Visões do The Economist sobre o Brasil 1: Trabalhador do Brasil é gloriosamente improdutivo, diz “Economist”

SÃO PAULO  –  A revista The Economist publicou uma reportagem, em sua edição impressa desta semana, destacando o que qualifica como a improdutividade do trabalhador brasileiro. Segundo o título da matéria, o trabalhador brasileiro está tirando “Uma soneca de 50 anos”.

O texto começa dando um exemplo ocorrido durante o Festival Lollapalooza, em São Paulo, onde o restaurante texano BOS BBQ se destacava pela eficiência, enquanto nas outras barracas de comida as filas se acumulavam. “No momento em que você chega ao Brasil você começa a perder tempo”, diz, na reportagem, o dono do restaurante, Blake Watkins, que chegou ao país há três anos, após vender um fast food em Nova York. Para garantir um atendimento adequado, Watkins chamou 20 pessoas para trabalhar. Apenas a metade apareceu.

A publicação inglesa diz que filas, congestionamentos, prazos perdidos e outros atrasos ocorrem com tanta frequência que já deixaram os brasileiros “anestesiados”, segundo o professor Regis Bonelli, da Fundação Getúlio Vargas. Segundo a revista, exceto por um período entre os anos 1960 e 1970, a produção por trabalhador ou caiu ou ficou estagnada no Brasil, diferentemente do que ocorreu com outras economias emergentes no período.

A revista lembra, ainda, que, a partir de 2020, a fatia da população em idade de trabalhar começará a diminuir, o que forçará o Brasil a lidar com seu “problema de produtividade”.

Fonte: The Economist/Valor, 17/4/2014

A economia do cotidiano de John List

Desde 2005, o departamento de economia da Universidade de Chicago, principal casa dos ícones do pensamento econômico liberal americano e ninho de Prêmios Nobel, convive com um ser estranho. Mais que isso: é chefiada por ele. A razão pela qual o americano John List se intitula “um estranho nesse circo” é que, exceto o fato de estudar economia, seus interesses estão em outro picadeiro, bem distante daquele escolhido pelos seus colegas, mais ligados ao universo financeiro. Aos 45 anos, ele é um expoente de uma área da economia comportamental que analisa seus objetos de estudo em campo e à paisana, evitando os laboratórios. O resultado, ele garante, é revolucionário tanto para a academia quanto para os negócios. “Eu quero que o experimento em campo seja aplicável em todas as esferas da vida”, afirma.

Ao lado do também professor – e especialista em economia comportamental – Uri Gneezy, John List é autor do recém-lançado “The Why Axis: Hidden Motives and the Undiscovered Economics of Everyday Life”, que será editado no Brasil pela Best-Seller. O livro fala dos motivos das decisões econômicas cotidianas e é um promissor candidato a best-seller na linha do consagrado “Freakonomics” (que, não por acaso, já explorou várias das ideias de List). A capa azul-piscina, a camiseta para fora da calça e o vocabulário de List não deixam dúvidas: ele quer ser um acadêmico pop. Em um dos principais prédios do charmoso campus da universidade, ele falou sobre o livro, o desafio de encontrar o equilíbrio entre pesquisa científica e literatura pop e como foi a sua chegada a uma das mais tradicionais faculdades dos Estados Unidos.

Valor: O que fez o senhor despertar interesse por observar as pessoas em seus ambientes sem que elas soubessem que estavam sendo vistas?

John List: Quando estava no ensino médio, eu e minha namorada íamos todo fim de semana ao Sports Cards Show. Era um desses eventos em centros de convenções com milhares de pessoas comprando e vendendo figurinhas de atletas famosos. Eu era um negociador. Negociava fotos que podiam valer até US$ 500. Eu estava experimentando como conseguir vender as figurinhas pelos melhores preços de acordo com o perfil das pessoas – velhos, mulheres ou adolescentes. Mais tarde, já na faculdade, aprendi que os estudantes usavam laboratórios para realizar jogos e interpretar dados por meio de teorias econômicas. Eu pensei: “Uau!, eu posso fazer a mesma coisa com o Sports Cards Show sem que nenhuma daquelas pessoas soubesse que eu estava conduzindo experimentos com elas”. Foi aí que me dei conta da importância disso. Se eu convidasse aquelas pessoas a um laboratório e dissesse que seriam observadas e escrutinadas, elas iriam agir de forma diferente. Foi aí que decidi investir nisso após a minha graduação em Wyoming.

Valor: Como foi o início desse trabalho?

List: Eu disse aos meus conselheiros que não queria fazer experimentos em laboratório. Eu queria fazer fora, em campo. Quando eles disseram que nós poderíamos fazer tudo no laboratório da faculdade, eu soube que tinha uma boa ideia, porque ninguém mais estava fazendo aquilo. Eles não gostaram, o que foi um bom sinal para mim. Daí acabei convencendo outro professor a trabalhar comigo naquelas que seriam as minhas primeiras pesquisas em campo.

Valor: Um dos experimentos mais interessantes do livro trata da distinção na remuneração de homens e mulheres. O que descobriu sobre isso?

List: Esse é um tema explorado pelos economistas há anos. Em quase todos os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), quando um homem ganha US$ 1, uma mulher ganha 80% desse valor. Diante disso, nos perguntamos por que a realidade é desse jeito. Inicialmente, fizemos experimentos com o Craigslist, onde anunciamos um trabalho com salário fixo – US$ 15 por hora – para homens e mulheres. Havia outro anúncio de uma vaga com remuneração entre US$ 12 e 18, de acordo com os seus resultados em relação aos seus colegas. O que aconteceu foi que os homens gostaram dessa segunda opção e as mulheres ficaram com a primeira, dos salários fixos. Em um segundo experimento na internet, fizemos dois anúncios para homens e mulheres. Em um deles, dissemos que os candidatos podiam negociar o salário. No outro, não dissemos nada sobre os salários serem negociáveis. Nesses casos, os homens negociavam com frequência e as mulheres, raramente. Descobrimos que, quando se avisa que é possível negociar, as mulheres negociam como os homens. Na verdade, negociam um pouco mais que os homens. Agora, quando a informação é vaga, elas não negociam. Entre os homens, os que mais negociam nesses casos são aqueles que não são muito bons ao fazê-lo.

“Vou a centenas de empresas dos EUA, e eles todos querem saber como usar experimentos de campo para atingir seus objetivos”, conta

Valor: O que isso trouxe de novo sobre esse assunto?

List: Nós partimos desse resultado geral: que mulheres não gostam de competição e, a partir de indicações ambíguas, que elas nem sempre gostam de negociar. Essa seria uma boa explicação. Mas continuamos a nos perguntar por que era desse jeito. A primeira hipótese era que elas nasceram assim. Essa seria a sua natureza. A outra era que a sociedade dizia a elas como deveriam agir, e não deviam negociar ou ser competitivas, pois aos homens é que cabe esse papel. Fomos, então, a uma tribo matriarcal na Índia. Quando batemos na porta, um homem atendeu e disse que ia nos levar à mulher que cuidava da casa, depois se foi e se sentou em um canto. Daí falamos com a mulher. Nessa tribo, todas as riquezas da família são geridas pelas mulheres jovens. Se alguém da família for receber educação, será a mulher. Isso foi muito surpreendente para nós, pois encontramos mulheres que agem como homens ocidentais. Isso nos mostrou que a socialização é muito importante. Como falamos às pessoas que elas devem se comportar é exatamente como elas vão fazer.

