Fusão no varejo: Quantas PME´s podem ser incentivadas com recursos públicos do BNDES?

O BNDESPar, braço financeiro de investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e o BTG Pactual anunciaram uma proposta de fusão entre o Grupo Pão de Açúcar e a operação brasileira do Carrefour financiada, em sua maior parte, com recursos públicos do BNDES. O valor da operação de fusão com o grupo francês Carrefour é de 2,5 bilhões (ou R$ 5,6 bilhões), segundo a proposta.

Em nota divulgada ontem, o BNDES considera a possibilidade gastar sozinho até 2 bilhões (R$ 4,5 bilhões) na operação. “O processo está enquadrado (sob análise), porque o banco enxerga mérito nele”, afirmou o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, ontem no começo da noite na chegada ao evento Destaque Agência Estado Empresas 2011.

Só uma pergunta: Se o valor da operação de fusão com o grupo francês Carrefour é de 2,5 bilhões (ou R$ 5,6 bilhões), com recursos públicos do BNDES, segundo a proposta, quantas micros, pequenas e médias empresas podem ser incentivadas com estes recursos?

Será que PME´s tem tanta rapidez para chegar no BNDES como neste caso? E conseguir recursos públicos do BNDES para se desenvolver, crescer, comprar empresas e também realizar fusões???

Apenas pergunta, nada contra CBD, GPA, CG, BTG, bom trabalho e boa sorte rapazes.

Fonte: Márcia De Chiara e Marcelo Rehder – O Estado de S.Paulo, mais aqui.

Alpargatas fecha parceria com Disney para lançar Havaianas Kids

A Alpargatas, dona da marca Havaianas, fechou uma parceria com a Disney para usar a imagem de personagens em um novo produto, a Havaianas Kids.

Os itens licenciados usarão estampas do Mickey, Minnie, Ursinho Pooh, Princesas, Tinker Bell, entre outras.

A Alpargatas informou que sempre usou desenhos exclusivos nas sandálias Havaianas. “Mas, em 2009, a marca iniciou seu trabalho com personagens licenciados, que passaram a ser estampados nos modelos infantis de sandálias, trazendo um incremento de 46% nas vendas dos produtos”.

A fabricante de calçados informou que tem expectativa de alavancar, mais uma vez, o volume de vendas da linha Havaianas Kids.

“Esta união reforça o vínculo emocional do consumidor com as sandálias mais desejadas do planeta e com os personagens que criaram a melhores histórias e fantasias”, defendeu.

Fonte: Karen Camacho | Valor

Aula Magna com o Prof. Antonio Delfim Netto sobre “Oportunidade e a crise de 2007/09”

Esse é um momento particularmente interessante para os economistas. A crise de 2007/09, que atingiu o sistema financeiro e interrompeu o “circuito econômico”, já custou mais de 5% do PIB mundial e deixou desempregados mais de 30 milhões de honestos trabalhadores.

Ela mostrou as limitações dos nossos conhecimentos de como funciona, de fato, o sistema econômico. Mostrou, também, a precariedade do que parecia ser uma revolução científica: a construção da economia financeira, separada da macroeconomia, feita por pequenos economistas, supostos grandes matemáticos!

O economista é um cientista social que procura entender como funciona o mundo real (e não impor-lhe o que gostaria que ele fosse). Tenta encontrar algumas regularidades e organizar histórias plausíveis sobre elas. O resultado do seu trabalho deve ajudar a lubrificar o funcionamento das instituições que levam ao desenvolvimento sustentável com justiça social.

Nem toda atividade social é de interesse da economia, mas toda atividade econômica é de interesse social. O agente econômico é um animal mais complicado do que supúnhamos: aprende com uma racionalidade limitada inserido num universo de incertezas.

O individualismo metodológico e os agentes representativos que estão na base das nossas construções teóricas são insuficientes para entender o fenômeno das redes que dominam o universo social, da tendência à imitação dos agentes e da segurança que a norma lhes dá. Eles certamente movem-se por estímulos e interesses, mas num espaço social, numa rede na qual cada um é apenas um elemento, o que condiciona as suas escolhas.

A pobre discussão que envolveu a ideia de “Estado mínimo”, por exemplo, era apenas uma ação ideologicamente motivada. Na verdade, não existe “mercado” sem um Estado capaz de garantir as condições de seu funcionamento. Numa larga medida, a forma de organização do sistema produtivo é ditada pelos que detêm o poder político e formulam a política econômica que serve aos seus interesses. A sua construção teórica e a formalização para justificá-la também são um produto ideológico.

Para entender isso, basta ver como a tomada do poder pelas finanças nos EUA levou a uma política econômica que lentamente erodiu a legislação que regulava suas atividades e fora produzida após a Grande Depressão. Muito rapidamente os “cientistas” produziram uma “ciência” que justificava a total desregulamentação da atividade financeira em nome da “eficiência” e da descoberta de “inovações” capazes de medir os “riscos”: 1929 nunca mais!

