Nada de blá blá…Ganhar bem é prioridade para profissionais brasileiros!

O profissional brasileiro quer salário bom, oportunidade de crescer na carreira e qualidade de vida – em especial, gastar pouco tempo no caminho para o trabalho e ser capaz de gerenciar o estresse. Esses são os principais fatores escolhidos como razões para manter um emprego, segundo pesquisa global da consultoria de recursos humanos Towers Watson realizada com 1.637 empresas e 32 mil empregados em mais de 25 países.

Quando se analisa, entretanto, se as companhias estão atentas a isso, os números são dissonantes. Elas consideram estar no caminho certo quando o assunto é retenção. Quando questionadas sobre o que faz seus funcionários ficarem na organização, a maioria cita o relacionamento com gestor como o mais importante – fator que nem figurou na lista dos empregados. Em seguida vêm salário, oportunidades de crescimento e capacidade de gerir o estresse.

O quadro muda de forma mais brusca, no entanto, quando se leva em conta a disposição dos funcionários a continuar no emprego. A cada dez profissionais brasileiros, quatro acham que precisam trocar de empresa para conseguir crescer na carreira, número que se repete mesmo entre aqueles considerados de alto potencial. Outros três não souberam responder, o que faz com que apenas três tenham confiança de que conseguem crescer dentro da atual empresa.

Para a diretora de gestão de talentos para a América Latina da Towers Watso n, Glaucy Bocci, esse cenário demonstra falhas de comunicação e implementação das estratégias de recursos humanos. “Quanto a liderança está ajudando, efetivamente, na gestão de pessoas? Pode ser que a empresa não esteja promovendo os profissionais com alto potencial, ou na velocidade que eles gostariam”, diz.

Prestar atenção a essas demandas não é apenas uma questão de agradar aos profissionais, mas um diferencial na hora de garantir mão de obra qualificada e produtiva. Segundo o estudo, 71% das empresas brasileiras dizem ter problemas para reter funcionários com alto potencial, e 63%, aqueles que apresentam alto desempenho. São números que ilustram um desafio muito maior do que no resto do mundo, onde a média ficou próxima dos 50% nos dois casos.

Uma razão para a sensação de estagnação no emprego é a atual situação econômica. “A desaceleração da economia impacta a vida das organizações e das pessoas e pode causar essa percepção de ausência de crescimento”, diz Glaucy. Esse cenário pode levar à ideia de que a grama do vizinho é mais verde, e o funcionário passa a olhar o mercado com mais atenção. “Se não encontro uma oportunidade dentro da empresa, vou começar a procurar fora dela”, diz Raphael Freire, consultor de talentos e recompensa da Towers Watson.

Em 39% das empresas brasileiras, o índice de turnover está crescendo. Ainda assim, os profissionais mais qualificados seguem disputados: mais de 70% das companhias do país dizem ter dificuldade para atrair empregados com habilidades críticas, alto potencial e alto desempenho.

Ter uma comunicação interna eficiente, desse modo, é fundamental. O estudo mostra que só metade dos profissionais brasileiros considera que a empresa faz um bom trabalho ao informar os funcionários sobre o desempenho da organização. Globalmente, essa média é maior, de 60%. Ainda menos empregados, 44%, acham que a empresa faz um bom trabalho ajudando os funcionários a conhecerem mais o negócio da companhia. Globalmente, são 55%. “Não comunicar se a empresa está tendo desempenho bom ou ruim gera muita insegurança no funcionário”, explica Freire. “Isso faz eles questionarem se é naquela empresa que querem ficar.”

A discrepância mais forte aparece quando se analisam os fatores que profissionais e empresas consideram mais importantes na hora de atrair talentos, ou decidir por um novo emprego. Mais uma vez, o salário também é o principal aspecto na decisão dos trabalhadores, seguido de oportunidades de progressão na carreira e de aprendizado e desenvolvimento. As empresas, contudo, acham que o salário só é o quarto fator mais importante para os profissionais – o foco seria oportunidades de progressão de carreira, seguidas de um empate entre reputação da empresa e trabalho desafiador. “Há uma dissonância na própria proposta de valor da empresa, e expectativas diferentes. É preciso aproximar essas percepções”, diz Glaucy.

Fonte: Letícia Arcoverde, Valor Econômico, 31/7/2014

A caçada aos analistas: Falcão descarta boicote a Santander em Estados e prefeituras do PT

Um dia depois de a presidente Dilma Rousseff afirmar que tomaria uma atitude “bastante clara” em relação ao banco Santander, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse ontem ao Valor que “não há qualquer orientação do partido no sentido de promover boicote ou retaliação ao banco Santander, no âmbito dos governos municipais e estaduais administrados pela legenda”. O presidente do partido não se manifestou sobre possível reação do governo federal, como apontara Dilma.

O banco espanhol enviou a clientes de alta renda, juntamente do extrato bancário, uma análise de investimento que relacionava eventual avanço da presidente nas pesquisas eleitorais e uma deterioração dos fundamentos macroeconômicos do país.

Ontem, a presidente e candidata à reeleição se silenciou sobre o caso, enquanto, no mercado, a forte repercussão política do episódio levou a uma atitude de preocupação e acautelamento em relação à forma como as recomendações de investimento serão produzidas e divulgadas a partir de agora.

“Vemos com alguma preocupação que algum trabalho técnico seja eventualmente assimilado como uma peça política”, diz Reginaldo Ferreira Alexandre, presidente da Apimec Nacional, associação dos analistas. “Somos defensores da livre expressão desde que respeite limites éticos.” Para o presidente da Apimec, faz parte da função do analista incorporar informações políticas a estudos. “A expectativa política é sempre importante na avaliação de ativos.”

Para o sócio de um banco de investimento, é inegável que as casas de análise passem a redobrar seus cuidados na hora de fazer recomendações. “Numa economia sem tanta interferência do governo, o analista escreve à vontade. Aqui é diferente porque o setor bancário sofre interferência”, diz ele. Para o executivo, a cautela deve se intensificar pelo fato de a presidente figurar como favorita à reeleição.

