Inteligência Competitiva – Brasil cai 6 posições e perde para Ruanda em competitividade

São Paulo – O Brasil caiu seis posições e ficou no 81º lugar na edição de 2016 do ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial, feito em parceria com a Fundação Dom Cabral e lançado nesta terça-feira (27).

É o pior resultado do Brasil no ranking global desde que a Fundação Dom Cabral passou a ser responsável pela coleta e análise dos dados brasileiros, em 1996. O país chegou a ficar em 48º lugar em 2012 e vem caindo desde então.

O Brasil se manteve atrás de todos os outros BRICS e até de economias como Vietnã (60º), Ruanda (52º), Guatemala (78º) e Sri Lanka (71º). Outros países também tiveram quedas expressivas, como Malásia (de 18º para 25º), Portugal (de 38º para 46º) e Cazaquistão (de 42º para 53º).

Os dez países mais competitivos do mundo foram mantidos neste ano em relação a 2015, encabeçados por Suíça, Singapura, Estados Unidos, Holanda e Alemanha, nesta ordem.

Na América do Sul, o Brasil ficou atrás de quatro países: Chile (33º), Colômbia (61º), Peru (67º) e Uruguai (73º). Já a Argentina ficou em 104º, a Bolívia em 121º, o Equador em 91º, o Paraguai em 117º e a Venezuela em 130º.

Veja abaixo a trajetória do Brasil:

Edição Posição no ranking
2006 66º
2007 72º
2008 64º
2009 56º
2010 58º
2011 53º
2012 48º
2013 56º
2014 57º
2015 75º
2016 81º

O Fórum Econômico Mundial define competitividade como o conjunto de instituições, políticas e fatores que determinam o nível de produtividade de um país. O relatório analisa 118 variáveis em 12 pilares, dos quais o Brasil teve piora em seis. Neste ano, o levantamento foi feito com 138 países.

As pioras mais acentuadas do Brasil foram nos pilares “desenvolvimento do mercado financeiro” —em que o país saiu da 58º posição em 2015 para o 93º lugar em 2016— e “inovação” (de 84º para 100º).

Já os dois pilares em que o Brasil mais ganhou posições foram “educação superior e treinamento” (de 93º em 2015 para 84º em 2016) e “eficiência do mercado de trabalho” (de 122º para 117º) —ainda assim o país está bem distante das primeiras colocações nesses dois quesitos.

Clima ruim

Assim como em 2015, o que pesou bastante neste ano foi o clima negativo do país, já que grande parte das notas vem de um questionário respondido por empresários entre março e maio e que revelou uma postura bem crítica.

“Esse questionário é responsável por um terço da nota do país no levantamento”, disse Carlos Arruda, professor da Fundação Dom Cabral e coordenador da pesquisa no Brasil. “Quando foi feito o questionamento, os empresários tinham um ponto de vista negativo por causa da instabilidade política. Isso afetou a nota brasileira.”

Segundo ele, o desempenho do Brasil no ranking deve melhorar nos próximos anos. “As pessoas, hoje, já voltaram a acreditar mais no país, estão mais otimistas com as reformas que têm sido discutidas pelo atual governo e que devem sair do papel em breve.”

Arruda defende que o desenvolvimento da competitividade brasileira só será possível a partir da incorporação de tecnologias, amadurecimento das empresas e empresários, aumento da produtividade e ganhos de comércio internacional, via uma agenda clara e transparente do governo.

Efeito global

No geral, a avaliação do professor é que de a perda de produtividade global é um dos maiores obstáculos para a competitividade e para o desenvolvimento dos países.

Para ele, o resultado do ranking deixa claro o fim do ciclo de produtividade baseado na microeletrônica e na automação, chamando a atenção para o crescimento da digitalização —a chamada “Indústria 4.0” ou “Smart Industry”.

Outro ponto destacado é o menor nível de globalização. “O mundo passa por uma turbulência nacionalista. A Brexit na Europa e o ganho de espaço de Donald Trump nos EUA são consequências disso. Esse isolamento pode gerar um efeito em cadeia negativo, impactando também o Brasil, que teria mais dificuldade para desenvolver sua competitividade em um mundo menos aberto”, disse.

Para 2016, o Fórum Econômico Mundial projeta um crescimento da economia global inferior a 2,5%.

Fonte: Anderson Figo, de EXAME.com, 27/09/2016 19:10

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Inteligência Competitiva Embalagens: Americana Bemis amplia os investimentos no Brasil

Cruz, presidente, diz: empresa sempre foi muito agressiva em momento de crise

Uma das maiores fabricantes mundiais de embalagens de plástico, a americana Bemis, que comprou a brasileira Dixie­Toga, vai acelerar o ritmo de investimentos no país, a despeito da crise econômica, que também chegou aos produtores de terceira geração petroquímica.

Para o próximo ano, estão previstos desembolsos de R$ 200 milhões em modernização de equipamentos e ampliação da capacidade produtiva, quase o dobro do valor investido anualmente até agora. O pacote também inclui a construção de um centro de inovação no país, o primeiro fora dos Estados Unidos.

“A empresa sempre foi muito agressiva em momentos de crise. Definimos um plano de ação olhando para o longo prazo”, disse ao Valor o novo presidente da companhia na América Latina, Carlos Santa Cruz. Segundo o executivo, o ambiente econômico desafiador não afetou o volume de vendas de embalagens, mas se refletiu em margens menores, por causa da substituição por bens de consumo mais baratos típica de momentos de crise.

O pacote de investimentos faz parte de uma programa de reestruturação das operações latino­americanas e é liderado pelo novo presidente. Na região, são 19 fábricas, três das quais no México e outras três na Argentina. Em todo Brasil, são 13, que fazem desde itens descartáveis (copos de plástico, por exemplo) a sofisticados filmes encolhíveis, tubos e cartuchos para gigantes do setor de consumo.

Eficiência, produtividade, modernização de equipamentos e corte de eventuais “gorduras” são palavras de ordem no momento. Segundo principal mercado para a Bemis, atrás dos Estados Unidos, a América Latina responde por 20% dos negócios ­ no ano passado, as vendas líquidas consolidadas somaram US$ 4,1 bilhões. No Brasil, o faturamento é da ordem de R$ 2 bilhões/ano, com previsão de crescer entre 5% e 6% neste ano.