É preciso incorporar no DNA dos economistas a autonomia do político. Nas situações de conflitos irreconciliáveis, só o poder político pode arbitrar. Ainda que possamos ter sugestões interessantes sobre a flexibilidade do mercado de trabalho (o que não é muito claro do ponto de vista empírico), elas são, claramente, propostas “normativas” que produzem, inevitavelmente, “vencedores” e “perdedores”. É um pouco ridículo sugerir aos últimos que devem sacrificar-se em nome de um “valor maior” construído sobre a base teórica discutível da Teoria do Equilíbrio Geral…

A economia precisa voltar a abrigar contribuições de todos os matizes teóricos e ideológicos, porque aqui, como na biologia, só a diversidade é fértil. Essa é uma velha tradição da FEA/USP. Apenas para recordar. Nos idos de 1947, o ilustre professor Paul Hugon nos ensinava – na cadeira de economia política – que a moeda era “qualquer coisa” aceita pela sociedade com as qualidades de ser uma unidade de conta, de resgatar compromissos e capaz de ser reserva de valor. Era apenas um véu que escondia a economia real.

Ao mesmo tempo, o não menos ilustre professor Heraldo Barbuy – na cadeira de sociologia – nos “enriquecia”, inspirado em George Simmel, ao mostrar que a coisa não era tão simples! A moeda era sim produto de uma convenção social, mas tinha profunda influência no comportamento humano, como a cupidez, a avareza e a prodigalidade e exercia profunda influência sobre a economia real. A ideia de uma moeda neutra, apenas um “véu” facilitador das trocas, era uma “imbecilidade”.

Os economistas estão diante de um novo e excitante momento. Precisam aproveitar as novas oportunidades que se abrem à profissão para renovar o trabalho mais modesto de oferecer instrumentos para a boa governança dos Estados e a melhor alocação dos seus recursos. Precisam recuperar a história, a geografia, a sociologia, a psicologia, a antropologia e usar mais modestamente a topologia…

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. 

Artigo publicado no Jornal Valor Econômico, 28/6/2011. Assinantes, aqui.

A nova classe média por Marcelo Côrtes Neri

A chamada nova classe média tem ocupado destaque na agenda das empresas privadas, dos gestores públicos, dos políticos e dos demais mortais no Brasil como em outros lugares.

A pesquisa homônima a este artigo encontrada em www.fgv.br/cps/brics foi lançada ontem no seminário Oportunidades para Maioria, do BID, que visa formentar negócios na base da pirâmide.

Abrimos a nova classe média brasileira pelas dimensões globais, nacionais, locais e atuais. Senão vejamos:

Global – Inicialmente, analisamos diferenças e semelhanças de grupos emergentes entre países emergentes. Especial destaque é dado ao grupo dos Brics, contrastando elementos diversos:

Quanto o crescimento macroeconômico se reflete no bolso do cidadão comum? O Brasil mais do que outros Brics, apresentou um crescimento de pesquisas domiciliares 11,3 pontos de porcentagem superior ao PIB acumulada no período 2003 a 2009.

A novidade é que essa diferença tem aumentado. Mesmo no caso do “pibão” de 2010, que cresceu a 6,5% per capita contra 9.6% da renda da PME, a desaceleração do PIB do começo de 2011 não se reflete ainda no mercado de trabalho metropolitano em 2011 onde a renda domiciliar per capita do trabalho cresce a 6.1% acima novamente do PIB.

Quem melhora mais em cada país: a base ou o topo da distribuição de renda? Para além da média, essas mesmas pesquisas permitem ver que a desigualdade de renda cai aqui e aumenta alhures.

No Brasil já cai há dez anos seguidos, já entrando no 11º ano. Os 20% mais ricos do Brasil tiveram na década passada um crescimento inferior ao dos 20% mais ricos de todos os demais Brics, já nos 20% mais pobres acontece o oposto.

Para além de melhoras objetivas, como estão atitudes e expectativas das pessoas em relação ao presente e ao futuro?

Segundo o Gallup World Poll, o grau de satisfação com a vida no Brasil em 2009 era 8,7 numa escala de 0 a 10. Superamos os demais: África do Sul (5,2), Rússia (5,2), China (4,5) e India (4,5).

Mais do que isso, o Brasil é o único dos BRICS que melhora no ranking mundial de felicidade, saindo do 22º lugar em 2006 para 17º em 2009 entre 144 países.

O Brasil é o recordista mundial de felicidade futura. Numa escala de 0 a 10, o brasileiro dá uma nota média de 8,70 à sua expectativa de satisfação com a vida em 2014 superando todos os demais 146 países da amostra cuja mediana é 5,6.

