O ex-Procurador Geral da Justiça do Estado da Bahia, Wellington César Lima e Silva, é o novo ministro da Justiça do Brasil

A presidenta da República, Dilma Rousseff, informa que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, deixará a pasta e assumirá a chefia da Advocacia-Geral da União, em substituição ao ministro Luiz Inácio Adams, que solicitou o seu desligamento por motivos pessoais.

Assumirá o Ministério da Justiça o ex-procurador-geral da Justiça do estado da Bahia, Dr. Wellington César Lima e Silva.

Assumirá o cargo de ministro-chefe da Controladoria-Geral da União o Sr. Luiz Navarro de Brito.

A presidenta da República agradece os valiosos serviços prestados ao longo de todos estes anos, com inestimável competência e brilho, pelo Dr. Luís Inácio Adams e deseja pleno êxito à sua atividade profissional futura.

Agradece ainda ao ministro-interino da CGU, Sr. Carlos Higino, pela sua dedicação.

Secretaria de Imprensa
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

Posted: 29 Feb 2016 11:06 AM PST

Advertisements

Sinais de Mercado: Eliezer Batista alerta para falta de competitividade do país

Com a escassez de capital no país, apenas investidores estrangeiros têm condições mais concretas de participar de novos grandes projetos no Brasil. A opinião é do ex-­presidente da Vale, Eliezer Batista e não se restringem apenas à mineração, mas também aos projetos em infraestrutura, agronegócios, entre outros. Batista participou do seminário “Pará 2030: Um mundo de Oportunidades”.

Ele afirmou que a nova ferrovia no Estado do Pará que liga Santana do Araguaia, no sul do Estado, a Barcarena, onde a produção de grãos e minerais pode ser escoada, foi um desses casos. A infraestrutura precisou de investimentos chineses para conseguir ser viabilizada. “Hoje, em mineração principalmente, o Brasil é menos competitivo do que a concorrência. A Austrália, por exemplo, produz minério de ferro do lado da China e leva muito menos tempo para entregar o produto deles”, declarou Batista.

O ex-presidente da Vale ainda disse que o problema da logística e infraestrutura no Brasil não atrapalha apenas as vendas ao exterior, mas também o abastecimento do mercado interno. Durante o evento realizado pelo Valor na Fiesp, o governo do Pará defendeu que o licenciamento ambiental de empreendimentos no Estado não se traduza “nem em coisa de jeitinho, nem no calvário das empresas”.

Para o governador Simão Jatene (PSDB), questões ambientais são cruciais, mas não devem se transformar em impeditivos para a atração de projetos. “O meio ambiente não deve ser uma variável exógena, mas fazer parte da própria construção de um projeto “, afirmou Jatene.

Ainda bastante atrasado no ranking nacional de PIB per capita, o Pará busca a diversificação de sua economia e a verticalização de cadeias produtivas. Recentemente, o setor portuário ganhou força com a chegada de investidores privados ­ em sua maioria do agronegócio ­ em terminais de transbordo de cargas às margens do rio Tapajós. Segundo o governador, os investimentos esperados ­ de alguns bilhões ­ se devem ao posicionamento estratégico do Estado.

Navios saindo dos portos paraenses levam em média 12 dias para alcançar Roterdã, na Holanda, contra 15 dias saindo por Santos e Paranaguá, disse ele. Na comparação com Xangai, o Pará tem vantagem ainda maior ­ são 39 dias se embarcados pelo Sul e Sudeste do país contra 32 pelo Pará.

“Em um mundo competitivo, não é uma condição a ser desprezada.” Os grandes produtos exportados pelo Estado ainda são os minérios ­ o de ferro bruto, seguido pelo minério de cobre e alumina calcinada. O agronegócio, no entanto, vem ganhando peso na agenda estadual.

A pecuária ocupa hoje 5ª posição nos embarques gerais, enquanto a soja vem na 6ª posição.