Para 2017 , a meta é manter esse ritmo de expansão. Fábricas em São Paulo, Paraná, Mato Grosso, Pernambuco, Mato Grosso do Sul e no Rio Grande do Norte, conforme Cruz, serão modernizadas ao longo de 2017 , ao mesmo tempo em que algumas unidades serão consolidadas em outras. É o caso da fábrica de Votorantim (SP), cuja produção e mão de obra será dividida entre Suape (PE) e Três Lagoas (MS).

Mais modernas, essas fábricas passaram à Bemis no ano passado, com a compra da fabricante brasileira de embalagens rígidas para alimentos e bens de consumo Emplal, por US$ 67 milhões. A compra, contou o executivo, foi feita com recursos da operação brasileira, sem suporte financeiro da matriz, uma vez que o país é gerador de caixa. Novas aquisições não estão descartadas, especialmente no mercado andino. “Não temos um projeto específico neste momento, mas estamos olhando oportunidades”, diz.

Hoje, esses mercados são atendidos pela produção da multinacional no Brasil e na Argentina. Atualmente, as unidades fabris da Bemis operam com taxa média de ocupação de 90% e, com o pacote de investimentos, haverá ampliação de capacidade.

A crise, explicou o executivo, afetou menos os volumes e mais as margens da empresa, que também sofreu com o impacto do dólar valorizado nos custos com matérias-­primas, sobretudo entre o fim do ano passado e começo deste ano.

Além disso, houve migração do mercado para produtos mais baratos, reflexo do impacto da crise no comportamento do consumidor, o que pressionou as margens de fabricantes de bens de consumo e, consequentemente, dos fornecedores de embalagens a essa indústria. Praticamente todos os gigantes do setor ­ JBS, BRF, Unilever, Colgate­Palmolive, entre outros ­ estão na sua carteira de clientes.

Noutra ponta, a Bemis é uma das principais compradoras nacionais de resinas da petroquímica Braskem e cliente de outras grandes do setor, como Dow. Em suas embalagens, utiliza polietileno, polipropileno e poliéster.

Desde janeiro, disse Cruz, os preços de resinas voltaram a se acomodar, retirando parte da pressão nos custos. Há um ano na Bemis ­ chegou à presidência há seis meses ­, o executivo se diz impressionado com o legado da antiga Dixie­Toga, reconhecidamente inovadora em embalagens plásticas, adquirida em 2005. “Isso impõe outro importante desafio: dar continuidade a essa excelência e deixar novo legado”, comentou.

Ele cita que a unidade Dutra (na divisa entre São Paulo e Guarulhos) vai sediar o segundo centro de inovação da multinacional, com previsão de inauguração em 2017 . Além disso, a tradicional marca de produtos plásticos, admite o executivo, ainda é mais popular do que o nome Bemis. “Vamos trabalhar melhor a marca. Todos conhecem a Dixie Toga, mas não necessariamente a Bemis”.

Fonte: Stella Fontes/Valor, 30/9/2016.  Foto: Silvia Zamboni/Valor

Inteligência Competitiva: PNAD Contínua: taxa de desocupação é de 11,8% no trimestre encerrado em agosto de 2016

Desemprego atinge 12 milhões de pessoas

Indicador / Período Jun – Jul – Ago de 2016 Mar – Abr – Mai de 2016 Jun – Jul – Ago de 2015
Taxa de desocupação 11,8% 11,2% 8,7%
Rendimento real habitual R$ 2.011 R$$ 2.015 R$ 2.047
Valor do rendimento em relação a: -0,2% (estável) -1,7% (estável)

taxa de desocupação foi estimada em 11,8% no trimestre móvel encerrado em agosto de 2016. Isso representa um crescimento de 0,6 ponto percentual (p.p.) em relação ao período entre março e maio deste ano (11,2%). Na comparação com o mesmo trimestre móvel do ano anterior, junho a agosto de 2015, quando a taxa foi estimada em 8,7%, o quadro também foi de elevação (3,0 p.p.).

população desocupada (12,0 milhões) cresceu 5,1% em relação ao trimestre de março a maio de 2016 (11,4 milhões), um aumento de 583 mil pessoas. No confronto com igual trimestre do ano passado, esta estimativa subiu 36,6%, significando um acréscimo de 3,2 milhões de pessoas desocupadas na força de trabalho.

Já a população ocupada (90,1 milhões) caiu 0,8% frente ao trimestre de março a maio de 2016, um decréscimo de 712 mil pessoas. Em comparação com igual trimestre do ano passado, quando o total de ocupados era de 92,1 milhões de pessoas, foi registrado declínio de 2,2%, significando redução de aproximadamente 2,0 milhões de pessoas no contingente de ocupados.

O número de empregados com carteira assinada (34,2 milhões) não apresentou variação estatisticamente significativa em comparação com trimestre de março a maio de 2016. Frente ao trimestre de junho a agosto de 2015, houve queda de 3,8%, o que representou a perda de cerca de 1,4 milhão de pessoas com carteira assinada.

rendimento médio real habitualmente recebido em todos os trabalhos (R$ 2.011) registrou estabilidade frente ao trimestre de março a maio de 2016 (R$ 2.015) e também em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (R$ 2.047).

massa de rendimento real habitualmente recebida em todos os trabalhos (R$ 177,0 bilhões de reais) não apresentou variação significativa em relação ao trimestre de março a maio de 2016, mas recuou 3,0% frente ao mesmo trimestre do ano anterior.

A publicação completa da PNAD Contínua pode ser acessada aqui.

Os indicadores da Pnad Contínua são calculados para trimestres móveis, utilizando-se as informações dos últimos três meses consecutivos da pesquisa. A taxa do trimestre móvel terminado em agosto de 2016 foi calculada a partir das informações coletadas em junho/2016, julho/2016 e agosto/2016. Nas informações utilizadas para o cálculo dos indicadores para os trimestres móveis encerrados em julho e agosto, por exemplo, existe um percentual de repetição de dados em torno de 66%. Essa repetição só deixa de existir após um intervalo de dois trimestres móveis. Mais informações sobre a metodologia da pesquisa estão disponíveis aqui.

