Uma das questões que sempre passam pela cabeça dos profissionais de Inteligência Competitiva, é qual o momento exato de enviar um “Early Warning” ou seja um sinal de alerta para empresa sobre uma situação que está acontecendo no mercado.
Um bom exemplo, pode ser a matéria publicada no Jornal O Estado de S.Paulo, neste domingo 22 de abril de 2007, sobre a importação de produtos.
A matéria de Marcelo Rehder, inicia pela comparação do aumento das importações brasileiras, o dobro no período 2003 e 2007. Em números: as importações brasileiras em 2003 foram de 48,3 bilhões de dólares e devem ultrapassar os 100 bilhões de dólares em 2007.
Segundo a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), “os dados do comércio exterior brasileiro revelam um movimento crescente de substituição de produção local por importação, fruto da valorização do real ante o dólar e do crescimento do mercado interno, além do fenômeno China”.
Ainda segundo a AEB, o número de empresas importadoras vem crescendo. Só no primeiro bimestre deste ano, 15,8 mil empresas atuaram nesse mercado - 1,5 mil a mais do que em igual período de 2006. Já o número de exportadores teve acréscimo de apenas 119 empresas, totalizando 10,2 mil.
Os fabricantes de eletrodomésticos, eletroeletrônicos, material de construção, confecções e calçados, entre outros, estão importando produtos acabados da China, para serem revendidos com marca brasileira.
Segundo um fabricante de eletrodomésticos citado na reportagem, “Sai bem mais barato importar da China do que produzir no Brasil” (a diferença chega a 40%, em média).
Ainda cita que desde meados de 2006, “a empresa passou a importar da China ferros para passar roupa, sanduicheiras, coifas, exaustores, fornos, adegas climatizadas e máquinas de fazer gelo, entre outros produtos”. Hoje, dos 40 itens que vende, apenas seis são de fabricação própria. O resultado foi um salto de 45% no faturamento.
E qual é o prognóstico? Crescimento à vista
O empresário tem planos de ampliar o mix de mercadorias importadas. Informa que o gerente da empresa, está em viagem de 20 dias à China, negociando contratos com fabricantes de artigos de cuidados pessoais, como depiladores, chapinhas e máquinas de cortar cabelo. “O mercado é do tamanho da nossa imaginação”, diz. “Só as Lojas (cita uma importante rede varejista líder no Nordeste, vendeu 22 mil chapinhas chinesas em um único dia.”
Por outro lado, a empresa líder no segmento de ferro para passar roupa, passou a importar da China cerca de 400 mil ferros por ano, dos modelos mais populares, deixando de produzi-los no País. Na área de ferramentas, a empresa também substituiu a fabricação local de serras tipo tico-tico por produto chinês. Alguns tipos de furadeira também são importados.
Mudanças à vista
Um executivo comenta “mantida a situação atual, corremos o risco de sermos questionados pela matriz americana se vale a pena manter uma fábrica no Brasil ou trazer tudo da China”.
Outro entrevistado, comenta que até o fim do ano, a empresa que trabalha (subsidiária de uma empresa americana) fechará a sua fábrica de rolamentos automotivos em São Paulo, que produz 20 milhões de peças por ano. Desse total, 40% são destinados ao mercado doméstico, que passará a ser abastecido por outras fábricas do grupo nos Estados Unidos, Europa e Ásia.
Com estas informações, um profissional de Inteligência Competitiva, Inteligência de Mercado, ou qualquer outro nome que se possa dar a um “analista”, é possível avaliar o que significa algumas subsidiárias de multinacionais passarem a se tornar apenas organizações de vendas e distribuição, o impacto nas relações de trabalho, as questões de supply-chain, notadamente logística e transporte, além das preferências e opções dos consumidores por produtos com preços mais baixos.
Fonte: O Estado de S. Paulo, 22 abril de 2007, Economia & Negócios