Isso não significa, porém, que corretoras e bancos vão deixar de incorporar o cenário político a suas projeções. “Tenho de fazer esse tipo de projeção. Não posso ser omisso para meus clientes em relação às eleições”, afirma um chefe de análise de um banco.

Em uma corretora, analistas marcaram uma reunião e aguardavam orientações sobre como proceder em relação às leis eleitorais. Havia dúvidas sobre se terão de mudar a forma como os relatórios são produzidos. A avaliação interna é que a situação é preocupante especialmente para a cobertura de empresas que atuam em setores regulados e com um grande número de companhias estatais, como Petrobras e a Eletrobras.

As ações dessas empresas têm sido influenciadas pelas pesquisas eleitorais. Uma analista afirmava, porém, não estar mais segura se poderia associar as oscilações das ações às pesquisas de intenção de voto nos relatórios que escreve e que são enviados aos seus clientes. “Se eu não puder dizer isso, o que eu vou dizer então?”

Em uma grande consultoria, os analistas ouviram da direção que poderiam seguir traçando cenários atrelados à corrida eleitoral, mas foi reforçada a necessidade de submeter os relatórios aos chefes de setor antes da publicação.

Para a assessora do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Maria Aparecida Carneiro, se for um economista, o profissional do Santander que escreveu a análise “agrediu normas da profissão”. O banco não esclareceu a formação do funcionário. Segundo Maria Aparecida, o funcionário desenhou um “cenário político-econômico-financeiro sem quaisquer dados”. O caso pode tomar outras proporções caso o responsável pelo texto não seja um economista, pois nesse caso haveria exercício ilegal da profissão.

Procurada, a Comissão de Valores Mobiliários disse que a regulação da autarquia se destina à análise de valores mobiliários para investidores, “e assim, não se estende a recomendações em geral, como as do episódio mencionado”.

Ontem, em evento no Rio de Janeiro, o presidente do conselho de administração do Santander, Emilio Botín, afirmou que já foram tomadas as medidas necessárias em relação ao informe.

“[O informe] É uma resposta de um analista. Não é uma resposta do banco Santander. Nós tomamos as medidas necessárias. O presidente do banco no Brasil [Jesús Zabalza] já comunicou as autoridades que ficamos muito chateados que isso tenha acontecido e já enviou uma carta à presidente Dilma”, disse o executivo, demonstrando irritação com o tema. O executivo participou de um encontro de 1.200 reitores de universidades, sem a presença de representantes do governo federal.

Entre as medidas tomadas pelo banco, o Valor apurou que o Santander dispensou ao menos dois funcionários responsabilizados pelo episódio. O trabalhador que escreveu o texto e seu superior responsável por aprovar o conteúdo que fazia parte do extrato. Ambos trabalhavam no segmento Select, criado em abril de 2013, com um investimento de R$ 150 milhões, para atender clientes com mais de R$ 10 mil de renda mensal.

Durante o evento, Botin falou da saída de um funcionário. “A pessoa que se demitiu se demitiu porque o banco falou que ela tinha que se demitir porque fez uma coisa errada.”

Segundo uma pessoa a par do assunto, o banco avaliou que os funcionários exorbitaram suas funções, porque não deveriam fazer análise de investimento. O texto, segundo essa pessoa, não refletia posição do departamento de pesquisa do banco ou posição institucional. O texto dos extratos era enviado a clientes sem passar por outra área do banco, procedimento que agora mudará, para se ampliar o controle.

No campo político, o único caso de encerramento de convênio com o Santander ocorreu em Osasco, município da Grande São Paulo, que prevê a arrecadação de R$ 1,9 milhão em taxas e tributos municipais até o final de 2014.

A secretaria de Finanças do município informou que a suspensão ocorreu após uma série de reclamações sobre os serviços iniciadas em 2013. A assessoria do prefeito Jorge Lapas nega que a rescisão tenha qualquer relação com o episódio envolvendo a presidente.

Por meio da assessoria de imprensa, o diretório estadual do PT em São Paulo reiterou a posição do presidente Emidio de Souza, de que não há nenhuma recomendação aos prefeitos para que rescindam contratos, convênios ou parcerias com o Santander.

As prefeituras de Santo André, Cubatão e São José dos Campos mantêm contratos com o Santander para a folha de pagamento de seus servidores. As administrações informaram que por enquanto não há intenção de interromper os contratos.

Fontes: Carolina Mandl, André Guilherme Vieira e Rodrigo Polito . (Colaboraram Vanessa Adachi, Thais Folego, Claudia Facchini, Natalia Viri e Eduardo Campos, de São Paulo e Brasília) Valor Econômico, 30/07/2014 às 05h00

Quem são as personalidades mais admiradas pelos brasileiros de 17 a 26 anos? Veja a resposta de 51.674 jovens aqui

Você admira algum líder da atualidade? Se sim, qual o nome dele? Qual característica deste líder o levou a escolhê-lo? Essas perguntas foram respondidas por 51.674 jovens brasileiros entre 17 e 26 anos – dos quais 55% já estão no mercado de trabalho – e trouxe um resultado tão diverso quanto curioso.

Pouco mais da metade dos respondentes disse admirar um líder e Barack Obama foi o nome mais citado, seguido pelos gurus da tecnologia Steve Jobs e Bill Gates. Já Mark Zuckerberg ficou com a quinta posição, atrás do empresário brasileiro Jorge Paulo Lemann, que estreou no ranking junto a Flávio Augusto da Silva, fundador da escola de inglês Wise Up.

Embora o presidente dos Estados Unidos tenha sido o mais admirado, os políticos perderam espaço na comparação com o levantamento do ano passado. Lula e Dilma, presentes em 2013, não estiveram entre os mais lembrados agora. Outra mudança foi o desaparecimento de Eike Batista e o retorno de Silvio Santos. Joaquim Barbosa, Roberto Justus e o Papa Francisco completam o top 10 (veja quadro).

