Alfredo Passos: Segunda-Feira 28 Abril 2014 Saraiva Iguatemi Alphaville São Paulo

China estimula vizinhos a elevar gasto militar

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Os investimentos militares da China elevaram os gastos no setor na Ásia e na Oceania e tornaram as regiões as únicas ter um crescimento contínuo nesse tipo de gasto desde 1988. Segundo relatório do Instituto Internacional de Pesquisas da Paz de Estocolmo (Sipri, na sigla em inglês) o valor investido em armas pelos países desses continentes em 2013 foi US$ 407 bilhões, um aumento de 3,6% com relação ao ano anterior.

A China aparece na segunda posição entre os 15 maiores investidores globais em defesa no mais recente levantamento anual da entidade, divulgado na segunda-feira. Em 2013, sozinho, o país gastou US$ 188 bilhões no setor, um aumento de 7,4% em relação ao ano anterior. No mesmo ranking, o Brasil aparece na 12.ª posição – em 2012, o País estava em 14.º lugar. Disparados na liderança, os EUA investiram US$ 640 bilhões em suas forças militares.

Os chineses chamam ainda mais atenção em outro grupo: o das 23 nações que dobraram ou mais que dobraram seus gastos militares em dez anos (mais informações no infográfico ao lado). Impulsionadas pelo crescimento econômico do país, as despesas militares chinesas nesse período tiveram um aumento de 170%. No entanto, a fatia do Produto Interno Bruto (PIB) dedicada ao setor permaneceu em torno dos 2% na China.

Graças ao montante chinês gasto em armas, Ásia e Oceania têm tido um crescimento no setor militar contínuo desde que o instituto sueco passou a fazer seu levantamento regularmente, com base nos orçamentos domésticos dos países. “Excluindo a China, os gastos do restante da região aumentaram apenas 0,9% (de 2012 para 2013)”, destacou o último relatório.

A questão política refletiu-se nesses investimentos. De acordo com o documento, as tensões em torno de disputas territoriais no Mar do Sul da China levaram Indonésia, Filipinas e Vietnã a aumentar seus gastos militares. Juntos, os países foram responsáveis por um crescimento de 5% entre os Estados do Sudeste Asiático.

Sem querer afetar suas relações com a segunda maior potência econômica, os EUA vêm mudando o foco de sua política externa, já observando o impacto dessas tensões entre os aliados na região. Washington acompanha os desdobramentos no gigante asiático, especialmente depois da posse do presidente chinês, Xi Jinping.

Um relatório elaborado pela Comissão de Revisão Econômica e de Segurança EUA-China, do Congresso americano, mostrou no ano passado que a transição de poder em Pequim, em 2012, causou a “maior virada” na Comissão Militar Central chinesa em uma década. O levantamento referia-se ao mais alto comando militar da China, subordinado ao Partido Comunista. De acordo com esse relatório, o novo líder chinês tem imprimido sua marca na defesa e foi o grande responsável por essa mudança.

Fator comum. Em geral, segundo o Sipri, os 23 países que mais que dobraram seus gastos militares em dez anos apresentam pelo menos uma de características: um forte crescimento econômico, um alto rendimento de receitas de petróleo ou gás ou um conflito significativo. No caso do Afeganistão – primeiro da lista, com um aumento de 557% nos gastos -, a justificativa é que o investimento passou a ser declarado com a transição da segurança das tropas estrangeiras para os afegãos.

Em todos os casos, o crescimento dos investimentos em armas nesse período – 2004 a 2013 – foi maior do que o crescimento do PIB dos países.

Fonte: Renata Tranches, O Estado de S.Paulo, 20/4/2014. Informações – SIPRI /INFOGRÁFICO – ESTADÃO

A incapacidade do atual governo de entregar o que promete chegou às páginas do New York Times.

A realização da Copa do Mundo, que deveria ser a vistosa prova da capacidade brasileira de ombrear com as grandes potências globais, acabou servindo para chamar a atenção do mundo para as deficiências crônicas do País. A principal delas, conforme constatou o NY Times, é desperdiçar dinheiro e energia em projetos que nunca chegam a termo ou que se provam inúteis ou caros demais.

