Dar aula torna-se segunda ou até terceira carreira para americanos

Aos 65, Walt Patteson tem duas carreiras nas costas e está apreciando sua terceira, de professor de química. Ele é um dos muitos americanos em idade de aposentadoria que estão encontrando novos usos para seus saberes ao decidirem ensinar.

Enquanto a geração do “baby boom” alcança a idade da aposentadoria, alguns vislumbram uma nova carreira e ingressam em escolas públicas ou em programas privados ou aprovados pelo Estado para converterem sua experiência profissional de forma que sirva em sala de aula. Nem mesmo as recentes críticas públicas aos professores ou os cortes dos orçamentos escolares impediram os aposentados de buscarem credenciais para ensinar –e encontrarem empregos, especialmente nas áreas de matemática, ciências e educação especial.

Muitos passam a lecionar mais tarde na vida porque desejam um desafio. Alguns querem fazer o bem ou manterem-se ativos. Outros precisam de uma renda ou suplementação para sua aposentadoria. E alguns, como Patteson, precisam de um empurrãozinho para explorarem a ideia.

“Minha mulher me disse que não ia continuar trabalhando enquanto eu fosse jogar golfe todos os dias”, disse Patteson.

Após dez anos na Marinha, onde era piloto, ele voltou para casa para ajudar a administrar a fazenda da família em Tracy, Califórnia. Duas décadas depois, em 1999, a fazenda foi vendida, Patteson tinha apenas 53 anos e queria fazer algo voltado para a comunidade.

O piloto tinha sido membro do conselho da escola local e ouviu falar de uma vaga em um colégio de ensino médio próximo, West High School, para ensinar ciências. Assim, decidiu aproveitar sua formação em ciências e matemática para se tornar professor. Ele participou de um dos 70 programas alternativos de preparação de professores da Califórnia. Passou por uma prova para medir seu conhecimento de química, depois fez aulas e deu aulas, recebendo as credenciais do Estado para ensinar química em 2004.

Assim como a Califórnia, onde os programas de ensino alternativo são agrupados sob o California Teacher Corps, todos os 50 Estados permitem que aspirantes a professores dispensem uma graduação tradicional em licenciatura e peguem um caminho mais curto até as salas de aula, usando o conhecimento adquirido na faculdade e em suas carreiras.

Apesar de não haver uma contagem oficial de educadores com mais de 50 anos, o Centro Nacional para Informação em Educação publicou o “Perfil dos Professores nos EUA em 2011”, no qual concluiu que 54.000 novos professores contratados, ou cerca de um terço do total, no ano escolar de 2007-8 tinham “ingressado tardiamente”, ou seja, eram pessoas com diploma de terceiro grau que não começaram a lecionar logo após a faculdade.

Apesar de a economia combalida ter significado menos aposentadorias de professores do que se esperava, muitos distritos escolares ainda têm vagas para professores de matemática, ciências, educação especial e inglês como segunda língua. Até o final da década, 440.000 novos professores de ensino fundamental e médio serão necessários, enquanto o número total de professores alcança mais de 4 milhões, como projetado pelo Centro Nacional de Estatísticas da Educação, parte do Departamento de Educação.

Muitas vagas serão em ciências e matemática. De acordo com um estudo de 2007, as escolas públicas vão precisar de mais 280.000 novos professores de matemática e ciências em 2015, especialmente nos distritos de baixa renda. O relatório foi desenvolvido pelo Fórum Empresarial de Educação Superior, grupo nacional de empresas e executivos da educação superior.

Entre os sites disponíveis para guiar pessoas mais velhas em busca de mudança de carreira, existe o Teach.gov, lançado pelo Departamento de Educação no ano passado. O site de recrutamento de professores lista os programas de certificação alternativos de cada Estado, além de informações sobre ajuda financeira, distritos escolares, licenciamento e certificação.

O Teach.gov também lista as vagas para ensino elementar e médio –neste mês, havia 663 no país, a maior parte em educação especial e pré-escolar. O recurso também lista os três Estados que mais estão contratando hoje: Massachusetts, Carolina do Sul e Illinois.

“Há uma oportunidade incrível aqui para os que estão buscando uma nova carreira”, disse Brad Jupp, assessor do secretário de educação, Arne Duncan, que ajudou a montar o site.

