Siga aquela vaca: Aurora e Tetra Pak lançam o primeiro leite UHT com sistema de rastreabilidade acessível ao consumidor final

Uma aliança estratégica com a Tetra Pak permitiu à Cooperativa Central Aurora, de Santa Catarina, lançar um sistema pioneiro, batizado de Produto Aurora Rastreado (PAR). Graças a ele, o consumidor agora terá acesso a dados sobre a origem dos leites Aurora e Aurolat.

Trata-se do primeiro leite UHT do mundo a contar com sistema de rastreabilidade totalmente informatizado em toda a cadeia produtiva. O objetivo é localizar com precisão eventuais problemas na produção, além de informar o consumidor sobre detalhes do produto.

Eduardo Eisler, gerente de produtos da Tetra Pak, salientou a ousadia  da Aurora no desenvolvimento do sistema, projetado especificamente para a cadeia produtiva da Aurora. “É um projeto personalizado. Cada empresa deverá se preparar como a Aurora se quiser desenvolver [algo semelhante]”, alertou Eisler.

As informações são disponibilizadas para o consumidor por meio de um código de 10 dígitos.

Quando inserido no hotsite do PAR, na página da Aurora, o código dá acesso a diversos dados, como a data de início e término da fabricação, o período e o local de estocagem e até a unidade em que o leite foi produzido. A visualização se dá em uma tabela simples, de entendimento acessivo a qualquer pessoa.

Mas nem tudo é detalhado. Segundo Celso Lemen, gerente da unidade de lácteos da Aurora, os produtos passam por mais de 300 pontos de verificação, 177 de qualidade e 127 de processo. “Seria muita informação desnecessária para o consumidor, então vamos exibir apenas o essencial. Mas as demais informações são armazenadas e utilizadas no aprimoramento do processo”, explicou.

Fonte: Por Pedro Pereira, de Pinhalzinho (SC), Amanhã, leia mais, clique aqui.

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Inteligência Competitiva em Portugal

A relação entre o passado e o futuro, entre a história que nos define e o caminho a percorrer para sermos competitivos é, segundo o economista Jaime Quesado, “um conflito que existe em Coimbra e que tem de ser resolvido através da aposta na inovação e tecnologia”.

“Inteligência Competitiva – uma solução estratégica” é o tema da conferência que Jaime Quesado apresentou na Casa da Escrita. O economista, autor do livro “O novo capital”, conta com um currículo com passagens pelo Grupo Amorim, Associação Empresarial de Portugal e na gestão de fundos comunitários para o Estado.

Organizada pelo Clube de Empresários de Coimbra, a conferência incidiu sobre a atualidade económica e sobre os obstáculos que têm de ser ultrapassados para a melhorar.

“Vivemos tempos de crise profunda no nosso país, e tem de ser feito um compromisso entre a identificação social e a regeneração económica e competitiva. Devemos refletir sobre aquilo que são os desafios que se colocam ao mundo, ao país e particularmente a uma cidade como Coimbra”, diz o economista.

A conferência, segundo diz o economista, “resulta de uma experiência pessoal que tem três dimensões, a profissional, pública e académica”.

Foi através do acumular e cruzar informações e experiências que Jaime Quesado identificou os cinco fatores de competitividade que identifica como indispensáveis.

“A importância que o domínio dos novos fatores de competitividade têm na capacidade de resposta das organizações, no mundo complexo que vivemos hoje, altamente incerto e competitivo”.

Fonte: Diario As Beiras, Portugal. 

Queixas sobre serviços crescem 425%

A instabilidade dos serviços de energia elétrica, internet, TV a cabo, telefonia e transportes (aéreo e terrestre) tem virado uma tormenta para muitos consumidores brasileiros. Apesar da inegável expansão do atendimento à população nos últimos anos, a qualidade ainda é questionável, especialmente quando se leva em conta as elevadas tarifas pagas pelo serviço – em alguns casos, as maiores do mundo.