Fonte: Bettina Barros e Renato Rostás | Valor, 29/2/2016 às 5h00, São Paulo

Eliezer Batista da Silva

Engenheiro e administrador de empresas ,notabilizou-se na presidência da Companhia Vale do Rio Doce (por dois mandatos), e por sua atuação no Programa Grande Carajás (PGC). Foi ministro de Minas e Energia (18 setembro a 20 de outubro de 1964) no governo do presidente João Goulart (1961 – 1964). Ainda como ministro, exerceu o cargo de presidente do Conselho Nacional de Minas e Energia e da Comissão de Exportação de Materiais Estratégicos. É formado pela Escola de Engenharia da Universidade do Paraná (1948). Exerceu outros cargos executivos em empresas estrangeiras e, em 1992, foi secretário de Assuntos Estratégicos do governo Collor.

Inteligência Competitiva Tecnológica: Mosquito transgênico aguarda sinal verde

O combate à dengue, chikungunya e zika no Brasil pode se tornar, em breve, mais uma fonte de receita para a Intrexon, empresa especializada em biotecnologia com sede nos Estados Unidos. Detentora da patente do Aedes aegypti transgênico ou Aedes “do bem”, usado para controle das populações do mosquito, a empresa já tem o selo de segurança do Ministério da Ciência e Tecnologia para iniciar a comercialização do produto no país.

Falta apenas o sinal verde da Anvisa. A aposta da Intrexon no mercado de combate ao mosquito Aedes aegypti no Brasil se concretizou a partir da compra da inglesa Oxitec em agosto, um mês antes de a epidemia de microcefalia eclodir no Nordeste. Com lucro de cerca de US$ 18,8 milhões (R$ 74 milhões) no último exercício, a Intrexon pagou US$ 160 milhões (R$ 631 milhões) em ações e dinheiro na transação. A Intrexon é avaliada na bolsa de valores americana em US$ 3,6 bilhões (R$ 14,2 bilhões).

Com berço na Universidade de Oxford, na Inglaterra, a Oxitec desenvolveu uma técnica de transmissão de um gene para o mosquito que estimula a superprodução de uma proteína que impede seus descendentes de chegarem à fase adulta. A técnica existe desde 2002, mas só recebeu autorização para iniciar os testes em campo aberto em 2010.

Desde então, eles vêm sendo feitos no Brasil em parceira com a Moscamed, uma organização social com sede em Juazeiro (BA). Os resultados, até agora, são “animadores”, conta Jair Virgínio, presidente da Moscamed. Em teste no município de Jacobina, interior da Bahia, houve uma redução de 90% da população de Aedes aegypti.

Após um teste em parceria com a Prefeitura de Piracicaba com o mosquito transgênico no bairro de Cecap, a Oxitec diz que a área tratada está com 82% menos mosquitos transmissores do que a área não tratada. A prefeitura já assinou um protocolo de intenções para expandir o projeto para uma área central da cidade. Diante de uma possível liberação da comercialização no Brasil, a Oxitec, que tem uma unidade em Campinas, já está investindo na construção de uma nova fábrica em Piracicaba (SP).

O investimento é de em torno de R$ 30 milhões. A unidade é capaz de atender uma região com mais de 300 mil habitantes e deve começar a funcionar plenamente no segundo semestre. “Temos recursos disponíveis para, uma vez sendo liberada a comercialização, iniciar a construção de novas fábricas”, diz o gerente de negócio da Oxitec, Cláudio Fernandes. O grande problema para o andamento dos negócios da empresa no país é a demora da análise da Anvisa.

O órgão, que está com a demanda da Oxitec desde o ano passado, diz que ainda não é possível definir se o produto se encaixa entre aqueles passíveis de sua regulação, pois não se enquadra, a priori, em nenhum dos setores tradicionais, como limpeza, higiene, medicamentos, alimentos. A Anvisa não dá previsão de quando vai concluir a análise do Aedes transgênico. Segundo Fernandes, a Food and Drug Administration (FDA) ­ órgão equivalente à Anvisa nos Estados Unidos ­, caracterizou a tecnologia como destinada a animais e não à saúde humana.

