Inteligência Competitiva – Sinais de Mercado: Escolas de negócios estudam o poder da música

A música, conforme diz o ditado, é o alimento do amor. Ela também pode tornar você mais criativo, mais produtivo e até mesmo ajudá-lo a conseguir um emprego melhor. Pelo menos é o que afirma uma recente pesquisa realizada por três escolas de negócios.

Acadêmicos da Kellogg School of Management, Insead e Columbia Business School foram atraídos para o assunto em razão de seu amor por esportes e seu interesse nas músicas tocadas em eventos esportivos. “Sempre demos como certo que a música é poderosa e transformadora — mas será que é mesmo?”, pergunta Derek Rucker, professor da Kellogg, que também analisa o sucesso das campanhas publicitárias veiculadas durante o Super Bowl, a final do campeonato de futebol americano. “Pode a música realmente transformar a alma?”

Em uma série de estudos, os pesquisadores pediram que os participantes assinalassem o quanto eles se sentiam poderosos, dominantes e determinados quando ouviam diferentes gêneros de música — jazz, pop, clássico, heavy metal e assim por diante. Eles também investigaram o efeito provocado sobre os participantes por uma mesma música tocada com graus variados de graves.

Quando uma música faz as pessoas se sentirem poderosas, diz Rucker, elas se sentem mais confiantes, mesmo quando elas não têm mais controle, de fato, sobre uma situação. Ele diz que a música “We Will Rock You” do grupo Queen é um exemplo de música muito poderosa. Talvez mais surpreendente seja o efeito dos graus variados de graves. “Se você aumenta os graves ou acrescenta uma linha de baixo dominante, deixa as pessoas mais confiantes”, diz.

Segundo o professor, essas constatações têm implicações para os indivíduos e as empresas. “Qual é a função da música quando o ouvinte sabe o que está fazendo, quando ele está tentando se preparar mentalmente para uma entrevista, por exemplo? Como ele pode usar a música seletivamente?”

Rucker acredita que muitas empresas estão cientes da questão e são muito criteriosas na maneira como usam a música em seus ambientes. Ele afirma que o segundo passo é descobrir se tocar certos tipos de músicas tornam as pessoas mais criativas, ou mais propensas a tomas decisões rápidas. Os pesquisadores também estão interessados nos gêneros musicais que levam a um pensamento de alto nível. A pesquisa, que será publicada na “Social Psychology and Personality Science”.

Fonte: Della Bradshaw | Financial Times/Valor, 29/08/2014 às 09h34

Mulheres têm personalidade mais criticada em avaliações de desempenho

SÃO PAULO  –  Em março deste ano, a diretora de operações do Facebook, Sheryl Sandberg, lançou uma campanha para banir a palavra “mandona” das conversas sobre jovens garotas que apresentam comportamento de liderança na infância. Ainda que voltada para meninas em idade de crescimento, Sheryl explicou sua motivação para a iniciativa destacando que mesmo mulheres em cargos altos de empresas ou governos lidam constantemente com críticas de que são “agressivas”, “difíceis” ou “ambiciosas demais”.

De acordo com uma nova pesquisa feita no setor de tecnologia, as diferenças com que homens e mulheres são avaliados por seus superiores realmente existem – e apontam que profissionais mulheres são criticadas por terem personalidade “difícil” com muito mais frequência do que seus colegas homens. Kieran Snyder, doutora em linguística pela Universidade da Pensilvânia, analisou 248 avaliações de desempenho de 180 profissionais de alta performance, todos funcionários de empresas do setor de tecnologia nos Estados Unidos. “A pergunta que eu quis responder era: o tom ou o conteúdo da avaliação varia de acordo com o gênero do profissional?”, explica a especialista em um artigo para a revista “Fortune” no qual compartilha seus resultados. Kieran trabalha atualmente na Amazon e tem passagens pela Microsoft.

Ainda que positivas, a maioria das avaliações continham feedback crítico, casos em que as profissionais mulheres eram mais propensas a recebê-lo. Esse tipo de retorno apareceu em 88% das avaliações delas, e em 59% das direcionadas aos profissionais homens. O tipo de recomendação feita também era bastante diferente: a maioria dos homens recebeu críticas construtivas relacionadas ao trabalho feito por eles, como a necessidade de desenvolver determinadas habilidades ou se aprofundar mais em detalhes.

Já as direcionadas às mulheres continham, além de recomendações relacionadas ao trabalho, críticas a personalidade das profissionais, como a necessidade de “prestar mais atenção ao tom usado” ou ser menos crítica com os outros. Esse tipo de descrição aparece apenas duas vezes entre as 83 avaliações de homens que continham feedback crítico – e em 71 das 94 avaliações de desempenho críticas recebidas por mulheres.

Kieran também analisou as palavras usadas pelos superiores ao fazerem essas críticas. “Há uma percepção comum de que mulheres no setor de tecnologia lidam com um tipo de feedback de personalidade que seus colegas homens simplesmente não recebem. Palavras como ‘mandona’, ‘abrasiva’, ‘estridente’ e ‘agressiva’ são usadas para descrever o comportamento das mulheres quando elas lideram, enquanto ‘emocional’ e ‘irracional’ surgem quando elas expressam opiniões contrárias. Todas essas palavras aparecem pelo menos duas vezes nas avaliações de desempenho de mulheres que analisei, algumas com muito mais frequência”, diz. A palavra “abrasiva” chega a ser usada 17 vezes na descrição de 13 mulheres diferentes.

Dentre todos esses termos, o único que aparece nas avaliações de homens é “agressivo”, usado apenas três vezes – sendo que em duas delas, a recomendação é para que o profissional seja mais agressivo no trabalho.

A especialista também observou se o gênero do chefe dando o feedback influenciava no tom das avaliações, e viu que esse tipo de crítica era feita tanto por superiores homens quanto por mulheres. Para Kieran, o fato exige atenção tanto de gestores quanto de departamentos de recursos humanos nas empresas do setor. “Como alguém que já foi chamada de palavras desse tipo, há alguma validação em comprovar com dados que esse padrão é real. Mas como gestora, fico horrorizada que deixamos algo tão significativo passar tão perto dos nossos narizes”, diz.