Valor: Outra área na qual o senhor revelou aspectos escondidos – e não muito edificantes – do comportamento humano é a filantropia. O que o seu livro traz sobre isso?

List: Em 1998, quando eu era professor-assistente na Universidade da Flórida Central, nós não sabíamos nada sobre como arrecadar dinheiro. Embora a filantropia representasse 2%, 3% do PIB nos Estados Unidos, ninguém estava fazendo experimentos para descobrir por que as pessoas doam e o que as mantêm comprometidas com uma causa. “Ulalá!”, pensei e então tentei desbravar esse campo. Nos Estados Unidos, é comum as rádios públicas anunciarem campanhas de arrecadação dizendo que, para cada dólar doado, um doador anônimo dará outro dólar. Automaticamente, US$ 100 viram US$ 200. Há também casos em que o doador anônimo dá duas ou três vezes o valor da primeira doação. Agora, a verdade é que, ao fazer campanhas desse tipo, há um desperdício de estímulos. A origem disso está em um conhecimento tomado emprestado do setor de bens de consumo que foi replicado para o mundo da filantropia. Pense quando você vai a uma loja. Geralmente as pessoas gostam da sensação de comprar dois Snickers por um US$ 1.

Valor: Qual é a diferença dessa relação de consumo com a filantropia?

List: Ao fazer doações, as pessoas não querem saber por quantas vezes os seus dólares serão multiplicados. Elas querem saber apenas se o dinheiro irá para uma boa causa. Isso traz uma espécie de conforto interior. O ato da filantropia é mais egoísta do que pensávamos. Isso significa que, ao fazer campanhas para levantar dinheiro, devemos apelar para o conforto interior que a pessoa pode sentir, o que é uma conclusão um pouco deprimente, pois não corresponde à ideia que temos desse assunto. Mas, com isso, descobri que não precisamos multiplicar o estímulo para arrecadar a mesma quantidade de dinheiro. Agora, essa é uma área inteira sobre a qual posso trabalhar cientificamente. Faço isso desde 1998, quando criei essa área de estudos. Desde então, aprendemos coisas surpreendentes sobre filantropia.

Valor: De que forma os experimentos em campo podem afetar as empresas?

List: Acredito que o homem de negócios tal como ele existe hoje é uma espécie em extinção. Em 10 ou 20 anos, o homem de negócios bem-sucedido vai ser aquele que usar sistematicamente experimentos de campo. Aqui nos Estados Unidos, onde estão as empresas de crescimento mais rápido [Google, Amazon.com, Facebook etc.], os executivos já abraçaram os experimentos em campo. Há três, quatro anos, a Amazon.com me chamou para ser seu economista-chefe, mas eu acabei não aceitando. Meu coautor trabalhava para o Yahoo e mudou recentemente para o Google. Vou a muitas empresas, centenas de empresas dos Estados Unidos, e eles todos querem saber como usar experimentos de campo para atingir seus objetivos.

Valor: O senhor não balançou com o convite da Amazon.com?

List: Eu não deixaria Chicago. Adoro a atmosfera econômica de Chicago. Pensei bastante sobre ir para a Amazon, mas eis por que não vou: eles disseram que o que eu encontrasse lá não poderia publicar na academia. E eu ainda penso que a pesquisa científica deve puxar a fronteira do conhecimento. Por isso, só trabalho com empresas com as quais uma das precondições é que eu possa publicar as minhas pesquisas. Agora, por exemplo, estou trabalhando com uma empresa chinesa, a United Airlines e a seguradora Humana e também estou começando a fazer algumas coisas com o Walmart. O meu pagamento é poder publicar as pesquisas. O trato é que eles aprendem com a experiência e eu posso publicar depois.

Universidade de Chicago, principal casa dos ícones do pensamento econômico liberal americano e ninho de Prêmios Nobel

Valor: Ao tratar de forma divertida de assuntos complexos, o senhor conseguiu algo que, para qualquer pessoa que escreva, é muito difícil. Como conseguiu isso?

List: O que você está apontando é uma questão fundamental que tivemos de superar para atingir o objetivo que tínhamos com o livro. Há sempre a tensão entre tornar a história divertida para o leitor e a integridade da pesquisa científica e seus resultados. Se você ficar perto demais de um lado, terá um “paper” acadêmico. Se for demais para o outro lado, as pessoas vão achar que é muito trivial, e não se atinge o objetivo com o leitor que espera um conteúdo mais científico. Sempre é preciso encontrar um balanço. Levamos meses para escrever esse livro porque houve muito vai e volta entre nós e os editores para manter esse balanço.

Valor: Como seu livro foi recebido entre seus colegas?

List: Meus colegas estão interessados em ciência de verdade e em levantar questões importantes para a sociedade. Se eu fizer isso e também atingir um público amplo, eles estarão de acordo. O que eles não aceitam é que se distorça a ciência ou que um professor pare de fazer pesquisas sérias para se tornar um intelectual público. Intelectuais públicos não têm vez em Chicago. Aprecio essa forma de ver as coisas, porque é assim também que eu penso.

Valor: Autores como Malcolm Gladwell às vezes são criticados por, digamos, forçar a barra com a ciência em favor de um texto mais divertido. Sendo um cientista, de que forma o senhor lidou com essa pressão?

List: Meu mais valioso ativo é a minha reputação acadêmica. Nesses casos, sempre preferi ficar do lado da ciência. Além disso, estamos escrevendo sobre as nossas pesquisas. Nós as conhecemos melhor do que qualquer outra pessoa, pois criamos esse material. Muito raramente usamos o trabalho de outra pessoa. Sempre que alguém trabalha com os dados alheios, pisa-se em terreno instável na hora de explicá-los porque não se sabe em que condições o experimento foi realizado. Acho que é aí que as pessoas se metem em enrascadas. É quando, por exemplo, se descreve o trabalho de outras pessoas tomando a liberdade para torná-los sexies.

Valor: Quais são os projetos nos quais o senhor está trabalhando agora?

List: Um deles é com o time do [Barack] Obama voltado para insights comportamentais e tem como objetivo fazer que as pessoas paguem os empréstimos estudantis. Também estamos trabalhando com companhias de energia para ajudar as pessoas a ter um consumo mais adequado. No Reino Unido, estamos explorando como fazer as pessoas pagarem seu imposto de renda. Temos feito toneladas de experimentos como esse. Talvez em dez anos eu vá ter o bastante para um novo livro.

Valor: O senhor é muito diferente do que normalmente se imagina de um professor de economia da Universidade de Chicago. Como foi a sua chegada ao departamento?

List: A minha recepção aqui não podia ter sido melhor, mas eu estava muito nervoso porque era um ser estranho nesse circo. Foi estranho porque fui o primeiro a chegar aqui e conduzir experimentos de campo no departamento de economia. Na verdade, quando se observa o trabalho de Gary Backer, sua dissertação de 1957 sobre discriminação mostra que ele era um economista comportamental antes mesmo que essa área existisse oficialmente. Isso já estava lá, mais ou menos presente. O que havia de novo é que eu ia até o mundo real e gerava os meus dados. Mas fui recebido de braços abertos, porque as pessoas em Chicago sentiram que esse era um novo caminho de fazer economia. Foi impressionante.

