O livro de marketing do ano

Uma das revistas mais importantes do mundo dos negócios, “strategy+business”, elegeu o livro do Professor Niraj Dawar “Empresa Focada No Cliente: Mude a estratégia do produto para o cliente” (publicado no Brasil pela Elsevier/Campus), da Ivey Business School no Canadá e em Hong Kong, o livro do ano de 2014 na categoria “Marketing”.

O que faz a diferença neste livro de Niraj Dawar para os outros de marketing? Dois
depoimentos respondem a profissionais e interessados.

“Neste livro importante e de fácil leitura, Niraj Dawar oferece aos gestores de marketing um roteiro para a obtenção de uma vantagem competitiva sustentável. Ao “inclinar” o foco para os clientes e as interações da empresa com eles, os profissionais de marketing mudam sua estratégia, antes centrada no produto, para uma mentalidade focada no cliente e aumentam o sucesso no altamente competitivo mercado da atualidade”, disse Russel S. Winer, professor de Marketing da NYU Stern School of Business.

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Por que somos mais rudes no trabalho do que na rua, por Lucy Kellaway do "Financial Times"

Na terça-feira passada, a caminho do trabalho, eu estava esperando para atravessar uma rua quando uma mulher de meia-idade que estava ao meu lado derrubou algumas moedas na calçada. Seis pessoas se abaixaram para ajudá-la a recolher o dinheiro. Um sujeito que estava vestindo um elegante terno azul marinho remexeu a sarjeta para recuperar uma moeda de um pence, que ele entregou à dona. A única pessoa que não ajudou fui eu —mas isso aconteceu porque eu estava segurando a bicicleta.

Em lugar de ajudar, eu disse às pessoas que a cena que havia testemunhado me havia causado orgulho por ser londrina. Todos nós estávamos com pressa para chegar ao trabalho, mas todos instintivamente paramos para praticar uma gentileza, em benefício de uma desconhecida que havia derrubado menos de uma libra em moedas. Os bons samaritanos me encararam com desconfiança. Ser gentil é uma coisa; conversar com desconhecidos, completamente outra. Tão logo o semáforo abriu, eles correram para seus escritórios na City, como eu para o meu.

Quando cheguei, fui direto para a minha mesa, passando por diversos colegas absortos na contemplação de suas telas de computador, alguns dos quais usando fones de ouvido. Não cumprimentei nenhum deles. Levei a xícara suja de chá do dia anterior para a pia comunitária, e apanhei uma xícara limpa no armário. Acomodei-me em minha mesa, olhei meus e-mails e resolvi não respondê-los. Subi à cantina, comprei um doce gorduroso e o comi em minha mesa, espalhando migalhas ao meu redor.

Essa é a minha rotina no escritório a cada manhã. Não me surpreenderia de modo algum se alguns dos bons samaritanos estivessem agindo exatamente da mesma maneira em seus locais de trabalho. A maneira pela qual as pessoas se comportam no trabalho não é muito gentil.

Somos mais considerados para com completos desconhecidos na rua do que para com nossos colegas no escritório. No trabalho, ignoramos as pessoas, almoçamos comidas de cheiro forte, chegamos atrasados a reuniões. Conversamos alto enquanto outras pessoas estão tentando trabalhar, ou cochichamos e causamos distração quando não desejamos que alguém ouça.

Os especialistas em gestão definem esse comportamento como “descortesia no trabalho”, a saber “um comportamento fora de norma, de baixa intensidade” que não tem por objetivo necessariamente prejudicar aqueles que são vítimas dele, mas o faz de qualquer forma. Eu não ajo com rudeza deliberada ao não dizer bom dia aos colegas ou ignorar tantos e-mails. Essa é a forma que a vida de escritório veio a tomar, simplesmente.

Pesquisas sugerem que essa rudeza se generalizou e vem causando estragos reais. Faz com que as pessoas odeiem seus empregos, as torna menos criativas e causa mais estresse. Pode até (ainda que eu tenha dúvidas quanto isso) nos causar ataques cardíacos.

Não fica imediatamente óbvio por que os escritórios estão se tornando mais rudes. A natureza humana não mudou muito. Em minha experiência, quando algo de seriamente errado acontece no escritório, as pessoas tendem a ser muito gentis. Mas houve seis mudanças que podem ter nos tornado todos um pouco mais rudes, de pequenas maneiras.