Algumas pessoas em busca da segunda ou mesmo da terceira carreira estão sendo licenciadas para ensinar em cursos de faculdades comunitárias. A Civic Ventures,  organização de San Francisco voltada para a geração do “baby boom”, e a MetLife Foundation recentemente deram uma bolsa de US$ 25.000 (em torno de R$ 42.000) para 25 faculdades públicas com programas que estimulassem as pessoas de 50 anos ou mais a se tornarem professoras.

O Harold Washington College, em Chicago, usou sua bolsa com publicidade no programa da Sinfonia de Chicago e da Ópera Lírica. A ideia era atrair pessoas com mais de 50 anos com mestrado para ingressarem em seu programa e aprender como se tornar professor adjunto.

“Contratamos 250 instrutores por ano; ciências e matemática realmente são as mais cotadas”, disse John Hader, um dos diretores do colégio. “Escolhemos 55 inscritos que se qualificaram nessas áreas e ensinamos a eles como administrar uma sala de aula, como avaliar os níveis de aprendizado dos alunos, como usar tecnologia educacional e estimular o aprendizado ativo.”

Algumas empresas ajudam a pagar pelos cursos profissionalizantes. Barry Ostrer, que passou 32 anos na IBM em White Plains, Nova York, aproveitou o programa de Transição ao Ensino, que dá até US$ 15.000 (R$ 25.000) para funcionários que desejam ingressar em uma carreira em educação.

Ostrer começou sua segunda carreira este mês, ensinando matemática para a quinta série em uma escola privada em Englewood, Nova Jersey. Ele se bacharelou em matemática na Tufts e recobrou seu interesse no assunto enquanto ajudava filhos de amigos.

Em seis anos, fazendo uma ou duas aulas por período, ele concluiu seu mestrado em licenciatura no Manhattanville College, em Purchase, em 2010.

“Esta é uma forma de eu ajudar os alunos a superar a ansiedade diante da matemática”, disse Ostrer, 54, que trabalhou para a IBM com programação e vendas e como contato com analistas da indústria. “Sou jovem demais para não fazer nada”.

O ensino oferece outras recompensas, disse Patteson. Seus alunos e colegas deram-lhe apoio quando sua mulher adoeceu e morreu em 2008, disse ele. Enquanto puder trabalhar, não está pensando em se aposentar de sua terceira carreira.

“É como ter 150 netos”, disse ele. “Eles falam sobre coisas que nunca falariam com seus pais. Você pode discipliná-los, dar bronca, brincar e motivá-los de um jeito que eles não aceitariam se viesse de outra pessoa.”

Sites americanos que ajudam na decisão de ensinar:

O Teach.gov é um site do Departamento de Estado que lista, por Estado, programas de certificação alternativos; dá informações sobre assistência financeira, sobre os distritos escolares e sobre a certificação, assim como vagas para professores em cada Estado.

TheApple.monster.com é um guia de programas alternativos para apressar a certificação de pessoas que têm graduação mas não têm experiência com ensino e para encontrar áreas com falta de professores.

AllEducationSchoools.com traz informações sobre assuntos como ciências e links para saber sobre como se certificar.

O Teachers-Teachers.com lista empregos para professores, administradores e outros.

O Encore.org, site do Civic Ventures, fornece informações sobre uma segunda carreira, inclusive links para sites com oportunidades de trabalho e de formação e formas de se conectar com pessoas e grupos envolvidos em suas segundas ou terceiras carreiras.

O Cateacher.org, site do corpo de professores da Califórnia, ajuda a encontrar 70 cursos preparatórios.

O Alt-teachercert.org, Associação Nacional de Certificação Alternativa, fornece informações para a preparação de educadores.

O Abcte.org, do Conselho Americano para Certificação de Excelência do Professor, tem informações sobre como encontrar, preparar e certificar professores.

O Ncei.com, site do Centro Nacional de Informações em Educação, fornece um perfil dos professores dos EUA e links para informações sobre cursos preparatórios, certificação e licenciamento.

Fonte: Elizabeth Olson, The New York Times/UOL. Tradução: Deborah Weinberg
Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s