As Estratégias Genéricas de Competição e Michael Porter

Em post anterior, ficou a pergunta sobre qual a opção de escolha para uma estratégia genérica de competição para o Brasil segundo Michael Porter.

Antes da resposta, oportuno mencionar os conceitos do autor.

Porter (1980) apresenta uma análise de estratégias competitivas, baseada em cinco dimensões: ameaça de novos entrantes; poder de barganha dos fornecedores; ameaça de produtos e serviços substitutos; poder de barganha dos clientes; e rivalidade entre os competidores.

A partir da análise de cada uma dessas dimensões pode-se traçar um plano de ação que incluirá: o posicionamento da organização de forma que as suas capacitações forneçam as melhores defesas contra as forças competitivas e/ou a influência sobre o equilíbrio de forças através de movimentos estratégicos, de forma a melhorar a posição competitiva da empresa, e/ou a antecipação de mudanças.

Por sua vez, Porter (1985) apresenta sua proposta de estratégia genérica de competição: liderança custo total, diferenciação e enfoque.

“As estratégias de liderança no custo e de diferenciação buscam a vantagem competitiva em um limite amplo de segmentos industriais, enquanto a estratégia do enfoque visa a uma vantagem de custo (enfoque no custo) ou uma diferenciação (enfoque na diferenciação) num segmento estreito.”

Ou seja um segmento: foco, mais de um segmento liderança no custo total ou diferenciação.

Porter afirma que um líder em custo deve obter paridade ou proximidade com base na diferenciação relativa a seus concorrentes, para ser um competidor acima da média, muito embora conte com a liderança no custo como sua vantagem competitiva.

Enquanto isso, um diferenciador visa, assim, a uma paridade ou a uma proximidade de custos em relação a seus concorrentes, reduzindo os custos em todas as áreas que não afetam a diferenciação que é vista como sua vantagem competitiva.

Para Porter (1996) a estratégia competitiva significa uma escolha deliberada de um conjunto diferenciado de atividades, em relação aos concorrentes, para a entrega de um produto ou serviço de valor único, o que, em outras palavras pode ser definido também como o posicionamento estratégico.

Para Michael Porter, estratégia é fazer escolhas, sendo que a essência é escolher o que não fazer. Sob esse enfoque, sem trade-off não haveria necessidade de escolhas e, assim, não seria necessária estratégia.

Por isso, toda estratégia tem seu (ou seus) trade-off.

Porter destaca que a busca de eficiência operacional, embora necessária, não é estratégia.

O posicionamento, “coração” ou centro da estratégia, é discutido e por vezes pouco aceito por alguns profissionais e teóricos (Henry Mintzberg por exemplo) por ser muito estático, frente a dinâmica do mercado e as mudanças tecnológicas.

No entanto, segundo o autor, de acordo com esse perigoso dogma da busca pela eficiência em detrimento da busca por um melhor posicionamento estratégico, os rivais podem copiar rapidamente qualquer posição de mercado e qualquer vantagem competitiva que se baseie fundamentalmente em eficiência operacional.

Dessa forma, a procura de produtividade, qualidade e velocidade, tem gerado um considerável número de ferramentas e técnicas gerenciais: qualidade total, benchmarking, reengenharia, entre outras.

Pouco a pouco, quase que de forma imperceptível, as ferramentas gerenciais tomaram o lugar da estratégia. Na medida em que os gerentes se esforçaram em melhorar em várias frentes, eles se afastaram de posições competitivas viáveis.

O caminho, para Porter, é outro, passa pela busca de uma série de interconexões e redes de atividades com agregação de valor, e que caracterizam o posicionamento estratégico tornando difícil sua cópia pelos concorrentes, criando assim as vantagens competitivas da empresa.

Então, qual a opção de estratégia genérica de competição mais adequada para um país como o Brasil, segundo Porter na sua opinião?

Bom dia e bom trabalho.

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2 Comentários

  1. No caso do Brasil, histórico produtor de calorias (energia/ alimentos), tem sido exatamente o seu potencial energético que atuou e atua como diferencial em relação as países vizinhos e outras nações.Ampliar as pesquisas com relação a inovações e dar ênfase em estudos voltados para a denominada eficiência energética , podem ser ótimas estratégias de competição.

    Resposta
  2. Adalton Martins

     /  23/11/2010

    “Liderança custo total”. Se o Brasil baminhasse para uma liderança de custo total, reduzindo ou até mesmo isentando seus improstos na produçao dos diferentes seguimentos, abaixaria o custo total dos produtos o que levaria a uma produção ainda maior e abriria frente para uma exportação, também, maior tendo em vista o custo baixo tanto para produção quanto para aquisição do produto final.

    Resposta

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