A razão mais votada para escolher um líder foi empreendedorismo e capacidade de inovar. De acordo com Adriana Chaves, diretora de desenvolvimento e carreira da Cia. de Talentos, que realizou a pesquisa em parceria com a Nextview People, isso mostra que essa geração, de fato, pensa diferente das anteriores. Características pessoais, causa pela qual luta e/ou valores, e visão sistêmica – clareza de onde quer chegar e de como fazê-lo – foram outros fatores valorizados.

Segundo Adriana, o noticiário e a mídia de maneira geral ainda exercem grande influência nos jovens em uma escolha dessa natureza. Por outro lado, alguns nomes começam a cair nas graças dessa geração em razão da forte presença no mundo virtual. A entrada de Lemann entre os mais admirados, no entanto, deve-se a uma somatória de tudo isso.

Ainda que sempre preze pela discrição, ele voltou a ganhar destaque nos últimos meses ao firmar uma parceria com o magnata americano Warren Buffett e comprar marcas famosas como a Heinz. Após o império de Eike Batista ruir, passou a ser chamado de “o verdadeiro bilionário do Brasil” e “o mais bem-sucedido empresário do país”. Além disso, é o nome forte por trás da Fundação Estudar, que tem presença ativa na internet e oferece bolsas para que brasileiros possam estudar nas melhores universidades do mundo.

O carioca Flávio Augusto da Silva, de 42 anos, tem uma imagem parecida perante o público jovem. Após fundar e vender a rede de escolas de inglês Wise Up para a Abril Educação, no ano passado, por R$ 877 milhões, atualmente ele administra seu fundo de investimentos T-BDH e é dono do Orlando City Soccer Club. O time de futebol dos Estados Unidos recentemente ascendeu à primeira divisão da liga americana e contratou o jogador Kaká, emprestado ao São Paulo até o fim do ano.

Mesmo com sua bem-sucedida trajetória profissional, foi com o canal “Geração de Valor”, no Facebook, que conquistou e a admiração de milhões de estudantes e recém-formados. Lá, ele dá dicas sobre carreira, empreendedorismo e compartilha suas experiências usando uma linguagem informal e próxima de seus seguidores. “Embora não trabalhe com este fim, ser reconhecido como uma inspiração é gratificante na medida em que considero essa uma função útil. Afinal, toda grande ideia ou projeto começa de um ‘insight’. Meu desejo é fazer jus a essa confiança e continuar colaborando com os jovens brasileiros”, afirma.

Silva se diz um apaixonado pelas novas gerações, que considera versáteis, inteligentes, ávidas por inovação e com uma enorme vontade de transformar o mundo. “Com sua afinidade com a tecnologia e novas formas de comunicação, o jovem está em busca não apenas de um emprego para pagar as suas contas, mas de um propósito. O prazer na jornada é tão importante quanto o destino”, enfatiza. Em sua opinião, as empresas que compreenderem isso vão atrair os melhores talentos.

A pesquisa contemplou também uma lista apenas com líderes brasileiros. Dentre estes, quem mais chama atenção é Bel Pesce, de apenas 26 anos de idade. Ela é fundadora da escola de desenvolvimento de talentos FazINOVA e se tornou um modelo de empreendedorismo e sucesso para os jovens. “Sou uma pessoa totalmente comum que conseguiu alcançar sonhos grandes. Eu represento que tudo é possível se você se dedicar de cabeça e de coração.”

Quando tinha 17 anos, Bel conseguiu ser aprovada no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos. Durante os estudos, trabalhou na Microsoft, Google e Deutsche Bank e, após a conclusão do curso, mudou-se para o Vale do Silício. Lá, participou da criação e desenvolvimento de startups e escreveu seu primeiro livro “A Menina do Vale” – disponibilizado gratuitamente na internet em 2012 e que atingiu a marca de um milhão de downloads em menos de três meses. “Procuram-se Super Herois” saiu no ano seguinte e, em setembro, ela pretende lançar “A Menina do Vale 2″.

De volta ao Brasil, onde comanda a FazINOVA, Bel aposta na força de vontade e sede por responsabilidade da nova geração. “Quando falo dos jovens, falo também um pouco de mim. Queremos fazer mil coisas ao mesmo tempo e acabamos nos enrolando. O desafio está em canalizar essa energia em um objetivo. Quando acontece, é mágico”, ressalta.

Outro nome que apareceu no ranking nacional é o da presidente da Petrobras, Graça Foster. Mesmo com as denúncias e escândalos envolvendo o nome da empresa, Danilca Galdini, sócia-diretora da Nextview People, afirma que essa não chega a ser uma escolha surpreendente. Das pessoas que votaram na executiva, 74% são mulheres. Dentre as principais razões para o voto estão a habilidade de superar barreiras e vencer preconceitos, e características como determinação e disciplina.

Na opinião de Danilca, o jovem cada vez mais “customiza” seus líderes. Isso significa que ele não elege alguém que considera perfeito, mas que o inspira de alguma maneira. “A Graça Foster representa isso. Ela começou cedo, em um cargo de entrada, e conseguiu chegar ao topo”, explica.

As características que levaram os jovens a admirarem esses líderes, contudo, não são as mesmas que eles julgam essenciais para quem for ocupar a posição. Nessa hora, pesa mais ter iniciativa, inspirar e motivar, ter conhecimento sobre a área, trabalhar em equipe, mostrar coerência entre a fala e a ação, e desenvolver outras pessoas.

De acordo com Adriana, da Cia. de Talentos, os próprios respondentes dizem já ter boa parte dessas qualidades, ainda que estejam no início da carreira. “Eles fazem uma autoavaliação bastante otimista a respeito dos aspectos comportamentais. É como se faltasse apenas melhorar a parte técnica e estratégica para que pudessem assumir um cargo de comando”, afirma.

Mas é preciso ir com calma. Por ser um dos executivos mais admirados pelos jovens, Flávio Augusto da Silva tem envergadura para aconselhar: “Como em toda nova geração, aprender com os erros e os acertos de seus antecessores é uma questão de inteligência. Os que tiverem essa humildade vão chegar mais longe.”