Assinada pelo correspondente Simon Romero e intitulada Grandes visões fracassam no Brasil (no Boston Globe, onde foi reproduzida, o título foi Da explosão do crescimento à ferrugem, grandes projetos definham no Brasil), a reportagem mostra que pouco se sustenta na narrativa triunfalista do governo.

Bilhões de reais foram gastos com obras que deveriam comprovar a irresistível ascensão do Brasil em meio a um cenário de relativa bonança financeira – em seu primeiro mandato, ao anunciar a caríssima e ainda inconclusa transposição do Rio São Francisco, o então presidente Lula disse que faria “uma obra que Dom Pedro II queria fazer há 200 anos”.

Quando o efeito dessa enlevação passou, veio o que Romero chamou de “ressaca”, que “está expondo os líderes do País a duras críticas, alimentando denúncias de desperdício de dinheiro e de incompetência, enquanto os serviços básicos para milhões de pessoas continuam deploráveis”.

A reportagem explora, claro, os atrasos das obras para a Copa do Mundo, pois é isso o que atualmente chama a atenção internacional. Constata, por exemplo, que há projetos de transporte público que deveriam servir aos torcedores, mas que “não estarão prontos senão muito depois que o campeonato tiver acabado”.

É evidente que a Copa é irrelevante quando se levam em conta as necessidades de infraestrutura do País, razão pela qual pouco importa se as obras de mobilidade urbana estarão prontas antes ou depois do Mundial. O importante é que sejam finalizadas no prazo mais curto possível e que sirvam adequadamente aos brasileiros em seu duro cotidiano.

Mas é compreensível o espanto do jornalista estrangeiro ao constatar a divergência entre o discurso retumbante do governo sobre a capacidade do Brasil de realizar a Copa do Mundo e a realidade dos atrasos das obras anunciadas e dos gastos exorbitantes com elas.

Além de abordar esses problemas, o correspondente do Times foi ao Piauí para ver de perto uma parte das obras da Transnordestina, ferrovia que começou a ser construída em 2006, deveria estar concluída em 2010 e que hoje, ainda incompleta, tem vários trechos que, abandonados, servem de ganha-pão para catadores de sucata.

Na hipótese de ser concluída algum dia, a obra de 1,8 mil km, de vital importância para o Nordeste, ligará o sudeste do Piauí, o sul do Maranhão e o oeste da Bahia aos Portos de Suape (PE) e de Pecém (CE). No momento, contudo, o que se vê, nas palavras do jornalista americano, são “longos trechos desertos onde trens de carga deveriam estar trafegando”, enquanto “vaqueiros magrelos cuidam de seu gado à sombra de pontes ferroviárias abandonadas”. Certamente não foi a isso que Lula quis se referir quando lançou a Transnordestina, ao dizer que a ferrovia seria a “redenção” do Nordeste.

Como sempre, os governistas se defendem responsabilizando os outros. Ouvido na reportagem, o ministro dos Transportes, César Borges, atribuiu os atrasos à burocracia e à necessidade de emissão de diversas licenças. Lula, por sua vez, admitiu que uma parte dessas exigências foi criada pelo próprio PT quando o partido estava na oposição, para dificultar o trabalho do governo, “sem levar em conta que, um dia, podíamos chegar ao poder”.

Esse discurso maroto, porém, serve apenas para tentar disfarçar algo que todos – brasileiros e estrangeiros – já começaram a perceber: que concluir obras e evitar desperdício de dinheiro público definitivamente não é o forte do atual governo.

(Em Notas & Informações – O Estado de S.Paulo, 20/4/2014 – Título Enfim, descobriram o óbvio)

Inteligência Competitiva Imóveis 3: Oferta de imóveis prontos já começa a cair

Com a queda nos lançamentos no início do ano, o estoque começou a cair.

Em fevereiro (dado mais recente), a oferta na capital paulista é de 18.619 unidades, recuo de 7,5% ante o mesmo mês de 2013.

A queda só não foi maior porque o ritmo de vendas está baixo, apesar das diversas promoções das empresas. Algumas delas chegaram a oferecer até 30% de desconto ou brindes para os compradores.

O número de imóveis novos à venda é 74% maior que em fevereiro de 2010, quando o mercado estava muito aquecido.