A insatisfação tem se traduzido no avanço do número de reclamações. Só na Fundação Procon-SP, as queixas relacionadas aos chamados serviços essenciais cresceram 425% entre 2005 e 2009, de 4.502 para 23.674. O segmento representou 38% de todas as reclamações feitas no órgão no período. Nas agências reguladoras, que fiscalizam boa parte desses serviços, o descontentamento também cresceu: 123% na telefonia, 85% em energia e 127% em transportes.

Além do difícil relacionamento com as prestadoras de serviços, cobranças indevidas e questões contratuais, os consumidores protestam contra a oferta não cumprida – a interrupção dos serviços – e os prejuízos, diz o diretor do Procon-SP, Paulo Arthur Góes. Hoje, diz ele, os clientes estão muito menos tolerantes com a má qualidade dos produtos que lhes são entregues.

O número de reclamações coincide com os poucos indicadores que as agências têm para medir a qualidade dos serviços. No setor de energia, por exemplo, o número de “apagões” subiu nos últimos três anos, de 16 horas para cerca de 20 horas. O próprio diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Hubner, já disse, em algumas ocasiões, que a piora dos índices pode estar associada à falta de investimento na manutenção e expansão da rede atual. Mas disse que as empresas estão sendo punidas.

Demanda

Para o gerente da A.T. Kearney, Carlos Azevedo, um dos fatores que podem ter contribuído para a deterioração dos indicadores de energia no curto prazo é o forte crescimento da demanda, acima da expectativa das empresas. Ele avalia, porém, que é cedo para afirmar se a piora dos indicadores é tendência de longo prazo. De qualquer forma, o executivo acredita que, no processo de revisão tarifária, que ocorre de quatro em quatro anos, a Aneel vai criar incentivos para premiar empresas que se destacam em qualidade.

No setor de telecomunicações, a agência reguladora (Anatel) conta com o Plano Geral de Metas de Qualidade (PGMQ), que também piorou. Em 2005, as empresas cumpriram 97,5% das metas de qualidade estipuladas pela Anatel. 
Em 2009, esse número caiu para 82,9%. Os índices da telefonia móvel ficaram estáveis no período, mas as empresas também não conseguiram cumprir 100% das exigências.

“Estamos um passo atrás. Enquanto no exterior os consumidores já convivem com o 4G, aqui ainda estamos engatinhando no 3G”, diz Thiago Moreira, diretor da Telecom Nielsen. Na avaliação dele, outra diferença é que no Brasil a prioridade das companhias é crescer, enquanto nos Estados Unidos, por exemplo, o momento é de retenção dos clientes. Alguns especialistas avaliam que, a exemplo da energia, falta investimento para acompanhar a forte demanda. 

As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

”Estado” tem maior alta de circulação e consolida liderança em São Paulo

O ano de 2010 foi positivo para os jornais brasileiros. No balanço de desempenho divulgado na semana passada pelo Instituto Verificador de Circulação (IVC), a circulação total dos títulos auditados teve alta de 1,5% em relação ao ano anterior. Entre os dez maiores títulos em circulação, a maior alta foi de O Estado de S. Paulo, que avançou 9% no ano, chegando à média anual de 236 mil exemplares.

Computando-se as edições impressa e digital, o Estado, mais antigo diário de São Paulo, registrou um crescimento de 11%. É o melhor desempenho entre os dez maiores jornais do ranking nacional medido pelo IVC.

O jornal também confirmou sua preferência tanto pelos paulistanos como pelos paulistas. Ao longo do ano, distanciou-se do seu principal concorrente, a Folha de S. Paulo, tanto na Grande São Paulo quanto no Estado de São Paulo, fechando o ano com média impressa de 227 mil exemplares, de segunda a domingo, no território paulista (veja quadros nesta página).

A Folha teve, em dezembro, circulação impressa média de 209 mil exemplares no Estado, tendo perdido 8% de sua circulação na região, enquanto o Estado ganhou 11% de exemplares impressos no mesmo período.