Quadro 1 – Taxa de desocupação – Brasil – 2012/2016

Trimestre móvel 2012 2013 2014 2015 2016
nov-dez-jan 7,2 6,4 6,8 9,5
dez-jan-fev 7,7 6,8 7,4 10,2
jan-fev-mar 7,9 8,0 7,2 7,9 10,9
fev-mar-abr 7,8 7,8 7,1 8,0 11,2
mar-abr-mai 7,6 7,6 7,0 8,1 11,2
abr-mai-jun 7,5 7,4 6,8 8,3 11,3
mai-jun-jul 7,4 7,3 6,9 8,6 11,6
jun-jul-ago 7,3 7,1 6,9 8,7 11,8
jul-ago-set 7,1 6,9 6,8 8,9
10° ago-set-out 6,9 6,7 6,6 8,9
11° set-out-nov 6,8 6,5 6,5 9,0
12° out-nov-dez 6,9 6,2 6,5 9,0

Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua.

No trimestre de junho a agosto de 2016, havia aproximadamente de 12,0 milhões de pessoas desocupadas no Brasil, um aumento de 5,1% (583 mil pessoas) frente ao trimestre de março a maio de 2016, quando a desocupação foi estimada em 11,4 milhões de pessoas. No confronto com igual trimestre do ano passado esta estimativa subiu 36,6%, significando um acréscimo de 3,2 milhões de pessoas desocupadas na força de trabalho.

Gráfico 2 – Pessoas de 14 anos ou mais de idade, desocupadas na semana de referência
Brasil – 2012/2016 (em mil pessoas)

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimentos, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua.

contingente de ocupados foi estimado em aproximadamente 90,1 milhões no trimestre de junho a agosto de 2016. Essa estimativa ficou menor quando comparada com o trimestre de março a maio de 2016 (um decréscimo de 712 mil pessoas). Em comparação com igual trimestre do ano passado, quando o total de ocupados era de 92,1 milhões de pessoas, houve declínio de 2,2%, uma redução de aproximadamente 2,0 milhões de pessoas.

O número de empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada, estimado em 34,2 milhões de pessoas, não apresentou variação estatisticamente significativa em comparação com trimestre de março a maio de 2016. Contudo, frente ao trimestre de junho a agosto de 2015 registrou queda de 3,8%, o que representou a perda de cerca de 1,4 milhão de pessoas com carteira assinada.

A categoria dos empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada (10,2 milhões de pessoas) ficou estável em relação ao trimestre de março a maio de 2016 e, frente ao mesmo período do ano anterior, também se manteve estável.

O contingente de trabalhadores domésticos (6,1 milhões de pessoas) diminuiu 2,5% em relação ao trimestre de março a maio de 2016 (um decréscimo de 158 mil pessoas). Frente ao mesmo período do ano anterior, junho a agosto de 2015, manteve-se estável.

Os empregados no setor público, estimados em 11,4 milhões de pessoas, cresceram 1,6%, mais 178 mil pessoas em relação ao trimestre de março a maio de 2016. Frente ao mesmo período do ano anterior, não registrou variação estatisticamente significativa.

O contingente de empregadores (3,9 milhões de pessoas) aumentou 4,8%, mais 179 mil pessoas em relação ao trimestre de março a maio de 2016. Em relação ao mesmo período do ano anterior, o contingente de empregadores manteve-se estatisticamente estável.

A categoria dos trabalhadores por conta própria, estimada em 22,2 milhões de pessoas, caiu 3,2% em relação ao trimestre de março a maio de 2016 (menos 739 mil pessoas). Na comparação com o trimestre de junho a agosto de 2015 constatou-se estabilidade.

Na análise do contingente de ocupados por grupamentos de atividade, em relação ao trimestre de março a maio de 2016, ocorreu retração de 1,9% na indústria geral (-229 mil pessoas), de 3,3% na construção (-249 mil pessoas), e de 2,8% nos Serviços Domésticos (-177 mil pessoas). Verificou-se aumento de 1,9% no grupamento de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (acréscimo de 294 mil pessoas). Nos demais, não se observou variação estatisticamente significativa.

Na comparação com o trimestre de junho a agosto de 2015, houve redução de 2,8% na agricultura, pecuária, produção florestal e pesca (-272 mil pessoas), de 11,0% na indústria geral (-1,4 milhão de pessoas) e de 9,4% na informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (-996 mil pessoas). Verificou-se aumento de 4,4% em transporte, armazenagem e correio (188 mil pessoas), de 5,3% em alojamento e alimentação (232 mil pessoas) e de 3,5% em administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (538 mil pessoas). Os demais grupamentos não se alteraram.

rendimento médio real habitualmente recebido em todos os trabalhos pelas pessoas ocupadas foi estimado em R$ 2.011.

Quadro 3 – Rendimento real habitual recebido em todos os trabalhos
pelas pessoas ocupadas – Brasil – 2012/2016

Trimestre móvel 2012 2013 2014 2015 2016
nov-dez-jan 1.986 2.042 2.086 2.022
dez-jan-fev 1.997 2.064 2.086 2.004
jan-fev-mar 1.966 2.009 2.086 2.086 2.019
fev-mar-abr 1.980 2.015 2.084 2.076 2.007
mar-abr-mai 1.968 2.025 2.078 2.070 2.015
abr-mai-jun 1.969 2.042 2.047 2.076 1.989
mai-jun-jul 1.985 2.055 2.018 2.058 1.996
jun-jul-ago 1.989 2.063 2.028 2.047 2.011
jul-ago-set 1.987 2.062 2.051 2.050
10° ago-set-out 1.983 2.068 2.065 2.042
11° set-out-nov 1.980 2.061 2.058 2.025
12° out-nov-dez 1.979 2.048 2.069 2.014

Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua.