Fonte: Daniel Vasques, Folha de S.Paulo, 20/4/2014

Inteligência Competitiva Imóveis 2: Construção perde vigor no início deste ano

A maior parte das incorporadoras com foco residencial e ações negociadas na Bolsa fechou 2013 com resultados melhores do que em 2012.

O avanço em grande parte reflete o aquecimento do mercado imobiliário nos anos de 2009 e 2010 e a estratégia das empresas em focar a conclusão de projetos.

A explicação é que boa parte dos prédios lançados nesses anos ficou pronta no ano passado. E o imóvel quase sempre só é quitado quando o cliente financia o bem com o banco, o que ocorre com a entrega do empreendimento,

“A geração forte de caixa só vem agora, na hora do financiamento”, diz o analista da corretora BB Investimentos, Wesley Bernabé.

Bernabé lembra que outra forma de levantar dinheiro é vendendo terrenos em “praças não estratégicas”, como fez a Rossi.

O foco das empresas nos últimos anos passou a ser atuar em mercados de médio e alto padrão (em geral, a partir de R$ 400 mil) em cidades que oferecem maior rentabilidade, como São Paulo e Rio.

O mercado de baixa renda, considerando as empresas de capital aberto, ficou quase todo reservado a incorporadoras com “expertise” no segmento, como a MRV.

PERSPECTIVAS

Com um mercado fraco neste início de ano, as empresas evitam traçar projeções de lançamentos.

Na cidade de São Paulo, o primeiro bimestre (dado mais recente) fechou com queda de 45,3% nos lançamentos, para 1.353 unidades, o pior resultado desde 2006, segundo o Secovi-SP (sindicato do mercado imobiliário).

As vendas (2.011 unidades) foram as menores desde 2004, recuo de 27,5% ante o primeiro bimestre de 2013.

Lenon Borges, analista da corretora Ativa, diz que o ano vai ser complicado para a construção civil em razão do baixo crescimento do país, alta dos juros e “inflação que cisma em bater no topo da meta”.

Mirella Parpinelli, diretora da imobiliária Lopes, também diz não ver, em geral, espaço para aumento. “Com terrenos caros e sem alívio nos custos de construção, os preços dos imóveis não tendem a cair em 2014.”

O presidente do Secovi-SP, Claudio Bernardes, estima que os lançamentos e as vendas manterão o patamar de 2013. Segundo ele, as empresas já começam a retomar os lançamentos, algo que deverá ser sentido nos números dos próximos meses.

Fonte: Daniel Vasques, Folha de S.Paulo, 20/4/2014

Inteligência Competitiva Imóveis: Reduzir estoque é meta de construtoras

Com o estoque elevado de imóveis novos na cidade de São Paulo, o consumidor está mais fortalecido na hora da compra. Um apartamento é considerado em estoque ao não ser vendido três meses após o lançamento — em São Paulo, há hoje 18.619 unidades nesta situação.

Hoje, além de mais opções de empreendimentos para comparar, as chances de descontos aumentam, sobretudo com unidades prontas ou em ritmo avançado de obras.

Para não ter custos como de condomínio e IPTU, que ficam a cargo das empresas se um apartamento pronto não é vendido, elas podem abrir mão de um percentual do valor original.

“Não é à toa que as grandes incorporadoras estão fazendo campanhas de descontos”, diz Bruno Vivanco, da imobiliária Abyara Brasil Brokers, citando o baixo desempenho econômico do país e os cancelamentos de contratos “em patamar elevado”.

Nesse caso, diz ele, trata-se das devoluções de imóveis, que ocorrem porque o cliente não consegue financiar o apartamento na hora da entrega do empreendimento.

Com esse “estoque” de volta para a empresa, os preços podem ser melhores até do que o de imóveis na planta.

Isso também pode ocorrer nos casos em que o prédio está para ser entregue e sobram unidades à venda.

O analista de negócios Luiz Alberto Paixão Dias, 30, conta que, em maio do ano passado, pesquisou dois prédios da mesma construtora e de padrão muito parecido, em ruas vizinhas na Vila Carrão (zona leste de São Paulo).

Depois de negociar, conseguiu abatimento de cerca de 15% no preço do imóvel em obras, mas não no da planta.

“A corretora ofereceu descontos, mas chorei’ um pouquinho e consegui mais.”

