Inteligência Competitiva e o potencial informativo das redes sociais, por Adolfo Menezes Melito

SÃO PAULO – Existem inúmeras oportunidades  para explorar o potencial informativo das redes sociais. Um exemplo de sucesso em e-mail marketing foi a campanha de Barack Obama, em 2008. Sete milhões de doadores levantaram meio bilhão de dólares, dois terços do total arrecadado em campanha. O sistema permitiu o uso da inteligência analítica para endereçar, de maneira personalizada, as principais preocupações dos eleitores, como os das classes mais baixas.

A interação ocorreu de maneira horizontal, aproximando pessoas que tinham os mesmos desejos e aflições, que compartilharam e difundiram ideias, sugestões e planos de governo. Um eficiente corpo a corpo digital. Este é um exemplo da eficiência do crowdsourcing, modelo ou proposta que se consolida na aplicação da inteligência coletiva e de processos colaborativos para o desenvolvimento de negócios, bem como para a produção e a geração de valor em grupo. Embora pareça uma prática dos anos 2.000, a concepção é bem mais antiga: cooperativas atuam nesse sentido, e a própria IBM, muito antes do surgimento da Internet, já desenvolvia softwares de colaboração. Mas a popularização da ideia toma dimensões sensivelmente maiores à medida que mais pessoas têm acesso às redes virtuais e sua capacidade de compartilhar informações.

A chamada Geração Z está inclinada a, em 70% dos casos, considerar mais a opinião de amigos que os anúncios tradicionais. No Facebook, por exemplo, as informações são ricas, incluem preferências externadas voluntariamente no botão “curtir”, com índice de acerto superior a 90%. Para o professor Ivan de Moura Campos, Ph.D. em Ciência da Computação pela Universidade da Califórnia, sistemas data mining (que se baseiam em dados coletados em redes sociais) são a grande esperança de democratização do uso de técnicas que dispensam sistemas caros de armazenamento e de sofisticadas ferramentas estatísticas de análise.

Diante disso, questionam-se as razões pelas quais ainda não se aplica o crowdsourcing no universo eleitoral brasileiro. A implantação só ocorrerá, provavelmente, depois de profundas mudanças na postura de muitos candidatos.

Adolfo Menezes Melito é presidente do Conselho de Criatividade e Inovação da Fecomércio do Estado de São Paulo. Publicado no DCI – Diário Comércio Indústria,  Atualizado em 21/08/2012 – 00h53

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