Sony lança tablet com design que não é pura imitação do iPad

Um dos motivos por que o iPad, da Apple, continua a dominar o mercado de tablets depois de 17 meses pode ser o fato de que os principais concorrentes parecem imitações que não funcionam tão bem. São placas planas, como o iPad, com preço parecido ou mais alto, mas com menos apps, menos bateria, geralmente mais pesadas e grossas, e ainda com um ecossistema mais fraco para música, vídeo, livros e revistas. Se têm uma ou outra vantagem — como mais portas externas ou a capacidade de rodar vídeo Flash —, não é o bastante para atrair consumidores e programadores.

Agora, a Sony, cuja marca e reputação de bom design há muito atraem consumidores, está tentando algo diferente. Hoje, ela está lançando um belo tablet com um inusitado desenho assimétrico e algumas mudanças no software e nos serviços de conteúdo que possam diferenciá-lo.

PTECH

Sony

O Tablet S, da Sony, tem o mesmo peso do iPad 2, mas melhor equilíbrio
Eu tenho testado esse aparelho, chamado Sony Tablet S, e gosto dele de maneira geral, apesar de alguns pontos fracos e funções que ainda não estão no ponto porque não serão oferecidas integralmente no lançamento. O Tablet S terá um apelo para compradores que gostariam de ter um tablet diferente, de uma companhia confiável e que não pareça querer imitar o iPad.
Como vários outros tablets, o da Sony usa o sistema operacional Android, da Google. E custa o mesmo que os iPads que só têm wi-fi: US$ 500 o modelo de 16 gigabytes e US$ 600 o de 32. O Tablet S não tem opção de conexão à rede celular. Ele também chega ao mercado atrasado e, em meus testes, teve bateria com vida bem mais curta que a do iPad 2.
Contudo, o Tablet S não se parece em nada com o iPad 2, ou qualquer outro rival. Um dos lados longos de seu corpo retangular de plástico tem uma borda grossa e arredondada que o faz parecer uma revista com a capa dobrada para trás.
Embora esse desenho torne o Tablet S muito mais espesso que muitos concorrentes, ele tem várias vantagens. Quando você segura o aparelho com uma mão só na posição vertical, ele parece bem mais confortável e equilibrado do que qualquer outro tablet que já testei. Numa superfície plana na posição horizontal, a borda arredondada cria um ângulo natural para digitar, sem a necessidade de uma estante ou outro suporte.
Esse desenho sagaz faz o Tablet S parecer mais leve do que o iPad quando na vertical, porque uma porção maior do peso está na palma da sua mão — muito embora os dois tenham quase o mesmo peso.
Com 9,4 polegadas, a tela vívida do Tablet S é menor do que a do iPad, de 9,7 polegadas, ou a de 10,1 polegadas do modelo comparável do Galaxy Tab, da Samsung. Mas eu a achei generosa o bastante e ela não parece congestionada. O Sony tem mais ou menos o mesmo comprimento do iPad 2, mas é mais estreito, e achei essa proporção satisfatória.
Embora ele fique belamente equilibrado na vertical, na horizontal a sensação é a oposta, porque a Sony força você a segurar o tablet pela borda mais fina, embaixo. Não dá para inverter.O desempenho foi rápido e as câmeras na frente e atrás fizeram fotos e vídeos aceitáveis.
Ao contrário do iPad 2, o Tablet S tem uma entrada para memória SD, que eu usei para transferir filmes, fotos, música e documentos de um Mac para o Tablet S. Funcionou bem, embora a portinha de plástico da abertura às vezes emperrasse.
Embora a Sony, como a Apple, há muito seja elogiada pelo design, ela nunca conseguiu alcançar a Apple em software e serviços, exceto nos videogames PlayStation. A companhia espera que o Tablet S mude essa percepção.
O Tablet S começa com as mesmas desvantagens de software dos demais Androids. Embora o Android tenha uma saudável seleção de mais de 250.000 apps de terceiros (ante 425.000, para aparelhos móveis da Apple), ele tem muito menos apps otimizados para tablet — estima-se que só uma pequena fração dos 100.000 feitos sob medida para o iPad.
Mas a Sony acrescentou alguns programas legais ao Tablet S. Alguns tornam a navegação mais fácil, mas muitos visam a capitalizar a força da Sony em jogos e mídia. Ao contrário da Apple, que tem uma visão mais ampla do potencial dos tablets, a Sony os vê como aparelhos para consumo de entretenimento.
O Tablet S ficou atrás do iPad 2 nos meus testes de bateria, em que rodo vídeos sem parar, com conexão à rede e brilho da tela em 75%. Ela acabou depois de 6 horas e 38 minutos, 3 horas e meia a menos do que a do iPad 2.
Ainda assim, a Sony merece crédito por criar um desenho novo com vantagens reais e softwares úteis. O Tablet S é digno de se levar em conta quando se pensa em comprar um tablet.

Fonte: WALTER MOSSBERG, The Wall Street Journal, Valor Econômico, 15/9/2011

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