“Os nossos possíveis clientes são condomínios, governos do Estado, governos municipais e empresas”, diz Fernandes. A seu favor, a Oxitec conta com a urgência do governo federal em combater o Aedes Aegypti a tempo de não prejudicar o turismo nas Olimpíadas. Há dez dias, a presidente Dilma Rousseff visitou a Moscamed em Juazeiro na Bahia e se disse “impressionada” com a tecnologia da Oxitec.

A técnica do Aedes transgênico é exclusiva da Oxitec e única no país com fins comerciais, mas há outros métodos para controle de populações do mosquisto sendo estudados no Brasil. A Organização das Nações Unidas (ONU) está patrocinando um método, que usa irradiação com Cobalto 60 e produz mosquito estéril. A Moscamed deve receber um equipamento para este tipo de radiação em breve.

“Ainda não é possível dizer qual técnica é mais econômica: a do mosquito estéril ou a do mosquito transgênico”, afirma Virgínio, da Moscamed. Fernandes, da Oxitec, observa que o fato da tecnologia do mosquito estéril estar sendo patrocinada com fins humanitários, não significa que ela seja gratuita caso venha a ser usada em grande escala. “O momento é positivo para todas as tecnologias que envolvem o Aedes. Não vemos o mosquito estéril como concorrente”, diz.

Em Pernambuco, a Fiocruz e Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) iniciaram testes com o Aedes estéril na ilha de Fernando de Noronha. Há ainda uma terceira tecnologia, também em estudo na Fiocruz, que esteriliza o Aedes a partir da introdução de uma bactéria no seu organismo.

Nenhuma das tecnologias promete exterminar o mosquito em definitivo. “A ideia é que, com a redução das populações, a gente possa controlar as epidemias, mas não extinguir totalmente o número de casos das doenças”, explica Fernandes.

Fonte: Marina Falcão | Valor, 29/2/2016, Recife

Sinais de Mercado: Kimberly-Clark prepara saída da Venezuela, depois de Pepsi e Mondelez

SÃO PAULO ­ A gigante de bens de consumo Kimberly­-Clark está “desconsolidando” suas operações na Venezuela, o que é um código contábil para multinacionais que estão em vias de deixar o país produtor de petróleo, onde inflação galopante e tensão política são a ordem do dia.

Enquanto o governo venezuelano luta para equilibrar suas operações comerciais em dólares, em meio aos baixos preços para as exportações de petróleo, os cidadãos continuam a esperar em filas por bens limitados. Para multinacionais vendendo no país, o risco palpável de um golpe ou calote apontam para perspectivas sombrias.

Recentemente, a companhia aérea brasileira Gol reportou dificuldade em repatriar divisas a partir da Venezuela.

PepsiCo e Mondelez tomaram medidas contábeis para isolar suas operações venezuelanas. Analistas do Citi, Wendy Nicholson e Samantha Berger observam que as operações da Kimberly-­Clark na Venezuela são pouco significativas, representando cerca de 3% das vendas líquidas de 2014.

Nesta segunda­feira, a Standard & Poor’s (S&P) reafirmou o rating soberano da Venezuela em “CCC”, com perspectiva negativa, diante da percepção da agência de crescente risco de calote ou de renegociação de dívida pelo governo venezuelano.

Fonte: Valor, com Dow Jones Newswires, 29/02/2016 às 17h25

Inteligência Competitiva Empresas: Saint-Gobain avalia novas aquisições no Brasil

Reuters

Chalendar, CEO do grupo: “O Brasil é um país onde pode haver boas oportunidades de aquisições nos próximos dois anos”

Após anunciar duas aquisições no Brasil no início de janeiro, de uma empresa de plásticos de performance e outra de argamassa, a francesa Saint­-Gobain, líder mundial do setor de materiais para construção, prevê comprar mais companhias no país neste período de crise econômica. “O Brasil é um país onde pode haver boas oportunidades de aquisições nos próximos dois anos”, afirma o CEO do grupo, Pierre­ André de Chalendar.