Na circulação total, impressa e digital, a média anual dos principais veículos também traz novidades no ano que acaba de se encerrar. A maior delas é a perda de liderança da Folha de S. Paulo para o jornal mineiro Super Notícia no mercado nacional. A Folha permaneceu com média anual de 294 mil exemplares no ano, e o jornal mineiro atingiu 296 mil em 2010 (leia texto nesta página). O jornal carioca O Globo aparece em terceiro lugar, com circulação média anual de 262 mil leitores no ano, seguido de outro jornal do Rio, o popular Extra, com 238 mil exemplares.

Em março de 2010, o Estado estreou novo projeto gráfico e lançou novos cadernos e seções. O Projeto Redesenho, coordenado pela área de Conteúdo com apoio do estúdio de design Cases, de Barcelona, foi considerado bem-sucedido em pesquisas feitas em dezembro com leitores de todos os jornais. Os leitores consideraram que o Estado ficou mais organizado, agradável e fácil de ler, e manteve a qualidade de conteúdo que sempre o caracterizou. Os Classificados também foram redesenhados.

“Os investimentos que foram feitos na melhoria do jornal ao longo do ano, aliados a uma campanha bem-sucedida com os leitores, geraram um resultado positivo que vem permanecendo no mesmo nível no início deste ano”, diz João Carlos Rosas, diretor de marketing e mercado leitor do Grupo Estado. “A expectativa é de que o meio jornal se mantenha aquecido, com o crescimento de veículos como o Super Notícia e O Globo, que ampliaram suas participações no mercado leitor nos últimos meses do ano.”

Círculo virtuoso. O reconhecimento do mercado leitor e do mercado publicitário formam o que o diretor-presidente do Grupo Estado, Silvio Genesini, classifica de “círculo virtuoso” para os produtos impressos e digitais do Grupo. “O jornal se destacou em reportagens e coberturas e consolidou-se como o mais admirado entre todos os veículos. Além disso, recebemos o Prêmio Caboré, um reconhecimento do meio publicitário, e voltamos a conquistar leitores, conforme mostram os dados do IVC”, diz Genesini. “Seja qual for o meio, tivemos o reconhecimento do mercado e dos leitores, o que nos permite seguir oferecendo conteúdos de qualidade. Isso é um círculo virtuoso.”

Genesini lembra que, entre as realizações planejadas para o ano, estava o objetivo de crescer no impresso. “Mas também avançamos e podemos ser lidos e vistos em plataformas como Android e iPad, no iPhone, em dois canais do MSN – um de notícias gerais e outro de esportes, em parceria com a ESPN”, explica. “A soma de tudo isso estende nosso alcance junto aos leitores e internautas em todas as plataformas possíveis.”

Fonte: O Estado de S.Paulo

Como tirar o máximo da estratégia da empresa

A arte de traduzir aspirações da alta diretoria em ações concretas na linha de frente.
Décadas depois de Peter Drucker ter exortado executivos a administrar por objetivos, a em­presa substituiu sua famosa “carta à gerência” por processos cada vez mais elaborados e demorados para definir metas. O resultado, em geral, é uma profusão de indicadores e metas que só vão ser aprovadas lá pela metade do ano que deveriam cobrir — e que só aumentam a confusão sobre o que realmente importa para a empresa. Para a maioria dos gerentes, uma grande pergunta continua sem resposta: o que querem que eu faça?
O tema deste artigo é como responder a esta pergunta. O autor apresenta um processo que chama “briefing de estratégia”, técnica derivada do mundo militar. Por meio dele, gerentes e subordinados podem avançar, juntos, da incerteza que cerca metas e indicadores de desempenho aparentemente complexos para uma maior clareza sobre os objetivos em que cada um deve se concentrar, e em que ordem de prioridade. O briefing também ajuda o gerente a definir parâmetros para duas variáveis na base do alto desempenho: o grau em que o pessoal da organização age em sintonia com as intenções de seus líderes e quanta liberdade tem para agir de forma independente. Em suma, o briefing converte metas estratégicas abstratas em um plano claro para execução.
Dando prosseguimento, conduzirei o leitor pelas cinco etapas do processo de briefing, ilustrando-o com um exemplo fictício montado a partir de minha própria experiência como consultor e professor. Para concluir, explicarei como instituir o processo de alto a baixo em sua organização.
Fonte: Stephen Bungay. Harvard Business Review Brasil. Para ler mais, clique aqui.