Fonte: Rafael Sigollo | São Paulo, Valor Econômico, 30/7/2014

 

Atuação de técnicos em segurança do trabalho em Rondonópolis

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Atuação de técnicos em segurança do trabalho em Rondonópolis

Fonte: Rede Globo, MT, 29/7/2014

Escolas e livrarias promovem leituras para crianças em Rondonópolis (MT)

Escolas e livrarias promovem leituras para crianças em Rondonópolis (MT), veja mais no Bom dia MT, aqui 

EXIBIDO EM 22/07/2014

Inteligência Competitiva – Tempos Modernos! Prédio em NY terá ‘entrada para pobre’

Construção em bairro nobre vai fazer portaria separada para moradores de apartamentos subsidiados pelo governo

Medida causou polêmica na cidade e até jornal conservador criticou; prefeitura autorizou a separação

Um edifício de luxo em construção em Nova York terá uma portaria separada para os apartamentos mais baratos –uma “entrada para pobre”, como apelidou a imprensa local.

A prefeitura novaiorquina aprovou a criação, apesar dos esforços recentes para compelir o mercado imobiliário a “misturar” apartamentos mais baratos com unidades a preço de mercado, especialmente em Manhattan, onde o valor dos imóveis disparou na última década.

A entrada separada levará a apartamentos de aluguel permanente –não estão à venda–, que também não compartilharão as áreas sociais e os elevadores das unidades que serão vendidas a preço de mercado.

A incorporadora Extell, que constrói o prédio de 33 andares no tradicional bairro do Upper West Side, com vista para o rio Hudson, pediu em 2013 a criação da entrada diferenciada para os 55 apartamentos de aluguel social (que não terão vista para o rio). A obra será concluída no ano que vem.

Pela legislação local, há permissão de mais andares ou metros quadrados quando o construtor garante uma certa proporção de apartamentos a serem alugados abaixo dos preços do mercado (o aluguel também é subsidiado pelo governo, por meio de deduções fiscais).

O Plano Diretor de São Paulo, conjunto de regras que orientarão o crescimento da cidade pelos próximos 16 anos, aprovado pela Câmara, também traz diretrizes sobre habitações sociais em áreas nobres (leia mais abaixo).

No prédio da Extell, os inquilinos subsidiados serão escolhidos por sorteio e pagarão US$ 1.100 (R$ 2.431) por mês por um apartamento de dois quartos –um imóvel similar no bairro sem o subsídio tem aluguel médio de US$ 6.200 mensais (R$ 13.481).

Apenas famílias com renda inferior a 60% da média da renda local (equivalente a R$ 9.300 mensais para uma família de quatro pessoas) podem concorrer aos apartamentos subsidiados.

As demais 219 unidades do prédio, com vista para o rio, serão vendidas –em valores de hoje, as unidades mais baratas custariam pelo menos R$ 2,5 milhões.

CRÍTICAS

Até o jornal conservador “New York Post” chamou o prédio de “Downton Abbey”, a série britânica que mostra as divisões físicas, em uma grande propriedade inglesa, entre nobres e serviçais no início do século passado.

“Esse arranjo é abominável e não tem lugar no século 21″, afirmou a deputada estadual Linda Rosenthal, que representa o distrito na Assembleia Legislativa.

Na TV, a apresentadora Krystal Ball, da MSNBC, disse que o prédio era uma “metáfora de uma sociedade cada vez mais dividida, onde o 1% dos mais ricos não quer nem sequer ver como vivem os demais”.

Em comunicado, a Extell disse que “muitos fatores contam no design de um prédio, como eficiência, custo e viabilidade financeira, especialmente quando há unidades de aluguel permanente em valor acessível. Estamos confiantes que não faltarão candidatos para morar neste belo bairro”.

Fonte: RAUL JUSTE LORES, FOLHA DE S.PAULO, WASHINGTON, 27/7/2014

Benefícios motivam empreendedores em Rondonópolis (MT)

Benefícios motivam empreendedores em Rondonópolis (MT)

EXIBIDO EM 23/07/2014, clique aqui para assistir BOM DIA MT

Inteligência Competitiva Brasil – Saúde: Hospitais fecham maternidades no país

Hospitais estão fechando unidades consideradas não rentáveis como maternidades, pediatrias e outras áreas de baixa complexidade médica. O Hospital Santa Catarina vai encerrar as atividades de sua maternidade, fundada há mais de três décadas, no fim de outubro, conforme publicou o Valor na quarta-feira. Ontem, a Santa Casa de Belo Horizonte informou que também pode fechar, em setembro, sua maternidade, que gera prejuízo de cerca de R$ 800 mil por mês.

Os dois casos não são isolados. Nos últimos anos, outros grandes grupos hospitalares de várias regiões do país seguiram o mesmo caminho. Entre eles, estão o São Camilo, Nossa Senhora de Lourdes e Santa Marina, localizados em São Paulo, o carioca Barra D’Or e o Vita , de Curitiba. Todos eles voltaram as atenções para áreas com maior retorno financeiro como oncologia, neurologia, cardiologia e ortopedia.

“A maternidade tem um custo elevado e os pacientes dessa área usam pouco a estrutura de um hospital geral, que tem despesas altas com manutenção de equipamentos sofisticados e estrutura. Com a profissionalização na gestão do setor, isso ficou mais evidente”, explicou Francisco Balestrin, presidente da Associação Nacional dos Hospitais Privados (Anahp) e que também é dos sócios do Grupo Vita.

“Fechamos a maternidade em Curitiba há seis anos. Na unidade de Volta Redonda (RJ) continuamos porque temos um acordo com a CSN, que vendeu o hospital, de manter a maternidade”, disse Balestrin.

O presidente da Anahp destaca ainda que o custo de um parto em um hospital geral é superior ao de uma maternidade especializada. Sua justificativa é reforçada pelo diretor geral das maternidades Santa Joana e Pró-Matre, Marco Antônio Zaccarelli.