Ele prefere não dar detalhes em quais segmentos as aquisições podem ocorrer, afirmando que serão em todas as áreas de atividades onde houver oportunidades. O grupo também produz materiais e equipamentos para a indústria de diversos setores, além de atuar no varejo de materiais, com a Telhanorte. Ao mesmo tempo que pretende ampliar o leque de empresas no Brasil, seu quinto maior mercado mundial, a Saint-­Gobain vai adiar investimentos industriais no país devido à piora do cenário econômico, diz Chalendar.

Aportes para ampliar a capacidade de fábricas, vistos anteriormente como necessários, serão suspensos. Com a crise, diz o executivo, haverá capacidade produtiva disponível por um bom período. “Não temos em mente projetos de investimentos industriais significativos no Brasil em razão da evolução do mercado, que ficará abaixo de nossas expectativas nos próximos dois anos.” O grupo, diz ele, não prevê melhora da conjuntura em 2016, mas ressalta que a Saint­-Gobain tem posições fortes no Brasil e “está resistindo melhor do que o restante do mercado”.

No ano passado, as vendas do grupo tiveram “aumento considerável” no primeiro semestre, mas a performance foi sendo reduzida ao longo do ano. “No fim de 2015 não houve mais crescimento. O último trimestre foi praticamente estável”, afirma. Chalendar ressalta que a conjuntura econômica brasileira se deteriorou bastante nos últimos meses e ele se diz pouco otimista em relação a 2016, em razão da “crise profunda” no país.

“Vai depender de como irá evoluir a situação política”, diz, estimando que a retomada pode levar mais tempo do que em outros períodos de crise econômica no Brasil. A desvalorização do real tornou alguns produtos para aplicações industriais, como abrasivos e canalizações, que sofriam forte concorrência dos importados, mais competitivos. A Saint­-Gobain começa a exportar esses produtos para países da América Latina, afirma o presidente.

O grupo prevê que suas atividades na Ásia e países emergentes devem ter crescimento “satisfatório” em 2016, “mas freado pela desaceleração do Brasil”. Na Europa, a perspectiva é de maior dinamismo neste ano, com estabilização na França, onde o faturamento caiu 4,1% em 2015 e que representa 25% da sua receita global. As incertezas no cenário econômico mundial levaram a Saint­Gobain a anunciar, na quinta-feira, um novo plano de reduções de custos de € 800 milhões entre 2016 e 2018, após um corte de € 360 milhões em 2015. Ele prevê mudanças na logística e a digitalização de fábricas.

Demissões podem ocorrer em alguns países, segundo Chalendar. O faturamento, de € 39,6 bilhões, cresceu 3,3% em 2015, com volumes estáveis (0,1%). O lucro líquido, de € 1,3 bilhão, aumentou 35% graças a venda de filiais realizadas pelo grupo. “Em 2015, a Saint­-Gobain registrou uma melhora de seus resultados em um ambiente econômico com fortes contrastes”, diz Chalendar, acrescentando que a progressão foi limitada pelo recuo das atividades na França.

Um dos desafios da Saint­-Gobain neste ano é tentar concluir a aquisição da companhia suíça Sika, de materiais de alta tecnologia para a construção e indústria, anunciada no fim de 2014. A compra da holding familiar que possui 16,1% do capital da Sika e 52% dos direitos de voto, por € 2,3 bilhões, encontra resistências da direção da companhia suíça e de acionistas minoritários, que vêm movimentando a Justiça.

“Somos pacientes e estamos determinados nesse negócio. Faremos o necessário para que a aquisição seja realizada”, diz Chalendar. Ele espera encontrar menos resistências nas aquisições do grupo no Brasil.