Fonte: Letícia Arcoverde | Valor, 29/08/2014 às 11h44

Design: Embalagens que ajudam a vender

A fabricante de massas Pranic Gourmet não queria entrar no mercado como mais uma embalagem de macarrão. Preferiu uma roupagem condizente com sua filosofia de só trabalhar com produtos orgânicos e sob a bandeira da sustentabilidade. Não por acaso, as embalagens recicláveis da Pranic remetem a um plantio livre de agrotóxicos. Já a Doces São Lourenço, de olho nas classes A e B, optou por embalagens que combinam um toque de refinamento com o “jeito” caseiro de uma vovó.

As duas empresas investiram no design de suas embalagens, um item pouco valorizado pelos pequenos empresários, mas que vem fazendo a diferença. A primeira entrou pela porta da frente dos dois maiores supermercados de Belo Horizonte e virou a queridinha na área de massas orgânicas. A São Lourenço diz que ainda é cedo para avaliar, mas afirma que “aumentou, e muito, sua visibilidade no mercado”.

“Hoje nossos produtos estão em duas grandes redes supermercadistas, a Super Nosso e a Verde Mar. Fabricamos seis pratos congelados e o carro chefe são canelone de abobrinha e o hambúrguer de grão de bico e quinoa. Juntos, eles respondem por 45% do faturamento”, diz Katia Lana Cunha, sócia da Pranic Gourmet, que trabalha com onze colaboradores. A chave do sucesso, além da “comida saborosa”, a empresária atribui à criatividade das embalagens. O primeiro projeto, diz Katia, foi desenhado praticamente a quatro mãos.

“Procurei uma empresa para desenvolver uma embalagem que tivesse a identidade da empresa. A estampa faz uma alusão ao homem que não polui a terra e que não destrói os mananciais de água. Na nova embalagem há o desenho de uma mão ao lado de vários legumes”, diz.

A empresa parceira na nova cara da Pranic é a Obah Design, que além de criar e atuar como consultora, acaba de lançar um projeto exclusivo para os micro e pequenos empresários. O projeto, batizado de Pompe, permite que o pequeno empresário tenha acesso a um design próprio, agregando mais valor à sua marca e ganhando visibilidade no mercado. “O programa facilita o acesso das micro e pequenas empresas ao design. Com uma metodologia que engloba gestão estratégica, criatividade, otimização de processos e investimentos em soluções, o Pompe parcela o pagamento dos projetos”, diz Antônio Eduardo Gomes Pereira, diretor da Obah, instalada na capital mineira.

A Pranic está entre as empresas que se beneficiaram do programa. “O primeiro projeto, para os cinco primeiros produtos, foi parcelado em quatro pagamentos. Hoje já estamos no terceiro projeto e o negócio deu tão certo que vamos pagar à vista e com desconto”, afirma.

Gomes Pereira diz que a Obah tem uma visão diferenciada do mercado. “Prestamos consultoria às empresas além de desenvolver as embalagens. No caso da Doces de Leite São Lourenço percebemos que as embalagens não tinham comunicação integrada, um produto não conversava com outro, então criamos um padrão”, diz. “A embalagem precisa corresponder àquilo que o cliente quer comunicar e àquilo que o consumidor gostaria de ver. Então fazemos pesquisa de mercado para saber o que deve ser comunicado, propomos ao cliente e decidimos em conjunto”, diz.

A estratégia da Obah de criar o Pompe está rendendo bons dividendos à empresa que, de uma carteira de 150 clientes, metade tem o perfil de pequena e micro empresa (PMEs). A meta é elevar a participação das pequenas e médias para 60% no próximo ano. “Como as PMEs não têm recursos para fazer apresentação em pontos de vendas, revistas e tampouco publicidade, transformamos a embalagem em um meio de comunicação”, diz.

Outra prática da Obah é expor as embalagens desenvolvidas para a sua clientela nas feiras. “Estamos investindo R$ 400 mil este ano no departamento comercial e ampliando nossa participação nas feiras”, diz.

Estudos feitos pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que 75% das empresas que investiram em design de suas embalagens registraram aumentos nas vendas. Outras 41% também conseguiram reduzir os custos de produção. O levantamento mostra ainda que, entre produtos semelhantes, o consumidor acaba por preferir o que possui a embalagem mais atraente e se sente atraído a provar uma marca nova.

Wagner João Soares Mancilha Junior, diretor da Doces São Lourenço, não tem mais dúvidas sobre o poder da embalagem. Há 32 anos no mercado, a companhia, localizada em São Lourenço (MG), resolveu mudar seu “guarda roupa”. “Há três meses, aproveitamos para mudar todo visual quando lançamos um produto bastante diferenciado no mercado, o doce de nata. Nossos layouts eram ultrapassados e conservadores. Com a nova roupagem, queremos conquistar mais clientes das classes A e B, chamando a atenção para a qualidade do produto”, diz Mancilha Junior. Mesmo achando que ainda é prematuro fazer previsões, o empresário afirma que “a Doces São Lourenço já aumentou a sua visibilidade no mercado e a projeção é elevar o volume de vendas em até 30% nos próximos dois anos. As pessoas já estão elogiando o novo layout e esse é um excelente termômetro”, afirma.

Fonte: Rosangela Capozoli | Para o Valor, de São Paulo, 29/8/2014

Design: Fornecedores ficam mais competitivos

Divulgação

Édla Pavan: design já é visto na empresa como um conjunto de melhorias contínuas e atributos de marca. Foto: Divulgação

O setor de máquinas e equipamentos é um dos que estão ganhando diferenciação, capacidade de inovação e maior competitividade graças a investimentos em design. A produtora de equipamentos para sorvetes e chocolates Finamac criou um novo equipamento para a produção de picolés destinado ao mercado americano, esteticamente enriquecido para ficar exposto nas lojas. A Fresnomaq, responsável pela marca Wap, contou com ajuda do Design Export para reduzir custos com treinamento e serviços de manutenção no mercado externo. A Perenne, empresa de engenharia e fabricante de máquinas, equipamentos e prestação de serviços de tratamento de água e de efluentes para sistemas industriais e de abastecimento público, desenvolveu uma nova estação compacta, que pode reduzir a conta de água de empreendimentos como shopping centers e indústrias.