Em relação ao trimestre de março a maio de 2016, houve queda do rendimento médio para os empregadores (-5,0%). Nas demais posições na ocupação não houve variação estatisticamente significativa. Na comparação com o trimestre de junho a agosto de 2015, os ocupados como empregador (-10,0%) tiveram queda no rendimento médio real habitual. Os empregados no setor privado sem carteira assinada e os empregados no setor público apresentaram acréscimos em seus rendimentos (5,0% e 3,6%, respectivamente). As demais categorias apresentaram-se estáveis nos seus rendimentos médios.

Na comparação com o trimestre de março a maio de 2016, os rendimentos médios de todos os grupamentos de atividade permaneceram estáveis. Frente ao mesmo trimestre do ano anterior, o único grupamento que apresentou queda em seu rendimento médio foram os outros serviços (-5,7%). Os demais não registraram variação significativa.

massa de rendimento médio real habitualmente recebido em todos os trabalhos pelas pessoas ocupadas foi estimada em R$ 177,0 bilhões de reais, não apresentando variação significativa em relação ao trimestre de março a maio de 2016, e recuo de 3,0% frente ao mesmo trimestre do ano anterior.

Fonte: IBGE, Comunicação Social, 30 de setembro de 2016

 

Inteligência Competitiva: Vendas de papelão ondulado sobem em agosto, aponta associação

Notícias do Setor

SÃO PAULO ­ As vendas de papelão ondulado permaneceram em trajetória de recuperação em agosto, segundo boletim estatístico divulgado nesta quinta-­feira pela Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO), embora na série com ajuste sazonal o desempenho no mês passado tenha ficado aquém do verificado em julho.

Em agosto, as expedições brasileiras de caixas, acessórios e chapas de papelão avançaram 3,06% frente ao mesmo mês de 2015, para 287 ,208 mil toneladas. A prévia da entidade, divulgada no início deste mês, indicava expansão de 3,05%. Em relação às vendas de julho, houve alta de 2,23% em agosto — comparável a aumento de 2,22% no boletim preliminar.

Considerando-­se o ajuste sazonal, porém, houve retração de 1,67 % nas expedições. Com esse desempenho, as vendas de papelão ondulado reduziram a queda acumulada no ano e agora mostram retração de 1,41% até agosto, para 2,162 milhões de toneladas.

No acumulado do ano até julho, a baixa era de 2,06%. No ano passado, as vendas desse tipo de embalagem no país caíram 3,08%, a 3,32 milhões de toneladas.

Em entrevista ao Valor em maio, Sergio Ribas, diretor da ABPO, indicou que a tendência era que as expedições de caixas de papelão encerrassem o ano com declínio de 0,5% a 1% em relação a 2015, diante da expectativa de melhora das expedições no segundo semestre.

Fonte: Stella Fontes | Valor, 29/09/2016,  09:51

Revista Inteligência Competitiva, edição julho a setembro de 2016

v.6, n. 3 (2016)

Sumário

Editorial

julho a setembro de 2016 PDF
Alfredo Passos

Artigos

ANÁLISE DA GESTÃO DO CIRCULANTE DAS EMPRESAS CINQUENTENÁRIAS E NÃO CINQUENTENÁRIAS PDF
Salete Turra, Danielle Paná Vergini, Taciana Rodrigues de Souza, Tarcisio Pedro da Silva 1-33

 

ESTILOS DE LIDERANÇA DO PÓLO MOVELEIRO DE BENTO GONÇALVES/RS PDF
Adriane Bruchêz, Alice Munz Fernandes, Paulo Fernando Pinto Barcellos 34-63

 

APRENDIZAGEM E GERAÇÃO X e Y: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA PDF
Fernanda Rocha Bortoluzzi, Greice Daniela Back, Pelayo Munhoz Olea 64-89

 

A IMPORTÂNCIA DA CERTIFICAÇÃO PROFISSIONAL NO PROCESSO DECISÓRIO DAS ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR DO BRASIL: UMA CONTRIBUIÇÃO À LUZ DA TEORIA DO CAPITAL INTELECTUAL PDF
Anderson Soares Silva, Jose Roberto Ferreira Savoia, Fabiana Lopes da Silva 90-124

 

DESAFIOS ATUAIS DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO EM EMPRESAS COM CULTURA FAMILIAR PDF
Bruno Henrique de Sousa Lopes, Leonardo Augusto Amaral Terra 125-157

 

VARIÁVEIS DETERMINANTES DE COMPRAS E INOVAÇÃO DE PROCESSOS: ESTUDO DE UMA INDÚSTRIA BRASILEIRA. PDF
Darlen Andrade Costa, Poueri do Carmo Mário, Luiz Rodrigo Cunha Moura 158-187

 

GESTÃO ESTRATÉGICA DA INFORMAÇÃO E COMPETITIVIDADE: ANÁLISE DA ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DE INTELIGÊNCIA EM UMA INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR PRIVADA PDF
Frederico Vidigal, Fabricio Ziviani 188-215

 

O Comportamento Organizacional e sua influência no Clima da Organização: um estudo na Associação Beneficente Nossa Senhora Medianeira – Hospital Medianeira/RS PDF
Luiz Eduardo Sobierai, Carla Fabiana Cazella, Sidnei Grigolo, Renata Ziger 216-242

Relato Técnico-Científico

CONTRIBUIÇÕES PARA A FIDELIZAÇÃO DE CLIENTES PELA IMPLANTAÇÃO DO TURISMO ESPORTIVO EM UMA PEQUENA ORGANIZAÇÃO DE ENSINO DO SURFE PDF (PORTUGUÊS (PORTUGAL))
Ana Carolina Costa Cruz 243-262

 

PROPOSTA DE INTERVENÇÕES PARA MELHORIAS NA GESTÃO DE UMA MICROEMPRESA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MECÂNICOS DE AUTOMÓVEIS PDF
Gustavo Yuho Endo, Claudio Antonio Rojo 263-275

Revista Inteligência Competitiva, edição julho a setembro de 2016

v.6, n. 3 (2016)

Sumário

Editorial

julho a setembro de 2016 PDF
Alfredo Passos

Artigos

ANÁLISE DA GESTÃO DO CIRCULANTE DAS EMPRESAS CINQUENTENÁRIAS E NÃO CINQUENTENÁRIAS PDF
Salete Turra, Danielle Paná Vergini, Taciana Rodrigues de Souza, Tarcisio Pedro da Silva 1-33