Fonte: Robson Viturino | Para o Valor, de Chicago, 11/4/2014

Inteligência Competitiva Empresas: Graça Foster: Contabilmente, comprar Pasadena não foi bom negócio

BRASÍLIA  –  A presidente da Petrobras, Graça Foster, reafirmou que documentos enviados ao conselho de administração sobre a compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), omitiram a existência da “cláusula de saída” que beneficiava o sócio belga, a Transcor Astra.

Ruy Baron/Valor

Em audiência pública no Senado na manhã desta terça-feira, a principal executiva da estatal confirmou o posicionamento da presidente Dilma Rousseff, que alegou ter aprovado o negócio sem ter conhecimento da cláusula “put” e da cláusula Marlin, que assegurava retorno para a Astra.

Segundo Graça Foster, o conselho, que era presidido por Dilma e do qual ela fazia parte, foi “mal informado” sobre a transação de Pasadena.

A presidente da empresa admite que hoje “não há como reconhecer contabilmente” que Pasadena foi bom negócio. Isso também é justificado, segundo ela, pelas complexas condições do parque de refino brasileiro que será capaz de atender a demanda por processamento da produção prevista de “forma muito mais econômica e rentável”.

Ao falar sobre a operação de compra da refinaria americana, Graça defendeu as premissas que embasaram a decisão. Ela ressaltou que a companhia, antes da crise financeira de 2008, tinha margens “muito boas”. “Precisávamos refinar o óleo pesado Campo de Marlim fora do país”, afirmou.

“Não existe operação segura 100%, em qualquer atividade comercial e, certamente, na indústria de petróleo”, disse Graça Foster aos parlamentares. Ela lembrou que, em 2005, a ampliação de refino fora do Brasil era decisão estratégica.

No caso de Pasadena, a refinaria estaria localizada em um grande “hub” no maior mercado consumidor mundial, afirmou. Graça informou que o Citigroup deu aval para aquisição de Pasadena, com ressalvas comuns.

Investimentos

A executiva também informou que o investimento na refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), chegou a US$ 685 milhões, desde sua aquisição pela companhia de petróleo brasileira em 2006. Esse valor não inclui o aporte total de U$ 1,23 bilhão que a Petrobras pagou pela refinaria. A executiva, no entanto, não detalhou esses investimentos. Graça disse que a usina tem operado em sua capacidade de processamento, de 100 mil barris por dia.

Ela fez quase que uma defesa das condições do contrato, ao dizer que foram colocadas como forma de compensarem “muitos direitos” que a Petrobras tinha no contrato. “Nós tínhamos muitos direitos sobre a Astra, isso custou as cláusulas. Houve sim zelo pelo lado da Petrobras. Tivemos que pagar pelos direitos da Petrobras”, disse.

Graça declarou que a aprovação da compra de 50% da refinaria pelo conselho, à época presidido por Dilma Rousseff, não considerava nenhuma decisão sobre aquisição total de refinaria. Ela também não deu mais informações sobre o fato de desconhecer, até o mês passado, o comitê que representava a aquisição de Pasadena, o qual tinha Paulo Roberto Costa como representante da estatal. “Eu deveria saber desse comitê”, disse Graça, acrescentando que o comitê fez apenas “uma ou duas reuniões”.

Paulo Roberto, ex-diretor de refino e abastecimento da Petrobras, foi preso pela Polícia Federal no dia 21 de março. A prisão faz parte da “Operação Lava-Jato”, deflagrada em 17 de março. A PF investiga as suas ligações com o doleiro Alberto Youssef, também preso sob suspeita de coordenar esquema bilionário de lavagem de dinheiro e de chefiar um esquema que manteria conexões em órgãos do governo federal, como a Petrobras e o Ministério da Saúde.

“A área internacional foi quem conduziu e liderou o processo. Houve participação, sim, da área de abastecimento. Mas não é porque o ex-diretor está preso que vamos colocar tudo na conta do Paulo Roberto”, comentou.

Refinarias no Brasil

Ao iniciar sua apresentação, a executiva disse que as refinarias no Brasil estão com o cronograma dentro do previsto. Segundo Graça, as refinarias vão demandar US$ 38,7 bilhões até 2020. Em Pernambuco, a Abreu e Lima tem 37% de realização física concluídas na refinaria Abreu e Lima. Para ela, o planejamento financeiro de Abreu e Lima e Comperj está em dia.

Fontes: André Borges e Rafael Bitencourt | Valor,15/4/2014.Foto: Ruy Baron/Valor

No futuro pretendo me tornar uma trainee de meia-idade, por Lucy Kellaway

Na semana passada um consultor financeiro me visitou para falar sobre meu plano de pensão. Até aquele minuto, eu ingenuamente imaginava que a aposentadoria ainda estava distante, mas o encontro começou com o homem dizendo que eu já estava na idade inicial de aposentadoria.

Em tese, eu poderia começar a receber uma pensão em poucas semanas, quando eu completar 55 anos. Isso provocou em mim uma crise existencial. Como pode a minha carreira estar quase no fim quando ainda nem decidi o que quero ser quando crescer? Ainda tenho gás para uns 20 anos de trabalho, o que deveria ser tempo suficiente para começar de novo em algo bem diferente.

Quando comecei no jornalismo, tinha 24 anos e estava me recuperando de um começo de carreira mal sucedido no JP Morgan. Não tinha ideia se gostaria mais da nova vida do que da de banqueira, mas achei que valeria a pena tentar. E eu gostei. É por isso que faço a mesma coisa decorridos 30 anos.

Você poderia dizer que esta é uma história feliz. Tenho sorte de ter encontrado algo com o que me identificasse tão bem. Mesmo assim, esse modelo de carreira profissional – em que tropeçamos em alguma coisa quanto estamos na casa dos 20 anos e acabamos fazendo aquilo pelo resto de nossas vidas – sempre foi ruim, e está ficando ainda pior. Era algo que valia a pena quando uma carreira durava 40 anos, mas agora que a maioria de nós trabalha por 50 anos ou mais, isso não faz sentido.

Muitos de meus contemporâneos que “bateram na mesma tecla” por mais de um quarto de século realmente deveriam estar fazendo algo diferente a esta altura. A maioria tem hoje um entusiasmo menor com seus empregos do que há dez anos; alguns estão muito entediados. Mas em vez de mudar, eles se apegam, impedindo outros de ter uma chance. O sistema não é bom para ninguém.

Portanto, o que eles podem fazer? Alguns mudam para atividades relacionadas. Editores viram agentes literários; jornalistas (que Deus os ajude) viram relações públicas; procuradores viram juízes. Outros passam a ser “polivalentes”, fazendo um pouco disso, um pouco daquilo. Alguns começam suas próprias empresas, passam a atuar por conta própria ou transformam um hobby em uma ocupação. Conheço um ex-advogado que se tornou fotógrafo. E um ex-professor que virou escritor.

Se você digitar no Google “carreira nova aos 55″, vai se deparar com uma lista de ocupações que destaca estagiários idosos, mas nenhuma delas é o que eu tinha em mente. Alguém se interessa em ser assistente de saúde? Detetive particular? Guia turístico? Psiquiatra?

