Inteligência Competitiva: 10 habilidades profissionais essenciais no futuro; Inteligência social e colaboração virtual estão entre as competências que serão necessárias para conseguir emprego em 2020

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RIO — Assim como o mundo em geral, o corporativo está em plena mutação. As pessoas estão vivendo mais, novas tecnologias vão surgindo a cada dia, e nunca se esteve tão globalmente conectado como agora. Segundo reportagem publicada pelo site The Muse, isso significa que as habilidades utilizadas hoje no local de trabalho não são necessariamente as mesmas que os profissionais precisarão ter num futuro recente. Inteligência social e colaboração virtual são algumas das competências que precisarão ser aprimoradas daqui para frente.

Abaixo listamos os seis vetores da mudança e as habilidades que serão valorizadas daqui a cinco ou seis anos:

Os seis vetores de mudança:

Longevidade extrema. As pessoas estão vivendo mais. Em 2025, por exemplo, o número de americanos com mais de 65 anos aumentará em média 70%.

Ascensão de máquinas e sistemas inteligentes. A tecnologia pode aumentar e ampliar as nossas próprias capacidades; a automação do local de trabalho está matando os trabalhos repetitivos.

Mundo computadorizado. Aumento de sensores e processamentos torna o mundo um sistema programável. o Big Data nos dará a capacidade de ver as coisas em uma escala que nunca foi possível.

Nova ecologia da mídia. Novas ferramentas de comunicação requerem conhecimentos de mídia, não só de texto. Os meios de comunicação visual está se tornando um novo vernáculo.

Organizações superestruturadas. As tecnologias sociais impulsionam novas formas de produção e de criação de valor. As ferramentas sociais estão permitindo que as organizações trabalhem em escalas extremas.

<iframe src=”//mfa.lhpr.predicta.net/mrm-ad/ad/noscript/?;c=2793;sc=1072;p=6;n=110668445;tc=http://ads.globo.com/RealMedia/ads/click_lx.ads/ogcoglobo8/economia/boachance/materia/L37/110668445/x21/ocg/34-1_ilhapura_141001_OGlobo_Economia_Retangulo1_Staff/tag_ilhapura_rein_rio_eco.html/765762396946524331774d4141793056?” width=”300″ height=”250″ border=”0″ frameborder=”0″ marginheight=”0″ marginwidth=”0″ scrolling=”no”></iframe> Mundo globalmente conectado. Diversidade e adaptabilidade estão no centro de operações. Os Estados Unidos e a Europa já não detêm o monopólio da criação de empregos, inovação e poder político.

As 10 habilidades profissionais essenciais em 2020

Senso de produção. É a capacidade de determinar o significado mais profundo do que está sendo expressado.

Inteligência social. Capacidade de se conectar com os outros de uma maneira profunda e direta, de sentir e estimular reações e interações desejadas.

Pensamento adaptável. Proficiência em pensar e chegar com soluções e respostas que vão além daquela que é rotineira ou obedece regras básicas.

Competência intercultural. Capacidade de operar em diferentes contextos culturais.

Pensamento computacional. É a capacidade de traduzir grandes quantidades de dados em conceitos abstratos e compreender o raciocínio com base nos dados.

Conhecimento de novas mídias. Capacidade de avaliar de forma crítica e desenvolver conteúdos que utilizam novas formas de mídia e alavancar estes meios de comunicação persuasivos.

Transdisciplinaridade. Conhecimento e capacidade de compreender conceitos em várias disciplina

Mentalidade de design. Capacidade de representar e desenvolver trabalhos gráficos que atinjam os resultados desejados

Gestão da carga cognitiva. Capacidade de discriminar e filtrar informações importantes e entender como maximizar as funções cognitivas.

Colaboração virtual. Capacidade de trabalhar de forma produtiva e demonstrar a presença como membro de uma equipe virtual.

Fonte:  O Globo, 16/10/2014 15:21

 

Inteligência Competitiva – Empresas precisam voltar a investir em treinamento, conclui pesquisa global

Arte/O Globo – Retenção de talentos é o desafio da década para líderes

RIO — A busca e retenção de talentos é o maior desafio a ser enfrentado pelos líderes do mundo todo para que seus negócios prosperem. É o que apontou a pesquisa CEO Challenge 2014, que ouviu 1.020 presidentes de empresas para descobrir quais são os seus principais desafios estratégicos e como superá-los.

De acordo com a pesquisa, feita pela consultoria Mercer em parceria com a Marsh e com o The Conference Board, por ordem de importância, os cinco principais desafios dos líderes são, em termos globais: capital humano, relacionamento com clientes, inovação, excelência operacional e regulamentação do governo. Já para os gestores de empresas da América Latina, os principais desafios são: excelência operacional, capital humano, relacionamento com clientes, regulamentação do governo e inovação. Percebe-se que, entre as 25 iniciativas que os líderes mencionaram que irão implantar para atender aos cinco primeiros desafios, 12 delas têm a ver com pessoas.

