 8,4%. Os maiores percentuais estão nos grupos de 15 a 17 anos (82%) e de 18 a 19 anos (82,9%).

Fontes: Daniela Amorim, Roberta Pennafort e Vinicius Neder, Broadcast, 25 Novembro 2016 | 10h01.Foto: Reuters

Inteligência Competitiva Brasil 2: País perdeu quase 4 milhões de postos de trabalho em 2015

Desemprego em SP

Indústria e agricultura lideraram fechamento de vagas. Foto: DARIO OLIVEIRA/CÓDIGO19

Em meio à recessão econômica, o mercado de trabalho mostrou deterioração ainda maior do que a imaginada no ano passado. O total de postos de trabalho eliminados alcançou 3,8 milhões, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2015, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

Foi a primeira vez que houve queda no total de empregados no País, desde o início da série histórica da pesquisa, em 2004. A perda é muito mais aguda do que a mostrada pela Pnad Contínua, que substituirá definitivamente o levantamento anual já a partir deste ano.

À época da divulgação, a Pnad Contínua estimava a população ocupada em 92,2 milhões ao fim de 2015, 630 mil vagas a menos em relação a um ano antes. “Estamos falando de 2015, um ano em que vimos que os indicadores econômicos não foram muito favoráveis. A população ocupada caiu em todas as grandes regiões”, lembrou Maria Lucia Vieira, gerente da Pnad no IBGE.

Na versão anual, dois setores foram os principais responsáveis pelo fechamento de vagas: a indústria, que explica a maior perda no número de ocupados no Sudeste, e a agricultura, que teve impacto especialmente no Nordeste. A agricultura perdeu 855 mil trabalhadores, enquanto a indústria dispensou mais de um milhão de funcionários. “Metade dessa queda na indústria ocorreu no Sudeste. Das demissões na agricultura, 700 mil foram no Nordeste”, apontou Maria Lucia.

Na Região Sudeste, 1,403 milhão de pessoas perderam seus empregos. No Nordeste, outros 1,373 milhão de trabalhadores foram dispensados. “Foram 1,8 milhão de empregos com carteira assinada a menos, sendo 730 mil só no Sudeste”, apontou a gerente da Pnad.

A dispensa de empregados incentivou ainda um aumento da informalidade. A proporção de pessoas trabalhando por conta própria cresceu de 21,4% em 2014 para 23,0% em 2015. Como consequência do avanço das demissões, houve aumento de 38,1% na fila de desempregados no País, o equivalente a 2,8 milhões de pessoas a mais. O total de desempregados chegou a 10,0 milhões de pessoas de 15 anos ou mais de idade em 2015.

Fontes: Daniela Amorim, Roberta Pennafort e Vinicius Neder, Broadcast, 25 Novembro 2016 | 10h00