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Mercado de luxo tem faturamento recorde no Brasil

04/06/2008 · 1 Comentário

Os negócios relacionados a produtos sofisticados, caros e exclusivos acompanham o crescimento da economia brasileira e foram responsáveis por um faturamento de US$ 5 bilhões em 2007 no país.

O índice de crescimento real deste setor econômico foi de 17% no ano passado, três vezes maior que a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,4%. Os dados são demonstrados pela segunda pesquisa sobre o mercado de luxo no Brasil, realizada pela MCF Consultoria & Conhecimento em conjunto com o instituto GFK Indicator, entre novembro do ano passado e abril deste ano, com 98 empresas nacionais e internacionais em funcionamento no país.

De acordo com o diretor-presidente da MCF, o consultor Carlos Ferreirinha, o montante corresponde a 1% do faturamento do mercado mundial, e o Brasil tem potencial para ver esse número chegar a 2% em dez anos. Em 2006, o rendimento do mercado de luxo havia sido de US$ 3,9 bilhões, ainda segundo dados da consultoria.

“O mundo mudou, o dinheiro mudou de mãos, novos comportamentos de consumo surgiram, o mundo está rápido, o consumo está focado em sensações e emoções, não mais em produtos. O luxo precisava acompanhar este momento“, constata Ferreirinha.

Ele afirma ainda que, como se transformou em segmento expressivo de negócios, o luxo teve que aumentar, fomentar e potencializar sua base de consumo e acesso, tendência que se aplica intensamente em países latino-americanos como o Brasil e o Chile.

O conceito do luxo está diretamente associado aos produtos que trazem qualidades como perfeição, beleza, originalidade e, sobretudo, desejo, dizendo respeito à noção de privilégio e raridade. Eles estão representados por marcas com alto grau de excelência presente em toda a cadeia produtiva, desde a qualificação dos colaboradores nas fábricas, até a arquitetura e o atendimento na loja, além daquilo que o próprio produto é capaz de proporcionar (principalmente, o prazer).

Dentro da atual tendência do new luxury, estes produtos (com destaque para bolsas, perfumes e acessórios) estão se tornando mais acessíveis, essencialmente por causa da ampliação da base geográfica das marcas luxuosas, que começam a abrir pontos-de-venda em locais além dos grandes centros, e a produção em maior escala. Por outro lado, algumas marcas investem no segmento über-premium, de superluxo, para se diferenciar ainda mais.

“É a democracia do luxo, que não significa necessariamente abaixar os preços dos produtos, mas aumentar o acesso da mulher brasileira, tornando-os disponíveis em outros locais fora do eixo Rio-São Paulo, como é o nosso caso”, destaca o diretor de marketing da grife Zeferino, Alfredo Mascarenhas.

A marca é especializada em bolsas, sapatos e acessórios femininos de luxo e acaba de inaugurar um loja dentro da M&Guia, em Belo Horizonte. “A Zeferino baseia-se na idéia de luxo do século 21, que compreende desde a utilização da melhor matéria-prima e a confecção de modelos exclusivos, até o trabalho focado no sonho da mulher, que está no prazer de calçar um sapato de qualidade”, completa.

Para a economista do Departamento de Economia da Federação do Comércio do Estado de Minas Gerais (Fecomércio Minas), Silvânia de Araújo, o incremento do mercado de luxo é uma tendência crescente, principalmente por causa da sofisticação do público consumidor, que prioriza a marca e o bem-estar, e está cada vez mais bem informado sobre todos os atributos que ela pode oferecer.

“Existem aquelas pessoas que estão dispostas a pagar mais por um bem ou serviço que trará prazer, status social, sofisticação, garantia de qualidade, durabilidade e tradição. Da exclusividade até o atendimento nos pontos-de-venda, os produtos não são mais mensuráveis pelo preço, mas pela experiência sensível que proporcionam”, enfatiza a economista.

Há 46 anos no mercado e com 14 filiais no país, a rede Roberto Simões – empresa no segmento de presentes, artigos para casa e listas de casamento – busca atender bem a todos os públicos, mas assume que tem um compromisso especial com o consumidor de luxo, um cliente que busca um produto diferenciado e almeja novidade e exclusividade sempre.

“O cliente quer ter um produto que o amigo não tem, mas vai querer ter. Nós buscamos esse produto para ele”, diz a supervisora comercial da Roberto Simões, Jussara Porto. Ela reconhece que o tempo de mercado – que aponta para valores como solidez e tradição – é outro grande diferencial que ajuda a atrair esse público.

Apenas na unidade de Belo Horizonte, que fica no DiamondMall e foi inaugurada há dois anos, são mais de três mil clientes cadastrados e dispostos a gastar R$ 4.500 por um faqueiro de prata ou R$ 3.000 por um vaso de cristal murano trabalhado com pó de ouro.

A equipe da Roberto Simões sabe que mais que ser atendido, o cliente classe A quer ser conquistado. Por isso, além de mimos aos clientes, como sorteio mensal de uma peça da loja ou telefone para avisar que chegou uma peça especial, a empresa investe na formação dos funcionários, especialmente via cursos.

O estudo da MCF também traçou o perfil destes consumidores, com base nas informações fornecidas pelas empresas pesquisadas: 56% são mulheres com idade média de 41 anos (variando de 26 a 50 anos), que fazem duas compras mensais. O valor médio de compras por mês é de R$ 5.080. Com crescimento real de 3% em relação a 2006, os investimentos no setor no Brasil foram de R$ 770 milhões no ano passado, ainda de acordo com a pesquisa.

Fonte: Link Comunicação/MG

Categorias: Gestão e Inteligência Competitiva