O estudo verificou que muitas empresas no auge da crise cortaram investimentos em treinamento, e que estes terão que voltar com urgência. Isso porque, com relação às pessoas, os gestores apontaram como um dos mais importantes itens justamente prover treinamento e oportunidades de desenvolvimento para os funcionários.

Também está na lista destes líderes investir mais na retenção dos talentos-chave; melhorar os processos e o engajamento dos gerentes na gestão do desempenho; e aprimorar os programas de desenvolvimento de lideranças. Também será necessário buscar uma melhora na eficiência dos supervisores na linha de frente. Segundo eles, sem pessoas engajadas e produtivas, não há como manter um negócio, não importa a corporação ou quanto fature ao ano. Qualquer uma está correndo o risco de perder mercado por não criar programas de engajamento eficientes ou não preparar adequadamente sua equipe.

Segundo eles, sem pessoas engajadas e produtivas, não há como manter um negócio, não importa qual é a corporação ou quanto ela fatura ao ano. Qualquer uma está correndo o risco de perder mercado por não criar programas de engajamento eficientes ou não preparar adequadamente sua equipe. E a área de RH terá um papel decisivo para colaborar com esse cenário de busca de talentos-chave e de relacionamento com o mercado e órgãos reguladores.

— Será fundamental, por exemplo, além de criar um programa megaeficiente na gestão de pessoas, engajar-se com os competidores para influenciar a agenda regulatória em prol do fortalecimento e entendimento da legislação e dos códigos de conduta dos negócios — afirma André Maxnuk, líder da área de Fusões e Aquisições da Mercer e diretor do escritório da consultoria no Rio de Janeiro.

Pela primeira vez, a pesquisa incluiu dados da América Latina. Na Ásia, foram ouvidos 458 líderes (47% da amostra); na Europa, 105 (10,3%); nos Estados Unidos, 233 (22,8%); na América Latina, 114 (11.2%) e, em outras localidades, 89 líderes (8,7%). Deste total, 292 líderes trabalham em empresas do segmento de manufatura; 105 da indústria financeira e 564, da indústria de serviços. A receita de 92 das empresas pesquisadas (10,7%) supera os US$ 5 bilhões ao ano; 102 têm receita entre US$ 1 bilhão e US$ 5 bilhões (11,6%); 205 entre US$ 100 milhões e US$ 1 bilhão (32,1%); e 583 têm receita abaixo de US$ 100 milhões (45,5%).

Fonte: O Globo, 17/10/2014 8:46 / Atualizado 17/10/2014 8:49

Inteligência Competitiva Empresas/Carreira: Formação em outra área amplia visão do negócio

Se na hora de prestar vestibular e escolher qual carreira seguir existe uma divisão clara entre as áreas de exatas, humanas e biológicas, no mercado de trabalho atual conseguir transitar entre especialidades diversas é uma vantagem competitiva para executivos – sobretudo em um cenário econômico em que as oportunidades estão mais restritas.

Profissionais com boa capacidade analítica, por exemplo, têm ocupado vagas em áreas que originalmente concentram pessoas de humanidades, como os engenheiros que são cada vez mais frequentes no comando de departamentos de recursos humanos. “Eles enxergam soluções de maneira mais racional e prática. Entendem a lógica dos perfis e analisam padrões de comportamento”, afirma Daniela Ribeiro, gerente sênior da empresa de recrutamento Robert Half.

A especialista ressalta que não se trata de substituir alguém com capacidade de avaliação mais voltada para aspectos emocionais e psicológicos, e sim complementar esse tipo de visão com um olhar mais frio e objetivo. “É uma função híbrida, que comporta executivos com grande bagagem em exatas”, afirma.

O caminho contrário também ganha força. Atividades antes estritamente técnicas como as do setor de tecnologia agora exigem outras habilidades, que não são aprendidas nos cursos. “É essencial que esse profissional saiba se relacionar e se comunicar bem, pois ele vai precisar interagir com diversas áreas da empresa.”

Finanças e marketing também têm multiplicado seus pontos de intersecção, uma vez que o caráter analítico da formação no campo financeiro é bastante útil para quem necessita de uma abordagem estatística de seu público-alvo. Outro movimento que tem se tornado comum, na percepção de Daniela, é o da migração da área de vendas para a de marketing. Nesse caso, a vantagem é que o profissional, ao atuar na linha de frente da comercialização de produtos ou serviços, passa a ter uma visão mais ampla do perfil do consumidor e a entendê-lo melhor – o que se traduz em competência na hora de trabalhar estratégias mercadológicas.

Essa transição foi apenas um entre os muitos passos que o engenheiro químico André Marques deu em sua carreira. “Muitas vezes, a melhor forma de atingir um objetivo é tentar se moldar para seguir caminhos não tão convencionais”, afirma. Ele conta que, ao se formar, no início dos anos 2000, o mercado não era favorável para a engenharia. Foi o que o impulsionou a trabalhar em projetos estratégicos e de “downsizing” em uma empresa de consultoria, beneficiado por seu pragmatismo na leitura de cenários e de processos que configuram, a seu ver, transformações tanto no universo da química quanto no dos negócios.