A única coisa que você não pode fazer quando está na casa dos 50 é fingir que tem 22.

Mesmo assim, não vejo por que eu não deveria considerar os tipos de trabalho de que gostava quando cursava a faculdade: serviço social, propaganda, a indústria do petróleo – ou o setor bancário? Se o JP Morgan me quisesse de volta – e não estou pedindo isso -, eu seria hoje para eles uma perspectiva muito melhor do que a figura desprezível que eles contrataram 32 anos atrás.

Os grandes empregadores insistem em preencher os empregos para iniciantes, principalmente, com recém-formados, porque eles são baratos e entusiasmados. Mas os estagiários grisalhos não precisam ser mais caros. Os profissionais na casa dos 50 anos podem se dar ao luxo de começar no ponto mais baixo da escala de pagamentos se já pagaram a hipoteca da casa e os filhos já estão crescidos.

Eles também podem ser entusiasmados. Se eu mudasse de carreira agora, com um tempo limitado para aprender novas habilidades, eu me esforçaria como nunca. Sem a competição do filho pequeno em casa, até mesmo as horas mais longas seriam menos dolorosas. E com as obrigações com os filhos já deixadas para trás, homens e mulheres – pela primeira vez – começariam realmente em pé de igualdade.

Convencida do brilhantismo da ideia, fui visitar o homem no “Financial Times” encarregado das contratações e perguntei a ele por que não temos um esquema de “trainees grisalhos” para advogados, executivos e banqueiros na casa dos 50 anos que queiram fazer algo novo. “Engraçado você tocar nesse assunto”, disse ele, contando que recentemente foi procurado por um gestor de fundo de hedge de 52 anos interessado em um emprego.

Esse novato coroa trabalha em um andar abaixo do meu, cercado de jornalistas mais novos que ele. Em certas coisas, ele sabe menos que os colegas, em outras, mais. Ele está no jornal há apenas dois meses, mas até agora tudo está correndo bem. Ele me disse que muitos amigos o chamaram de louco por embarcar em uma mudança financeira tão catastrófica e mesmo o “Financial Times” precisou ser convencido de que sua contratação seria uma boa ideia. Mas não acho que ele seja maluco. Acho que ele fez uma das mudanças de emprego mais sábias que já ouvi falar.

Lucy Kellaway é colunista do “Financial Times”. Sua coluna é publicada às segundas-feiras na editoria de Carreira do Valor Econômico, 14/4/2014.

Inteligência Competitiva/Cenários: Empresas aposentam o departamento de RH

Às vezes, a única coisa pior que ter um departamento de recursos humanos é não ter nenhum. Quando a LRN Corp., empresa de 250 funcionários que ajuda companhias a desenvolver programas de ética e cumprimento de normas, fez uma reestruturação, alguns anos atrás, ela eliminou a maioria dos nomes de cargos e departamentos. Ela também acabou com seu departamento de RH, que cuidava, entre outras, das tarefas ligadas a contratações e remunerações.

Às vezes, a única coisa pior que ter um departamento de recursos humanos é não ter nenhum. Quando a LRN Corp., empresa de 250 funcionários que ajuda companhias a desenvolver programas de ética e cumprimento de normas, fez uma reestruturação, alguns anos atrás, ela eliminou a maioria dos nomes de cargos e departamentos. Ela também acabou com seu departamento de RH, que cuidava, entre outras, das tarefas ligadas a contratações e remunerações.

“Queríamos trazer as questões de pessoal para o meio do negócio”, diz David Greenberg, vice-presidente executivo da LRN, que é sediada em Los Angeles. Empresas que tentam tornar suas estruturas de gestão mais horizontais e fazer seus funcionários se sentirem mais responsáveis frequentemente se voltam contra o RH.

Executivos dizem que o departamento tradicional de RH – que reivindica domínio sobre tudo o que se refere a contratações e demissões até o fomento da diversidade no ambiente de trabalho – retarda a inovação e engessa o negócio com políticas e processos ineficientes. Ao mesmo tempo, a pujante indústria de software de RH tornou mais fácil do que nunca automatizar ou terceirizar funções relativas à área, como folha de pagamento e administração de benefícios.

Alguns empregados da LRN dizem sentir muita falta de uma equipe de RH na empresa, principalmente quando se trata das responsabilidades do dia a dia da área, como mediar conflitos e resolver problemas de pagamento. A LRN e outras empresas que estão se desfazendo do RH estão procurando, também, resolver esses problemas durante o processo.

A Ruppert Landscape, uma empresa de paisagismo fundada há 11 anos e com 900 funcionários, nunca teve um departamento de RH tradicional. Em vez disso, os gerentes tinham que conciliar tarefas como renovação de contratos e recrutamento de talentos e ao mesmo tempo garantir que a grama dos clientes era cortada na altura certa.

O diretor-presidente, Craig Ruppert, diz que uma estrutura descentralizada estimula a autonomia e a responsabilidade entre os líderes em toda a empresa, que é sediada no Estado de Maryland e atende os mercados de Filadélfia a Atlanta. Ele estima que seus gerentes gastem 5% do tempo em assuntos relacionados a recursos humanos.

“Eu simplesmente tenho dificuldade em entender como alguém num escritório a dois ou quatro Estados de distância pode resolver melhor o problema de um funcionário do que alguém que tem um interesse legítimo naquela pessoa”, diz.

Em 2012, os empregadores dos Estados Unidos tinham uma mediana de 1,54 profissional de RH para cada 100 funcionários, comparado com um mínimo de 1,24 em 2009, durante a recessão, segundo a Sociedade para a Gestão de Recursos Humanos (SHRM). A mediana do salário anual deles era de US$ 51 mil, mostram estatísticas do governo.

Empresas novatas geralmente começam sem uma equipe de RH, mas a SHRM aconselha empresas a contratar um profissional da área quando atingirem 15 empregados, ponto em que as questões de pessoal se tornam complexas o suficiente para exigir conhecimentos especializados.

“Quando você cogita eliminar partes do RH, você tem que pensar no risco financeiro e estratégico”, diz Steve Miranda, diretor-gerente do Centro para Estudos Avançados de Recursos Humanos da Universidade Cornell, nos EUA, e ex-executivo de RH da Lucent Technologies, hoje parte da Alcatel-Lucent.

Os gestores geralmente não têm o conhecimento especializado fundamental para manter a empresa competitiva e no lado certo da lei, diz. Se eles não compreendem, por exemplo, as últimas regras de uma nova lei de licença médica do governo, eles podem tornar a empresa vulnerável a processos legais. Se eles não sabem onde encontrar engenheiros qualificados, eles podem acabar ficando para trás na briga por talentos.

A Outback Steakhouse, rede de restaurantes da Bloomin’ Brands Inc., não tinha departamento de RH antes de 2008, mas criou um não muito tempo depois de ter sido processada pela Comissão de Oportunidades Iguais no Emprego, uma agência do governo americano, por discriminar funcionários conforme o sexo. Em 2009, a Outback pagou US$ 19 milhões para encerrar o caso e concordou em contratar um executivo de RH.