A primeira é o e-mail. Já que recebemos número excessivo deles, aprendemos a não responder —ou a responder de modo curto e grosso— duas formas de rudeza. E tendo dominado a arte de ignorar e-mails, estamos aprendendo agora a ignorar qualquer coisa que não tenhamos vontade de fazer. Atender ao telefone no escritório está se tornando opcional —o que é rude não só para a pessoa do outro lado da linha mas para os colegas que ficam sujeitos ao aparelho tocando sem parar.

O segundo convite à falta de civilidade é o smartphone, que fez com que parecer estar ouvindo enquanto outra pessoa fala – um aspecto básico das boas maneiras até recentemente – se tornasse não obrigatório. Este mês, participei de uma conferência na qual não só três quartos da audiência (eu entre eles) passou o tempo todo olhando os telefones mas metade das pessoas da mesa estavam abertamente escrevendo no Twitter ou Whatsapp enquanto o palestrante tagarelava.

Os escritórios sem divisórias também foram feitos para promover a rudeza. Agora que estamos todos arrebanhados em espaços públicos, coisas que teriam sido aceitáveis em salas fechadas (comer fazendo barulho, falar alto ao telefone etc.) já não o são da mesma maneira. E é graças aos escritórios sem divisórias que temos a mais rude das invenções da vida de escritório até hoje —os fones de ouvido. Eles parecem gritar: “Estou aqui mas preferia não estar”.

O trabalho sem posições fixas e os horários flexíveis agravaram ainda mais as coisas. Quando você não se senta ao lado das mesmas pessoas todos os dias, e pode nem conhecer a pessoa que se acomoda ao seu lado, não existe incentivo específico para ser gentil, já que você não verá aquelas pessoas no dia seguinte.

Possivelmente pior que qualquer dessas coisas é o culto à ocupação, que faz com que a rudeza seja não só aceitável mas admirável. Se estar ocupado impressiona, então é bom fazer com que as pessoas esperem, é bom chegar tarde a reuniões e é bom estar tão absorto que você ignora as pessoas ao caminhar pelo corredor.

Tudo isso é bastante fundamental, e não está claro o que se pode fazer para recuperar a civilidade.

A única maneira que poderia funcionar é ela mesma rude: gravar secretamente em vídeo o mau comportamento das pessoas e encaminhar as imagens a elas, ou compartilhá-las de modo mais amplo. Quase todas as pessoas são decentes, na verdade. Poucas gostam de se imaginar rudes. Um vídeo de 10 segundos mostrando como alguém cortou um colega ou comendo de boca aberta no almoço poderia ter um agradável feito corretivo.

Lucy Kellaway, é editora e colunista de finanças do “Financial Times”. Está no jornal há 25 anos e escreve sua coluna há 15 anos, sempre às segundas-feiras.

Tradução de PAULO MIGLIACCI, publicado na FOLHA DE S.PAULO, 27/06/2016, 10h59 

Mulheres recebem menos e têm jornada maior no Brasil

Os defensores de uma idade mínima de aposentadoria para mulheres menor que a de homens argumentam que elas trabalham mais –somando as tarefas domésticas– e recebem menos ao longo da vida profissional.

Por outro lado, a expectativa de vida delas é superior à dos homens (78,8 e 71,6, respectivamente). Logo, elas receberiam o benefício por mais tempo do que seus parceiros.

Pesquisa do IBGE mostra que, entre 2000 e 2010, a participação da mulher no mercado de trabalho e os salários pagos a elas cresceram, mas continuaram inferiores aos dos homens.

O rendimento médio real da população feminina passou de R$ 959 em 2000 para R$ 1.074 em 2010, enquanto o dos homens foi de R$ 1.471 para R$ 1.587, segundo o estudo Estatísticas de Gênero.

Já a taxa de atividade –proporção de pessoas empregadas ou procurando colocação– das mulheres subiu de 50,1% para 54,6% no período, enquanto a dos homens caiu de 79,7% para 75,7%.

Ao mesmo tempo, a jornada total de trabalho delas –incluindo as atividades domésticas– soma 56,4 horas semanais, quase cinco horas superior à masculina, de acordo com dados do IBGE.