Semana Inteligência Competitiva (4): Reinvente a empresa antes que seja tarde

Cedo ou tarde, toda empresa, mesmo a mais bem-sucedida, fica sem espaço para crescer. Diante dessa triste realidade, é obrigada a se reinventar periodicamente.

A capacidade de conseguir a difícil proeza — saltar do estágio de maturidade de um negócio para o estágio de crescimento do seguinte — é o que distingue organizações de alto desempenho daquelas cuja permanência no topo é breve.

Para uma organização que não consiga se reinventar a tempo, as possíveis consequências são desastrosas.

Como demonstra a dupla Matthew S. Olson e Derek van Bever no livro Stall Points, uma vez que o crescimento da empresa estanca de forma séria, a chance de que se recupere plenamente é de menos de 10%.

É, sem dúvida, um dado desalentador — e que explica, em grande medida, por que dois terços de empresas com crescimento estancado acabam sendo adquiridas, tendo o capital fechado ou levadas à quebra.

Não faltam explicações para esse estancamento: o abandono do “core” (ou a aposta nele por tempo demais), problemas com a execução, a interpretação errada do gosto do consumidor, um foco nocivo em escala por escala.

O que essas teorias têm em comum é a ideia de que a estagnação ocorre porque não se corrigiu o que nitidamente estava mal na empresa.

Tendo passado boa parte de uma década investigando a natureza do alto desempenho em empresas, vimos que essas explicações ignoravam algo crucial.

Não é necessariamente por não saber consertar o que está mal que uma empresa deixa de se reinventar — mas sim por demorar demais para reparar o que a sustenta e está em deterioração.

Ou seja, enquanto o grosso da energia da empresa vai para a gestão dos contornos de operações existentes — a curva “S” financeira na qual as vendas de uma novidade de sucesso sobem devagar a princípio, depois rapidamente e, por fim, entram em queda —, a energia aplicada para lançar as bases de negócios novos, exitosos, nem de longe é suficiente. Daí a empresa se ver em apuros quando seu principal mercado começa a estagnar.

Fique de olho nas curvas “S”

Em nossa pesquisa, descobrimos que empresas que conseguem se reinventar têm um traço em comum. Em vez de se concentrar apenas na curva S financeira, ampliam o foco e levam em conta três curvas S ocultas, bem mais curtas, mas de importância vital — para monitorar a base da concorrência no setor, renovar suas capacidades e montar uma reserva de talentos pronta para ser destacada. Em suma, vão na contramão da voz popular e se dedicam a consertar aquilo que ainda não parece estar estragado.

Fonte: Paul Nunes e Tim Breene. Harvard Business Review Brasil. Para ler mais, clique aqui.

China lidera investimento no país

A China liderou em 2010, pela primeira vez, a lista dos países com maior investimento direto no Brasil, com um fluxo de capital de US$ 17 bilhões, pouco menos de um terço do total de ingressos de US$ 52,6 bilhões.

A estimativa é da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização (Sobeet). Em dezembro, o investimento estrangeiro direto líquido atingiu US$ 15,3 bilhões, volume inflado pela compra de 40% do capital da Repsol pela chinesa Sinopec, no valor de US$ 7,1 bilhões.

O presidente da Sobeet, Luis Afonso Lima, diz que é difícil ter uma ideia exata do valor do investimento chinês porque as companhias estatais da China enviam muitas vezes os recursos a partir de outros países.

Os números do Banco Central, por exemplo, mostram apenas US$ 392 milhões de capital chinês nas operações de participação de capital em todo o ano passado. Só a operação da Sinopec com a Repsol foi de 18 vezes esse valor, mas os recursos entraram via Luxemburgo, país que oferece generosos benefícios fiscais.