No setor bancário, colaborou com BankBoston, Santander e American Express, onde passou a cuidar da área de inteligência de negócio e, em seguida, a gerir operações de venda. “Tornei-me gerente de marketing e mudei para a área de emissão de cartões”, lembra. Em 2006, foi para a Credicard, onde exercitou seu caráter profissional mais híbrido. Ali, foi o responsável por projetos, processos e o planejamento dos orçamentos de todos os canais de venda. “Aprofundei minhas habilidades comerciais, de negociação e de alianças com outras empresas para fazer os canais crescerem”. Passar por várias áreas, segundo ele, foi um movimento planejado. “Em cada uma delas, fiquei tempo suficiente para entregar resultados e adquirir conhecimento e experiência.”

Ao final de 2011, foi procurado pela Englishtown, empresa de cursos de inglês on-line, que buscava alguém com competências comerciais para assumir o negócio como diretor geral. De acordo com o executivo, a receita cresceu quatro vezes em dois anos. “Ganhamos eficiência em operações de venda e processos internos. Tenho uma visão muito detalhada e muito próxima de todas as áreas devido à minha experiência”, diz. Para Marques, as empresas têm trabalhado com recursos muito controlados e precisam de profissionais versáteis, de perfil mais generalista.

Murillo Marques, gerente de recursos humanos da Delta Air Lines, enfatiza que muitos processos seletivos ainda dão preferência para perfis tradicionais e buscam profissionais especializados para os departamentos de RH. No entanto, ele também já participou de processos seletivos em que ser mais generalista e ter competências distintas era uma vantagem.

Formado em economia, o executivo exerceu as funções de auditor e de gerente administrativo-financeiro em empregos anteriores. Tais habilidades, em sua avaliação, o ajudam a enriquecer as análises das opções estratégicas. Em sua opinião, uma pessoa de RH “puro” teria dificuldades para lidar com a parte de números, análise de orçamento, partilha dos lucros e resultados, acordos coletivos e o impacto dos benefícios no negócio.

Para Murillo Marques, não se pode pensar apenas em nichos – é necessário “ver as coisas na transversal e construir um cenário mais macro”. O executivo conta que, em sua trajetória, sempre foi movido pela curiosidade de buscar novos conhecimentos, como ao fazer um MBA e um mestrado em psicossociologia. “É preciso ter um olhar multifacetado para o negócio. Analisar o presente e a estratégia para o futuro com base nos dados, mas de diferentes ângulos, colocando-se no lugar do acionista, dos clientes e dos funcionários.”

Contudo, há ocasiões em que desenvolver um perfil híbrido é uma necessidade específica da companhia, que leva o profissional a adquirir competências que o credenciem a atuar em áreas diversas. Para Carlos Alberto Bitinas, sócio da Voc Gestão e Desenvolvimento de Pessoas, em uma fase de crescimento da empresa, por exemplo, funcionários da área de produtos, mais técnicos, terão de migrar para a de negócios e passar a lidar com atendimento a clientes.

“Às vezes, a companhia passa a atuar em um novo segmento e remodela sua estrutura. Os profissionais precisam estar preparados para esses tipos de movimento”, diz. Desse modo, é essencial que os funcionários tenham interesses que não sejam apenas os de suas profissões. “Especialistas devem ampliar seu campo de visão. Isso os dará ‘insights’ para lidar com um ambiente em mutação”, aconselha. Os gestores das corporações, porém, não podem perder de vista os pontos fortes de seus talentos ao promover mudanças.

No hotel Grand Hyatt São Paulo há a preocupação de municiar profissionais de diferentes departamentos com conhecimentos de outros, com o objetivo de facilitar o fluxo de trabalho como um todo. Durante um período – previsto inicialmente para ser de um mês, mas que poderá chegar a dois ou três -, o diretor de alimentos e bebidas, Reinaldo Queija, e a diretora de hospedagem, Alexandra Bueno, vão trocar de funções entre si.

Segundo Thierry Guillot, gerente-geral do Grand Hyatt SP, é uma oportunidade de desenvolver competências de liderança, mais que se aprofundar em especificidades técnicas. “Quando o líder não conhece bem uma área, tem que confiar em seus colegas e gerentes e escutá-los”, diz. Alexandra enfatiza que a intenção é aprimorar ambas as áreas, adquirindo uma visão mais holística do funcionamento do hotel e discutindo sobre o que pode ser mudado para melhor. “O conhecimento técnico será importante, mas vamos focar o movimento de gestão de pessoas e de desenvolvimento de talentos”, complementa Queija.