Uma das propostas discutidas pelo governo do presidente interino, Michel Temer, com as centrais foi a a redução na diferença para aposentadoria entre homens e mulheres.

Em artigo para a Folha 2014, o atual secretário da Previdência, Marcelo Abi-Ramia Caetano, disse reconhecer os argumentos a favor de regras diferentes, mas discordar que o problema deva ser resolvido na aposentadoria.

“Afinal, o que a Previdência tem a ver com discriminação de gênero?”, escreveu.

Fonte: FERNANDA PERRIN, FOLHA DE S.PAULO, SÃO PAULO, 29/06/2016, 02h00.

Com maior procura, desemprego bate 11,2% no trimestre encerrado em maio

Uma combinação de maior procura por trabalho sem a geração de mais vagas elevou a taxa de desemprego do país para 11,2% no trimestre encerrado em maio, divulgou o IBGE nesta quarta-feira (29).

O resultado foi bem acima do registrado no mesmo período do ano passado (8,1%). Também renovou o recorde do setor, ao marcar a pior taxa da série histórica da pesquisa iniciada em 2012.

Economistas consultados pela agência internacional Bloomberg esperavam um aumento maior da taxa de desemprego, para 11,4% no trimestre, considerando a mediana (centro) das projeções.

O país tinha 11,44 milhões de pessoas procurando emprego sem encontrar no trimestre encerrado em maio, um recorde. São 10,3% a mais na comparação com os três meses anteriores e 40,2% maior em relação a um ano antes.

O rendimento real (descontada a inflação) dos trabalhadores foi de R$ 1.982 no trimestre, estatisticamente estável frente aos três meses anteriores (R$ 1.972) e 2,7% menor que em igual período de 2015 (R$ 2.037).

Os dados são da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio – Contínua), que acompanha 211 mil domicílio a cada três meses em 3.464 municípios espalhados pelo país.

DINÂMICA

No trimestre encerrado em maio, o país tinha 90,85 milhões de pessoas ocupadas (formal ou informalmente), 0,3% a menos que nos três meses anteriores. Isso significa 285 mil pessoas a menos trabalhando. Para o IBGE, a variação apontaria estabilidade.

Quando comparado ao mesmo período do ano passado, porém, a população ocupada teve uma queda de 1,4%, o que representa 1,25 milhão de pessoas a menos trabalhando no país, segundo o instituto.

Em um ano, essas pessoas perderam emprego, principalmente na indústria. O setor ocupou 10,7% pessoas a menos frente ao mesmo trimestre de 2015. Ao todo, 1,4 milhão de pessoas foram demitidas.

A contribuição da indústria para o desemprego no país seria ainda maior se considerada a dispensa de trabalhadores terceirizados, como pessoas de segurança, limpeza e atividades administrativas.

Na comparação com o trimestre imediatamente anterior (dezembro, janeiro e fevereiro), o comércio foi o que mais demitiu em termos absolutos. Foram 228 mil vagas cortadas, uma queda de 1,3% no trimestre.

O corte de vagas seria suficientemente ruim para a dinâmica do mercado. Mas o quadro é ainda pior por causa do crescente número de pessoas em busca de emprego para ajudar no orçamento de casa.

O caso mais evidente desse movimento é o da população jovem. Em vez de dedicar mais tempo aos estudos, eles estão engrossando as filas de emprego do país para ajudar financeiramente os pais em casa.

Desta forma, a força de trabalho (composta por pessoas empregadas ou em busca de emprego) cresceu 0,8% no trimestre encerrado em maio frente aos três meses anteriores. Foram 784 mil pessoas a mais.

FORMALIZAÇÃO

Segundo Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, o aumento da procura por emprego é fruto também da perda do emprego formal, com carteira de trabalho assinada.

Ele diz que sem a estabilidade oferecida pelos direitos trabalhistas, como salário mínimo, 13º salário, mais pessoas de uma mesma família buscam uma ocupação para aumentar a segurança do orçamento familiar.

“Além dos jovens, donas de casa e pessoas aposentadas que estavam fora da força de trabalho passam a procurar emprego por que perderam a estabilidade do emprego com carteira assinada”, disse Azeredo.