Os chineses investem preferencialmente em commodities. Em maio, a Sinochem comprou, por US$ 3 bilhões, 40% do campo de Peregrino, da norueguesa Statoil e a State Grid adquiriu no país sete companhias de transmissão de energia da espanhola Plena, por US$ 1,7 bilhão.

As empresas brasileiras também voltaram a aportar recursos em suas filiais no mercado externo. O volume de investimento brasileiro direto no exterior atingiu o valor líquido de US$ 11,5 bilhões no ano passado, com saídas de US$ 34,879 bilhões e retornos de US$ 23,379 bilhões.

Neste ano, segundo o Banco Central, os investimentos brasileiros no exterior devem chegar a US$ 16 bilhões. Essa performance marca reversão “expressiva” em relação a 2009, quando as companhias, sem liquidez em razão da crise, repatriaram US$ 10 bilhões.

Fonte: Sergio Lamucci e Fernando Travaglini | De São Paulo e Brasília/Valor.

Semana Inteligência Competitiva (3): O Mundo em duas velocidades

Enquanto a crise financeira de 2008 começa a ficar para trás, os executivos estão tendo que administrar empresas em meio a uma recuperação econômica mundial desequilibrada, marcada pelo crescimento turbinado no mundo em desenvolvimento e a expansão dolorosamente lenta nas economias maduras, as que mais sofreram durante a crise.

Multinacionais como a Yum! Brands Inc. e a Manpower Inc., atraídas pelo ritmo impressionante do crescimento na China e outros mercados emergentes, estão investindo agressivamente nesses países, o que propicia mais crescimento lá, mas também inflação.

Esses mesmos executivos – diante da lenta expansão e da incerteza sobre os orçamentos e as políticas de governo – estão agindo com cautela nas economias desenvolvidas, o que só aumenta ainda mais a própria lentidão que deixa as empresas temerosas.

O desequilíbrio da economia mundial deve se tornar um tema importante quando executivos, autoridades, acadêmicos e jornalistas se reunirem no Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, que começa hoje. Ele também é um dos principais fatores por trás do novo foco na competitividade dos Estados Unidos expressado pelo presidente Barack Obama no tradicional discurso anual sobre o Estado da União ontem à noite.

São amplos os sinais de que a recuperação está ocorrendo em duas velocidades diferentes.

A rede de lanchonetes Yum! vai construir cerca de 900 restaurantes das marcas KFC, Pizza Hut e Taco Bell este ano; 80% delas serão em mercados emergentes. Só a divisão chinesa abrirá entre 500 e 600 novas lojas. “As grandes oportunidades em nosso segmento estão no mundo em desenvolvimento”, diz Graham Allan, que comanda a divisão internacional da Yum! “Nossa intenção é ir atrás delas.”

A AkzoNobel, fabricante holandesa de tintas, planeja abrir duas novas lojas por dia na China e está despejando dinheiro em seus negócios de químicos para fabricação de celulose e papel no Brasil. O diretor-presidente, Hans Wijers, diz que sua maior preocupação nos mercados emergentes é: “Será que estamos crescendo com rapidez suficiente?” Enquanto isso, ele teme o excesso de capacidade nos EUA e na Europa.

Em muitos mercados emergentes, é como se a crise nunca tivesse acontecido. Na China, as vendas anuais de automóveis subiram vertiginosamente para mais de 18 milhões em 2010, ante 5 milhões em 2005. Nos EUA e na Europa as vendas ainda estão menores que as do auge antes da crise. A General Motors Co. vendeu mais carros na China ano passado que nos EUA. O PIB real aumentou mais de 70% na China desde 2005 e cerca de 55% na Índia, mas apenas 16% nos EUA.

O dinheiro está fluindo para os aquecidos mercados emergentes, criando pressões inflacionárias que as autoridades desses países não estão conseguindo conter. As reservas internacionais – quanto os bancos centrais possuem em divisas estrangeiras – subiram fortemente desde a crise. Atualmente em mais de US$ 5 trilhões, elas estão seis vezes maiores que há dez anos, segundo cálculos do Federal Reserve, o BC dos EUA. A China tem cerca de metade desse total, pouco mais de US$ 2,6 trilhões.