Dias pegou as chaves do apartamento na última quarta-feira, e o outro empreendimento, cerca de R$ 35 mil mais caro na ocasião da compra, segue em obras.

DESCONTOS

O anúncio de um desconto alto não deve fazer o comprador deixar de pesquisar bem a localização e as características do empreendimento (veja quadro ao lado).

“Os descontos mais agressivos são para as piores unidades do prédio e o consumidor precisa ficar alerta”, afirma Carlos Eduardo Fernandes, superintendente da incorporadora Brookfield.

Ele diz que é comum, por exemplo, ver em feirões a venda de imóveis no primeiro andar ou voltados para uma avenida barulhenta.

Fernandes lembra também que o consumidor deve se questionar se o abatimento do preço é de fato real. “Há um desconto de 20%, mas será que o apartamento não tinha 20% a mais de preço?”

No caso de imóveis na planta, a melhor forma de obter um preço mais baixo do que o anunciado é dar uma entrada grande ou, se couber no bolso, pagar à vista.

O desconto ocorre porque a empresa deixará de arcar com os juros do financiamento para erguer a obra. “Pagando à vista, o consumidor pode conseguir 25% de desconto”, diz Fernandes.

Fonte: Daniel Vasques, Imóveis, Folha de S.Paulo, 20/4/2014

Inteligência Competitiva/Inovação 3: Medo de agir é a maior limitação da economia brasileira

Para um dos principais consultores globais de inovação, Brasil tem ideias criativas, mas espera autorização para levá-las adiante – ENTREVISTA VICTOR W. HWANG

O brasileiro é cheio de ideias, mas, na hora de partir para a ação, fica paralisado esperando algum tipo de autorização de alguma autoridade. A descrição é de um dos maiores consultores em inovação do Vale do Silício, Victor W. Hwang, 42.

Entusiasta do Brasil, Hwang diz que o país precisa vencer uma cultura de medo e canalizar a veia criativa, manifestada nas artes, na música e no design, para o empreendedorismo.

“O iPhone é uma máquina ou uma obra de arte? Conseguir aplicar o espírito artístico nos negócios é matador.”

Hwang vem ao Brasil na próxima semana para a 14ª Conferência da Anpei (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras), nos dias 28 e 29, no ExpoCenter Norte, em São Paulo. Ele falou à Folha por telefone.

Folha – Como o sr. vê o ambiente de inovação no Brasil?

Victor W. Hwang - Sou um entusiasta do Brasil. O país é incrível no campo da música, das artes e do design. É preciso aplicar essas habilidades nos negócios.

Especialmente nas indústrias criativas?

Criar uma empresa do zero é um processo criativo. É preciso o mesmo tipo de pensamento criativo das artes para ser bem-sucedido como empreendedor. E os brasileiros deveriam se perguntar por que não usar esse espírito criativo para empreender.

Talvez haja um certo preconceito da comunidade artística com o mundo empresarial…

Acho que sim. Alguns acham que o mundo dos negócios é demoníaco. Mas isso está mudando. Veja a Apple. O iPhone é uma máquina ou uma obra de arte? Conseguir aplicar o espírito artístico nos negócios é matador.

Como construir um ambiente propício para a inovação?

Não é algo que vem de uma autoridade falando o que fazer. Tudo se dá no nível do comportamento individual ou da cultura. No Vale do Silício, impera uma cultura baseada em formação de equipes que fomenta o espírito criativo e alavanca negócios. É comum você tomar café com alguém de manhã e, à tarde, fechar contrato. Muitos acham estranho. É que na maior parte do mundo, incluindo o Brasil, as pessoas não acreditam umas nas outras.

E como transformar a criatividade brasileira em inovação nos negócios, com todos os entraves em termos de burocracia, impostos?

Os brasileiros precisam parar de ter medo. Algo que notei no país é que há muitas ideias criativas. Todo mundo tem ideias sobre como fazer coisas melhores, seja na empresa, na comunidade ou em relação ao país. O problema é quando chega a hora de partir para a ação. As pessoas têm a tendência de esperar permissão ou orientação, têm medo de dar um telefonema, marcar uma reunião, arriscar. Acho que o medo é a maior limitação para a economia brasileira.

Esse medo é algo particular do Brasil?