O emprego com carteira de trabalho assinada teve queda de 1,2% no trimestre encerrado em maio deste ano. O país tinha 34,4 milhões de pessoal trabalhando na formalidade, 428 mil pessoas a menos.

Um das válvulas de escape das pessoas em busca de emprego tem sido o trabalho informal, sem carteira de trabalho assinada. Esse tipo de ocupação aumentou 3,5% no trimestre encerrado em maio, absorvendo 343 mil pessoas.

Fonte: BRUNO VILLAS BÔAS, FOLHA DE S.PAULO, RIO 29/06/2016 09h14 – Atualizado às 09h42

Insper contrata e treina aprendizes com deficit intelectual

Quatro vezes por semana, André Noto, 24, vai ao Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), em São Paulo. Ele é responsável por conferir as listas, informar as ausências em planilhas eletrônicas e, depois, arquivá-las em sacos.

São mais de 2.000 alunos, e as listas não são padronizadas: algumas são assinadas pelos próprios alunos; outras preenchidas pelos professores com símbolos que cada um deles inventou.

Aluno da ONG Ser Especial, dedicada a pessoas com deficiência intelectual, ele conseguiu o emprego depois de muitas tentativas. Passou seis meses treinando o uso do Microsoft Excel e realizando tarefas de escritório e fez algumas outras entrevistas.

“Uma profissional da ONG me contou que eu tinha passado. Eu chorava, eu ria. Contei para todo mundo, mas para a minha mãe queria contar quando ela viesse me buscar. Não via a hora de ir embora. Minha mãe percebeu que eu estava com uma cara melhor. Contei, ela chorou. Foi muito legal.”

E o que ele quer fazer com seu salário? “Comprar coisas no supermercado e juntar dinheiro para viajar à Disney.”

Os planos de seu colega, Felipe Coelho, 34, são outros: comprar camisetas do Santos, clube que ele adora e cujo símbolo estampa seu relógio de pulso. Sua primeira função na escola era picotar documentos. Agora, depois do auxílio de seu tutor, Ricardo Mota, ajuda na elaboração de planilhas do setor de cobranças, incluindo dados sobre alunos e seus endereços.

Esse é o seu terceiro emprego. “Trabalhar é importante para não ficar parado”, diz.

PARA O FUTURO

O Insper recrutou oito aprendizes com deficiência intelectual há dois meses, inspirado em iniciativa semelhante já adotada pelo Citi, parceiro da Ser Especial.

Márcia Moura, diretora de desenvolvimento institucional do Insper, diz que a faculdade buscava cumprir as cotas há mais de dez anos, mas não achava profissionais habilitados para os cargos.

Optou então por desenvolver funcionários para o futuro. A Ser Especial ajudou a mapear as áreas em que os aprendizes teriam mais satisfação e desempenho.

Segundo Moura, o objetivo do Insper é efetivar os aprendizes, que hoje recebem um salário mínimo, após os dois anos do projeto.

Como aprendizes não são contados nas cotas obrigatórias por lei, o Insper firmou um termo de compromisso com a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo para não ser multado durante os 23 meses que durarem o programa

Fonte: FILIPE OLIVEIRA, FOLHA DE S.PAULO, SÃO PAULO, 27/06/2016, 02h00

60% das vagas para pessoas com deficiência ficam vazias

Com 25 anos, a Lei de Cotas para a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho conseguiu preencher menos da metade dos postos por ela criados.

A lei define que empresas com a partir de cem funcionários tenham um percentual de profissionais com deficiência que varia entre 2% e 5% (quanto mais contratados, maior a cota).

As 39.260 empresas que se enquadram nessa regra teriam que reservar cerca de 828 mil vagas para pessoas com deficiência. Mas só 327.215 (39,5%) dessas vagas estavam preenchidas em 2014, ano de que são os últimos dados disponíveis.

No último ano, a situação foi agravada pela crise, diz a consultora Carolina Ignarra, sócia da Talento Incluir, especializada em inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

Segundo ela, com a crise financeira pela qual o Brasil atravessa, muitos profissionais com deficiência foram demitidos, mesmo, o que não é comum neste segmento, devido a necessidade do preenchimento das cotas.

MAIS DEMISSÕES

Em primeiro lugar, foram dispensados os que recebiam melhores salários e, neste ano, os desligamentos se generalizaram. “Muitos profissionais que estavam em uma empresa há dez anos estão consultando a gente por estar com dificuldades para se recolocar”, diz.

