Foi nesta sexta-feira, 31 de agosto, que o jornal Valor Econômico publicou matéria sobre a decisão da Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário, de entrar no segmento de imóveis voltados para a baixa renda.
Enquanto outras empresas decidiram iniciar suas operações próprias, a CCDI decidiu seguir a estratégia de adquirir empresas que têm especialidade no setor.
A primeira aquisição foi a compra de 51% das ações da HM Engenharia de Barretos, São Paulo.
Por sua vez, a Diagnósticos da América S.A - DASA, também anunciou sua décima primeira aquisição desde sua estréia na Bolsa de Valores de São Paulo, em 2004.
Para completar seus objetivos, as classes C e D tem ficado sob observação da empresa.
O presidente da DASA, Marcelo Marques Moreira Filho, declarou ao DCI, 31 de agosto de 2007, que “pretendem inaugurar mais 33 unidades este ano, a maioria com foco na população de baixa renda.”
E também, para aumentar sua penetração na população de baixa renda (mercado potencial para o crescimento de cartões de crédito no Brasil), os grandes bancos brasileiros estão intensificando a busca por parcerias de varejistas com o objetivo de oferecer o cartão private label com bandeira, segundo o DCI de 30 de agosto de 2007.
Ou seja, construtoras, laboratórios, bancos, entre outros estão inspirando seu modelo de negócios para baixa renda com forte inspiração em uma conhecida empresa de 55 anos de idade.
Casas Bahia: desde 1952 a serviço de todas as classes no Brasil
De acordo com informações da empresa, a Casas Bahia é hoje uma das maiores empregadoras do Brasil, com mais de 52 mil colaboradores.
Presente em oito estados (SP; RJ; MG; GO; RS; PR; SC; MS), além do Distrito Federal, a Casas Bahia multiplicou em pouco mais de uma década suas 250 filiais para as mais de 540 atuais.
Em 2007, a rede figurou entre as 250 maiores empresas de varejo no mundo, segundo o estudo “Poderosos Globais do Varejo em 2007”, conduzido pela Deloitte Touch que, desde 1999 mapeia o ranking mundial do setor.
A Casas Bahia galgou 60 posições, passando para o 138º lugar, com receita de US$ 4,8 bilhões no ano fiscal 2005/2006. Foi a única empresa brasileira a constar do ranking.
No país há mais de meio século, a Casas Bahia é apontada por pesquisadores da Michigan Business School como benchmark no mercado da baixa renda.
Trata-se de um caso sem similar no varejo mundial como descobriu a equipe do indiano C.K.Prahalad, um dos mais respeitados especialistas em termos de estratégia.
Partiu dele a decisão de enviar a São Paulo, em 2003, dois pesquisadores de Michigan para estudar uma empresa especialista em lidar com a baixa renda no Brasil: a Casas Bahia.
A habilidade para entender as necessidades emocionais e os hábitos de compra dos clientes de baixa renda e a capacidade de viabilizar o sonho de consumo por meio do acesso ao crédito resultaram em um modelo de negócios único no que diz respeito ao varejo.
Segundo Prahalad em seu livro “The Fortune at the Botton of the Pyramid”, “A Casas Bahia prova minha tese a respeito da importância e da rentável oportunidade de mercado existente na base da pirâmide de renda”.
O segredo de lidar com todas as camadas sociais, com foco principal nas classes populares se traduz em números bastante significativos.
Em 2006, a rede fechou o ano com 15,2 milhões de contratos aprovados. Sua plataforma de clientes no ano somou 26,3 milhões de pessoas, mais do que a população da maioria das cidades brasileiras.
A rede segue a cartilha de seu fundador, Samuel Klein. Sua empresa não segue tendências e modismos. Está focada na arte de comprar e vender e se dedicar ao cliente proporcionando aos seus consumidores atuais qualidade de serviços, presteza na concessão de crédito e assistência contínua no pós venda.
Em um mundo onde produtos como iPod e Gillette viraram nomes de categorias, agora temos uma empresa que nomina uma estratégia empresarial.
Ao se refererir a um segmento como o da população de baixa renda, já podemos dizer: Estratégia a la Casas Bahia.
Afinal o Professor e autor, C.K.Prahalad assim resumiu sua opinião sobre a empresa “Casas Bahia: preenchendo sonhos. Por meio de uma abordagem única no atendimento/serviço ao consumidor, a Casas Bahia tem desenvolvido um modelo de negócio inovador que, com sucesso, serve a população da base da pirâmide do Brasil”.