“Acredito que para ter um ponto de equilíbrio financeiro é preciso realizar cerca de 400 partos por mês”, afirmou Zacarelli. A Pró-Matre e a Santa Joana realizam um total de 2,5 mil partos mensalmente. Para efeitos de comparação, no Santa Catarina são feitos 240 partos por mês e na maternidade da Santa Casa de BH, 330.

Mas não é apenas a escala que faz uma maternidade fechar as contas no azul. Segundo Zaccarelli, ao mesmo tempo em que a taxa de natalidade vem caindo nos últimos anos, as mulheres estão engravidando mais tarde e com isso aumentando o número de partos de alta complexidade. “Como somos focados em obstetrícia e ginecologia, temos toda uma estrutura para atender essas pacientes. Há dois anos, tínhamos 20 leitos de semi-UTI para atender casos complexos. Hoje, são 40″, disse o diretor-geral do Grupo Santa Joana.

A decisão de encerrar as atividades de uma maternidade ou pediatria também ocorre porque nem todos os hospitais ainda têm fôlego para mais uma rodada de investimentos vultosos como a que ocorreu nos últimos anos. “O nosso custo cresce, há dois anos, em ritmo maior do que a receita. Com isso, a velocidade da expansão tende a diminuir. A ocupação e a instalação de equipamentos será gradual”, disse Balestrin. Por outro lado, os hospitais continuam investindo em pronto-socorro, onde boa parte dos casos é de complexidade simples e baixa remuneração, porque cada vez mais as pessoas vão ao hospital para atendimentos e consultas simples.

A maternidade não é a única a perder espaço. A área da pediatria também encolhe, seja nos hospitais ou por falta de médicos, que preferem seguir outras especialidades devido à baixa remuneração. “Hoje não há mais tantos casos de patologias infantis. As crianças não ficam doentes como antes e quando há um problema são casos graves, como oncológico ou cirúrgico, em que o paciente usa o mesmo leito ou centro cirúrgico”, disse Balestrin.

Fonte: Beth Koike, Valor Econômico, 25/7/2014 

Inteligência Competitiva – Sinais de Mercado: Compartilhar em vez de ter?

Cento e vinte mil turistas viajaram pelo Brasil sem um hotel onde ficar durante a Copa do Mundo, segundo o Airbnb, site de hospedagens americano. Dois deles, um torcedor argentino e outro inglês, se hospedaram no apartamento de Débora Lourenço e do marido, o engenheiro colombiano Mauricio Barrera, em Pinheiros, São Paulo. “Foram experiências bastante tranquilas. Gostamos de receber pessoas”, diz Débora. A estada, como no caso dos outros turistas, não foi acertada pela rede hoteleira, mas justamente por meio do Airbnb, que opera no Brasil desde 2012.

Esquemas de compartilhamento como o Airbnb criaram uma economia em áreas que pouco haviam sido monetizadas antes. Nas sombras da economia formal, transações de pessoa para pessoa, chamadas de P2P (sigla em inglês para de pessoa para pessoa), já movimentam US$ 3,5 bilhões por ano nos Estados Unidos, segundo a consultoria americana Gartner. No país, envolvem não apenas hospedagem como compartilhamento de carros, pequenos trabalhos e aluguel de ferramentas, roupas e praticamente qualquer objeto.

Em essência, essa economia de pequenos serviços não é muito diferente do que ocorria quando alguém oferecia serviços em um mural ou emprestava algo a conhecidos. Mas o surgimento dos smartphones, combinado com a internet, tornou mais fácil contratá-los. Mapas e GPS permitem encontrar um táxi, uma furadeira ou um apartamento para alugar. Redes sociais e recomendações dos usuários ajudam a estabelecer confiança e os pagamentos on-line evitam calotes.

“Juntos, esses três serviços criam confiança entre estranhos, um elemento crucial quando se aluga algo para outra pessoa”, afirma o pesquisador holandês Marco Böckmann, da Universidade de Twente, autor de um estudo sobre a economia compartilhada. O resultado é uma explosão de serviços numa escala nunca vista, envolvendo uma multidão de anônimos.

Não apenas eles. Frederic Larson, conhecido fotógrafo com uma carreira no jornal “San Francisco Chronicle”, foi uma das vítimas, em 2009, das demissões no jornalismo americano. Com dois filhos e aos 63 anos, hoje dá aulas na Academy of Art University e palestras eventuais, obtendo uma pequena parcela do antigo salário. Sua renda mais estável são os US$ 3 mil mensais que ganha alugando a casa no Airbnb e usando o próprio carro, um Toyota Prius, como táxi do serviço de compartilhamento de veículos Lyft nas terças à noite. “Eu tinha produtos que podia compartilhar: meu Prius e minha casa. São minhas duas fontes de renda”, disse. Larson agora procura sites para alugar seu equipamento.

A ideia de que tudo pode ser compartilhado contesta o conceito de sociedade de consumo do século XX. Possuir algo foi visto como a base do capitalismo até a década passada, principalmente nos Estados Unidos. “Quanto mais propriedade há na América, mais vitalidade há na América”, defendeu o ex-presidente George W. Bush no mote econômico de sua reeleição, em 2004. Mas, ainda que Bush tenha saído vencedor, a cultura da posse estava sendo, de alguma forma, comprometida.

Primeiro, foram os serviços de troca de arquivos e a digitalização da música que esvaziaram para sempre as estantes de CDs, convertidos em arquivos MP3 que podiam ser baixados e compartilhados. Sites de “torrents”, como o Pirate Bay, e mais tarde os serviços de “streaming”, como o Netflix, fizeram o mesmo com os DVDs. Foi então, em 2008, que a arquitetura financeira que sustentava o consumo desenfreado – a bolha imobiliária nos EUA – entrou em colapso. A taxa de desemprego americana subiu a quase 10% e as famílias endividadas tiveram que reduzir o consumo.

