O volume de recursos movimentados com crédito feitos por intermédio de cartões no Brasil alcançou a marca de R$ 53,3 bilhões no mês de março, de acordo com o Banco Central. O número significa um crescimento de 49% sobre o mesmo mês do ano passado. O BC revela ainda um nível de inadimplência estável e até em ligeiro declínio, enquanto indicadores de outras fontes registram redução no nível de endividamento dos consumidores.
Estudos feitos pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (ABECS) apontam o grande uso da modalidade parcelado lojista e a diversidade de taxas existente na indústria de meios eletrônicos de pagamento como responsáveis por este cenário.
O presidente da ABECS, Felix Cardamone explica que a ampliação do estoque de crédito beneficiou muitos consumidores que parcelaram suas compras sem juros por meio do parcelado lojista, o que é demonstrado pelo aumento da participação desta categoria no total de crédito concedido.
Com isso o crescimento do saldo não tem influenciado negativamente no nível de endividamento das pessoas e nem nos índices de inadimplência. “A portabilidade do crédito e a grande diversidade de meios de pagamento disponível no mercado, têm facilitado o aumento do consumo e trazido benefícios para o dia a dia do consumidor e para os comerciantes com o aumento de vendas” afirma.
Os dados da ABECS apontam para um crescimento de 10 pontos percentuais da utilização do parcelado lojista num período de 12 meses.
Em março de 2007, a modalidade na qual o parcelamento é feito sem a cobrança de juros (parcelado lojista), era responsável por 55% das operações de crédito com cartões. No mesmo mês de 2008, esta participação saltou para 65%, deixando os 35% restantes para serem divididos entre o rotativo (quando o portador escolhe pagar apenas uma parte do valor descrito na fatura) e o parcelado feito pelo próprio emissor (quando o usuário faz a opção de pagar parcelado independente da oferta do lojista).
O Diretor de Comunicação da ABECS, Marcelo Noronha alerta ainda para o fato de que mesmo nestes 35% aos quais incidem a cobrança de juros, as taxas se aproximam de outras modalidades de crédito, ficando inclusive em alguns casos, abaixo de outras alternativas existentes no mercado. Segundo ele, as taxas variam bastante de emissor para emissor dependendo do tipo de cliente tomador de crédito e do produto.
Para a ABECS existe uma variação das taxas disponibilizadas em diversos produtos para os clientes entre 2,2% a 16,0% ao mês, formando uma média de 8,2%. “Uma boa parcela dos clientes têm acesso às taxas mais baixas do segmento, dependendo do seu perfil. Isto faz com que as parcelas caibam em seus orçamentos mantendo a inadimplência sob controle”, afirma.
Segundo o Banco Central, a inadimplência para os casos de contas vencidas há mais de 90 dias no segmento de cartões se mantém estável na casa dos 9% nos últimos três anos. O diretor da ABECS ressalta que no mês de março, inclusive foi registrado uma queda neste indicador. “Em março de 2007 havia 9,2% de contas atrasadas há mais de 90 dias no setor. No mesmo mês deste ano, o índice caiu para 8,5%”, disse.
Outro indicador importante para o diretor da ABECS é o resultado da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) realizada pela Fecomércio, com consumidores da Grande São Paulo.
O estudo mostra que em março o nível de endividamento do consumidor atingiu o menor patamar desde o início da série histórica do levantamento em 2004. O trabalho mostrou que 48% das pessoas ouvidas têm algum tipo de dívida. A média histórica deste levantamento é 62% de endividados.
O índice de comprometimento de renda com dívidas, também calculado pela Fecomércio na PEIC também se encontra num dos menores patamares da história, na casa dos 31%.
“Estes resultados nos deixam muito tranqüilos para afirmar que o crescimento do uso de cartões como instrumento de crédito é totalmente benéfico para os usuários, comerciantes, a própria indústria de meios eletrônicos de pagamento e para a economia do país como um todo”, finaliza Noronha.
Sobre a ABECS
A Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (ABECS) é a representante oficial do setor de meios eletrônicos de pagamento no Brasil.Ela tem sede em São Paulo e foi fundada em 1971.
A ABECS tem entre seus associados emissores de 95% dos cartões de crédito existentes no país. A Associação congrega também bandeiras, credenciadoras e processadoras de cartões de crédito e débito, além dos cartões com marcas próprias de estabelecimentos comerciais (cartões de loja) e cartões de benefícios.
A ABECS tem, atualmente, 37 associadas e busca apoiar o crescimento e a sustentabilidade do setor. A Associação trabalha para que os meios eletrônicos de pagamento sejam utilizados de forma preferencial em toda a transação que envolva venda de produtos e serviços. Além disso, dedica-se para ser referência de seus associados e da sociedade em geral como entidade convergente de informações e procedimentos do mercado.
Fonte: ML&A Comunicações
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