Segundo o Ministério, foram aplicadas 4.363 multas por descumprimento das cotas em 2015, com valor total de R$ 159,3 milhões.

O número representa acréscimo de 61% em relação ao total de multas aplicadas no ano anterior. Em 2014, foram 2.696 multas, com valor total de R$ 113,6 milhões.

MULTAS FLEXÍVEIS

Se, por um lado, a fiscalização está mais intensa, de outro decisões judiciais apontam para uma aplicação de multas mais flexível.

Em maio, a Seção de Dissídios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho (TST) retirou multas que haviam sido aplicadas por descumprimento da cota pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) do Paraná sobre a empresa American Glass Products do Brasil.

Em decisão anterior, a companhia havia sido condenada a pagar R$ 10 mil por profissional que faltasse para completar a cota exigida dela, mais R$ 200 mil por danos morais coletivos.

Em sua defesa, a empresa argumentou que havia feito os esforços necessários para contratar os profissionais: fez anúncios de suas vagas na Agência do Trabalhador (Sine) e na internet.

O relator do processo, o ministro João Batista Brito Pereira, disse na decisão que uma empresa não pode ser responsabilizada por seu insucesso após ter feito esforços para preencher a cota.

José Alberto Couto Maciel, advogado da companhia, critica a falta de exceções na lei. “Muitas empresas fazem toda a rotina necessária para conseguir os empregados, mas eles não aparecem. Você não pode ser condenado por algo que é alheio a sua vontade”, diz.

TENDÊNCIA

Segundo o advogado Carlos Eduardo Vianna Cardoso, sócio do setor trabalhista do escritório Siqueira Castro, o fato de a decisão ter sido tomada em um órgão colegiado do principal tribunal para questões trabalhistas indica o modo como outros casos serão julgados.

Em outras instâncias, já se discute uma aplicação diferente das cotas em empresas cuja maioria dos profissionais trabalham em áreas de risco, como na construção civil e no setor de óleo e gás, e que teriam poucos postos disponíveis a pessoas com deficiência, diz o advogado José Carlos Wahle, sócio da área trabalhista do Veirano.

Segundo essa interpretação, a porcentagem mínima deveria ser aplicada apenas nas funções que não envolvem riscos físicos.

No setor de óleo e gás, ações movidas pelo MPT por descumprimento da cota contra as empresas Pride e Ensco foram julgadas improcedentes pela Justiça, em decisões de primeira e segunda instância, respectivamente.

“A constitucionalidade da lei não é discutível. Mas há uma tendência do Judiciário de relativizar a aplicação da penalidade toda vez que houver uma circunstância que justifique essa relativização”, diz Wahle.

PRECEDENTE

Porém uma aplicação mais branda da lei pode ser danosa à inserção social das pessoas com deficiência, na opinião do procurador Sandoval Alves da Silva, coordenador nacional de Promoção de Igualdade de oportunidade e eliminação da discriminação no trabalho do MPT.

Segundo ele, a flexibilização da lei pode se tornar um precedente para que outras empresas deixem de cumprir suas obrigações.
Bastaria seguir o mesmo protocolo de empresas absolvidas anteriormente, fazendo alguns anúncios em sites e jornais, e dizer que fez o que era necessário para se livrar de penas, diz.

ENGAJAMENTO

Para Silva, isso é pouco. Segundo ele, as empresas deveriam se engajar com o tema, participando de iniciativas junto ao setor público e à organizações da sociedade para promover a capacitação de mais pessoas.

“É muito incoerente olhar para o Brasil de desempregados, de milhões de pessoas com deficiência, e dizer que se fez tudo o que poderia ser feito para cumprir a lei.”

O procurador afirma que o Ministério Público irá recorrer da decisão referente a American Glass, com o objetivo de levar a ação será levada ao Supremo Tribunal Federal.

Com a crise econômica, a possibilidade de trabalhadores com deficiência encontrarem postos de trabalho também foi reduzida pelo fato de que as grandes companhias, que são as que precisam reservar uma porcentagem a eles, reduziram suas equipes.