O potencial do setor levou a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) a adotar o tema “O design como diferencial competitivo” na edição 2013 do Inova. O evento é composto por rodadas de palestras com foco em inovação e apresentou cases de sucesso para ressaltar a importância do olhar criativo do design na competitividade da indústria de bens de capital.

A Finamac foi por esse caminho e aposta no design para distanciar os equipamentos do conceito de máquina, puramente mecânica e até um pouco suja, como descreve o empresário Marino Arpino. Ele gosta de ver o que fabrica como “equipamento gerador de coisas gostosas”.

A tendências das gelaterias italianas, que valoriza a exposição do produto final, antes fechado em freezers, inspirou o projeto.

O novo equipamento deve atender os requisitos técnicos e sanitários americanos para certificação e aprovação pelas autoridades técnicas e sanitárias, mas deve carregar também charme suficiente para atrair o consumidor final atrás da vitrine, já que a sorveteria deixa de ser um lugar para vender o sorvete e passa a ter a própria produção como atrativo.

Para chegar mais atraente aos EUA, a máquina ganhou nova mistura de materiais e formato mais arredondado. “Já notamos que o visual melhor é fator decisório na compra”, diz Arpino, que começou a exportar há 15 anos e hoje destina metade das vendas externas para os EUA. As exportações representam metade do faturamento de R$ 10 milhões em 2014 e em outubro a Finamac inaugura show room em Fort Lauderdale, Miami.

Até recentemente, a empresa, detentora de mais de 40 patentes, investia só em design interno. A maestria no uso de softwares especializados chegou a tal ponto que deu origem à escola Alpha Channel, especializada em computação gráfica. O apoio da Apex-Brasil estimulou a contratação do escritório Domus Design para o projeto da picoleteira. Outro projeto em gestação tem subsidio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para o desenvolvimento de um equipamento com funcionalidade inédita: decoração automatizada do produto disposto nas vitrines.

A Fresnomaq, por sua vez, recorreu ao Design Export para financiar um conjunto de aplicações destinadas a treinamento e serviços de pós-venda para sua rede de distribuição no exterior. Para a diretora comercial Édla Pavan, o design, com serviços internos e externos, já é visto na empresa como um conjunto de melhorias contínuas e atributos de marca para produtos e serviços. Agora, vai ajudar a resolver o desafio de alinhar distribuidores e clientes nos países da América do Sul onde a Fresnomaq tem a representação da marca Wap.

A questão é que o desenvolvimento de um processo de exportação carrega um conjunto de serviços a ser prestado ao distribuidor, como treinamento e suporte técnico, que exige custoso deslocamento de profissionais e estava inviabilizando o crescimento das exportações. “O Design Export caiu como uma luva para desenvolvermos uma ferramenta on-line prática e amigável”, diz Édla.

Além de informações e perguntas frequentes, o aplicativo que vai ao ar em outubro oferece contato com o suporte via site, e-mail e Skype. O custo somou R$ 32 mil, sendo R$ 18 mil da Apex-Brasil, e a perspectiva é que até 2016 a participação das exportações chegue até a 10% do total das vendas – hoje fica em torno de 3%.

Já a Perenne buscou o design para encontrar abordagem mais simpática para estações de tratamento de esgoto, que tradicionalmente exigem obras civis.

Com recursos do Finep, desenvolveu um protótipo que está instalado no Senai de São Bernardo do Campo (SP), um módulo com capacidade de tratar o esgoto e recuperar a qualidade de água que ocupa espaço equivalente a duas vagas de estacionamento, não emite odor e não precisa ficar “escondido” nos fundos de empreendimentos. O projeto da Questto Nó ganhou prêmios internacionais e deve atender a tendência de reúso da água para gerar energia e refrigeração.

Fonte: Martha Funke | Valor, São Paulo, 29/8/2014

Design: Inovação impulsiona venda no exterior

A fabricante de produtos para pets Globalflex enfrentava a concorrência de itens chineses e indianos sem grande preocupação. No mercado nacional, ficou fora da briga por preços baixos apostando no desenvolvimento próprio e no “abrasileiramento” de tendências inovadoras exibidas em feiras no exterior. Mas o cenário mudou quando passou a exportar, há cerca de três anos. “Percebemos a necessidade de inovar para ganhar diferenciação no mercado externo”, diz o empresário Antonio Rodriguez.

A mesma ideia de investir em design para ganhar competitividade internacional e inovação levou à criação do programa Design Export, pela Apex-Brasil. Foi por meio do programa que Rodriguez viabilizou a criação de uma casinha para transporte de pets com dupla função, sem similar no mundo, que chega ao mercado até 2015. A novidade deve ajudar a triplicar a participação das exportações nas vendas, hoje em torno de 3%. A Globalflex estima investimento total de R$ 450 mil no novo produto. “Era para ser só um design, mas acabou sendo uma inovação”, diz Rodriguez, que agora busca linhas de financiamento para desenvolvimento industrial.

O exemplo espelha o sucesso do programa, nascido no ano passado e coordenado pelo Centro Brasil Design (CBD), de Curitiba (PR) com foco em setores considerados mais críticos – moveleiro, têxtil e confecção, pet, calçados, máquinas e equipamentos, mel, produtos médicos e odontológicos e iluminação. Os resultados fizeram o Design Export incluir neste ano novos segmentos e ganhar versões específicas para o mercado nordestino e para grandes empresas.

Atualmente, o programa abrange também máquinas para panificação, plásticos e produtos para refrigeração. Entidades setoriais parceiras da Apex-Brasil indicaram empresas qualificadas para receber apoio à contratação de serviços de design, selecionados entre os 140 escritórios pré-qualificados. Cada empresa recebe R$ 18 mil para bancar o projeto e orientação em todas as etapas do processo.

“O número de produtos novos surpreendeu”, diz o gerente de inovação e design da Apex-Brasil, Marco Lobo, que contabiliza investimento total de R$ 6 milhões e retorno de R$ 5 para cada R$ 1 desembolsado. Do total, 42% das empresas são de micro e pequeno porte. “O Design Brasil é um dos poucos programas que nasceu voltado às pequenas e agora ganha versão para as grandes.”