Nos escombros, estimulada por startups e entusiastas de tecnologia, surgiu uma nova cultura de consumo, que prefere alugar, pegar emprestado ou compartilhar a comprar. A ideia está ligada ao movimento minimalista, que descarta a posse de bens, exceto os essenciais. Também casa com o estilo de vida dos “millenials”, a geração nascida a partir dos anos 1980, na qual é mais forte a cultura digital e também o grupo mais atingido – perto de 20% – pelo desemprego nos EUA.

A base dessa economia alternativa é San Francisco, nos Estados Unidos. Ao sul da cidade fica o Vale do Silício, que abriga as sedes de gigantes como Google, Apple e Facebook. San Francisco é a base do Getaround, TaskRabbit, Venuetastic, DogVacay, Liquid, Zaarly e Lyft, serviços que dominam no país a economia do compartilhamento. E também dos seus dois maiores ícones: o Uber e o Arbnb.

Lançado em 2009 por Garrett Camp e Travis Kalanick, uma dupla de empreendedores por trás de serviços como o Stumble Upon, plataforma de descobertas na internet que foi razoavelmente popular até ser comprada pelo eBay, em 2007, o Uber, inicialmente chamado Ubercab, começou conectando passageiros e motoristas em 15 cidades americanas. Hoje, atua em 37 países e 138 cidades. Em maio, começou a operar no Rio e, no mês passado, chegou a São Paulo.

Funciona como um serviço de táxi comum. Por meio de um aplicativo, motoristas cadastrados podem localizar um passageiro em busca de transporte e o levam a seu destino, com pagamento debitado no cartão de crédito. Os valores são parecidos com os cobrados por táxis, mas há um gasto mínimo. Também existe uma taxa de cancelamento. O Uber fica com 20% do valor e o resto é repassado ao motorista.

“O Uber é uma oportunidade poderosa para o empreendedorismo”, diz Jamie Moore, diretora de comunicações do serviço. “Os motoristas podem fazer mais dinheiro e com maior flexibilidade do que em qualquer outra opção disponível.”

Apesar de ser o mais conhecido, o Uber não é o único serviço de compartilhamento de carros no Brasil. No Zaznu, aplicativo nacional lançado em março no Rio, o pagamento é opcional. Ao fim de cada corrida, a plataforma apenas recomenda um valor de 80% do valor do que seria cobrado por um táxi. Já no Amigo Carona não há pagamento formal. O serviço une um aplicativo e uma página do Facebook em que motoristas podem divulgar seus trajetos e combinar caronas com outras pessoas. Deixa a critério dos usuários a negociação e não cadastra cartão de crédito. Tem 15 mil cadastrados.

Com outra ideia, o site brasileiro Caronetas, no ar desde 2012, já tem 1 milhão de cadastrados e 20 mil viagens. Permite que colegas de trabalho ou de um mesmo prédio deem caronas, também pagas por cartão. Mas, para evitar problemas com a legislação, o serviço não repassa o dinheiro. O serviço conta com uma moeda própria, a caroneta, comprada pelos caronas para pagar as viagens, que pode ser trocada pelos motoristas por telefones celulares e outros produtos na própria plataforma – sites parceiros disponibilizam produtos para o programa de pontos. “Se eu permitir que as pessoas transacionem dinheiro, é transporte pago. É um táxi sem bandeira. Não haveria diferença para um serviço de vans”, diz Marcio Nigro, criador e CEO do Caronetas, startup com sede em São Paulo.

Serviços já estabelecidos no exterior dão uma ideia de como o compartilhamento pode mudar o uso dos carros. O aplicativo francês BlaBlaCar ajuda motoristas com espaço vazio no carro a encontrar passageiros para rachar as despesas de uma viagem. Um veículo pode ser alugado de outra pessoa por um dia, uma semana e até uma viagem inteira no site Getaround. Não tem onde estacionar? Pelo site britânico ParkatmyHouse é possível encontrar alguém com uma vaga ou uma garagem disponível. Serviços que permitem a retirada de veículos elétricos numa parte da cidade e a entrega em outra já são comuns na Coreia do Sul, França e Canadá.

Antes do Facebook, em 2003, o Couchsurfing, uma rede social de hospedagem, começou a atrair usuários em busca de um sofá durante viagens. As estadas não envolviam dinheiro, mas não demorou para alguém pensar em transformar a ideia em um negócio. O Airbnb entrou no ar em 2008, conectando pessoas com um quarto vago e os interessados em alugá-lo, em várias cidades americanas. Hoje está em 196 países, com 600 mil anúncios que incluem, além de quartos e apartamentos, barcos, castelos e casas na árvore.

“A gente se vê como uma empresa que está criando uma nova indústria”, observa o alemão Christian Gessner, “country manager” da empresa no Brasil. “Não é nada novo. O jeito como as pessoas viajam hoje pelo Airbnb é como viajavam antigamente. Até um século atrás, as pessoas procuravam abrigo nas comunidades e sempre achavam uma porta aberta. Havia mais confiança.”

Confiança e reputação são valores quase tão importantes quanto dinheiro nesse tipo de economia. Enquanto serviços de hotelaria ainda não digerem as críticas em sites de resenhas de hospedagem como TripAdvisor, o Airbnb estimula que os viajantes e hospedeiros confiram a reputação uns dos outros antes de acertar a estada. Um apartamento com problemas de higiene, por exemplo, logo acaba denunciado aos outros usuários. Comentários apontam os melhores locais. Proprietários e hóspedes podem recusar um ao outro, a depender da reputação.

Trata-se de uma ideia recuperada do passado. No século XI, entre os mercadores do Magreb, comerciantes judeus que operavam no norte da África muçulmano, os contratos eram regidos por um sistema de reputação baseado mais nas punições informais do que nas leis. Os comerciantes adquiriram fama de honestos. Também em Veneza, durante a Renascença, a reputação foi solução para os negócios entre mercadores do Mediterrâneo, pois não havia sequer sistema legal.