Fonte: Daniela Fernandes | Valor, Paris, 29/02/2016 às 05h00. Foto: Reuters

Inteligência Competitiva Empresas: BHP diz que vai ajudar Samarco a recuperar região de MG

Corpo de Bombeiros/MG - Divulgação

SÃO PAULO ­ A mineradora anglo­australiana BHP Billiton continuará dedicando recursos para ajudar a Samarco Mineração nos esforços de reconstrução e reparação das comunidades e do meio ambiente afetados pelo rompimento das barragens de Fundão, em Mariana (MG), em 5 de novembro de 2015, afirmou o presidente da empresa, Andrew Mackenzie, em conferência sobre minério, na Flórida.

A Samarco é uma joint­venture formada pela BHP Billiton e pela Vale. Segundo Mackenzie, a BHP registrou perdas excepcionais de US$ 1,2 bilhão antes de impostos relacionados ao acidente da Samarco, mas continuará avaliando os impactos financeiros. “É muito cedo para dizer qual será o custo final. No entanto, as discussões com o governo brasileiro e os governos estaduais de Minas Gerais e Espirito Santo, sobre formas de melhor administrar a recuperação de longo prazo dos locais afetados vão nos fornecer mais clareza e um acordo está próximo”, afirmou o presidente.

Mackenzie explica que embora a BHP tenha tido um bom desempenho nos últimos 15 anos, as condições do mercado de minério agora mudaram e uma nova abordagem e forma de se comunicar será necessária. Segundo ele, as maiores mineradoras, incluindo a BHP, foram prejudicadas pela rápida transição do modelo econômico da China, que passou de uma economia guiada por investimentos e indústria pesada para uma guiada por serviços.

“A força do setor de serviços criou empregos que permitem a aceleração das reformas estruturais. No curto prazo, à medida que a supercapacidade industrial for reduzida, isso reduzirá ainda mais a demanda por commodities”, explicou Mackenzie. Para o longo prazo, a empresa espera um crescimento na demanda de commodities guiada pelo crescimento da população, das reformas chinesas e por um amento nos padrões de vida em países emergentes, além de expansão nas atividades comerciais.

“Também vemos uma recuperação nos preços do petróleo e de cobre no longo prazo. Embora esses mercados estejam atualmente muito bem abastecidos, esperamos que a demanda continue crescendo e a oferta de petróleo e minério diminua um pouco”, acrescentou Mackenzie. A BHP também informou que espera gerar um total de US$ 3 bilhões em fluxo de caixa livre em 2016 e ainda mais em 2017, por meio de mais ganhos de produtividade e reduções em investimentos de capital.

A mineradora estima investir cerca de US$ 7 bilhões com exploração em 2016 e não mais que US$ 5 bilhões em 2017. Este valor representa US$ 3,5 bilhões a menos do que o previsto anteriormente. Por último, o presidente anunciou uma política mais flexível de distribuição de dividendos, no qual destinará aos acionistas um mínimo de 50% do lucro atribuível ajustado da empresa.

O valor será equivalente ao caixa que foi devolvido por meio de dividendos e recompras de ações desde a fusão da BHP com a Billiton. 29/02/2016 BHP diz que vai ajudar Samarco a recuperar região de MG.

Fonte:  Paula Selmi | Valor, 29/02/2016 às 15h03. Foto: Corpo de Bombeiros/MG – Divulgação

Inteligência Competitiva Empresas: Investimento na Samarco foi reduzido a zero e nenhum passivo foi registrado no balanço, diz Vale

Mesmo com produção recorde, mineradora teve prejuízo em 2015

Mesmo com produção recorde, mineradora teve prejuízo em 2015

SÃO PAULO – O investimento da Vale na Samarco, após a tragédia em Mariana (MG), foi reduzido a zero contabilmente, disse a companhia no documento que acompanha o seu demonstrativo financeiro. A mineradora disse ainda que nenhum passivo relacionado à Samarco foi registrado em suas demonstrações financeiras. Com isso, frisou, o rompimento da barragem da Samarco não teve efeito no fluxo de caixa da Vale no exercício de 2015.