Os resultados são animadores. Das cem empresas atendidas em nove Estados, 94 já passaram pelo processo de diagnóstico, com 42 projetos de inovação em curso. “A metodologia tem caráter didático e foco em levar o entendimento do que é o design para dentro das empresas”, acrescenta Leticia Castro, diretora executiva do CBD, destacando a disposição até de setores mais conservadores para inovação, como máquinas e equipamentos, iluminação e médico-odontológico.

A Ibramed, de Campinas (SP), representa este último. Fabrica equipamentos para as áreas de reabilitação física, estética e medicina estética, exporta há cerca de oito anos para 40 países e agora investe em desenvolvimento de uma máquina específica para o mercado externo, que exige associação de tecnologias diferentes em um mesmo gabinete. “Aqui a mobilidade é importante, atende-se mais a domicílio”, detalha a fisioterapeuta Aline Stringhetta. A nova linha desenvolvida pela Design Inverso é mais robusta, tem display maior e sistema de retirada de módulos para manutenção pela parte traseira, mantendo as demais funções em operação.

Inovação também é o foco da mineira Kanzo, confecção de Iturama que inventou em 2012 o sistema Moovexx de construção de cós com elástico sem expor o enrugamento do tecido que já deu origem a duas patentes. Além de selecionada pelo Senai em edital de inovação, a Kanzo entrou no Design Export antes mesmo de chegar ao mercado externo, interessada na criação de um expositor para ponto de venda que retrate o conceito de forma interativa. A novidade foi assinada pela Chellis & Raiayshi e chega ao mercado no início de 2015. “Vamos começar a exportar em um ano e meio”, diz a fundadora Renata Iwamizu.

Mais um projeto diferenciado foi criado não para uma empresa, mas para uma associação – neste caso, a Associação Brasileira das Empresas Exportadoras de Mel (Abemel). Além de uma logomarca, foram desenvolvidas embalagens diferenciadas para exportar o produto envasado e não só a granel. Segundo Manuel Müller, do escritório Müller Camacho, sacadas como maximização da capacidade do equipamento do fabricante de embalagem e a possibilidade de ganhar escala com compras coletivas permitem reduzir em até 27% o valor dos potes, inspirados no desenho octogonal das colmeias. “Mas ainda há timidez por parte de pequenas e médias empresas em assumir este tipo de projeto”, diz. “É como se faltasse autoconfiança, como se fosse muita areia para o caminhãozinho dele.”

Outro fruto dos esforços voltados à exportação foi o Diagnóstico do Design Brasileiro, lançado no mês passado pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O estudo traçou um panorama geral da disciplina no país, mapeando agentes, instituições e sua inserção no segmento industrial e de serviços. Segundo a coordenadora-geral Beatriz Martins Carneiro, em 2013 haviam 686 escritórios formais de design no Brasil, contemplando 4,2 mil postos de trabalho.

Fonte: Martha Funke | Valor, São Paulo, 29/8/2014

 

Foco no design

A criação de programas de incentivo começa a estimular a adoção do design como base para o diferencial competitivo da indústria nacional. O cenário ainda é tímido, principalmente junto às pequenas e médias empresas, mas já apresenta avanços graças a iniciativas de instituições como Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e rede S, incluindo o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e Sebrae.

A inserção do design no portfólio do BNDES foi decorrente do estímulo à inovação. Principal instrumento do banco destinado ao segmento de pequenas e médias, o cartão BNDES incluiu o pagamento de serviços ligados à inovação em 2009, como tecnologia, prototipagem e certificação de produtos, mas apenas para entidades sem fins lucrativos ou de cunho público. No ano seguinte, agregou escritórios privados e, de lá para cá, reuniu 47 fornecedores credenciados, 101 operações de design de produto e embalagem e R$ 2,5 milhões financiados.

Em 2013 o banco aumentou o foco no setor. Em janeiro, o cartão passou a financiar também a compra de embalagens prontas e já contabiliza 270 fornecedores, com 686 operações somando quase R$ 10 milhões. Também passou a credenciar Agentes da Propriedade Intelectual (APIs) para serviços de pedidos de registro junto ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI).

Até julho, foram 46 operações contratadas, no valor de R$ 197,8 mil. No fim do ano, o BNDES deu um passo mais largo com a criação do Prodesign, programa lançado em setembro com orçamento de R$ 500 milhões até 2015 para pesquisas, desenvolvimento e aperfeiçoamento de produtos, embalagens, desenho industrial e design de moda, entre outros.

“Faltava uma solução para operações diretas com foco no design como atividade que injeta inteligência para o negócio”, detalha o gerente de estudos setoriais do departamento de bens de consumo, comércio e serviços do BNDES, Job Rodrigues. O programa é direcionado a empresas com faturamento superior a R$ 50 milhões, de segmentos como têxtil e confecções, calçadista, moveleiro e de revestimentos cerâmicos, entre outros. Mas até agora contempla principalmente empresas de maior porte, com destaque para o setor de moda. “Há forte intersecção com o cartão. O que fica de fora é folha de pagamento”, justifica Rodrigues.

As operações aprovadas ou contratadas via Prodesign já somam R$ 20,1 milhões. Mais R$ 99,4 milhões referem-se a operações enquadradas ou em análise e R$ 262 milhões àquelas em perspectiva ou em consulta.

O uso do cartão BNDES para contratação dos serviços de design, por sua vez, é liderado pelas indústrias de alimentos e de equipamentos médicos, com participações de 18% e 11%, respectivamente. Em cada quatro contratações, três são destinadas a design de produtos e uma a design de embalagens. A aquisição de embalagens prontas é feita principalmente pelos ramos de alimentos e bebidas e os itens mais procurados são caixas e engradados (29%) e estrados e pallets (14%).

Segundo o gerente de produto do departamento de operações de internet/cartão BNDES, Rodrigo Tomassini, as metas com os novos itens são estimular a maior competitividade dos produtos brasileiros e a visibilidade das empresas de menor porte como clientes para serviços de design. “Uma das dificuldades é definir critérios para cadastramento dos fornecedores”, diz. No caso dos escritórios de design, são necessários pelo menos dois anos de existência, atividade econômica específica e portfólio consistente de serviços realizados.

