O Processo de Inovação Aberta e as Plataformas de Pesquisa no Ciclo Operacional de Inteligência Competitiva

A primeira fonte de pesquisa refere-se à Prospecção. Nesta explora-se o papel da Inteligência Competitiva e seu suporte ao modelo de negócio e ao formato da inovação aberta, mais adequado para a organização.

Prospecção concentra-se no planejamento e direcionamento das buscas, na determinação dos mecanismos de acesso à informação técnica, nas fontes ou bases cognitivas especializadas e tangencia os processos internos, necessários para construir o modelo de inovação desejável para a organização.

A prospecção é a primeira plataforma de pesquisa para um projeto. Na prospecção (que se segue ao planejamento e direção da busca, orientada pela demanda de tecnologia/inovação inicial), a pesquisa deve apontar/compilar as fontes cognitivas de inovação desejada no planeta.

A pesquisa deve buscar na realidade das melhores práticas existentes e com base na literatura especializada, um modelo que melhor se adeque à realidade de empresas brasileiras, levando em consideração eventuais deficiências importantes observáveis no cenário empresarial brasileiro. Um modelo que indique por onde começar, o que buscar, que mecanismos de buscas estabelecer, que canais e que fontes cognitivas expertas buscar, e como identificar as inovações que são demandadas.

A segunda plataforma de pesquisa refere-se ao desenvolvimento ou desenho de um sistema de seleção de inovações. O sistema de seleção de inovações é um instrumento importante utilizado no processo de análise e interpretação das informações brutas, acerca das tecnologias/inovações identificadas e levantadas pela Prospecção e que serve para gerar o produto da prospecção.

A lógica de localização do sistema de seleção é imediatamente antes dos processos de acesso, já que para acessar, há necessidade de decisões gerenciais de investimento e de adequabilidade funcional das tecnologias desejadas ou necessárias para a organização.

Nesta pesquisa deve-se buscar estabelecer um sistema que permita fazer a comparação dos achados em primeira mão pela prospecção, com os requisitos estabelecidos pelos demandantes da tecnologia/inovação. O desafio é desenvolver um sistema que contenha os parâmetros e respectivos indicadores de seleção, associados a métricas e padrões que permitam proceder à decisão de que tecnologias interessam e de quais não interessam à organização.

Uma terceira plataforma de pesquisa refere-se ao Acesso e contém duas vertentes. Acesso é uma interface processual importante entre a prospecção e a geração do produto (a inovação desejada, expressa pelos demandantes, na origem) da Inteligência Competitiva propriamente dita.

Nesse estágio, uma vertente de pesquisa busca desenvolver um modelo gerencial de acesso que auxilie as decisões baseado num footprint ótimo (número e diversidade de fontes cognitivas externas desejadas, suficientes ou necessárias) para acessar a inovação desejada (ou desejável) e depois aponta caminhos possíveis, ou combinações possíveis de caminhos, passíveis de serem utilizados para acessar a inovação. Esta vertente deve desenvolver um modelo operacional (para as funções gerenciais) de acesso que considera todos os elementos caracterizantes do processo de construção do footprint, apontados acima (competências e experiências organizacionais) na conceituação teórica de elaboração de footprint.

Na segunda vertente dessa plataforma de pesquisa, no âmbito do Acesso, deve-se considerar a determinação do risco envolvido neste processo. Os mecanismos de acesso à inovação devem conter salvaguardas que diminuam os riscos de investimentos de acesso.

Para tanto, o Planejamento de Experimentos é uma ferramenta de otimização e refinamento da decisão gerencial que contribui para a melhor escolha do objeto em decisão (Starkey et al., 1997). Neste caso, um modelo de Planejamento de Experimentos melhora, quase à perfeição, as decisões de acesso da inovação desejada, apontando o footprint de menor risco.

Finalmente a quarta plataforma de pesquisa refere-se à Mobilização da Inovação.

A Mobilização está estreitamente ligada à compreensão da natureza e tipo de inovação desejada. SDW (2004) sugerem que o processo de mobilização está assentado sobre dois fundamentos: a natureza da tecnologia/inovação (ou conhecimento técnico), que pode ser simples ou complexa; e a natureza do mercado que consome a tecnologia/inovação, que novamente pode ser simples ou complexa.

Desta maneira, é essencial que o modelo resolva com que mecanismos é possível melhor administrar as possíveis combinações desses dois elementos, no processo de incorporação da tecnologia (ou inovação) pela organização demandante.

Como as fronteiras da tecnologia estão cada vez mais próximas das fronteiras da ciência e a complexidade dos mercados aumentam proporcionalmente às mudanças dos padrões sócio-culturais, o desafio deste modelo é conciliar caminhos viáveis da logística de incorporação de inovações, de tal forma que intermediários e usuários finais da inovação possam transferir ou incorporar da forma mais eficiente as tecnologias/inovações nas quais estejam interessados.

Referências

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