A divergência entre o comportamento do comércio e da indústria foi intensa no primeiro semestre, e a expectativa dos analistas é que isso continue na segunda metade do ano, mas talvez de modo menos acentuado.
No segundo trimestre, as vendas no varejo ampliado (que inclui veículos, autopeças e material de construção) cresceram 3% em relação ao trimestre anterior, feito o ajuste sazonal, em grande parte por causa do aumento de 8,4% de veículos e autopeças, mas evidenciando que os temores de uma exaustão do consumo parecem exagerados. A indústria, por sua vez, recuou 1,1%.
Para manter o impulso ao consumo, há o nível mais baixo dos juros, o crédito menos obstruído e as reduções de impostos, como as de veículos (embora ainda não se saiba quando vão terminar de fato), diz o economista Alexandre Teixeira, sócio da MCM Consultores.
O resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de julho, se de fato se transformar em uma tendência, afastará os riscos de aumento mais forte do desemprego, algo que poderia minar a retomada da atividade e afetar o consumo.
A indústria, contudo, continua a desapontar, como ressalta a economista Fernanda Consorte, do Santander. Em junho, cresceu apenas 0,2% sobre maio, feito o ajuste sazonal.
Para julho, indicadores como fabricação de veículos, expedição de papelão ondulado e fluxo de veículos pesados nas rodovias apontam para um aumento da indústria entre 0,3% e 0,5%.
É um número pouco expressivo, especialmente depois de um primeiro semestre muito fraco. “A indústria tem problemas de competitividade e também sofre com a falta de demanda externa”, afirma Fernanda. Para ela, a diferença de ritmo de crescimento entre a indústria e o varejo vai continuar.
O resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de julho, porém, trouxe números favoráveis para o saldo entre contratados e demitidos também na indústria.
Além disso, a confiança do empresário industrial mostrou uma melhora em agosto, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para Fernanda, contudo, é preciso analisar esse resultado com cautela, porque outras pesquisas apontaram um empresário ainda pessimista, como a Sondagem da Fundação Getulio Vargas (FGV) de julho.