Problemas interpessoais podem ser tratados de forma diferente na ausência de um mediador da área de RH. A Klick Health, agência de marketing de Toronto, no Canadá, especializada na área de saúde, trocou seu departamento de RH por dois “zeladores”, funcionários com experiência em serviços a clientes e cuja função é criar o que o diretor-presidente, Leerom Segal, chama de um ambiente de trabalho “sem atritos” para os empregados. Para esses zeladores, isso significa tarefas que vão desde elaborar planos de desenvolvimento de carreira até escolher o presente para o cônjuge de um funcionário.

Quando acontecem conflitos entre empregados ou entre subordinados e gestores, Segal espera que sejam resolvidos pelos próprios envolvidos. “Pedimos aos líderes que identifiquem qualquer problema potencial de relacionamento cedo”, diz, e transfiram as pessoas para equipes diferentes se esses problemas não puderem ser resolvidos rapidamente.

Ex-funcionários da Klick aplaudem a filosofia criativa que alimenta a cultura da empresa, mas dizem que, às vezes, a impressão é de que era cada um por si. Neville Thomas, que foi diretor de programas da Klick até 2013, de vez em quando tinha que punir ou demitir seus subordinados diretos. Sem uma equipe de RH, diz, ele receava ficar exposto a processos. “Não há um departamento pessoal para te treinar”, diz. “Quando você tem uma pessoa de RH, existe um ponto de contato que é confidencial.”

“Você tenta criar uma cultura aberta para que todos os funcionários possam se sentir à vontade ao recorrer aos seus gestores ou à direção para tirar dúvidas e pedir ajuda na resolução de conflitos”, diz Segal, da Klick. E embora os gestores às vezes acreditem que os departamentos de pessoal emperrem a empresa, prosseguir sem eles pode levar à estagnação, segundo uma ex-funcionária da LRN.

O processo de recrutamento da empresa, por exemplo, tornou-se longo e confuso, diz ela, já que os empregados tinham que descobrir quais habilidades e salário um novo funcionário deveria ter. E os executivos da empresa viraram “os tomadores de decisões finais para tudo”, diz ela, o que criava gargalos.

Greenberg, da LRN, diz que a empresa “é definitivamente uma obra em andamento” e que suas próprias métricas mostram que ela tem que fazer mais para fomentar a confiança entre funcionários. Ele acrescenta que a empresa acabou de contratar uma profissional “para se concentrar em todas as coisas relacionadas a pessoas na LRN”. Ela, porém, não é chamada de executiva de recursos humanos. Na verdade, ela não tem título nenhum.

Fontes: Lauren Weber e Rachel Feintzeig | Do The Wall Street Journal/Valor Econômico, 14/4/2014

Inteligência Competitiva Entrevista: “O Brasil deve liderar a criação de um novo modelo econômico global”

O empresário chileno Gonzalo Muñoz se transformou em um defensor intransigente das chamadas empresas B, aquelas que atuam com foco na obtenção do lucro social e ambiental, mas sem perder de vista sua sustentabilidade econômica

O empresário chileno Gonzalo Muñoz se transformou em um defensor intransigente das chamadas empresas B, aquelas que atuam com foco na obtenção do lucro social e ambiental, mas sem perder de vista sua sustentabilidade econômica. À frente da empresa de reciclagem TriCiclos, ele criou um dos mais robustos e bem-sucedidos projetos de gestão de resíduos da América Latina. O impacto dessa iniciativa no Chile foi tamanho que os participantes do projeto conseguiram reduzir em 90% sua produção de lixo. Nesta entrevista, Munõz, que será um dos palestrantes do seminário Sustainable Brands Rio, no dia 24 de abril, fala à DINHEIRO sobre as mudanças da economia global e destaca o papel do Brasil nesse novo cenário. “O Brasil pode e deve liderar a criação de um novo modelo econômico global”, diz.

DINHEIRO – A crise econômica, desencadeada em 2008, pode ser vista como um sintoma da falência do modelo econômico global? 