Cada um tem a sua particularidade. No Brasil, o respeito e o medo das autoridades limitam a inovação. Se você pensa no Vale do Silício há 150 anos, não tinha autoridade, governo, estrutura social. Foi preciso criar uma comunidade do nada.

Quando você cria uma comunidade a partir de indivíduos, desenvolve sistemas baseados em leis informais. No Vale, as leis não escritas dizem para confiar em alguém com um aperto de mão, para dar uma chance sem esperar retribuição.

Esse tipo de comportamento tem um efeito muito poderoso. Ao compartilhar, ao ajudar os outros, você acelera o sistema. Você não espera pela permissão de um líder. Você faz.

O que é algo muito americano: faça você mesmo.

Ideias não valem nada. Você pode ter ideias geniais, de grandes invenções e tecnologias, mas isso não vale nada se elas não se transformam em algo real. Vejo esse problema no Brasil e em outros lugares. As pessoas investem em ideias e tecnologias, mas não em fazer as pessoas partir para a ação. No Brasil, é um problema muito maior do que a falta de ideias.

Sem dúvida, é um problema invisível. Fazer uma universidade ou um parque tecnológico é fácil. Mas estamos falando em um medo que está no coração das pessoas e que as impede de agir.

Não se faz inovação sozinho?

Não existe nenhuma empresa relevante de uma pessoa só. Tudo acontece em equipe. A montagem da equipe é a parte mais difícil quando se cria uma empresa.

Muitas empresas perdem o caráter inovador quando crescem demais. O sr. acredita que Google, Amazon e Facebook seguirão inovando?

O ambiente de trabalho é importante. A arquitetura dos escritórios, as regras, as ideias. Também é fundamental se cercar de pessoas que agem, que arriscam.

Muitas empresas estão comprando outras não pelos produtos ou pelo faturamento, mas pela equipe. É o que chamamos de “acqu-hire” (mistura de aquisição e contratação, nos termos em inglês). É uma forma de renovar.

Há 20 anos, o Vale do Silício estava focado em inovação tecnológica. Há dez anos, o foco passou a ser inovação no modelo de negócio. Hoje, isso ficou velho. As pessoas estão focadas em inovação cultural. Se você conseguir mudar a cultura, o modelo de negócio e os produtos vão acontecer automaticamente.

É uma mudança enorme em termos de liderança. A maior parte do mundo está focada em inovação tecnológica e de modelo de negócios. No Vale, eles sabem que a cultura é o mais importante. Se a cultura se desintegra, a companhia se desintegra.

É isso o que vai garantir a longevidade das empresas do Vale?

Sim. Inovação técnica e de modelo de negócios é temporária. Você pode ganhar a liderança por um ano, mas, depois, todos vão te copiar. Se você tem a cultura certa, os concorrentes podem te copiar. Mas, quando fizerem isso, você já estará à frente.

RAIO-X VICTOR W. HWANG

Idade

42

Cargo
presidente da T2 Venture Creation, empresa que investe em projetos inovadores do Vale do Silício

Formação
governo e ciência da computação na Universidade Harvard
direito na Universidade de Chicago

Livros de que é autor
“The Rainforest: The Secret to Building the Next Silicon Valley” (como construir o próximo Vale do Silício) e “The Rainforest Blueprint: How to Design Your Own Silicon Valley” (como fazer seu próprio Vale do Silício)

Inteligência Competitiva/Inovação 2: Estímulos públicos à inovação tiveram pouca eficácia

Fatia de recursos destinada pelas empresas a desenvolver produtos e processos recuou entre 2000 e 2011, na média do país

A fatia do faturamento de empresas brasileiras inovadoras destinada a investimentos para o desenvolvimento de produtos e processos novos recuou de 3,8% em 2000 para 2,4% em 2011.

O cálculo foi feito por pesquisadores do Centro de Políticas Públicas do Insper, com base em dados do IBGE, a fim de avaliar o resultado das medidas adotadas pelo governo para estimular a inovação no Brasil.

A pesquisa mostra um recuo ou uma melhoria lenta em indicadores do setor privado que medem as tendências relacionadas ao tema.

A parcela de empresas consideradas inovadoras que investiram em pesquisa e desenvolvimento (P&D) foi reduzida a menos da metade entre 2000 e 2011, recuando de 33% para 14% do total.

