Espírito Santo busca executivos para suprir escassez de talentos

Alvo de grandes investimentos em setores como energia, construção civil, mineração e logística, o Estado do Espírito Santo tem enfrentado, nos últimos anos, um de seus maiores desafios: recrutar e formar mão de obra qualificada para atender às necessidades das companhias.

A escassez de talentos é tanta que a região, no passado exportadora de profissionais para mercados como Rio de Janeiro e São Paulo, se tornou um polo de atração de executivos de todo o país e até mesmo do exterior. “O grande impulso do Estado é resultado dos investimentos do setor de petróleo e das descobertas do pré-sal”, afirma Carlos Eduardo Dias, CEO da Asap, empresa de recrutamento que recentemente iniciou suas operações na capital Vitória.

A abertura de uma grande companhia de hunting na região, até então explorada apenas por butiques locais é, segundo Dias, um sinal de que o mercado capixaba vem se profissionalizando. “A maior parte dos nossos clientes são organizações de grande porte com as quais também trabalhamos em outros Estados. As empresas médias locais, porém, também estão ganhando espaço”, diz.

Esse é o caso da construtora Viga, que triplicou o número de funcionários desde 2008. Este ano, a companhia contratou dois novos diretores para dar suporte à expansão prevista para os próximos meses. “Estamos saindo de uma estrutura familiar e precisamos atrair uma mão de obra especializada que já não se encontra localmente”, afirma o diretor-presidente João Coutinho.

O resultado dessa escassez, segundo ele, vem refletido na remuneração dos profissionais. “Os salários dos engenheiros aumentaram quase 80% nos últimos três anos”, diz. De acordo com Sharla Bittencourt, gerente de recrutamento e seleção da Selecta, consultoria que atua há 17 anos no Estado, a faixa salarial de um profissional de engenharia varia de R$ 8 mil a R$ 15 mil. “É competitiva com outros Estados, e a prova disso é que estamos conseguindo atrair gente de diversas regiões”, afirma.

Contratado há quase dois anos como gerente técnico da operação capixaba da empresa de engenharia PSG, o espanhol Miguel Ángel Nieto migrou para o Espírito Santo motivado pela qualidade de vida, mas também pelas boas oportunidades profissionais. Até 2009, ele morava na Espanha e era funcionário da multinacional I nternational Testing Pipelines, parceira da atual empresa. “Recebi uma proposta da PSG e resolvi aceitar. A companhia cresceu muito, ganhou mercado e o cenário na Europa não era dos melhores”, conta. A mudança não trouxe aumento na remuneração, mas a mudança, segundo ele, foi acertada. “Vitória é uma cidade bonita, limpa e cheia de oportunidades profissionais. Nem consideraria me mudar para o Rio ou São Paulo”, afirma.

Segundo Dias, da Asap, a descentralização de investimentos no eixo Rio-São Paulo e a busca por melhor qualidade de vida ajudaram a movimentação de executivos para a região. “Existe uma atratividade interessante em cidades do porte de Vitória, principalmente para a média gerência, que tem um perfil mais jovem e maior mobilidade”, diz.

Após sete anos estudando e trabalhando no Canadá, a capixaba Mônika Córdova fez recentemente o caminho de volta. Ela trabalhou por dois anos na área de recursos humanos de uma empresa de perfuração de petróleo naquele país e decidiu retornar ao Brasil após uma visita aos pais, em Vitória, no ano passado.

“Sempre quis voltar, por causa da minha família, mas estava esperando o momento certo. Vi que o mercado estava promissor. Pedi demissão e retornei mesmo sem emprego”, afirma. Quatro meses depois, Mônika foi contratada como analista de RH da Vale graças ao programa “Indique um talento”, que estimula funcionários da companhia a recomendarem candidatos a vagas internas. De acordo com Andrea Barradas, gerente geral de RH, a campanha é realizada anualmente e ajuda a empresa a descobrir talentos locais. “O funcionário se torna um padrinho da pessoa que recomendou. O programa é muito popular na empresa e uma porta de entrada importante”, afirma.

A Vale deve fechar o ano com 1.700 contratações, quase 600 delas ainda em aberto. A maioria é para técnicos, mas cerca de 20% das oportunidades são para profissionais de nível superior. “O ano de 2011 está sendo marcado pela batalha por talentos na região, ainda mais acirrada do que os dois últimos anos”, diz Andrea Barradas.

Fonte: Vívian Soares, Valor Econômico

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