Estabelecer confiança era o desafio esperado dos serviços que começaram a operar no país. “Todo mundo dizia que o conceito não iria funcionar, que o brasileiro é muito desconfiado. Mas a gente chegou rapidamente aos mesmos casos de sucesso de outros países”, comenta Geissner, do Airbnb. A Serttel, startup do Recife responsável pelos sistemas Bike de aluguel de bicicletas, descobriu também ser falso outro estereótipo – de que o brasileiro não cuida do patrimônio alheio.

Que critérios aplicar à economia compartilhada? Há questões a resolver, como impostos e a legislação sobre higiene e segurança

“Em Paris e Barcelona, 12% das bicicletas precisam ser trocadas todo ano por causa do vandalismo. Aqui, nossos índices são insignificantes”, afirma Peter Cabral, diretor-executivo da empresa. Hoje com 1 milhão de cadastrados em 12 cidades, inclusive capitais como Porto Alegre, São Paulo, Recife e Salvador, o serviço disponibiliza 5 mil bicicletas para aluguel em estações com o pagamento de uma mensalidade de R$ 10. Um aplicativo para smartphone libera as bicicletas, que podem ser usadas por até uma hora de cada vez.

“Temos indícios de que as bicicletas ‘públicas’ não são mais só uma opção de lazer, mas estão sendo usadas no dia a dia. Em Porto Alegre, 70% do uso ocorre nos horários de rush.”

No geral, no entanto, o país ainda tem pouca presença na economia compartilhada. Muita regulamentação, burocracia e impostos altos são reclamações das empresas. Em compensação, há as vantagens nacionais – o governo federal e as prefeituras costumam ser amigáveis à cultura digital. Enquanto tribunais e governos no exterior perseguem os novos serviços, o Ministério do Turismo brasileiro estimulou a hospedagem compartilhada durante a Copa.

“Também tem uma coisa: nós somos lentos, mas temos uma relação interpessoal mais informal, mais fácil”, diz Evaldo Lopes, professor da Escola de Administração da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo. “O encantamento dos estrangeiros na Copa com os brasileiros passou por isso.”

No livro “A Riqueza das Redes”, o israelense-americano Yochai Benkler, professor da Escola de Direito da Universidade de Harvard, aponta que a internet criou uma estilo alternativo de produção: em rede e auto-organizada, mais do que gerenciada por alguém no comando, sem presidentes, chefes e diretores a determinar tarefas, como ocorre nas empresas. A economia nascida do processo, com milhões de novos pequenos empreendedores, seria capaz de compensar a perda dos empregos fechados pela tecnologia.

Compartilhar em vez de ter redefiniria o valor de um produto não com base no desejo, mas na necessidade, com reflexos no meio ambiente e no uso de recursos naturais. Por último – um argumento que quase todos os autores consideram central -, há o valor de cada negócio ser feito de pessoa para pessoa. Aproximar as pessoas, argumenta Brian Chesky, fundador do Airbnb, levaria a sociedades mais tolerantes, criando laços que às vezes se tornam novas amizades.

“Gostamos de receber as pessoas”, confirma Débora, a anfitriã do Airbnb do início deste texto. “Claro que alguns hóspedes interagem mais que outros, mas todo mundo que recebemos até hoje eram pessoas bacanas e interessantes.”

Apesar de todo o otimismo, o impacto da economia compartilhada ainda é pequeno. Nos Estados Unidos, o Airbnb dispõe de 50 mil quartos, ante 4 milhões da rede hoteleira – são 20 mil no Brasil, ante 2,3 milhões dos hotéis e pousadas. Mesmo assim, um estudo da Universidade de Boston estima que o Airbnb reduziu o lucro da rede hoteleira em 5% nas cidades onde está estabelecido há mais tempo – esse número deverá subir para 10% em 2016.

O impacto da transformação também pode ser medido pelas reações. Em junho, taxistas fecharam ruas em Londres e Madri e motoristas de limusine fizeram o mesmo no caminho do Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, para pressionar o governo a agir contra o Uber. O serviço está proibido pela Justiça de concorrer com os táxis em Bruxelas, em Berlim e na cidade americana de Pittsburgh, sob a alegação de ser um risco para a segurança. Em Paris, carros do Uber são atacados nas ruas.

O Sindicato dos Motoristas Autônomos de Táxi de São Paulo também ameaça com protestos, caso a prefeitura não proíba aplicativos como o Uber. “Agora que a Copa passou, queremos nos reunir com a prefeitura e cobrar uma atitude”, diz Natalício Bezerra da Silva, presidente do sindicato. “Para a categoria, não há diferença entre esses motoristas e os de vans”.

O Airbnb enfrenta a reação da indústria hoteleira. Nos Estados Unidos, as cidades de Portland e San Francisco aprovaram leis proibindo hospedagens residenciais por menos de 29 dias. Nova York estuda lei semelhante e multou um usuário do Airbnb por atuar ilegalmente como um hotel. Outra face do fenômeno: proprietários americanos usam o site para caçar inquilinos com contratos antigos e despejá-los por sublocar o imóvel.

“Nós combatemos o Airbnb. As restrições precisam ser as mesmas e também os impostos”, diz Enrico Fermi, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, que pressiona o governo a exigir do serviço as mesmas regras da hotelaria. “Não concordamos com a postura do Ministério do Turismo de apoiar esses serviços. Primeiro, disseram que iria faltar hotel. Nós entregamos mais do que o solicitado e teve quarto sobrando.”

Numa previsão pessimista, um estudo da empresa americana de estratégia financeira ConvergEx projeta: uma tendência de longo prazo do hábito de compartilhamento poderia lançar a economia mundial numa depressão. “Ajustar-se a um consumidor que não necessariamente compra, mas aluga, exige uma mudança na produção, nas vendas e até mesmo nas estruturas de emprego. Se um consumidor opta por alugar um apartamento ou compartilhar um carro, em vez de comprar, então a demanda por novas casas e carros cai.”