Embora os gastos com P&D tenham aumentado no período, estão sendo realizados por um número cada vez menor de companhias.

Segundo Naercio Menezes Filho, um dos autores do estudo, essa concentração pode ser consequência do fato de que o acesso a subsídios e a outros incentivos do governo nos últimos anos é mais fácil para grandes empresas.

“O ideal é que o acesso das empresas de menor porte a esses incentivos fosse muito maior porque elas têm grande potencial inovador”, diz.

Embora a proporção de companhias beneficiadas tenha aumentado entre as empresas de todos os tamanhos, a disparidade é grande.

Entre as companhias inovadoras com 50 a 99 funcionários, a parcela das que tiveram acesso a incentivos fiscais para investimentos em P&D entre 2009 e 2011 foi de apenas 1,6%, ante 39% entre as empresas com mais de 500 empregados.

Considerando todos os programas do governo de incentivo à inovação, a proporção das empresas com 50 a 99 funcionários beneficiadas, no mesmo período, foi de 30%, ante 55% entre as com mais de 500 empregados.

Além de investimentos internos e externos em P&D, atividades inovadoras incluem, por exemplo, a aquisição de softwares e de máquinas e equipamentos, de acordo com a Pesquisa de Inovação (Pintec), realizada pelo IBGE.

Segundo Menezes Filho, os estímulos do governo à inovação ao longo da última década não provocaram a reação esperada do setor privado.

Barreiras burocráticas e a falta de mão de obra qualificada são apontadas como algumas causas da resposta lenta por parte das empresas.

Outro problema, segundo especialistas, é a baixa interação entre o mundo acadêmico e o setor privado.

Dados de levantamento recente da Thomson Reuters mostram que a produção de pesquisa do Brasil aumentou 145% –o triplo da média mundial– entre 2003 e 2012.

Segundo David Pendlebury, analista da Thomson Reuters, o aumento no número de trabalhos científicos brasileiros é recente e o impacto desse movimento sobre a inovação não é imediato.

Fonte: ÉRICA FRAGA, FOLHA DE S.PAULO, 20/4/2014

Inteligência Competitiva/Inovação 1: Brasil leva até 14 anos para garantir proteção a inovação

Órgão público não consegue preencher vagas abertas; espera no país é até 6 vezes maior que a da Coreia do Sul

Sem registro, empresa que investe em novas ideias corre o risco de ver seus produtos copiados por rivais

O tempo médio que se espera para conseguir a patente de um produto no Brasil é de cerca de dez anos. Mas esse prazo pode superar 13 anos se o pedido estiver na área de alimentos e plantas ou até 14 se a inovação for do setor de telecomunicações.

Durante todo esse prazo, empresas que tenham investido em inovação ficam sem poder vender suas ideias e ainda correm o risco de ver seus produtos copiados.

A espera no Brasil supera em até quatro vezes a dos EUA, a do Japão e a da Europa e em até seis a da China e a da Coreia do Sul –onde um registro é concedido em, na média, 1,8 ano.

E a situação tem se agravado. Desde 2000, os pedidos de patente têm crescido três vezes mais do que as concessões registradas pelo INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial).

Com isso, nos últimos três anos, o tempo médio de espera aumentou oito meses.

O registro é condição indispensável para que o fabricante garanta a exclusividade de vender um produto em cuja criação ou aperfeiçoamento tenha investido.

As filas e a variação de prazo entre diferentes setores foram notadas pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), que pressiona o governo para solucionar o problema.

De acordo com Diana Jungmann, coordenadora de propriedade intelectual da entidade, o motivo é a falta de estrutura do INPI.

SEM PRESTÍGIO

Pelas contas de Júlio César Moreira, diretor de patentes do instituto, 30 examinadores chegarão à idade de se aposentar neste ano.

O contingente representa duas divisões inteiras das 20 que analisam patentes.

As vagas não estão sendo repostas, segundo Moreira, por falta de candidatos. No mais recente concurso para examinador de telecomunicações, em 2006, só foi possível preencher 28 das 70 vagas.

O mercado de trabalho aquecido e o salário inicial de R$ 7.000 –que ele considera baixo para um examinador com mestrado– têm afetado o interesse pelo INPI.