Fonte: Edson Valente | Valor, 16/10/2014

Um Nobel para a economia real, por Claudio Ribeiro de Lucinda

Criar pontes eficientes entre a pesquisa aplicada e a economia real – aquela vivida pelas pessoas – é algo ainda raro na academia, mas de extrema urgência diante das transformações econômicas e sociais que avançam sobre o globo. A digitalização dos negócios, as estratégias para superar, de fato, a crise econômica e a estruturação de novos mercados são temas que exigem pensamento “fora da caixa”. O reconhecimento do trabalho realizado pelo francês Jean Tirole, escolhido para o Prêmio Nobel de Economia deste ano, valoriza a aplicação do rigor matemático em áreas práticas e voltadas para defender o interesse dos indivíduos.

Exemplos do trabalho de Tirole podem ser observados na obrigação do sistema financeiro em manter parte dos recursos levantados como caixa – garantindo o saque a clientes que pretendem dispor de seus recursos. A forma de tarifar os serviços telefônicos, estabelecendo preços diferentes para ligações locais, interurbanas, fixas e móveis também se baseia no uso de modelos matemáticos que são capazes de tornar a cobrança mais ajustada ao uso da rede, representando o interesse do consumidor e coibindo abusos dos operadores.

Na era da economia digital, entender o modelo de negócios de empresas como o Facebook torna-se fundamental para evitar a formação de modernos monopólios. Afinal, a quebra de padrões de produção e de prestação de serviços cria um novo fluxo nas cadeias produtivas, o que exige novas regras e entendimento sobre o poder das grandes empresas no mercado.

O prêmio dado a Tirole reconhece um grupo de economistas que nos últimos 60 anos vem trabalhando para fazer a ponte entre a academia e a economia real – universos aparentemente separados. Para entender as contribuições de Tirole, é importante lembrar que, até a década de 1950, a teoria econômica contava com uma base de conhecimento consolidada para alguns casos específicos – como monopólio e concorrência perfeita – e uma coleção de conhecimento intuitivo, mas não formalizado, sobre mercados fora desses eixos. O problema estava centrado na imprevisibilidade dos resultados, quando a intuição era aplicada.

O primeiro movimento de organização do conhecimento intuitivo aconteceu nas décadas de 1960 e 1970, com a chamada Escola de Chicago. Os pesquisadores demonstraram que os casos específicos de monopólio e concorrência perfeita poderiam ser aplicados em muitos contextos além dos originalmente pretendidos. O sucesso desse primeiro movimento foi representado pelo Nobel de Economia de 1982, angariado por George Stigler.

No começo dos anos 1980, uma revolução teórica começava a aparecer na microeconomia. Com a melhora do instrumental matemático, houve uma explosão no número de aplicações teóricas sobre a coleção de conhecimento intuitivo herdado dos anos 1950. Também aconteceu um movimento de revisitação das conclusões originadas na Escola de Chicago. Um dos principais autores dessa época foi justamente Jean Tirole.

Como resultado, a ciência econômica obteve uma verdadeira revolução em três áreas que mudaram os rumos das corporações entre o fim do século passado e o início deste: a teoria dos leilões, a organização industrial e a regulação. Pelas contribuições nos dois últimos campos, a Academia Real da Suécia conferiu o prêmio a Jean Tirole.

Na área de organização industrial, uma das mais importantes contribuições de Tirole (e seus coautores) foi o estudo dos chamados mercados em duas partes: mercados em que um agente, chamado de plataforma, tem como serviço reunir dois grupos de consumidores. Sem os insights teóricos de Tirole, o entendimento do modelo de negócio de empresas como Facebook, Visa e Mastercard ficaria muito prejudicado.

Já no campo da regulação, Tirole e Jean-Jacques Laffont foram responsáveis por avanços substanciais na geração de conhecimento sobre o tema. Estudaram a estrutura de preços ideal para empresas reguladas, e que não estão expostas à concorrência, e desenharam incentivos para o aumento da produtividade em um ambiente sem competidores.

A recente crise de 2008 ressaltou outra faceta dos trabalhos de Tirole. No fim dos anos 1990, junto com Mathias Dewatripoint, o pesquisador francês estudou a importância de as instituições financeiras manterem parte dos seus recursos em ativos líquidos e as consequências da reserva para a estabilidade dos mercados financeiros. A liquidez foi um dos fatores mais críticos no ápice da crise e ganhou destaque nas medidas regulatórias adotadas. As contribuições teóricas de Tirole foram, então, analisadas por reguladores do sistema financeiro em todo o mundo.

No Brasil, a regulação do setor de telecomunicações – privatizado em 1998 – foi muito influenciada pelos argumentos teóricos desenvolvidos por Laffont e Tirole. As ideias desses autores estavam por trás de fórmulas que regulavam as tarifas das operadoras de telefonia fixa e móvel na abertura de mercado.

Ao fazer a ponte entre a teoria mais pura e as aplicações, Tirole contribuiu para levar a ciência econômica à sociedade, com impactos que são sentidos no dia a dia das pessoas. Ajudou ainda a racionalizar parte do conhecimento intuitivo acumulado até a década de 1950.