“A Vale reconhece os resultados da Samarco pelo método de equivalência patrimonial e, portanto, os impactos do rompimento da barragem da Samarco no balanço patrimonial e na demonstração de resultado estão limitados à participação da Companhia no capital social da Samarco”, destaca a mineradora no mesmo documento.

Ainda no documento, a Vale frisou que foi citada na ação civil pública ajuizada na 12ª Vara Federal de Belo Horizonte pela União, pelos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo e outras instituições. A ação, contra Samarco e BHP Billinton e Vale pediu a indisponibilidade das licenças das três rés para a lavra de minério, sem contudo limitar as suas atividades de produção e comercialização e a remediação dos danos causados pela ruptura da barragem. Foi atribuído à causa o valor de R$ 20,2 bilhões. “A Vale tem adotado as medidas necessárias para assegurar seu direito de defesa”, frisou a companhia.
Nas notas explicativas de seu demonstrativo financeiro, a mineradora destaca que “conforme a legislação brasileira e os termos do acordo da joint venture, a Vale não tem a obrigação de prover recursos a Samarco”. Além disso, a companhia disse que não recebeu nenhum pedido de assistência financeira da Samarco. “O impacto contábil de qualquer pedido de assistência financeira futuro será determinado quando este ocorrer”, explicou.
Acionista da Samarco ao lado da Vale, a BHP Billinton, que divulgou seu balanço no início da semana, registrou US$ 858 milhões em despesas relacionadas ao rompimento da barragem da Samarco.

Fonte: FERNANDA GUIMARÃES – O ESTADO DE S. PAULO, 25 Fevereiro 2016 | 10h 07 – Atualizado: 25 Fevereiro 2016 | 10h 07. Foto: Márcio Fernandes/Estadão.

Inteligência Competitiva – Sinais de Mercado: Prejuízo da Vale é o maior já registrado por empresas da Bolsa desde 1986

Prejuízo da Vale foi de quase R$ 20 bilhões acima do segundo colocado

Prejuízo da Vale foi de quase R$ 20 bilhões acima do segundo colocado

O prejuízo da Vale em 2015, de R$ 44,2 bilhões, é o maior prejuízo já registrado por uma empresa de capital aberto desde 1986, segundo levantamento da consultoria Economatica, que só tem dados a partir daquele ano. Os dados foram ajustados pela inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) até dezembro de 2015.

Na análise, foram consideradas todas as empresas de capital aberto desde 1986, mesmo aquelas que já fecharam capital. O segundo maior prejuízo do período avaliado foi do Banco Nacional no ano de 1995. Banco do Brasil, CESP e Eletrobrás estão presentes duas vezes entre os 20 maiores prejuízos listados.

O setor bancário é o que tem mais representantes entre os 20 maiores prejuízos, com seis registros desde 1986. O segundo setor com maior presença é o de energia elétrica, com quatro registros.

O prejuízo de 2015 da Vale é o primeiro da sua série histórica comparandos seus balanços anuais desde 1986. Trimestralmente, a companhia teve dez prejuízos desde 1989 (início dos dados trimestrais na base da Economatica).

O maior valor de mercado atingido pela Vale foi no dia 16 de maio de 2008 com R$ 322,9 bilhões. No dia 22 de fevereiro de 2015, o valor já era de R$ 60,3 bilhões.

Fonte: O ESTADO DE S.PAULO, 25 Fevereiro 2016 | 11h 38 – Atualizado: 25 Fevereiro 2016 | 11h 53. Foto: Fabio Motta/Estadão.

Inteligência Competitiva Varejo: Cerca de 245 mil trabalhadores formais do comércio devem ser demitidos neste ano; no ano passado, foram fechadas 185 mil vagas

No ano passado, as vendas no varejo restrito encolheram 4,3%

No ano passado, as vendas no varejo restrito encolheram 4,3%

RIO – O apelo à criatividade, às promoções e ao corte de custos tem sido o mantra dos comerciantes brasileiros neste início de ano, mas nada deve salvar o varejo de uma nova retração nas vendas em 2016. Desemprego crescente, elevado endividamento das famílias e crédito caro persistem e habitam os piores pesadelos dos empresários, que no ano passado já assistiram ao maior tombo nas vendas desde 2001 e fecharam quase 100 mil lojas. O baque foi tão grande que o comércio acabou perdendo espaço para outras atividades na economia.