Portas abertas
Consultoria Talento Incluir dá dicas para empresas e candidatos

  • PARA EMPRESAS

RECRUTAMENTO
Sites que divulgam vagas são úteis, mas estão longe de ser a única opção. Anuncie que procura profissionais em lojas especializadas em produtos para pessoas com deficiência, sites e revistas dedicados a esse público. Também é possível buscar consultorias especializadas em recrutamento e parcerias com instituições que oferecem reabilitação e cursos profissionalizantes

DESCENTRALIZAÇÃO
A inclusão não deve ser responsabilidade apenas da área de recursos humanos. Todos os setores da companhia precisam estar envolvidos no projeto, pois a ajuda das demais áreas, incluindo setores como tecnologia e comunicação, provavelmente será solicitada em algum momento

OPORTUNIDADES
Não restrinja as possibilidades de contratação às vagas que exigem menos qualificação. O melhor, para garantir um bom desempenho dos profissionais selecionados, é implantar uma cultura que dê oportunidades em todas as posições para atrair quem é qualificado e produtivo

NATURALIDADE
Coloque o tema da inclusão e das possibilidades das pessoas com deficiência em discussão de forma sutil, em momentos que não são necessariamente dedicados ao assunto da deficiência. Vale, por exemplo, contratar um DJ que não tem os braços para animar uma festa de fim de ano

APOIO
Após a contratação, profissionais com deficiência e seus gestores devem ser acompanhados. Uma boa prática é realizar pesquisas mensais com ambos, em que se possa avaliar questões como produtividade do profissional e ambiente da empresa

CONTINUIDADE
As ações de inclusão não podem ficar concentradas em uma pessoa só. É preciso que tudo o que é feito e seus resultados sejam documentados para que, caso haja uma mudança na equipe, não se perca o que foi conquistado

PARA CANDIDATOS

PROCURA
A internet, em geral, é o caminho mais fácil para entrar no mercado de trabalho. É indicado usar sites comuns, como Vagas, Catho e Infojobs, e também especializados, como o Deficiente Online ou o Selur Social

ESCOLHA DA EMPRESA
Busque descobrir quais empresas demonstram mais interesse pelo tema da inclusão, visitando seus sites e observando quais possuem comunicação específica para recrutar o público com deficiência nele e em veículos especializados

CURRÍCULO
É melhor indicar que possui uma deficiência do que pegar o entrevistador despreparado quando você chegar na empresa.

EXPLIQUE TUDO
O recrutador não tem a obrigação de saber todas as características e necessidades de sua deficiência. Explique pacientemente como trabalha e de quais recursos irá precisar para atuar na companhia

PERGUNTE
Ao ser entrevistado, é dever do candidato perguntar o que julga importante para poder decidir se quer trabalhar na empresa ou não. Vale a pena questionar sobre os programas de inclusão que a companhia tem. Se houver algum, o entrevistador terá prazer em contar

MOTIVAÇÃO
Pessoas com deficiência não devem se acomodar no emprego pela existência da lei de cotas. Elas devem ter claro que ela abre as portas, mas não garante crescimento.

Fonte: FILIPE OLIVEIRA, FOLHA DE S.PAULO, SÃO PAULO, 27/06/2016, 02h00

Inteligência competitiva para o Brasil acordar

Há poucos meses atrás o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro Neto, escreveu um artigo para Folha, “Mais Brasil no mundo” (24/6/2015), onde pela primeira vez um ministro na era “PT” utilizou a expressão “inteligência comercial” para descrever uma ação do Governo em apoio a pequenas e a médias empresas potencialmente exportadoras.

Neste 2015, o Brasil atingiu a sua pior marca no ranking da competitividade divulgado pelo “World Competitiveness Yearbook 2015”, publicado pelo IMD desde 1989, que analisa 61 países. A Fundação Dom Cabral – FDC é a responsável pelos dados brasileiros.

O Brasil, ficou na 56ª. Posição, à frente somente da Mongólia, Croácia, Argentina, Ucrânia e Venezuela. Em 2014, o Brasil ficou em 54ª. lugar.

A piora não é recente. Desde 2010 a queda brasileira se deve a economia. Em seis anos, o índice de competitividade do país, caiu 20%, distanciando o Brasil, das nações mais competitivas, como EUA, Hong Kong, Cingapura e Suíça, as primeiras da lista.

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