Outros dois aspectos também precisam ser lembrados. O primeiro deles é o papel de Tirole como autor de livros-texto. Dois deles são clássicos, ainda utilizados em programas de pós-graduação em economia no Brasil e no mundo: “The Theory of Industrial Organization” (1988) e “A Theory of Incentives in Procurement and Regulation” (1993). A própria data de publicação já é um testemunho do notável sucesso desses livros ao longo destas décadas de uso.

O segundo é o papel que Tirole teve na construção de uma instituição que é referência mundial na área de economia, especialmente em microeconomia – a Escola de Economia de Toulouse. A partir de um ambiente tão regulado quanto o ensino superior francês, foi possível ao longo destas décadas construir uma instituição de ponta no ramo da pesquisa que, ao mesmo tempo, tem uma forte interação com o mercado. Essa também é uma história que, junto com as contribuições acadêmicas, merece ser estudada pelos economistas brasileiros.

Claudio Ribeiro de Lucinda, professor associado da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto, é livre-docente pela USP e doutor em economia pela Fundação Getúlio Vargas

Publicado no Jornal Valor Econômico, 17/10/2014

Alfredo Passos – Citações do Google Acadêmico

Alfredo Passos
Prof. Dr. (Administração)

Se o Prêmio Nobel de Economia, Prof. Jean Tirole, estuda concorrência e mercado a Revista Inteligência Competitiva…

Apresentação

A Revista Inteligência Competitiva tem como proposta ser um veículo acadêmico para a produção na área de Inteligência Competitiva, Competição e Competitividade. Está aberta a professores, pesquisadores e estudantes de graduação e pós-graduação para a divulgação de artigos científicos, ensaios e estudos de caso didáticos, cujos temas sejam de interesse à Inteligência Competitiva, Competição, Competitividade tais como:

- Estratégia e Inteligência Competitiva
– Campos e Armas da Competição – CAC
– Análise da Cadeia de Valor
– Análise de Cenários
– Criação e implantação de Programas de Inteligência de Classe Mundial
– Fontes de Inteligência e Técnicas de Coleta
– Inteligência Tecnológica
– Pontos Cegos (Competitive Blindspots)
– War Game

A lista tem como objetivo ilustrar, não restringir. A revista abre espaço para artigos de discussão teórica, de caráter bibliográfico ou ensaístico, entendendo que a reflexão crítica na área é tão importante quanto a pesquisa empírica.
Pelo trabalho voluntário iniciado e premiado pela Strategic and Competitive Intelligence Professionals – SCIP em 2003 no Brasil, a revista disponibiliza os artigos à comunidade sem ônus para o leitor.

Os artigos submetidos sofrem avaliação de pares titulados pelo sistema blind review. A revista publicará artigos em Português. Esperando com isto contribuir com o aprofundamento da discussão nesse campo de estudos tão importante para o país, os editores e o comitê científico aguardam as submissões dos colegas da área.

Prof. Dr. Alfredo Passos
Editor Chefe

Leia artigos e estudos realizados por profissionais e professores/acadêmicos brasileiros sobre concorrência e mercado, ou seja, Inteligência Competitiva ao clicar aqui.

 

JEAN TIROLE: Toulouse School of Economics

As one of the world’s leading economists, Tirole has been influential in the theoretical and practical application of game theory and information theory to industrial organization and regulation . His research interests also include finance, macroeconomics, international finance and economics and psychology.

Tirole also serves as chairman of the executive committee of the Institute for Advanced Study in Toulouse (IAST), which he helped found in 2011. He is an annual visiting professor at the Massachusetts Institute of Technology (MIT) in the department of economics, where he was a professor for eight years before moving to Toulouse in 1992.

Tirole has given more than 70 distinguished lectures and has published approximately 200 articles in economics and finance.

In 2013 Tirole and co-author Roland Bénabou’s article “Intrinsic and Extrinsic Motivation” was selected by The Review of Economic Studies as one of 11 most influential papers in the journal’s 80-year history. That same year, he also received the Stephen A. Ross Prize in Financial Economics, with colleague Bengt Holmström, for “Private and Public Supply of Liquidity” published in the Journal of Political Economy.

Tirole is the author of 11 books including “Inside and Outside Liquidity” with Bengt Holmström (2011); “The Theory of Industrial Organization” (1988); “Game Theory” (1991) with Drew Fudenberg; “A Theory of Incentives in Regulation and Procurement” (1993) with Jean-Jacques Laffont ; and “The Theory of Corporate Finance” (2006), for which he received an honorable mention for Best Professional/Scholarly Book in Finance & Economics from the Association of American Publishers.

Tirole holds honorary doctorates from Université de Lausanne (2013); Hitotsubashi University (2013); the University of Rome 2 (2012); the Athens School of Business and Economics (2012); the University of Mannheim (2011); HEC Montreal (2007); the London Business School (2007); and the Free University in Brussels (1989).