GONZALO MUÑOZ – Do meu ponto de vista, essa crise foi um exemplo espetacular da grande falência do modelo econômico focado única e exclusivamente no lucro e que coloca como aceitáveis as consequências negativas de seus atos.
DINHEIRO – Mas o que pode ser feito para mudar esse sistema?
MUÑOZ – Falando de uma maneira simplificada, poderia dizer que o que precisamos é reforçar os mecanismos de controle que já dispomos. Existem centenas de casos em todos os cantos do mundo que representam exemplos bem-sucedidos de companhias que embarcaram na nova onda do capitalismo, que envolve os preceitos da sustentabilidade.
DINHEIRO – Qual deve ser o papel do Brasil na busca por uma nova ordem econômica?
MUÑOZ – Eu verdadeiramente acredito que o Brasil pode e deve liderar as mudanças necessárias à criação de um novo modelo econômico global. Por se tratar de um país com imensas reservas naturais e uma cultura fantástica, o Brasil possui as credenciais para ser um parâmetro para as nações que foram muito longe no processo de destruição de seu meio ambiente e também para aquelas que ainda podem mudar o curso de seu estilo de desenvolvimento.
DINHEIRO – E como os países emergentes podem entrar nesse debate?
MUÑOZ – Se eles continuarem com perspectivas e expectativas relacionadas a uma caminhada no mesmo passo dos países desenvolvidos, especialmente da Europa e da América do Norte, terão grandes problemas. Mas, para que esses países possam fazer uma travessia para um novo modelo de desenvolvimento sustentável, eles certamente precisarão de ajuda, inclusive financeira, para que não adotem os exemplos ruins.
DINHEIRO – Em geral, as decisões sobre a adoção de medidas para mitigar os efeitos do aquecimento global têm sido implantadas com mais rapidez por empresas do que por governos. Cabe à iniciativa privada o principal papel nesse debate? 
MUÑOZ – Não podemos imaginar que conseguiremos resolver os problemas ligados às mudanças climáticas sem enxergar a iniciativa privada como um elemento vital nesse debate. É por isso que em todos os acordos bilaterais sempre se embutem cláusulas de promoção de ações e medidas envolvendo os integrantes do setor empresarial.
DINHEIRO – A chamada empresa social pode ser encarada como a evolução do sistema capitalista?
MUÑOZ – Não chegaria ao ponto de classificá-la dessa forma. Con­tudo, elas representam, definitivamente, o jeito como as novas gerações de empresários pretende redefinir a economia global. Isso não significa dizer que não seja necessário que as empresas tradicionais e as grandes corporações repensem sua maneira de fazer negócios e seu foco estratégico, a partir do ponto de vista da sustentabilidade.
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Laboratório da Natura, na fábrica em Cajamar, São Paulo
DINHEIRO – Como uma empresa pode ser sustentável, do ponto de vista econômico, em um mundo no qual os consumidores baseiam suas decisões de aquisição de produtos e contratação de serviços no fator preço? 
MUÑOZ – Costumo responder a esse tipo de questionamento com uma série de perguntas. É possível supor que as empresas poderão continuar produzindo da mesma forma que faziam há 20 anos, 50 anos ou 100 anos? A humanidade poderá suportar o aumento da população do planeta, mantendo-se como base o estilo de consumo e de vida dos americanos de classe média, se temos apenas um único planeta Terra de onde retirar recursos? Somos, de fato, a espécie inteligente do planeta? O tempo dirá.
DINHEIRO – O sr. poderia indicar algumas empresas que atuam de maneira correta? 
MUÑOZ – Uma das que eu mais gosto é a Natura. A fabricante brasileira de cosméticos está fazendo um trabalho muito bacana com marcas como SOU e Ekos. Há, ainda, a Patagônia, dos Estados Unidos, que tem uma mensagem direta e honesta orientando seus consumidores a não comprar mais do que necessitam. Essas duas empresas estão enviando uma mensagem bastante poderosa para o mercado, que, à primeira vista, parece ser contraproducente para seus negócios, mas trata-se de um jeito fantástico, inovador e totalmente sustentável de fazer negócios.
DINHEIRO – E quais são aquelas que estão fazendo tudo errado?
MUÑOZ – Acredito que as que não captam as emoções de consumidores, da comunidade na qual atuam, de seus fornecedores, de seus acionistas e dos colaboradores em geral. A começar por seus próprios funcionários, que são inibidos de usar sua inteligência para antecipar inovações e tendências ambientais e sociais. Além disso, também sou um crítico daquelas que temem mudar e fortalecer seus clientes, fornecedores e gestores públicos. Elas estão agindo da mesma maneira que os grandes predadores do passado, que imaginaram ser possível ser bem-sucedidos no futuro usando as velhas ferramentas. O que precisamos é de novas competências e mecanismos para aprimorar a nossa sustentabilidade.
DINHEIRO – E como fica o Brasil nesse debate?
MUÑOZ – Do meu ponto de vista, o Brasil tem riscos, desafios e oportunidades em todos os aspectos do chamado Tripé da Sustentabilidade (pessoas, planeta e lucro). Digo isso apesar de o País ter se mostrado bastante forte e consistente do ponto de vista econômico, na última década, e em sua capacidade de fazer com que suas ações causem impacto em termos globais. Além do acerto de políticas sociais, problemas como a injustiça e a corrupção têm sido resolvidos de um modo apropriado. Mas, apesar desse quadro favorável, é preciso ficar atento à questão ambiental. Os abundantes recursos naturais devem ser explorados de forma inteligente, respeitando o meio ambiente e garantindo que eles também possam gerar riquezas para as próximas gerações. Para isso, é preciso intensificar a preservação e o desenvolvimento de mecanismo que permita a criação de uma economia baseada na prestação de serviços ecossistêmicos.
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Estação de coleta Punto Limpio em Santiago 
DINHEIRO – Que pessoas o sr. considera que estão mais bem preparadas para liderar este novo mundo, no quesito sustentabilidade?
MUÑOZ – Tenho visto nos últimos anos como algumas personalidades latino-americanas vêm se destacando no cenário global, como o papa Francisco e o presidente uruguaio, José Pepe Mujica. Eles têm inspirado cidadãos ao redor do mundo com uma mensagem que prega um estilo de vida que une austeridade na posse de bens materiais, sustentabilidade, bem-estar e alegria. Trata-se do tipo de liderança que está se tornando influente e poderosa, e estou confiante que essa abordagem pode gerar empatia com os empresários e altos executivos.
DINHEIRO – O sr. comanda a TriCiclos, considerada modelo na área de reciclagem no Chile. Qual foi o aprendizado desse processo?
MUÑOZ – Por meio do Puntos Limpios (Pontos Limpos, em tradução literal), conseguimos reduzir sobremaneira o descarte irregular de lixo nas ruas das principais cidades chilenas. Para você ter uma ideia, a geração de lixo da média das pessoas envolvidas chegou a cair 90%. A coleta abarca cerca de 20 tipos de resíduos e conseguimos esse nível de adesão porque as pessoas acreditaram em nossa garantia de que tudo que recebêssemos seria reciclado.
DINHEIRO – Mas isso não prejudicou o trabalho dos recicladores individuais?
MUÑOZ – Muito pelo contrário. Nosso sucesso é fruto do fato de termos conseguido também incorporá-los ao processo, por meio da TriCiclos, cuja meta era transformá-los em empreendedores sociais, responsáveis pela gestão das estações de reciclagem instaladas nos bairros. A função deles passou a ser de verdadeiros monitores educacionais nas comunidades. Atingimos bons resultados, ainda, em relação às empresas, que começaram a enxergar mais claramente o impacto de sua produção na vida das pessoas e da cidade. A partir daí, trataram de bolar formas de reduzir a geração de resíduos, incorporando esse aspecto em sua estratégia de marketing. Hoje, a TriCiclos conta com 60 estações de coleta de resíduos no Chile.
DINHEIRO – O sr. virá ao Brasil para a conferência Sustainable Brands Rio 2014. Qual é a sua expectativa em relação a esse evento?
MUÑOZ – Tenho um grande interesse de acompanhar os debates enfocando as iniciativas de empresas e as experiências de pessoas que deram um passo importante para ajudar na promoção e melhoria da sustentabilidade do planeta. Como integrante do chamado Sistema B, considero importante estar em contato com um número cada vez maior de empresas, influenciando-as a usar seu enorme poder econômico para ajudar a resolver os problemas sociais e ambientais do planeta.
Fonte: Por Rosenildo Gomes FERREIRA, ISTOE DINHEIRO, 11.ABR.14 – 20:30 | Atualizado em 13.04 – 14:29 

Inteligência Competitiva – Mercado: Puxadinhos da Copa

Sete anos não foram suficientes para preparar a infraestrutura para os jogos que começam em 12 de junho. A dois meses do Mundial de Futebol, algumas obras não estão prontas e outras nem serão mais construídas

Quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014, há sete anos, uma certa euforia tomou conta do País. Enquanto os brasileiros vibravam com a possibilidade de ver a Seleção Canarinho tornar-se hexacampeã em casa, reabilitando-se do desastre do Mundial de 1950, o governo falava sobre o legado que o evento deixaria para a infraestrutura, com a realização de obras que iriam transformar a mobilidade nas grandes cidades e modernizar os aeroportos já saturados.