“No setor de telecomunicações, as empresas pagam mais do que isso”, disse. A dificuldade se repete em áreas como engenharia e mecânica.

“Esse quadro é inaceitável. Se não for para resolver, é melhor fechar [o INPI] do que deixar essa situação crônica”, afirma. Um novo concurso foi autorizado para este ano.

Fonte: MARIANA CARNEIRO, FOLHA DE S.PAULO, 20/4/2014

Inteligência Competitiva Economia: O mundo não explica o freio do Brasil, por Samuel Pessôa

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Há algumas semanas o FMI (Fundo Monetário Internacional) divulgou a nova edição da publicação “World Economic Outlook”, com sua análise sobre a situação econômica das economias, bem como as previsões para o crescimento no próximo ano.

Soubemos que o FMI espera que a taxa de crescimento da economia brasileira em 2014 seja de 1,8%.

O relatório que acompanha a base de dados suscita interessante e polêmico debate sobre a natureza da desaceleração recente da economia brasileira.

Parece-me haver consenso de que três fatores explicam nossa redução de ritmo:

1) desaceleração da economia mundial;

2) esgotamento do fator trabalho em razão da forte queda da taxa de desemprego e da forte redução da taxa de crescimento da população em idade ativa;

3) e, finalmente, alteração do regime de política econômica, que, na melhor das hipóteses, gerou ruídos entre o governo e o empresariado com impactos ruins sobre o investimento. Na pior das hipóteses, reduziu a taxa de crescimento da produtividade, respondendo, portanto, diretamente por parte da desaceleração.

A dúvida que há refere-se aos pesos relativos de cada um dos três fatores. Como argumentei na coluna de 11 de agosto do ano passado, penso que a alteração do regime de política economia a partir de 2009 é responsável por um terço ou pouco mais da perda de dinamismo de nossa economia.

Dado que o esgotamento do fator trabalho, na minha avaliação, explica outro terço ou pouco menos, concluo que dois terços de nossa desaceleração deve-se a fatores domésticos.

Como apontado por Bráulio Borges em coluna nesta Folha na sexta feira retrasada, dia 11, o capítulo 4 do relatório do FMI tratou diretamente do tema. Chegou à conclusão de que a maior parcela pode ser explicada pelo ciclo da economia mundial. O mesmo resultado foi obtido pelo estudo “Global Recovery and Monetary Normalization”, recentemente divulgado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

Assim, estou em maus lençóis. Minha leitura é confrontada por dois estudos recentes de duas instituições de grande reputação.

A tabela acima ilustra meu argumento. No governo Fernando Henrique Cardoso, tanto a América Latina quanto o Brasil cresceram pouco mais de um ponto percentual abaixo do crescimento mundial.

No período Luiz Inácio Lula da Silva, passamos, América Latina e Brasil, a crescer ao ritmo do resto do mundo.

No quadriênio de Dilma Rousseff, considerando as previsões do FMI, cresceremos 1,4 ponto percentual abaixo da economia mundial e 1,2 ponto abaixo da economia latino-americana.

Note que, se considerarmos o período Lula excluindo o biênio 2009-2010, como documentado pela última coluna da tabela, a leitura não se altera.

O que ocorreu com os estudos do FMI e do BID? Esses trabalhos empregam técnica estatística que procuram estabelecer relações entre variáveis ao longo do tempo. São técnicas em que é muito forte o peso de movimentos sincronizados entre as variáveis.

Ora, além de os ciclos econômicos do mundo, das regiões e dos países serem normalmente sincronizados, essa tendência se fortaleceu tremendamente entre o quarto trimestre de 2008 e 2010, quando toda a economia global foi engolfada pela crise.

É isso que faz, a meu ver, com que os estudos do FMI e do BID superestimem muito o impacto da desaceleração do mundo sobre as economias emergentes, inclusive a brasileira.

Porém, como indiquei, ao analisar a trajetória do Brasil especificamente, nota-se que o país, mesmo acompanhando a dança da economia global, ficou para trás.

Aliás, como explicar que a desaceleração da economia mundial tenha maior impacto sobre nossa economia do que sobre outras se somos uma das mais fechadas do mundo ao comércio internacional e usufruímos no período Dilma dos maiores níveis de termos de troca das últimas quatro décadas? Deixo essa questão aos economistas do FMI e do BID.

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