Among other prizes and honors, Tirole received the Yrjö Jahnsson prize of the European Economic Association (granted every other year to an economist under the age of 45 who has made a contribution in theoretical and applied research that is significant to economics in Europe) in 1993, and the gold medal of the CNRS in 2007 (the second economist, after Allais in 1978, to receive this medal, attributed to one researcher every year since 1954). He was the inaugural winner of the BBVA Frontiers of Knowledge Awards in economics, finance and management in 2008. He also received the CME Group — Mathematical Sciences Research Institute Prize in Innovation Quantitative Applications and the Claude Levi-Strauss Prize for his significant contributions to the social sciences — both in 2010.

He was president of the Econometric Society in 1998 and of the European Economic Association in 2001. Tirole is a foreign honorary member of the American Academy of Arts and Sciences and of the American Economic Association.

Jean Tirole: biosketch: Toulouse School of Economics

Jean Tirole
Chairman of the board of Directors
Jean-Jacques Laffont Foundation – Toulouse School of Economics

JEAN TIROLE REÇOIT LE PRIX NOBEL D’ÉCONOMIE 2014

Jean Tirole, président de Toulouse School of Economics(TSE), reçoit le Prix 2014 de la Banque de Suède en sciences économiques en mémoire d’Alfred Nobel :

Jean Tirole reçoit le Prix 2014 de la Banque de Suède en sciences économiques

Je viens d’apprendre avec surprise, émotion et fierté que le Prix 2014 de la Banque de Suède en sciences économiques en mémoire d’Alfred Nobel m’a été attribué pour mes travaux sur la théorie de la régulation des marchés.

Je souhaite bien évidemment associer à ce prix, les collègues de Toulouse School of Economics, dont je préside la Fondation depuis 2007 et où j’ai la chance de mener mes recherches dans un environnement exceptionnel depuis 1991. Une pensée aussi pour mes collègues du MIT où j’ai obtenu mon doctorat et avec qui je travaille régulièrement, et tous ceux qui, de près ou de loin, m’ont permis de mener à bien ces travaux.

J’ai bien sûr une pensée toute particulière pour Jean-Jacques Laffont, disparu prématurément, qui a été pour moi un mentor, un exemple, et surtout un ami. Je sais le rôle déterminant qu’il a joué dans ce qu’il m’arrive aujourd’hui.

Je remercie bien évidemment aussi ma famille pour son soutien indéfectible.

Jean Tirole

UNIVERSITÉ DE TOULOUSE

15 rue des Lois – BP 61321
31013 TOULOUSE Cedex 6
Tél. +33 (0)5  61 14  80  10

Inteligência Competitiva: Executivas investem em negócios para mulheres

David Paul Morris/Bloomberg

Jane Park, ex-executiva do BCG, fundou a Julep, que fabrica e vende esmaltes. Foto: David Paul Morris/Bloomberg

Michelle Lam já atuou como diretora financeira de uma companhia de dados comprada pela Securities and Exchange Commission (SEC) dos Estados Unidos. Agora, ela é fundadora de uma startup e trabalha em um bairro descolado de San Francisco, cercada de prateleiras com lingeries elegantes, a maioria sutiãs, que sua empresa, a True & Co., cria e vende pela internet.

Michelle lançou a True & Co. em 2012, após uma passagem frustrante por um shopping center. Ela percebeu que podia usar sua experiência em análise de dados e administração – e sua compreensão sobre os problemas que as mulheres encontram quando fazem compras – para iniciar sua própria empresa. A executiva diz que, ao analisar dados sobre taxas de retorno e respostas dos clientes, e usar isso para redesenhar e lançar produtos rapidamente, a True & Co. consegue fazer peças de vestuário melhores.

As fundadoras de startups continuam sendo uma minoria, mas Michelle Lam, primeira mulher a ser presidente da Bain Capital Ventures, faz parte de um número crescente no Vale do Silício que está se especializando em comércio eletrônico. “Estamos em um momento da história em que temos mais mulheres com o conhecimento de que os investidores gostam e que é a marca de um bom empreendedor”, diz Anna Zornosa, fundadora da Ruby Ribbon, que vende roupas pela internet.

Desde o início do ano, 14% dos investimentos de venture capital registrados nos Estados Unidos foram para companhias fundadas ou cofundadas por uma mulher. No entanto, elas estão no comando de quase 40% das startups de e-commerce que conseguem apoio, de acordo com a PitchBook, uma firma de pesquisas especializada em capital de risco. Em 2009 esse número foi inferior a 20%.

Muitos investidores acham difícil acertar com comércio eletrônico. As startups precisam dominar não só a tecnologia, como também a logística, incluindo cadeias de fornecimento multinacionais, estoques e marketing. Mas o setor é atraente para alguns empreendedores e investidores exatamente porque as dificuldades significam que há menos competidores e também espaço para crescer.