88.jpgA dois meses do pontapé inicial, apenas os estádios estão prontos – com exceção da Arena Corinthians, o Itaquerão, onde acontece a abertura, que deve ser concluída neste mês –, mas ações complementares, como estacionamentos, jardins e outros espaços projetados para o entorno ainda se arrastam. As demais obras estão sendo feitas na base do puxadinho e algumas simplesmente desapareceram dos planos. E os aeroportos, já saturados, ainda vão continuar assim por algum tempo. Um exemplo emblemático é o Estádio Nacional, em Brasília. Construído ao custo de R$ 1 bilhão, já recebeu dezenas de jogos e funciona perfeitamente como campo de futebol.
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Legado incompleto: ministro Moreira Franco, ao lado de Dilma, na cerimônia de concessão do aeroporto de Confins, em Minas
Mas ainda não foi realizado o paisagismo ao redor, assim como o túnel que interligaria o estádio ao centro de imprensa, do outro lado de uma avenida de seis pistas. O projeto, estimado em R$ 300 milhões, foi suspenso pela Justiça. O Beira-Rio, em Porto Alegre, que no dia 20 de fevereiro recebeu a visita da presidenta Dilma Rousseff, foi considerado inseguro, pelo Ministério Público, para jogos por causa dos materiais de construção abandonados do lado de fora. Os estádios também não têm, ainda, os sistemas de comunicação que permitirão às multidões de torcedores postar suas fotos nas redes sociais – além dos milhares de jornalistas estrangeiros que terão de enviar informações a seus países.
“Teremos um legadinho”, diz José Roberto Bernasconi, presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), sobre a infraestrutura que está sendo construída para o Mundial. Levantamento feito pela entidade mostra que várias obras não ficarão prontas a tempo e que outras nem sequer serão construídas, como a ligação de corredor de ônibus e monotrilho até o estádio, em Manaus, e obras de mobilidade em Fortaleza e Recife. Em Brasília, o governo abandonou um projeto de corredor de ônibus e ainda não concluiu o acesso ao aeroporto. “Gastamos de três a quatro anos com poucas providências e muitos discursos, e só nos últimos três anos decidimos correr, quando o tempo já não era suficiente”, afirma Bernasconi.
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“Tapear” ou “e tapear”?: Gustavo do Vale, da Infraero, admite que alguns aeroportos não ficarão prontos. Viracopos terá transferência gradual dos voos para o novo terminal
A maneira improvisada de lidar com os projetos está tão entranhada que rendeu até uma gafe do presidente da Infraero, Gustavo do Vale. Na segunda-feira 7, em visita na companhia da presidenta Dilma Rousseff ao aeroporto de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte, ele admitiu que o terminal mineiro e vários outros não ficarão prontos até a Copa, mas garantiu que as obras irão continuar nos meses seguintes. “Podemos tapear as obras de modo que melhore a operacionalidade sem terminar como um todo”, afirmou aos jornalistas. No dia seguinte, a Infraero explicou que Vale quis dizer “etapear”, ou seja, concluir apenas algumas etapas de determinado projeto. O verbo, frise-se, não existe na língua portuguesa – mais parece um neologismo para embromação. A “etapeação” também atinge outros terminais da Infraero.
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Marcha lenta: o acesso ao novo aeroporto de Natal (RN) está só 60% concluído.
Na foto, a governadora Rosalba Ciarlini visita a obra
O último balanço da estatal mostra que em Porto Alegre apenas 1,85% da obra do terminal de passageiros e 20,6% do pátio e da pista foram concluídos. Em Fortaleza, só ficou pronto 15,6% do terminal. As novas datas para a conclusão agora são 2016 e 2017. Enquanto isso, a solução da Infraero para a capital cearense, onde os materiais se acumulam ao relento, é também a construção de um puxadinho. Apesar da saturação da infraestrutura aeroportuária, o ministro da Aviação Civil, Wellington Moreira Franco, diz que não haverá problemas. “O passageiro da Copa será muito bem atendido”, afirmou o ministro, que na semana passada se reuniu com representantes das empresas aéreas para acertar um cronograma de operação nos aeroportos privatizados.
Nesse caso, as obras estarão concluídas antes dos jogos, mas não a tempo de atender às exigências das companhias aéreas, que precisam de um período de testes para ter certeza de que não terão problemas, especialmente no transporte da bagagem. Testar as novas instalações fora do pico da Copa do Mundo também é intenção dos administradores do aeroporto de Viracopos, em Campinas. O novo terminal será entregue no dia 11 de maio, mas a portuguesa TAP é a única empresa que vai operar na nova área. TAM e Gol vão transferir suas operações em julho, após a Copa, e a Azul concluirá sua transição somente em setembro. A situação se repete em Guarulhos.
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Sem enfeite: Estádio Nacional, em Brasília, está sem as obras do entorno.
Já as placas de sinalização (no detalhe, à esq.), com erros de tradução, estão sendo trocadas
O Terminal 3 estará concluído, mas as empresas preferem mudar aos poucos, depois de testar todos os equipamentos. O aeroporto de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte, também privatizado, será entregue neste mês, mas a rodovia de acesso ao terminal ainda não está pronta e o aeroporto não será usado para a Copa. A exceção é o de Brasília, que já tem a primeira ampliação pronta e só depende de uma visita da presidenta Dilma, prevista para esta semana, para começar a operar. A não conclusão de algumas obras a tempo já é admitida pelo governo. Mesmo assim, o ministro do Turismo, Vinicius Nobre Lages, garante que o evento vai deixar um legado positivo (leia entrevista abaixo).
O trânsito de turistas, porém, pode ser dificultado pela falta de placas para orientar os 600 mil estrangeiros que devem vir ao País. Das 12 cidades-sede, apenas seis já iniciaram sua colocação. Em Brasília, algumas placas tinham erros na tradução para o inglês. A situação dos centros de atendimento ao turismo é ainda pior: apenas seis cidades começaram a construir os locais, que dificilmente estarão concluídos a tempo. Em meio a uma infraestrutura baseada em puxadinhos, o país do futebol, longe de exibir o famoso “padrão Fifa”, terá como consolo um eventual êxito dentro dos gramados da equipe comandada pelo técnico Felipão. Vai que é tua, Neymar!
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“Algumas obras não serão concluídas a tempo”
No cargo há apenas um mês, o ministro do Turismo, Vinicius Nobre Lages, admite que muitas obras não estarão prontas a tempo da Copa, mas diz que elas devem continuar, para melhorar a infraestrutura turística brasileira. Segundo ele, para evitar a ociosidade dos hotéis e de outros empreendimentos, cada cidade precisa elaborar um plano de negócios que leve a um aumento do fluxo turístico nos próximos anos.
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Qual é a contribuição da Copa para o turismo brasileiro?
Todo evento desse porte sempre leva a um conjunto de investimentos que não seriam feitos de outra forma. É uma janela de oportunidade. Virá um novo tipo de turista: qualificado, que forma opinião. E são dois bilhões de telespectadores em todo o mundo.
O Ministério perdeu quase metade do seu orçamento. Não vai fazer falta?
Estamos num momento complicado, com eleição e contingenciamento. Vamos aproveitar esse período pós-Copa para potencializar a boa imagem do evento. Vamos fazer o que der, mas a vida não acaba em 2014.
Qual será o ganho econômico com a Copa do Mundo?
Um estudo da Fipe mostra que a Copa das Confederações gerou um PIB adicional de R$ 9,7 bilhões, com a criação de 303 mil empregos. Estimamos que a Copa irá acrescentar cerca de R$ 30 bilhões ao PIB brasileiro.
Muitas obras não ficarão prontas a tempo. Isso não será ruim para a imagem do Brasil como destino turístico?
Estamos trabalhando com um volume de obras que nunca tivemos antes. Em consequência, algumas dessas obras não serão concluídas a tempo. Mas isso não vai impedir a realização da Copa. E vamos torcer para que elas continuem depois. A agenda de qualificação e melhoria da infraestrutura turística é uma agenda permanente do setor de turismo.
Algumas cidades podem ter excesso de oferta hoteleira? Fala-se em ociosidade em Cuiabá…
Para evitar que isso ocorra, cada cidade terá de montar um plano de negócios. Cuiabá pode se tornar um grande centro de eventos no Centro-Oeste. Temos de continuar estimulando o turismo doméstico. No ano passado, tivemos 200 milhões de viagens. Concluída essa infraestrutura, se não investirmos em promoção, poderemos ter ociosidade em algumas cidades. Temos de evitar isso.