Para os fornecedores, as iniciativas podem ajudar a convencer clientes renitentes e adensar uma cadeia formada por cerca de 700 escritórios de design, segundo estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). Marcos Rocha, da Design Connection, de São Bernardo do Campo (SP), já atendeu diversos clientes por meio do cartão BNDES. “É um tremendo negócio”, resume. O cartão já foi usado em projetos como o desenvolvimento de lavadoras de grandes veículos com redução de impacto ambiental para a Alfamec e de equipamentos médicos para empresas como Opto e MMO, de São Carlos (SP).

Na Design Inverso, de Joinville (SC), mais de uma dezena de projetos foram pagos com o cartão BNDES. O escritório, criado em 2000, hoje mantém 32 profissionais e faturamento próximo de R$ 3 milhões, segundo o diretor Marcos Febben. Ele observa que, pelo menos na região Sul, metade das empresas que investem em design e inovação o fazem com capital próprio, mas o BNDES é a instituição mais lembrada em associação a design.

A informação faz parte do estudo que será apresentado em 2015 Bienal Brasileira de Design, em Santa Catarina. “Até a Lei do Bem pode incluir design no projeto de inovação.”

No paulistano Questto Nó, que tem 26 profissionais e plano de chegar a R$ 5 milhões de faturamento este ano, o cartão é um dos incentivos mais utilizados, segundo o sócio Levi Girardi. Outros instrumentos incluem o edital de inovação do Senai e o programa Design Export, da Apex-Brasil. De acordo com Sheila Brabo, diretora do Senai São Paulo Design, a instituição conta com uma equipe de dez profissionais atendimento nas 91 escolas do sistema no Estado que mantinham parceria com o Sebrae por meio do programa Sebraetec, responsável por financiamento de 80% do valor dos projetos – a linha foi fechada no começo do ano. No ano passado, foram 172 atendimentos. Em 2014, chegam a 78, pagos pelas empresas.

Fonte: Martha Funke | Valor, São Paulo, 29/8/2014

Inteligência Competitiva Empresas: Comunicação tem papel mais amplo na Rede Globo

Leo Pinheiro/Valor

Valente: “A relação que temos de ‘conversar’ com o nosso público é o eixo da transformação”

“Estamos vivendo uma redefinição de tudo. Vivemos um momento completamente novo na humanidade. Há novos conceitos de saúde, de longevidade, de interação social, de absorção de mídia, de consumo, de informação. Quem entender bem esse momento estará muito mais preparado para vivenciar o que vem pela frente”, diz Sergio Valente, diretor da Central de Comunicação da Rede Globo. Essa agenda contemporânea, com uma busca constante da sociedade por informação, com o consumidor interagindo de forma intensa e atento à qualidade de vida, tem destaque na estratégia de comunicação da maior rede de televisão do país.

Há um entendimento dos acionistas, a família Marinho, e do diretor-geral, Carlos Henrique Schroder, de dar à comunicação um papel mais amplo dentro da Globo. “Faz parte do compromisso como empresa, como marca, ser melhor como produto e sua relação com a sociedade”, afirma Valente.

“A relação que temos de ‘conversar’ com o nosso público é o eixo da transformação. E produzir conteúdo para todos é uma forma de se relacionar com o público. Schroder diz que o entendimento multiplataforma é produzir para além da grade [da programação da televisão]. É importante compreender a ótica do consumidor em mutação e interagir de forma mais intensa”, diz.

Baiano, 50 anos, com formação em engenharia e administração de empresas, Valente migrou muito cedo para a publicidade. Comandava a agência DM9DDB quando foi convidado há cerca de um ano e meio para dirigir a área de comunicação da Rede Globo. Foi seduzido pela proposta de “tratar da comunicação dentro de uma empresa de comunicação” indo “além do suporte aos produtos e entendendo a comunicação como um diferencial na construção de valor na empresa”. E em um movimento aliado ao foco no social. “É tudo que pode atrair um publicitário.”

A agenda social já está e estará cada vez mais na tela da Globo – seja a da televisão como as novas plataformas. Uma das novidades é o programa “O Que Será?” Apresentado por Sandra Annenberg, a atração nasceu de uma parceria das áreas de jornalismo e de responsabilidade social da Globo, com apoio da Fundação Roberto Marinho.

O programa é exibido às 6 horas dos sábados, ingredientes que poderiam prejudicar o sucesso. No ar desde o dia 8, no entanto, já conquistou audiência das mais diferentes idades e classes sociais espalhadas por todo o país. A proposta é de compartilhar com o público, de forma interativa, experiências transformadoras, exemplos de cidadania.

Trata de maneira simples e didática temas como educação, ecologia, mobilização social, trabalho e inovação. Une em nova roupagem “Globo Ciência”, “Globo Ecologia”, “Globo Educação”, “Globo Universidade”. “O Que Será?” traz a série “Meu Professor É o Cara”, que mostra docentes inovadores que garantem a presença dos alunos nas salas de aula, uma contribuição para um país com alta evasão escolar. Na área de ciência, “O Que Será?” já mostrou como funcionam os chips, o pagamento eletrônico acessível a pequenos negócios, grandes cientistas. Um deles foi Humphry Davy, descobridor de propriedades anestésicas.

O foco social, entretanto, não é novidade na programação da Globo. O “Criança Esperança” é realizado há 29 anos. A partida foi dada no dia 16 e termina neste domingo, embora as doações continuem pelo site e loterias. A proposta foi dedicar um mês de programação para divulgar a causa dos direitos humanos e do voluntariado. Já foram doados, até o fechamento desta edição, mais de R$ 12 milhões.

Neste domingo, cerca de 30 atletas e atores voltam à tela da Globo no “Mesão da Esperança” para fechar o atendimento, ao vivo, de ligações de doadores. Serão seis entradas na programação – na transmissão do Brasileirão 2014, no “Domingão do Faustão” e no “Fantástico” – que serão ancoradas por atores.

O programa pioneiro na área de educação na Globo é o “Telecurso”. No ar há 36 anos, é um projeto de videoaulas “revolucionário”, observa Valente: “Além do compromisso social, entendeu que as pessoas bem instruídas geram um país melhor. Continua sendo a proposta. Não é melhor estar numa grande empresa, num país melhor e maior?”