 

ESTILOS DE LIDERANÇA DO PÓLO MOVELEIRO DE BENTO GONÇALVES/RS PDF
Adriane Bruchêz, Alice Munz Fernandes, Paulo Fernando Pinto Barcellos 34-63

 

APRENDIZAGEM E GERAÇÃO X e Y: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA PDF
Fernanda Rocha Bortoluzzi, Greice Daniela Back, Pelayo Munhoz Olea 64-89

 

A IMPORTÂNCIA DA CERTIFICAÇÃO PROFISSIONAL NO PROCESSO DECISÓRIO DAS ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR DO BRASIL: UMA CONTRIBUIÇÃO À LUZ DA TEORIA DO CAPITAL INTELECTUAL PDF
Anderson Soares Silva, Jose Roberto Ferreira Savoia, Fabiana Lopes da Silva 90-124

 

DESAFIOS ATUAIS DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO EM EMPRESAS COM CULTURA FAMILIAR PDF
Bruno Henrique de Sousa Lopes, Leonardo Augusto Amaral Terra 125-157

 

VARIÁVEIS DETERMINANTES DE COMPRAS E INOVAÇÃO DE PROCESSOS: ESTUDO DE UMA INDÚSTRIA BRASILEIRA. PDF
Darlen Andrade Costa, Poueri do Carmo Mário, Luiz Rodrigo Cunha Moura 158-187

 

GESTÃO ESTRATÉGICA DA INFORMAÇÃO E COMPETITIVIDADE: ANÁLISE DA ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DE INTELIGÊNCIA EM UMA INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR PRIVADA PDF
Frederico Vidigal, Fabricio Ziviani 188-215

 

O Comportamento Organizacional e sua influência no Clima da Organização: um estudo na Associação Beneficente Nossa Senhora Medianeira – Hospital Medianeira/RS PDF
Luiz Eduardo Sobierai, Carla Fabiana Cazella, Sidnei Grigolo, Renata Ziger 216-242

Relato Técnico-Científico

CONTRIBUIÇÕES PARA A FIDELIZAÇÃO DE CLIENTES PELA IMPLANTAÇÃO DO TURISMO ESPORTIVO EM UMA PEQUENA ORGANIZAÇÃO DE ENSINO DO SURFE PDF (PORTUGUÊS (PORTUGAL))
Ana Carolina Costa Cruz 243-262

 

PROPOSTA DE INTERVENÇÕES PARA MELHORIAS NA GESTÃO DE UMA MICROEMPRESA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MECÂNICOS DE AUTOMÓVEIS PDF
Gustavo Yuho Endo, Claudio Antonio Rojo 263-275

Inteligência Competitiva Tecnológica: Em Cingapura, robôs aliviam escassez de mão de obra

Garçons ­robôs estão sendo usados em restaurantes, mas custo é impedimento 

São muitos os que temem os avanços rápidos da inteligência artificial na Europa e nos Estados Unidos, em meio aos alertas de cientistas sobre o desemprego em massa. Em Cingapura, contudo, onde as restrições à mão de obra estrangeira deixam muitas empresas em dificuldades para encontrar pessoal, as empresas de serviços encontram cada vez mais soluções automatizadas para contornar a falta de trabalhadores.

Robôs vêm sendo lançados para trabalhar em lugares como restaurantes e hospitais, uma iniciativa apoiada pelo governo para ajudar as empresas a sobreviver à falta de mão de obra. “O governo vem restringindo os funcionários estrangeiros. Há dificuldade para contratar até gente de alta qualificação”, disse o chefe operacional do hospital Mount Elizabeth Novena, Louis Tan. “A tecnologia revelou-­se uma das soluções.”

O hospital privado, controlado pelo grupo Parkway Pantai, recorreu à tecnologia Watson, da IBM, e a usa como uma “enfermeira”automatizada para monitorar os sinais vitais dos pacientes em sua unidade de terapia intensiva. A tecnologia de inteligência artificial combina informações de indicadores como a pressão sanguínea e o batimento cardíaco e usa um algoritmo para calcular o risco de que as condições do paciente piorem.

“No passado, isso requeria integração e interpretação humana”, disse Tan. “E, agora, estamos usando dados analíticos para ajudar a conduzir isso.” O programa ­piloto, lançado neste ano, melhorou a segurança dos pacientes, segundo Tan. “Isso não significa que as enfermeiras ficam isentas de responsabilidade. Significa apenas que elas têm outra ajuda. É mais eficiente e mais seguro para os pacientes.”

No café e restaurante Chilli Padi Nonya, que serve uma cozinha híbrida malaia e chinesa, perto da Universidade Nacional de Cingapura, os pratos sujos são recolhidos por um garçom­robô que passa entre as mesas perguntando: “Você poderia me ajudar a recolher o que está em sua mesa?” A máquina não tem capacidade para recolher xícaras e pratos sozinha. Os clientes colocam a louça usada em uma bandeja que o robô leva para a cozinha. ”

Em Cingapura, é muito difícil conseguir mão de obra do exterior, então é muito útil ter um robô”, disse Kannan Thangaraj, gerente do restaurante. “Os clientes voltam por causa do robô. Eles gostam de vê-­lo.”

Fonte: Jeevan Vasagar, Financial Times, de Cingapura, Valor, 26/09/2016, 05:00

Inteligência Competitiva – Produtos: Papelão é estrela na produção de móveis

Daniela Bueno e Marcello Cersosimo, da Crafta Inteligente

Daniela Bueno e Marcello Cersosimo, da Crafta Inteligente

Empresas ganham mercado criando objetos feitos com papel craft de alta gramatura e atraem público com perfil alternativo

Adeptos da sustentabilidade podem mobiliar suas casas e presentear crianças e amigos com a consciência tranquila, se a opção de compra for um objeto feito de papelão, material totalmente reciclável.

Entre as empresas que produzem mobiliário, objetos de decoração e brinquedos usando como matéria-prima o papelão está a Crafta Inteligente, fundada pelos amigos e sócios Daniela Bueno e Marcelo Cersosimo.