Inteligência Competitiva – Mercado Brasileiro Perfumes: Natura perde liderança em perfumaria para O Boticário em 2013

SÃO PAULO  –  A Natura perdeu a liderança do mercado brasileiro de perfumes para O Boticário no ano passado, segundo a empresa de pesquisa Euromonitor.
A rede de franquias alcançou uma participação de 28,8% no ano passado, enquanto a Natura ficou com uma fatia de 27,7%. Cada ponto percentual nesse mercado corresponde a aproximadamente R$ 150 milhões em vendas.
O mercado de perfumaria brasileiro é o maior do mundo e movimentou US$ 7 bilhões (mais de R$ 15 bilhões) no ano passado, de acordo com a Euromonitor.
A Natura já havia informado, em seu último balanço, que perdeu 2,4 pontos percentuais em todo o segmento de cosméticos e fragrâncias nos dez primeiros meses do ano passado, para 31%. Esse dado divulgado pela companhia, no entanto, é apurado apenas na indústria pelo  Sindicato da Indústria de Perfumaria e Artigos de Toucador de São Paulo (Sipatesp). A pesquisa da Euromonitor se refere às vendas ao consumidor final.
A perfumaria representa cerca de 60% das vendas do Boticário, de acordo com informações fornecidas pela diretora de marketing da empresa, Isabella Wanderley, em entrevista ao Valor no ano passado. Em julho, a executiva disse que a categoria crescia acima da média de toda a empresa. Em 2013, a rede de 3,6 mil lojas faturou R$ 7,6 bilhões, em alta de 10% sobre o ano anterior.

Inteligência Competitiva Esporte: Cada gol de Damião custa R$ 800 mil ao Santos até agora

(O brasileiro se importa mais com futebol que política por isso temos esta situação. Mas sempre vale lembrar que, foi a FIFA que foi procurada pelo Brasil para sediar a Copa do Mundo; todo o alto escalão do então Presidente Lula está preso; o custo do estádio da França foi de 280 milhões de Euros, já um absurdo, pois o estádio sede da final da Copa da Alemanha em 2006 custou 140 milhões de euros; o estádio de Brasília para 68 mil pagantes teve média de público de 600 pagantes e o time local está muito longe da primeira divisão e tudo financiado com dinheiro público; das obras destinadas ao PAC 1 e 2 para os transportes os orçamentos são altíssimos com possibilidades de construção de estradas e hiperestradas que cruzariam a Europa e por aqui nada de ficar prontas; uma das cidades mais visitadas do mundo – Paris – 20 milhões tem um estrutura que São Paulo não terá talvez nem nos próximos 50 anos nesse ritmo de obras, parece que Varsóvia recebe mais visitantes que nós paulistanos; telefonia então e essa mentira deslavada do 4G que não é 4G; além da segurança, que se mata mais que no Afeganistão, Siria, Iraque, eu lhe pergunto, possível manter futebol nessas condições de completa irracionalidade? A população sem hospitais, serviços públicos, escolas e os clubes de futebol não pagando a previdência social, ou seja, continuam sonegando, ninguém fala nada e tudo bem?). Sim gosto de futebol, mas tudo tem limites. Salários abusivos e completamente fora da realidade brasileira).

Com 5 gols, atacante que é só o 5º artilheiro da equipe no ano não se rende à pressão de decidir final

Leandro Damião já custou R$ 4 milhões ao Santos, mas ainda não conseguiu ser o homem-gol que o clube buscava quando o contratou.

Cada gol do atacante, até o momento, saiu pelo preço de R$ 800 mil ao clube alvinegro. São R$ 500 mil mensais com pagamentos ao fundo Doyen, que o adquiriu junto ao Internacional-RS, por R$ 42 milhões, em janeiro.

Outros R$ 500 mil são pagos em ordenado –R$ 450 mil de salários, mais R$ 50 mil em auxílio-moradia.

Damião é apenas o quinto artilheiro do time na temporada, com cinco gols em 12 partidas disputadas.

À sua frente na relação de artilheiros da equipe estão o volante Cícero, com oito gols, Geuvânio (7), Gabriel (7) e Thiago Ribeiro (6).

Embora a média de gols do camisa 9 até agora seja baixa, os números parecem não pesar para o atacante.

Questionado se se sentia pressionado pelo desempenho razoável, o centroavante demonstrou tranquilidade em sua resposta. “A pressão existe em qualquer lugar e estou melhorando e me adaptando aos poucos”, disse.

O atacante afirmou ainda que sonha em fazer os dois gols de diferença que o Santos precisa para levar o título sem disputa por pênaltis, no domingo, contra o Ituano, no Pacaembu. Mas não faz questão da honraria.

“Podem ser até dois do [goleiro] Aranha, o importante é a gente ganhar”, disse o jogador ontem.

IRRITAÇÃO

Leandro Damião se irritou com uma pergunta sobre o atraso no pagamento dos direitos de imagem no Santos, referentes ao mês de fevereiro, que venceram em 15 de março.

“Isso é um assunto que se fala internamente. Ninguém gosta de ficar falando de salário assim, publicamente”, disse o jogador.

Na última segunda-feira, David Braz já havia confirmado o atraso e disse que capitão Cícero estava discutindo a questão com a diretoria.

Em nota oficial publicada no site, o clube da Vila Belmiro comunica já ter quitado os atrasos.

Fonte: DIEGO IWATA LIMA, ENVIADO ESPECIAL A SANTOS, FOLHA DE S.PAULO, SEXTA-FEIRA, 11 DE ABRIL DE 2014

Inteligência Competitiva “big mistake”: Megarecall da Toyota envolve 95 mil carros no Brasil

Divulgação
SÃO PAULO  –  O megarecall global da Toyota, anunciado na quarta-feira em virtude de cinco defeitos identificados em carros da marca japonesa, atinge 95 mil veículos em circulação no Brasil. A montadora está convocando proprietários brasileiros da picape Hilux e dos utilitários esportivos SW4 e RAV4 para solucionar falhas no airbag.
São 67,5 mil unidades da Hilux e 22,3 mil do SW4 produzidas na fábrica da Toyota na Argentina entre junho de 2005 e janeiro de 2011. Já o chamado do RAV4 envolve 5,2 mil veículos, produzidos no Japão entre agosto de 2005 e março de 2010.
O recall se deve à possibilidade de falhas no cabo de conexão que aciona o airbag desses carros. Segundo a Toyota, foi detectado um defeito no componente que faz a conexão entre o módulo de comando do airbag e o conjunto da bolsa do airbag do lado do motorista, o que pode impedir o funcionamento do dispositivo.
A Toyota vai inspecionar a peça e, se necessário, trocá-la. A campanha será feita em duas etapas. Na primeira, com início imediato, a empresa vai substituir o componente dos veículos que já acusam, por uma luz de advertência no painel, o não funcionamento do airbag. A duração média do serviço é de uma hora.
Depois disso, a partir de 1º de julho, a montadora vai fazer a inspeção dos demais veículos envolvidos no recall e, se necessário, fará a troca gratuita do componente.
A empresa recomenda que os proprietários entrem em contato com uma concessionária da marca para agendar o atendimento.
Na quarta-feira, a montadora japonesa anunciou cinco recalls envolvendo 6,39 milhões de automóveis no mundo, após identificar defeitos em trilhos dos assentos, ignições, suportes da direção e limpadores de para-brisa, além da falha em cabos que conectam os airbags, na qual os carros em circulação no Brasil estão inseridos.

(Eduardo Laguna | Valor, 11/4/2014). Foto: Divulgação.

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