“Todo ciclo de grandes mudanças provoca um desemprego fantástico e cria oportunidades de emprego”, contemporiza Evaldo Lopes, da FGV-SP. “Quando começou o primeiro ciclo da área agrícola, 80% da população trabalhava no campo. A população rural ficou em 10%. Isso não fez que esse pessoal ficasse desempregado. Foram para a indústria. Agora é a indústria em crise. Volta-se ao conceito de ter uma coisa mais adequada.”

Em meio à histeria há uma discussão necessária: que critérios aplicar à economia compartilhada? Em algumas cidades americanas, o Airbnb desconta das transações o imposto de hotelaria. Mas, e quanto às legislações sobre higiene e segurança? E se um vizinho se incomodar com o movimento de estranhos, sem falar no uso de prédios residenciais como hotel? A reputação vale tanto quanto a regulamentação?

O economista Arun Sundararajan, professor da Escola de Negócios da New York University, acha que sim: “Regulações foram coisas certas no seu tempo e contribuíram para a segurança e eficiência de serviços ao longo do século passado”, afirma. “Mas as instituições digitais que estão emergindo já começaram a torná-las obsoletas.”

Por seis dias, este repórter se hospedou em um apartamento via Airbnb. O anfitrião foi muito correto, ofereceu o que prometia: um quarto tranquilo em um bairro bom de São Paulo, uma companhia tranquila e uma cama confortável. A experiência se localiza entre ficar na casa de um conhecido e um hotel. A convivência depende da disposição à interação. Durante a apuração para esta reportagem, foi preciso também resistir à tentação de ganhar um martelo no Doabox, site brasileiro de doações. Durante três semanas, o repórter acompanhou pessoas doando e outras ganhando objetos, que vão de álbuns de figurinhas a lanternas, entre outros. O martelo continuou lá. Ao fim de 22 dias, foi dado a outra pessoa. Mesmo assim, decidi doar uma caixa de livros.

Fonte: Alexandre Rodrigues | Valor, São Paulo, 25/7/2014

Inteligência Competitiva: Talento científico ganha espaço nas organizações

Leonardo Rodrigues/Valor / Leonardo Rodrigues/Valor

Maria Luisa Diefenthaler: é estimulante trabalhar em empresa tecnológica

Criar uma ponte entre empresas e profissionais capacitados para atuar na área de inovação é o principal objetivo do programa Inova Talentos, tocado pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL) em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A iniciativa tem conceito simples, mas atua em uma das maiores dificuldades da indústria brasileira: a seleção e capacitação de talentos com conhecimento técnico e perfil adequado para cada projeto. “Para instituir a figura do pesquisador na empresa, o CNPq financia a atuação do profissional por meio de bolsas científicas”, explica Rodrigo Teixeira, gerente-executivo de desenvolvimento empresarial do IEL.

O primeiro balanço realizado pelo IEL demonstra o interesse empresarial pelos pesquisadores. Na primeira fase do Inova Talentos, 232 projetos foram inscritos e 179 aprovados. Ao todo, 156 companhias, de todos os portes, estão executando projetos com bolsistas do CNPq, com 228 profissionais envolvidos.

Garantir que o profissional atue em inovação é um dos pilares do programa. Para receber o incentivo, a empresa tem de enviar projeto para análise – em resposta às chamadas de inovação CNPq/IEL – e mostrar que o bolsista fará contribuição relevante. As bolsas são de R$ 1,5 mil (para alunos no último ano de graduação), R$ 2,5 mil (graduados) e R$ 3 mil (para mestres titulados até três anos após o término da graduação). “Entre as exigências está o envolvimento de um tutor, que receberá treinamento para orientar o profissional e conduzir o projeto”, explica Teixeira.

Segundo ele, as empresas ainda têm dificuldade para recrutar profissionais com perfil científico e de entender a contribuição que eles podem dar para o avanço dos negócios, aumento da competitividade e diversificação de produtos e serviços. Na outra ponta, há dificuldade do pesquisador em entender o senso de urgência, a competição acirrada, o foco da inovação aplicada aos negócios e as exigências financeira de cada projeto. “Academia e empresas precisam se entender e atuar de forma sinérgica. Por isso, é importante quebrar a resistência entre as entidades, inserindo mais pesquisadores nas corporações”, comenta Teixeira.

De fato, o número de mestres e doutores atuantes nas empresas é baixo, quando comparamos o Brasil com países desenvolvidos ou em desenvolvimento. De acordo com dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apenas 26% dos pesquisadores brasileiros trabalham em empresas. Na Alemanha, o índice é de 56,7%, na Rússia 48%, na Coreia 77,4%, na China 62,1%, no Japão 74,8% e nos Estados Unidos 80%.

A resistência das empresas é quebrada no momento em que a atuação do cientista dá resultados. “A forma de estruturar o projeto, o pensamento e o processo criativo é completamente diferente. Estamos aprendendo muito com esta troca”, afirma Sandra de Oliveira, gerente de Recursos Humanos da Amêndoas do Brasil. A empresa conta com a colaboração de uma engenheira de alimentos, recrutada na Universidade Federal do Ceará, para o desenvolvimento de um produto derivado da castanha de caju. “Percebemos que o conhecimento técnico-científico reduz o tempo entre a pesquisa e o lançamento da inovação no mercado”.

A experiência está motivando a Amêndoas do Brasil a criar um setor para pesquisa e desenvolvimento. A bolsista do CNPq é a única colaboradora – entre os 560 contratados – envolvida em projeto de inovação.

Outra vantagem do Inova Talentos, lembra Teixeira, está na multidisciplinaridade do programa. “Recrutamos jovens em todos os cursos e ajudamos as empresas a complementar equipes de inovação com profissionais de diferentes perfis.” Elialber Lopes, gerente de projetos na MW8, empresa de soluções criativas para comunicação, escreveu projeto solicitando programadores da área de tecnologia da informação para desenvolver um sistema de TV corporativa. Por indicação do IEL, recebeu bolsistas formados em design. A empresa conta com um desenvolvedor de sistemas e dois designers no projeto.

Fonte: Ediane Tiago, Valor Econômico, 25/7/2014   Foto: Leonardo Rodrigues/Valor

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