Para ele, responsabilidade social deveria ser chamada de investimento social, além de uma visão filantrópica. “Ao se buscar uma sociedade mais justa, temos uma sociedade mais inteligente que consome mais e melhor. Por que não pensar também em investimento social? Investimento pressupõe resultado e, para isso, basta olhar a Bolsa de Valores de Nova York. Lá, empresas que têm compromisso social são as mais valorizadas proporcionalmente ao seu universo de atuação. E são as mais bem avaliadas. É um investimento social que está dando retorno”, completa Valente.

Fonte: Heloisa Magalhães | Valor, Rio, 29/08/2014 às 05h00. Foto: Leo Pinheiro/Valor

Pesquisa on-line é caminho sem volta

Há pouco menos de cinco anos, pensar em fazer uma pesquisa de mercado com abrangência nacional era um evento oneroso para as empresas. Além do custo elevado, a empreitada tinha de considerar, por exemplo, o tempo de campo ocupado pelos pesquisadores, a tabulação dos dados para, só então, analisar os resultados e colocar a mão na massa. Com a expansão da internet, a tarefa tornou-se mais fácil e ágil. Em poucas horas o fabricante consegue saber, por exemplo, se a maioria dos consumidores prefere eletrodomésticos brancos ou coloridos, ou se o brasileiro está disposto a pagar mais por um produto ecologicamente correto, entre milhares de outras possibilidades.

Foi na Europa e nos Estados Unidos que as pesquisas on-line começaram a ganhar espaço há cerca de uma década. Conquistaram a preferência das empresas e, hoje, já recebem 35% de tudo o que é gasto com pesquisa no mundo, segundo a European Society for Opinion and Market Research (Esomar). “O mercado vive um momento de consolidação na Europa e nos Estados Unidos, enquanto no Brasil ainda é muito novo”, afirma Bruno Baro, sócio da NetQuest, startup de origem espanhola, com escritórios instalados em oito países e uma subsidiária no Brasil. Realiza uma média de dois mil estudos por ano, com mais de 3 milhões de entrevistas.

A NetQuest Brasil foi aberta em 2010, quando quase ninguém apostava no modelo de negócio por aqui. “Nosso grande desafio foi, e ainda é, convencer o cliente de que é possível fazer pesquisa com dados reais, mesmo sem a figura do pesquisador”, diz Baro. “Muitos dos nossos clientes acreditavam que a maioria das pessoas poderia mentir diante do computador.”

Quebrar paradigmas continua sendo o grande desafio dos empreendedores que apostam nesta ferramenta, segundo informa Duílio Novaes, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa (Abep). “Tudo ainda é muito novo, porém, não terá mais volta. As empresas tradicionais terão de se adaptar e adotar a tecnologia para manter suas participações no mercado”, adverte. “A pesquisa convencional, entretanto, não irá acabar. Isso ocorre porque algumas das avaliações, tais como sabores, cheiros e test drive ainda exigem o olho no olho”. Atualmente, mais de 30% das pesquisas realizadas na Europa e Estados Unidos são online. No Brasil, segundo Novaes, esse percentual não ultrapassa os 4%, tendo muito a crescer em um futuro próximo.

Foi de olho nesse crescimento e no farto banco de pessoas dos mais variados perfis que havia armazenado quando monitorava informações para os sites de e-commerce, que a empresária Daniela Daud Malouf decidiu transformar a QualiBest, empresa especializada em pesquisa de mercado, em um instituto de pesquisa on-line. O ano de 2008 marcou a virada, caracterizando a empresa como uma das pioneiras de um mercado que naquela ocasião era nascente. Desde, então, soma mais de 250 mil usuários cadastrados em todo o país, interessados em compartilhar opiniões e a ajudar a melhorar os produtos e serviços.

A QualiBest já realizou mais de 2.500 estudos, para uma carteira de cerca de 400 clientes corporativos, de pequenas empresas a multinacionais. “Nos últimos seis anos, não paramos de desenvolver ferramentas e tecnologias que ajudassem a agilizar as informações e a segmentar o público-alvo de cada um dos mercados estudados”, afirma Daniela. “Assim, conseguimos oferecer não apenas pesquisas sob-medida para as empresas. Também fazemos levantamentos sobre determinados nichos, atendendo pedidos até mesmo dos próprios institutos de pesquisa.”

Com um faturamento estimado de R$ 4 milhões este ano, a QualiBest deu um passo à frente aos modelos tradicionais de pesquisa. Para atrair mais respondentes, a empresa usa várias metodologias que englobam desde a publicação de posts dentro dos grupos selecionados para determinado painel até introdução de filmes, realização de tarefas e o uso de recursos multimídias que permitem a simulação de uma gôndola de supermercado, onde os produtos podem ser observados por todos os lados. “A evolução da pesquisa online é montar painéis especiais para os clientes”, diz Daniela. “Realizamos um sobre o tema ‘caspa’ para a indústria da beleza, levamos seis meses conversando com as pessoas em formato de diário. Não há mais barreiras, a ordem é ser criativo na hora de lidar e apresentar o conteúdo ao cliente”.

No caso da QualiBest os respondentes constituem uma rede fechada, onde cada membro entra por indicação. Na maioria das agências de pesquisa on-line, contudo, o banco de respondentes é criado a partir do cadastramento voluntário. “O respondente precisa ser atraído para responder a qualquer pergunta de maneira ágil e eficiente”, afirma Lucas de Melo, sócio da MeSeems, startup de pesquisa online, aberta em abril. “Nós adotamos a técnica da ‘gamificação’ com bonificação. Quanto mais interações, indicações de amigos, respostas e feedbacks ele nos dá, mais pontos acumula”, diz o empresário. “Os pontos são convertidos em prêmios como recarga de celular, entrada de cinema e até doações para algumas entidades assistenciais”.

Se por um lado é preciso compensar os participantes, por outro, os contratantes conseguem obter resultados muito rápidos de regiões muito específicas ou do país como um todo. “Essa talvez seja a grande vantagem de se optar por uma pesquisa online”, avalia Felipe Schepers, COO da Opinion Box, startup mineira, resultado da associação entre a Expertise, empresa de pesquisa e inteligência de mercado, e a Pentagrama, focada em tecnologia da informação. Segundo ele, a média de entrega dos resultados é de 48 horas, a preços que começam a R$ 4 por entrevista.