“Daniela trabalhava com moda. Visitando uma feira em Milão viu um estande de papelão. Na volta ao Brasil, me procurou dizendo que queria viver da produção de mobiliário feito com papelão. Começamos criando um banquinho, depois introduzimos uma cadeira, ficamos cerca de quatro anos apenas com essas peças”, conta o economista.

Hoje, a marca tem em seu portfólio 50 itens. “Atuamos em três frentes. Fazemos mobiliário, peças decorativas e produzimos forrações de paredes de vários tipos para atender o segmento de eventos”, diz Cersosimo.

Segundo o empresário, em breve também estarão oferecendo estandes de papelão. “Estamos terminando o desenvolvimento do produto. A ideia é que o próprio expositor possa montar, desmontar e guardar o estande para ser usado em outros eventos. Aliás, todas nossas peças são pensadas para que possam ser desmontadas, facilitando o armazenamento e o transporte.”

Para desenvolver os objetos a marca segue três pilares: é preciso ser ecologicamente correto, ter designer legal e ser funcional. O material utilizado é um tipo de papelão com composição específica para que os móveis sejam resistentes. “O papelão de alta gramatura já existia no mercado, mas era usado somente para embalar produtos muito pesados ou para exportação”, afirma.

Cersosimo diz que a partir de 2010, quando a marca começou a desenvolver outras peças, o faturamento passou a aumentar 50% ao ano. “Em 2016, por conta da crise, devemos manter o faturamento do ano passado.”

Perfil. Para conhecer melhor os clientes, os sócios fizeram um estudo e traçaram o perfil dos consumidores desses objetos. “O produto que oferecemos é novo, não existia no Brasil. Somos pioneiros na introdução desse conceito de consumo sustentável no mobiliário, voltado principalmente para pessoas que não têm apego às coisas materiais.”

Segundo ele, os clientes da Crafta são pessoas que querem algo que seja fácil de montar, desmontar e descartar, se for o caso.

“É um público na faixa etária de 25 a 35 anos, que enxerga o mundo de forma diferente das gerações mais velhas. É o pessoal que se vira melhor com transporte público, bicicleta e acha isso natural. Eles não estão preocupados em ter e sim em viver. É um público disruptivo que não quer se apegar a nada. Sentimos que essa postura é uma tendência que vem aumentando.”

O empresário diz que o custo das peças é um pouco maior do que as pessoas imaginam. “O nosso modelo mais caro custa R$ 250, mas temos peças até de R$ 50. No entanto, uma cadeira de designer custa cerca de R$ 1 mil.”

Segundo ele, o produto com maior volume de vendas é o banquinho, muito usado em eventos. Temos um modelo de R$ 19 e outro de R$ 13. Os revestimentos de parede também têm boa saída, porque os ambientes que os produtores de eventos querem cobrir são grandes.” A Crafta têm dois funcionários diretos na área administrativa. As demais atividades são terceirizadas.

No mercado desde 2011, a Cartone Design de Papelão, fundada por Bruno Pellegatti oferece 40 itens, destes, 80% são de mobiliário. Os demais incluem cabides, lixeiras, baús etc.

O empresário conta que já trabalhava com cartonagem e em 2009 começou a desenvolver casinha para cachorro e um pequeno prédio para gatos. “Tive de encontrar formas para montar os objetos de papelão sem usar cola ou grampo. Essa experiência me fez ver o papelão com outros olhos”, afirma.

A ideia de criar a linha de móveis veio em seguida. “Comecei a desenhar e testar alguns produtos. Parti do zero criando o design e as soluções para resolver os problemas que surgiam.” Hoje, todos os produtos são desenhados, testados e fabricados pela Cartone, que possui fábrica própria e tem dez funcionários.

Pellegatti conta que o banquinho de R$ 19,90 é o produto mais vendido por ser o mais utilizado em eventos. “Na cerimônia de 7 de setembro, em Brasília, entregamos cinco mil unidades com o brasão do exército impresso. Muitas produtoras de eventos também imprimem as marcas de patrocinadores e no final do evento os usuários podem levá-los para casa.”

Segundo ele, nos três primeiros anos o faturamento da marca dobrou ano a ano. “2014 foi um ano estupendo, fechamos contratos com empresas como Natura, Santander e Volkswagen. 2015 ficou cerca de 5% abaixo. Neste ano, o desempenho não está sendo tão ruim graças ao varejo. Recentemente, lançamos loja virtual para otimizar esse tipo de operação, área para a qual não dávamos muita atenção, porque tínhamos volume grande de pedidos no atacado.”

Com foco no público infantil a Eu Amo Papelão – Brinquedos e Móveis de Papelão está no mercado desde 2013. “Thiago, meu marido, trabalha em uma empresa de representação de embalagens, ele vende papelão para indústrias”, conta Simone Buksztejn Menda, responsável pelo negócio.

Segundo ela, o marido sempre estudou o mercado de cartonagem. “Pesquisando o uso do papelão no exterior, identificamos que há uma boa demanda para artigos feitos com papelão, e que poderíamos introduzir esse conceito no Brasil”, conta.

Tudo começou em outubro de 2013, quando o casal fez um projeto para um grande shopping de Porto Alegre (RGS), onde residem. “Criamos um espaço para crianças todo feito com produtos de papelão, contendo mesinhas, cadeirinhas e brinquedos. Durante o evento tivemos a confirmação do quanto as crianças gostavam da ideia de personalizar os produtos com pinturas. Muitas delas valorizaram essa experiência mais do que quando ganham um brinquedo pronto. A partir desse evento, criamos a marca.”

Simone diz que primeiro desenvolveu a linha: destaque, pinte e monte. Depois, surgiu a linha de brinquedos grandes como casa, castelo, carro, avião e foguete. “As crianças podem entrar nesses brinquedos e criar suas histórias. Eles são fáceis de montar e de desmontar. A embalagem é uma maleta, o que facilita o armazenamento.”