Essa interpretação permite entender o Brasil: “o país do futuro” criada a exatos 70 anos atrás por Stefan Zweig. O sonho representa o espírito da nova classe média tupiniquim.

Nacional – Quanto cresceu em termos líquidos diferentes estratos econômicos da sociedade brasileira no período recente?

Desde 2003 um total de 50 milhões de pessoas – mais do que uma Espanha – se juntaram ao mercado consumidor. Nos últimos 21 meses até maio de 2011 as classes C e AB cresceram 11,1% e 12,8% respectivamente. Neste período 13,3 milhões de brasileiros foram incorporadas às classes ABC, adicionando-se aos 36 milhões que migraram entre 2003 e 2009.

Atual – Indicadores antecedentes sugerem melhoras. A última semana do mês de maio 2011 pela PME Semanal sugere viés de queda para pobreza e viés de alta para a classe AB em relação ao mês completo. Não há sinais de desaceleração trabalhista.

A taxa de redução de desigualdade nos últimos 12 meses é um pouco acima daquele observado nas séries da PNAD entre 2001 e 2009 no período de marcada redução da desigualdade. O comportamento anticíclico da desigualdade sugere a ausência de dilemas equidade versus eficiência no período sob análise.

Empregos Formais – O grande símbolo da nova classe média é a carteira de trabalho. Entre janeiro e abril de 2011 houve a criação líquida de 798 mil novos postos de trabalhos, o terceiro melhor desempenho desde 2000, ficando abaixo do mesmo período em 2010 (962 mil) e 2008 (849 mil). Não há sinal de desaquecimento trabalhista.

Local – Qual é a recordista de nova classe média? Onde a pobreza e a riqueza são maiores?

O município mais classe A é Niterói com 30,7% na elite econômica. Depois vem Florianópolis (27,7%), Vitória (26,9%), São Caetano (26,5%), Porto Alegre (25,3%), Brasília (24,3%) e Santos (24,1%).

Se formos menos elitistas e incluirmos as classes B e C no páreo, o município gaúcho de Westfália apresenta a maior classe ABC com 94,2% nas Classes ABC. Quase todos os 30 municípios com maiores participações nas classes ABC estão na região Sul do país, fruto da menor desigualdade de renda lá observada.

Quais são as prescrições de políticas para a nova classe média brasileira?

É preciso “Dar o mercado aos pobres”, completando o movimento dos últimos anos quando pelas vias da queda da desigualdade “demos os pobres aos mercados (consumidores)”. “Dar o mercado” significa acima de tudo melhorar o acesso das pessoas ao mercado de trabalho. Os fundamentos do crescimento econômico e as reformas associadas são fundamentais aqui. A educação regular e profissional funciona como passaporte para o trabalho. O desafio é combinar as virtudes do Estado com as virtudes dos mercados, sem esquecer de evitar as falhas de cada um dos lados.

Marcelo Côrtes Neri, economista-chefe do Centro de Políticas Sociais e professor da EPGE, Fundação Getulio Vargas. Autor dos livros “Ensaios Sociais”, “Cobertura Previdenciária: Diagnóstico e Propostas” e “Microcrédito, o Mistério Nordestino e o Grammen brasileiro”.

Artigo publicado no Jornal Valor Econômico, dia 28/06/2011.

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Early Warning – Sinais de Mercado 2: Rede americana abre loja de pelúcias sob encomenda

A rede norte-americana de brinquedos Build-A-Bear Workshop inaugurou ontem, em São Paulo, sua primeira loja no país.

A marca -nona maior varejista de brinquedos dos EUA, com faturamento de US$ 400 milhões mundialmente- será representada no Brasil pelo empresário Alberto Mayer. Ele pretende abrir 25 unidades nos próximos cinco anos.

Para comandar a primeira operação da Build-A-Bear na América do Sul, Mayer desembolsou R$ 4 milhões.

Conhecida pela personalização de seus bichinhos de pelúcia, a Build-A-Bear entra para disputar mercado com a Happy Town, que desde 2004 atua na venda de pelúcias sob encomenda.

As crianças confeccionam as pelúcias, selecionando roupas e acessórios.

“Nosso diferencial são itens de marcas licenciadas, como os dos personagens da Disney e da Sanrio (dona da Hello Kitty). Além disso, os clientes têm acesso a um modelo virtual de seu brinquedo por meio de um site e podem brincar com ele na internet”, diz Ferdinando Demarchi, diretor da Build-A-Bear Workshop Brasil e que foi franqueado de quatro lojas da Happy Town.

A matriz negociou por dois anos até achar um parceiro. “Queríamos alguém com experiência no varejo de brinquedos”, afirma Kathi Scott, diretora de treinamento.

A primeira loja está localizada no shopping Eldorado por causa de sua conexão com as crianças: até o começo do ano passado, funcionava lá o Parque da Mônica.

Fonte: FELIPE VANINI BRUNING, colaboração para a Folha.

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