Apesar dos esforços da Amazon, eBay e outras, menos de 10% das compras feitas no varejo nos Estados Unidos são realizadas via internet. Com isso, empreendedores estão tentando descobrir como vender on-line os produtos que as pessoas compram principalmente off-line. Entre as categorias mais inflexíveis estão as de moda e de produtos de beleza femininos, áreas em que muitas novas fundadoras de startups estão concentradas.

Caimento, qualidade e cores são pontos muito importantes, mas difíceis de serem verificados virtualmente. Muitas das novas companhias estão tentando desenvolver modelos de negócios que façam esses compradores se sentirem mais confortáveis comprando a distância. “A maioria quer apoiar um empreendedor que saiba o que está vendendo”, diz Amy Errett, uma investidora que acabou virando empresária na área de tinturas para cabelos.

Ela conta que decidiu criar a Madison Reed após analisar a prateleira de tinturas para cabelos de uma farmácia e perceber como o design dos produtos era ruim. A startup, que levantou US$ 12 milhões neste ano, vende principalmente para mulheres interessadas em tingir cabelos grisalhos. Como as cores sempre aparecem alteradas na tela do computador – e as mulheres às vezes não estão seguras sobre como usar a tintura -, a companhia colocou cabeleireiras profissionais em um call-center para dar conselhos sobre cores e aplicação. Está fazendo também experiências com aplicativos que permitirão às usuárias fazer vídeos de seus cabelos para ter uma resposta sobre quais cores usar.

Embora o apoio financeiro esteja aumentando, não é fácil captar recursos junto a investidores, em sua maioria homens, especialmente para produtos voltados para o público feminino. “Eles acham que não podem agregar valor ao negócio por não terem conhecimento como consumidor”, diz Doreen Bloch, fundadora da Poshly, uma companhia de análise de dados especializada em cosméticos.

Jane Park, fundadora da Julep, que fabrica e vende esmaltes, diz que alguns investidores não entendiam o espírito da coisa, pois queriam saber com que frequência as mulheres retocam o esmalte, pensando já em sua substituição. “Dizia a eles que não se trata de um creme dental, mas de um artigo de moda”, conta ela, que já ocupou cargos executivos na Starbucks e no Boston Consulting Group. Jane diz que teve que explicar a fundo por que a indústria da beleza poderia ser um bom negócio. “Sentia que eles tinham um medo desnecessário”, diz. Em abril, a Julep conseguiu US$ 30 milhões de investidores que incluíram a Andreessen Horowitz, do Vale do Silício.

Parte do motivo do crescimento do número de mulheres fundadoras de empresas, segundo Anna Zornosa, é que há mais mulheres com experiência na indústria da tecnologia – mesmo que os números ainda sejam relativamente pequenos, especialmente nas funções técnicas e de engenharia. Sua companhia de venda on-line de roupas equipa as vendedoras com aplicativos e as treinam em redes sociais para que possam alcançar potenciais clientes. Nesse caso, ela está combinando sua experiência em marketing digital com técnicas desenvolvidas ao longo de décadas por companhias como a Avon.

Na True & Co., Michelle Lam diz que a tecnologia tornou possível conquistar investidores que antes eram céticos ou pouco familiarizados com o produto. Desde a abertura da empresa, em 2012, ela já levantou mais de US$ 6 milhões. Com sua experiência nas áreas tecnológica e financeira, ela diz que consegue “entrar em uma sala com dez sócios homens e responder perguntas sobre por que vender sutiãs é um bom negócio”.

Na medida em que essas mulheres batem nas portas dos investidores, porém, estão se deparando com algumas situações inconvenientes. Jessica Livingston, sócia da Y Combinator, uma das mais renomadas incubadoras de startups do Vale do Silício, postou em um blog que “a Y Combinator tem uma política de tolerância zero com o comportamento sexual ou romântico inadequado de investidores para com as fundadoras”.

Tal declaração pode parecer estranha, mas fundadoras anônimas já publicaram testemunhos detalhados nas revistas “Forbes” e “Wired”, por exemplo, contando como foram alvos de assédio. Uma funcionária de uma startup revelou o nome de um investidor que lhe enviou um e-mail convidando-a a ir para a cama, depois que se conheceram em um evento de networking. Ele alegou inicialmente que seu e-mail havia sido “hackeado”, mas depois pediu desculpas. Muitas incubadoras de empresas de tecnologia cortaram laços com ele.

Fonte: Sarah Mishkin | Do Financial Times/Valor Econômico, 1/10/2014

Pintar as unhas é essencial para a mulher subir na carreira, por Lucy Kellaway, do Financial Times

Na escola de negócios da Universidade de Stanford, uma das mais difíceis de se entrar no mundo, as alunas de MBA são muito valorizadas. Todo mundo quer contratá-las. O problema para os empregadores é como conseguir a atenção delas.