O Fundo Monetário Internacional calcula que as economias avançadas do mundo vão crescer a um ritmo anual de 2,5% em 2011 e 2012, enquanto os mercados emergentes devem crescer em média 6,5%. No mundo desenvolvido, “o crescimento segue lento, o desemprego ainda está alto e as novas turbulências na periferia da zona do euro estão contribuindo para o riscos econômicos”, afirmou o FMI num relatório recente.

Kenneth Rogoff, professor de Harvard e ex-economista-chefe do FMI, diz que a diferença no crescimento provavelmente será maior na próxima década que na passada. As economias em desenvolvimento, por sua vez, vão “enfrentar muitas pressões causadas pelo sucesso delas”.

À medida que mudam as tendências de crescimento, Vineet Nayar, diretor-presidente da HCL Technologies, uma empresa indiana de terceirização que está crescendo rapidamente, enxerga uma transformação no pensamento dos executivos. Antes da crise, diz ele, muitas empresas de países ricos se contentavam em contar apenas com o consumo doméstico. Hoje em dia seus líderes estão insatisfeitos com o mercado interno, e estão “famintos”, diz ele. Ao mesmo tempo, os executivos das economias em desenvolvimento “tinham aspirações, mas não tinham confiança antes da crise. Hoje eles contam com uma quantidade incrível de autoconfiança que não existia alguns anos atrás”.

Uma pesquisa da PriceWaterhouseCooopers com mais de 1.200 diretores-presidentes, realizada entre setembro e dezembro, documenta essa tendência. Entre os executivos baseados na América do Norte, 94% preveem crescimento da receita na Ásia, 80% na América Latina e apenas 67% enxergam chances de expansão na América do Norte, com outros 51% prevendo crescimento na Europa Ocidental. Os executivos europeus têm visões ainda mais díspares – 48% preveem crescimento em sua terra natal, mas 86% acham que haverá crescimento na América Latina e 92% o enxergam na Ásia.

A pesquisa não tem só más notícias. No relatório de 2010 da PWC, apenas 27% dos entrevistados na Alemanha esperavam contratar mais pessoal no país; em 2011, a fatia subiu para 62%. E 55% dos executivos pretendem contratar nos EUA, ante 39% ano passado.

E os executivos estão menos temerosos de que os grandes países ricos vão fechar seus mercados para os concorrentes emergentes. O protecionismo comercial foi considerado uma preocupação na pesquisa da PWC em 2009 e em 2010, mas sumiu da lista em 2011. “Esses mercados são tão interconectados hoje em dia que protecionismo não é a maneira de resolver esses problemas”, diz Dennis Nally, presidente da divisão internacional da PWC.

Embora desfrutem das benesses do crescimento rápido, os países em desenvolvimento também enfrentam os riscos do presente desequilíbrio na expansão mundial. Uma ameaça é o excesso de confiança, um ingrediente crucial das bolhas imobiliária e de tecnologia que assolaram a economia global na última década e dos excessos financeiros da Ásia nos anos 90.

“A euforia que ocorreu nos países emergentes, especialmente a China e a Índia, será um pouco temperada pelas preocupações com superaquecimento e bolhas de ativos”, diz Nariman Behravesh, economista-chefe da IHS Global Insight.

Ele está especialmente preocupado com a bolha imobiliária que está se formando na China. O valor de todos os imóveis do país, calcula ele, é igual a 3,5 vezes o valor de seu PIB anual – uma proporção com implicações alarmantes, porque sugere que as residências chinesas estão supervalorizadas. A proporção nos EUA entre o valor das residências e a produção econômica foi muito menor, 1,8, durante a última bolha imobiliária. “É motivo de preocupação”, diz Behravesh.

Fonte: Jon Hilsenrath e Anjali Cordeiro | The Wall Street Journal/Valor