Como nada mudou na passagem do ano, o encolhimento deve continuar. Neste mês, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que os comerciantes reclamam cada vez mais da demanda insuficiente e dos custos com mão de obra, o que pode incentivar demissões nos próximos meses. O próprio indicador de emprego previsto caiu 3,3 pontos, para o menor nível da série histórica, iniciada em março de 2010. “Isso é um sinal de que o ritmo de redução de pessoal ocupado no setor deve aumentar nos próximos meses”, explica Aloisio Campelo, superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) espera pela demissão de aproximadamente 245 mil trabalhadores formais neste ano – o comércio já fechou quase 181 mil vagas em 2015. Mas o problema não deve se limitar a demissões. Sem clientela suficiente, quase 100 mil lojas deixaram de existir no ano passado. “A tendência de fechamento deve continuar. O comércio continua com o pé na lama”, afirma o economista da CNC Fabio Bentes.

Sem uma via de escape, o varejo depende do consumo doméstico. Só que os brasileiros seguem pessimistas diante do aumento do desemprego e da queda na renda e, na tentativa de equilibrar o orçamento doméstico, acabam freando os gastos. Muitos inclusive têm recorrido à poupança para conseguir manter as contas em dia. “Há menos pessoas trabalhando e muitas pessoas ganhando menos. Isso impacta”, diz o economista Thiago Biscuola, da RC Consultores.

No ano passado, as vendas no varejo restrito encolheram 4,3%, o pior resultado desde o início da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2001. No segmento ampliado, que inclui veículos e material de construção, o tombo foi ainda maior, de 8,6%. Como resultado, o Produto Interno Bruto (PIB) do comércio deve ter encolhido 8% no ano passado, o pior resultado desde o início das Contas Nacionais em 1948, estima a CNC.

A forte queda no PIB do comércio em 2015 abortou o processo de crescimento do peso da atividade na economia brasileira, um caminho encarado como natural pelos economistas. No ano passado, 10,5% da renda gerada no País veio do comércio, contra 11,1% em 2014, segundo estimativas do Monitor do PIB, produzido pela FGV.

Perdas. Com a disputa pelo cliente cada vez mais acirrada, os lojistas tentam lançar mão de promoções para atrair os brasileiros. Renegociação de prazos e valores com fornecedores e medidas de redução de custo também estão no ‘script’ das empresas. Mesmo assim, o crédito travado e a inadimplência em crescimento mínguam os planos de grandes varejistas.

O Grupo Pão de Açúcar teve prejuízo de R$ 314 milhões no ano passado. Os investimentos de R$ 2 bilhões feitos em 2015 devem cair a R$ 1,5 bilhão neste ano, segundo a companhia.

A Via Varejo, braço do Grupo Pão de Açúcar que reúne as marcas Casas Bahia e Ponto Frio, também vai intensificar os cortes de investimentos e deve ser mais seletiva no crédito diante do preocupante aumento da inadimplência observado atualmente. A rede fechou 23 lojas e demitiu mais de 11 mil funcionários durante o ano passado. O lucro líquido da empresa encolheu expressivos 99,7% ante o ano anterior, para R$ 3 milhões.

A Magazine Luiza é outra gigante do comércio brasileiro que espera dificuldades em 2016. O presidente da companhia, Frederico Trajano, afirmou em recente entrevista ao Estado que a gestão tem mirado em cortes de custos para enfrentar a crise.

Fontes: DANIELA AMORIM E IDIANA TOMAZELLI – O ESTADO DE S.PAULO, 28 Fevereiro 2016 | 06h 57 – Atualizado: 28 Fevereiro 2016 | 11h 54