Ela diz que 2015 foi um ano muito bom para o negócio e que 2016 também está indo bem. “Acho que as pessoas estão em busca de produtos criativos. Trabalhamos muito forte o conceito de proporcionarmos momentos felizes. Não é o simples fato de vender um brinquedo de papelão. Vendemos um momento feliz por meio do papelão. Os nossos produtos proporcionam isso às famílias.”

Simone afirma que o papelão não é um produto barato. “Até porque usamos craft de alta gramatura virgem. Trabalhamos muito forte com as classes A e B. Mas temos brinquedos para todos os bolsos, alguns custam R$ 20, outros até menos.”

Segundo ela, o carro-chefe da Eu Amo Papelão é a casa, vendida por R$ 189,00. “Há duas semanas lançamos o avião (R$ 139), que está tendo uma ótima saída. O carro (R$ 79,90) também tem boa demanda”, afirma.

Ela diz que um produto lançado para o Dia dos Pais fez tanto sucesso que foi adaptado para o Dia da Criança. “É a Caixa do Agora, que foi criada em cima do conceito de geração de momentos felizes.”

Simone conta que dentro da caixa havia uma cartinha com a história de uma família na qual todos ficavam conectados em seus smartphone e ninguém conectado entre si. “Então, o pai criou a Caixa do Agora para todos guardarem os celulares e viverem o momento. A repercussão foi maior do que esperávamos. Para o Dia da Criança a mensagem é: o melhor presente é você estar presente.” A marca tem loja virtual e revende para várias lojas de todo o Brasil.

Fonte: CRIS OLIVETTE, O Estado de S.Paulo, 25 Setembro 2016 | 07h35

Inteligência Competitiva Perfil: Desafios rondam o dia a dia do administrador

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Evolução tecnológica, globalização, mudanças no cenário político e econômico exigem aprendizado constante e olhar abrangente

O coordenador do curso de administração da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), Bruno Ignácio Alvarez, afirma que, embora a profissão de administrador de empresas sempre teve destaque no mercado de trabalho, esse fato deve se acentuar, em razão das adversidades enfrentadas pelo mercado e a economia brasileira.

“Neste cenário, a busca por profissionais qualificados, com raciocínio lógico e analítico, competências técnicas e comportamentais adequadas, e regidos por princípios éticos e morais, deve crescer nos próximos anos”, afirma.

No entanto, os desafios da carreira são grandes. Os principais estão relacionados ao dinamismo do ambiente de negócios, a interconectividade exigida pelas organizações e explicitadas pelo alto uso de tecnologias, o crescimento exponencial do conhecimento, tornando necessária atualização constante.

Alvarez afirma que entre as competências que o administrador deve desenvolver para exercer a profissão estão: liderança para conduzir a equipe e atingir um objetivo comum; proatividade, para se antecipar aos desafios futuros e obter novos conhecimentos; flexibilidade para se adaptar às mudanças e ao dinamismo do ambiente de negócios.

Alvarez acrescenta a percepção analítica e comportamental para entender o ambiente e as pessoas que o cercam. Raciocínio lógico, para lidar com a complexidade do mundo corporativo e desenvolver respostas para as adversidades, além de saber trabalhar em equipe.

“Esse profissional precisa estar absolutamente ‘antenado’ às mudanças que são significativas para si e para a empresa onde atua”, diz a professora de gestão de pessoas do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Miriam Rodrigues.

Ela ressalta, porém, que apesar de sermos bombardeados por grande quantidade de informações, cabe a cada um filtrar aquilo que efetivamente pode afetar a sua atuação profissional ou o desempenho da empresa.

Mercado. Formado em administração, o diretor financeiro da AxisMed, Bruno Martins Rosa do Valle, diz que para se manter atualizado fez pós-graduação e frequentemente faz cursos de extensão. “Também costumo ler muitos artigos acadêmicos relacionados à área financeira e acompanho os resultados financeiros de diversas empresas lendo os jornais.”

Segundo ele, os profissionais que estão chegando ao mercado têm muita energia, capacidade e visão. “O problema é que eles têm pouca paciência para esperar as mudanças acontecerem no tempo que elas ocorrem. Vejo pouca experiência efetiva em implementações que realmente mudem o rumo da área. Porém, por conta da tecnologia e da internet, acho que estão mais preparados do que o pessoal da minha geração.”

Do Valle acrescenta que falta ao jovem profissional experiência de relacionamento interpessoal. “Eles precisam ter paciência e saber lidar com frustração e negativas, pois o caminho nem sempre é linear e previsível.”

Outra característica apontada por ele é a capacidade de adaptação às novas tecnologias, além de estar muito atualizado às tendências. “É preciso olhar para fora da empresa para que a solução contemple necessidades do mercado. Saber trabalhar em equipe nunca sai de moda. Uma frase que tenho ouvido muito é ‘elogie em público e repreenda em particular’.”

Aluno do 5º semestre de administração da FAAP, Pedro Felipe Fonseca e Nunes já teve experiência como estagiário na área de finanças de uma empresa e agora acaba de se tornar estagiário da GM, onde vai trabalhar com inteligência de negócios na área de compras.

“Em razão do volume de informações, muitas vezes as empresas perdem algum detalhe e isso significa perder vantagem competitiva. A área de inteligência de negócio dá ao gestor as informações que ele realmente precisa. É uma área nova e muito interessante. Para mim, o futuro das empresas passa por ela.”

Nunes trocou a faculdade de engenharia pela de administração, porque o leque de atuação é maior, segundo ele. “Posso trabalhar em recursos humanos, finanças, projetos, gestão de operações etc. Considero que administração é a ciência mais atual, porque está presente em todas as empresas. Além disso, tirando o curso de desenvolvedor de software, administração é o curso que mais vive o empreendedorismo, atitude muito valorizada atualmente.”

Para exercer a profissão em um cenário como o atual, no qual o mercado, a economia e a política estão em constante mudança, o profissional deve ser flexível e sempre atuar de forma ética, inovadora e empreendedora. Isto é o que defende Alvarez.

“A graduação oferece disciplinas de cunho tecnológico que abordam as principais inovações e suas aplicações no setor. Os alunos também aprendem a utilizar softwares essenciais para a atuação de um administrador”, diz Alvarez.