Batizado de Heap Up, o painel online da Opinion Box entrou em operação em 2012. A ferramenta foi utilizada nos primeiros 15 meses em mais de 150 projetos, com um total de 230 mil entrevistas, 110 mil respondentes e 400 clientes em carteira. O grande diferencial, segundo Schepers, é a integração da plataforma de criação das questões com a de respostas dos participantes, permitindo que os usuários acompanhem os resultados em tempo real. Com um faturamento estimado de R$ 1,6 milhão para este ano, a start up lançou em junho aplicativos para IPad, IPhone e Androide, a fim de que as pessoas possam responder às pesquisas a qualquer hora e de qualquer lugar.

Fonte: Katia Simões | Valor, São Paulo, 29/8/2014

Inteligência Competitiva Tecnológica – Entrevista: Kenneth Herd, Centro de Pesquisas Globais da GE

Inauguração da Pedra Fundamental do Centro de Tecnologia da GE no Brasil, localizado na Ilha do Fundão, Rio de Janeiro.

Convidado para debater o tema central do XXIV Seminário Nacional – “Fronteiras do empreendedorismo inovador: novas conexões para resultados” –, o gerente geral do Centro de Pesquisas Globais da General Eletric (GE), Kenneth Herd, apresentará aos participantes o trabalho que a companhia vem realizando em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro. A GE escolheu o Brasil para receber o quinto Centro de Pesquisas Global, instalado na Ilha do Fundão, na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em entrevista concedida para a edição 71 da revista Locus, o engenheiro, que está na GE desde 1983, falou um pouco sobre a escolha do Brasil e sobre as perspectivas de trabalho no Centro. Na primeira sessão plenária, que será realizada no dia 24 de setembro, quarta-feira, às 9h, Herd falará mais sobre a experiência e a fronteira da parceria entre instituições públicas e privadas.

Por que o Brasil foi o país escolhido para receber o quinto Centro de Pesquisas Global?

A escolha do Brasil dentre os mais de cem países em que a GE está presente levou em conta diversos aspectos, como a estabilidade da economia local, o potencial de desenvolvimento do país, a qualificação da mão de obra brasileira, as oportunidades de negócios em infraestrutura, o potencial de crescimento, a maturidade dos negócios da GE no país e o relacionamento com clientes, entre outros. Com o Centro de Pesquisas no Brasil, a GE direciona a pesquisa e o desenvolvimento de novas tecnologias, principalmente para atender às demandas locais em infraestrutura e colaborar para suprir as necessidades e os desafios locais.

A GE optou por iniciar as atividades do Centro no Parque Tecnológico do Rio. Que fatores contribuíram para essa escolha?

O Centro de Pesquisas Global da GE está sendo construído no Distrito Verde, na Ilha do Fundão. Até que as obras do projeto sejam finalizadas, em 2014, os cientistas da GE estarão trabalhando provisoriamente no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro [UFRJ], por meio de uma parceria com a instituição. A cidade do Rio de Janeiro foi escolhida como sede do Centro de Pesquisas com base em critérios fundamentais como logística, mão de obra especializada e proximidade a universidades e clientes. A parceria com a UFRJ é importante também por permitir o intercâmbio tecnológico e a realização de palestras da GE para aproximar os alunos das atividades do Centro de Pesquisas Global. Desde o segundo semestre de 2011, a GE realiza roadshows nas principais universidades do país em busca de parcerias e de intercâmbio de conhecimento e de tecnologia. Esse tipo de parceria traz benefícios para ambas as partes, uma vez que leva para o ambiente acadêmico pesquisas que podem se tornar soluções e tecnologias comerciais; e os pesquisadores da GE ganham espaço de ponta para conduzir seu trabalho.

De que forma pequenas e micro empresas inovadoras, poderiam atuar em conjunto com a GE e cooperar com os projetos desenvolvidos no Centro de Pesquisas?

O Centro de Pesquisas Global da GE no Brasil conta com investimento de R$ 500 milhões para sua construção e início das pesquisas pelos primeiros cinco anos. Qualquer empresa que deseja atuação conjunta pode nos procurar. A GE escolheu o Brasil por saber que o país precisa transpor seus desafios e acredita que a inovação é um dos caminhos para resolver as necessidades locais. O Centro de Pesquisas instalado na Ilha do Fundão tem modelo de atuação diferente dos demais centros da GE no resto do mundo, por contar com profissionais focados em entender as necessidades dos clientes da GE no país, divididos em centros de excelência para pesquisar e desenvolver soluções aplicadas a essas necessidades.

Fonte: website Seminário Nacional 

A GE mantém Centros de Pesquisa em países com diferentes políticas e mecanismos de apoio à inovação. Como o senhor analisa o atual sistema de inovação brasileiro em relação aos existentes nos outros países que contam com esses centros?

A GE entende que o Brasil tem potencial para se transformar num polo das exportações de “inovação reversa”, o que significa que a alta tecnologia desenvolvida aqui, para resolver os desafios locais, pode ser exportada para outros países com o mesmo tipo de necessidade, incluindo os já desenvolvidos. Um bom exemplo de inovação reversa é a geração de energia elétrica em escala comercial a partir do etanol de cana-de-açúcar. Esse pequeno recorte é um indício do potencial do país, que nos últimos anos conquistou investimentos de diferentes empresas para a criação de centros de pesquisas que vão desenvolver inovação em solo nacional, produzindo soluções para as necessidades locais. Cada vez mais, o Brasil tem buscado aprimorar sua posição em relação à inovação. Prova disso é o pacote de R$ 30 bilhões em crédito subsidiado para investimentos em inovação, anunciado recentemente pela presidente Dilma Rousseff.

Inteligência Competitiva: Pesquisa de Mercado para Micros, Pequenas e Médias Empresas na Prática no Brasil

SÃO PAULO – Consideradas como um dos principais motores econômicos do país, as micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) ainda se deparam com alguns obstáculos que as distanciam do universo das grandes empresas. Dentro de um segmento em constante crescimento e uma acirrada disputa entre concorrentes, as MPMEs estão mais sujeitas às turbulências do mercado e contam com menos armas para planejar o futuro. Mas, há muito mais possibilidades para estas empresas do que a maioria delas imagina.

Um pensamento muito recorrente às MPMEs é que  a maior parte das médias empresas crê que não poder dispor do valor necessário para investir em uma pesquisa que pudesse auxiliá-la a, por exemplo, melhorar seu desempenho e/ou, principalmente, um estudo que indique os melhores caminhos para fortalecer a marca. Entretanto, é preciso entender que, mais do que nas grandes empresas, o monitoramento da performance da marca é um dos motores que as pequena podem utilizar para incrementar seu desenvolvimento, uma vez que a concorrência produtos é acirrada.

Estudos que posicionem a marca e mapeiem a posição da empresa entre seus principais concorrentes, indicando os nichos ainda pouco explorados são fundamentais para que as áreas comercial, de marketing e de comunicação possam desempenhar suas funções com excelência. Para além destes, todas as pesquisas e ações de comunicação interna são vitais para que a empresa possa crescer e ser capaz de atrair e reter talentos especialmente talhados para a função de co-empreendedores, construindo seu futuro exército de porta-vozes.

Novas ferramentas

As pesquisas de mercado, em seus diferentes gêneros e áreas, são ferramentas essenciais para que as empresas possam investir em novos nichos, ampliar seus negócios, mapear concorrentes, enxugar custos, conhecer clientes e executar seus serviços com excelência. São diversas as áreas que podem ser exploradas pela pesquisa. As mais comuns concentram-se em dimensionamento e potencial de mercado; avaliação de perfil, hábitos e atitudes do consumidor e avaliação e desenvolvimento da marca, nome e embalagem, por exemplo. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa (ABEP), o Brasil possui mais de 5 mil empresas que atuam de alguma forma nesse segmento, entretanto, o alvo da maioria delas ainda são as grandes empresas.

Segundo Cristina Panella, líder de pesquisa e sócia-fundadora da Cristina Panella Planejamento e Pesquisa, da holding Attitude, os profissionais de pesquisa foram preparados para atender grandes corporações, o que exige um novo preparo para a atual demanda. “Atender grandes empresas na área de pesquisa significa ser mais um fornecedor de serviços que se reportará à média gerência. Eu diria que há muita preparação a ser feita para que o profissional de pesquisa se adapte às responsabilidades de se trabalhar com os “donos do negócio”, como é o caso na maior parte das pequenas e médias empresas”, explica Cristina.

Equívocos comuns

A maneira com que a maioria das empresas ainda encara os serviços de pesquisa não costuma ser muito animadora, a crença nos altos valores (embora muitas vezes acessíveis), continua dando voz aos “achismos” e ao feelling de cada empresário. “A intuição do empresário hoje, deve ser aplicada em inovação e não apenas sustentar decisões de negócio. As decisões têm que ser tomadas com base em diagnósticos precisos, elaborados com o rigor metodológico que somente profissionais de pesquisa podem oferecer”, conta Cristina.

Enquanto os pequenos e médios empresários ainda titubeiam perante a contratação de pesquisas, o setor vem se preparando para atender aos mais pequenos. “No Grupo Attitude, sob a marca Cristina Panella Planejamento e Pesquisa, desenvolvemos toda uma linha de produtos para médias empresas, são serviços mais econômicos elaborados para atender as especificidades desse tipo de negócio” revela a sócia-fundadora do grupo Panella.

Termômetro do mercado

Rosana Freitas, analista sênior de pesquisa da Hello Research, esclarece que a pesquisa funciona como um termômetro do mercado, vital para qualquer negócio. Para ela, as empresas pequenas e médias devem se arriscar menos, por essa razão a pesquisa se torna essencial. “Para lançar um novo produto, por exemplo, é preciso entender como as pessoas avaliam esse produto, se entendem o conceito, como se deve precificar, comunicar e entender com que outros produtos ele concorre’, explica Rosana.

Também de olho nas pequenas e médias empresas, surgiu a Opinion Box, uma plataforma online onde o cliente cria seu próprio questionário, define o público a ser ouvido e a quantidade de entrevistas. A empresa, desenvolvida pela start-up de mesmo nome, fundada em 2012 através de uma associação entre a Expertise (empresa de pesquisa e inteligência de mercado), a Pentagrama (especializada em tecnologia da informação), e o sócio investidor Cláudio Gora (co-fundador da Locaweb), possui uma base de respondentes de mais de 100 mil pessoas ao redor do país.

De acordo com Felipe Schepers, COO da Opinion Box, a ideia da plataforma surgiu da necessidade em atender às MPMEs e diferentes empresas, como agências de publicidade e comunicação, consultorias, franquias, prestadoras de serviços e outras. “Nosso objetivo é democratizar o acesso às ferramentas de inteligência por meio da tecnologia”, indica Schepers.

Acessíveis

A democratização fica por conta do preço, o usuário da Opinion Box, pode encomendar sua pesquisa gastando apenas R$ 4,00 por entrevista. “Com investimento aproximado de R$ 200,00 é possível ter um bom resultado de pesquisa para tomada de decisão, além da agilidade que permite que o cliente receba os resultados em até 5 dias”, conta Schepers.

Para Duilio Novaes, presidente da ABEP, o universo digital colabora com o mercado das pesquisas, embora possa trazer alguns riscos. ” Pesquisas online devem ser feitas levando em conta o tamanho do passo que se quer dar, se é uma pesquisa para alteração de cor de algum produto, por exemplo, pode ser feita sem o receio de um resultado danoso”, analisa o presidente da ABEP.

Novaes alerta também para a necessidade da expertise dos profissionais de pesquisa quando a empresa deseja realizar um investimento maior como mudar a linha de produção ou comprar novas máquinas para lançar um novo produto.

Eleições

O segmento das empresas de pesquisa no Brasil, que possui um crescimento sazonal (em ano eleitoral chega a crescer 15% frente aos 5% nos demais períodos), também vem se adequando às novas tecnologias.  “O setor todo vem se modernizando, a novidade fica por conta das coletas digitais, que trazem mais sinergia para o setor, proporcionam pesquisas mais rápidas e estão reduzindo os custos, tornando-se mais econômicas.” Afirma Novaes. Boa notícia para as MPMEs.

Fonte: Angélica Lequerica, DCI – Diário Comércio Indústria & Serviços, 29/8/2014

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