Segundo ele, questões como inteligência emocional, proatividade e postura colaborativa são trabalhadas dentro das disciplinas. “Os estudantes são incentivados, desde o início do curso, a realizar trabalhos em grupo em diversas disciplinas e a completar o conteúdo do curso por meio de atividades complementares”, diz.

A capacidade de aprender continuamente é, segundo a professora de gestão de pessoas do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Miriam Rodrigues, a principal competência que o profissional deve ter.

“O administrador de empresas sempre foi e sempre será um profissional eclético, considerando-se a abrangência e a diversidade de suas funções, em consonância com a pluralidade do ambiente de negócios. Além da tecnologia, que continuará alterando fortemente nossa maneira de trabalhar, também temos o advento da globalização, que nos demanda o olhar ‘glocal’, que congrega a percepção global e a sensibilidade local.”

Cursando o terceiro semestre da graduação, Ludmila Rodrigues Ribeiro já definiu que quer trabalhar na área de marketing. “Trabalhei sete meses no departamento marketing/negócios de uma empresa de serviços para operadoras de telefone. Agora, vou trabalhar na área de branding (gestão de marcas), que é outro segmento dentro do marketing, na Webmotors.”

Segundo ela, uma das vantagens da graduação em administração é que a profissão possibilita atuar em diversas áreas. “Na grade curricular, a disciplina de marketing permeia praticamente todo o curso. É uma área extremamente dinâmica, nos expondo a desafios constantes”, afirma.

Ludmila diz que empresas que têm essa área bem estruturada costumam dar aos funcionários muita autonomia. “Mesmo sendo estagiária, tenho autonomia e isso é muito legal. Se a pessoa tem espírito de dono do negócio é muito válido cursar essa graduação e optar pela área de marketing.”

Competências necessárias

Liderança
para conduzir sua equipe a fim de atingir um objetivo comum

Proatividade
para se antecipar aos desafios futuros e para obter novos conhecimentos com agilidade

Flexibilidade
para se adaptar às mudanças e ao dinamismo do ambiente de negócios atual

Percepção
analítica e comportamental para entender o ambiente e as pessoas que o cercam

Raciocínio lógico
para lidar com a complexidade do mundo corporativo, conseguindo desenvolver respostas para as adversidades

Sociabilidade
para saber trabalhar em equipe

Busca pelo novo
para inovar e empreender; essas características devem ser fortes

Fonte: O Estado de S.Paulo, Redação, 25 Setembro 2016 | 07h21

Inteligência Competitiva MPME (Micro, Pequena, Média Empresa) – Negócios sociais vão de salada na favela a fralda feita de pano

O que têm em comum um trio que vende salada em favela, um casal que produz minhocários e uma dupla que negocia camisetas? A pretensão de gerar lucros e mudar a realidade com seus negócios de impacto social.

Empreendimentos com apelo social têm os mesmos desafios de outros, diz Edgard Barki, professor de administração da FGV (Fundação Getulio Vargas): burocracia, taxas, impostos. “Superar isso é essencial para qualquer empresa. A diferença está no propósito, que dá mais afinco a quem se junta à ideia. Fazer o bem é bom negócio.”

A constatação de que não havia delivery de comida saudável em São Gonçalo (RJ) levou Hamilton Henrique, 27, a criar o Saladorama. A rede de entrega de saladas hoje funciona na favela Santa Marta (que entrega na cidade do Rio de Janeiro), em Sorocaba (SP), Florianópolis (SC), Recife (PE) e São Luís (MA).

Em 2014, Henrique criou o projeto com a designer Isabela Ribeiro, 26, e a nutricionista Mariana Fernandes, 25.

Em seu primeiro ano, 2015, o faturamento do Saladorama foi de R$ 350 mil. A meta é chegar a R$ 1,5 milhão neste ano. As saladas, personalizadas, custam de R$ 8,50 a R$ 20, com taxa de entrega de R$ 3. São feitas em um programa de capacitação em nutrição criado por Fernandes.

“A capacitação é parte do negócio. Quem passa por ela ganha 30% do que produz. Nossa ideia é que a pessoa que vive na localidade onde está o Saladorama seja um multiplicador do conhecimento nutricional e possa empreender nessa área também”, explica Ribeiro.

MINHOCA E FRALDA

O casal Cláudio Spínola, 40, e Ana Paula Silva, 33, moram em São Paulo, onde fica a Morada da Floresta, que produz composteiras domésticas e fraldas de pano.

Eles também prestam serviços de consultoria para compostagem empresarial e têm a Universidade Mackenzie (na capital paulista) e o Hospital Aliança (Salvador, BA) entre os clientes.

O negócio surgiu da experiência do casal. “Em 2009, nossa composteira e a fralda de pano que usávamos na nossa filha viraram um negócio porque decidimos fazer um site e vender o que já confeccionávamos em casa”, diz Spínola. Ele investiu R$ 10 mil na loja virtual.

A maioria (90%) das vendas é feita on-line. O faturamento de 2015 foi de R$ 1 milhão. Todos os produtos são feitos artesanalmente, pelos dez funcionários diretos, um estagiário, três indiretos e os sócios. As fraldas ecológicas custam, em média, R$ 38.

CAMISETAS DO MUNDO

Lucas Emmanuel Rodrigues, 28, era estudante de administração em Maringá (PR), quando percebeu que só conhecia pontos turísticos dos países que visitou. Então começou uma série de viagens para ver como vivem de verdade os povos.

Voltou com a ideia de fazer camisetas com fotos de lugares como Mianmar, Bolívia, Nepal e Irã, vendê-las e doar uma peça à comunidade visitada para cada roupa vendida. Para isso chamou o amigo Juriel Meneguetti, 28, advogado.

“Escolhemos fazer a primeira doação em Porto Príncipe, capital do Haiti. Mas percebemos que dar camisetas em um país tão pobre não modificava a vida das pessoas. Agora doamos uniforme escolar”, diz Rodrigues. Em 2015, a Hevp faturou R$ 200 mil. A meta para este ano é R$ 500 mil, sendo que atingiu R$ 150 mil até agosto.

Fonte: MAÍRA TEIXEIRA, COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, 25/09/2016, 02h00