A McKinsey teve uma ideia e enviou a todas as mulheres um pequeno e belo convite cor-de-rosa para um evento singular na hora do almoço em Palo Alto. Assim, semana passada, várias estudantes de MBA ambiciosas se reuniram para fazer as mãos e os pés, ao mesmo tempo em que ouviam como seria maravilhoso para elas trabalhar para a mais formidável empresa de consultoria administrativa do mundo.

Como faz apenas três semanas que escrevi uma coluna sobre a tentativa idiota da McKinsey de prever o futuro, normalmente não escreveria sobre ela novamente em um período tão curto. Mas tamanha estupidez me faz voltar ao assunto.

Poucos meses atrás, o Goldman Sachs fez barulho por criar um estereótipo de gênero também duvidoso, distribuindo mimos para potenciais recrutas do sexo feminino contendo espelho e lixa de unha com a logomarca do banco. O evento de manicure e pedicure me parece um erro de julgamento ainda maior que a distribuição de lixas de unhas que, embora idiotas, não exigiram nenhuma participação ativa e podiam ser facilmente atiradas no lixo.

A McKinsey não está sozinha na tentativa de laçar as mulheres de Stanford dessa maneira. Para não ficar para trás, no mês que vem a Bain realizará algo ainda mais estúpido – um evento de culinária apenas para mulheres. Em uma época em que “volte para a cozinha” se tornou um insulto machista que os alunos do sexo masculino digirem para as mulheres na sala de aula, tal evento parece bem infeliz.

É de se pensar o que virá em seguida. Um evento patrocinado pela BSG envolvendo passar roupa e limpar a casa? A Bain e a McKinsey me dizem que esses eventos são parte de uma série de atividades elaboradas para ajudá-las a conhecer as estudantes. Mas, parece que as estudantes não querem ser conhecidas desta maneira. O homem que gentilmente enviou os dois convites para mim me disse que eles eram “excessivamente heteronormativos”, um ponto de vista que, segundo ele, foi compartilhado por muitas de suas colegas de classe.

No entanto, essa é uma área cruelmente ardilosa e nem todos os estudantes pensam a mesma coisa. Uma delas entrou em contato comigo para dizer que a McKinsey deveria ser elogiada: afinal, ela está quebrando o tabu que diz que as mulheres não podem ser abertamente femininas no trabalho. A consultoria estaria, assim, tornando aceitável o fato de mulheres se reunirem para fazer coisas de garotas – assim como os homens há anos se reúnem para assistir a eventos esportivos.

Posso entender seu ponto de vista. Há algo de injusto quando chutar bolas em redes e atirá-las em buracos – algo que não serve a nenhum propósito – é visto como uma atividade digna de atenção corporativa, mas pintar as unhas – que geralmente melhora a aparência as mulheres – não é.

A empresária mais bem-sucedida que conheço adora contar aos colegas nas reuniões sobre o drama que é quebrar uma unha maravilhosamente feita; já me deliciei observando como ela deixa embaraçada e aturdida sua plateia masculina quando faz isso. Mas misturar unhas com um evento de contratação é errado.

Para começar, qualquer coisa relacionada ao seu corpo deveria ser mantida privada. Não quero ter de olhar para calos nos pés de mulheres que podem estar prestes a me dar um emprego, nem quero que elas vejam os meus. Isso é uma coisa muito íntima e não há como saber onde vai parar. Se as consultorias estão oferecendo pedicures às recrutas, logo mais os bancos estarão oferecendo depilação de virilha.

O recrutamento não pode se transformar em um chá-de-panela. A pior coisa com esses eventos é que eles são discriminatórios. Os eventos de golfe não são injustos apenas com as mulheres (alguma das quais inexplicavelmente gostam desse esporte), mas também com aqueles que não são golfistas. Os chamados eventos “mani/pedi” (de manicure e pedicure) discriminam aquelas de nós que acham manicures um tédio e que preferiam estar lendo um livro.

Mesmo assim, isso me conduz à mais deprimente de todas as constatações. Acabo de conversar com uma amiga que trabalha em uma empresa nos Estados Unidos e quando falei sobre minhas objeções ao evento da McKinsey, ela me disse que eu estou ultrapassada. Nos Estados Unidos, todas as mulheres profissionais têm unhas bem cuidadas, disse-me.

Aparentemente, conseguir uma manicure não é como jogar uma partida de golfe, que é opcional. Em vez disso, é uma atividade compulsória para as mulheres e está se transformando em uma das principais maneiras de elas estreitarem seus laços no trabalho. Minha amiga contou que frequentemente dá uma saidinha com sua mentora para uma ida à pedicure, onde elas discutem estilos de liderança.

Portanto, a McKinsey pode, afinal de contas, estar oferecendo algo de valor para essas mulheres jovens. Se elas querem entrar no mundo dos negócios, especialmente nos EUA, e pensam que não fazer as unhas é uma opção, a consultoria está alertando-as de que assim não serão bem-sucedidas, independentemente da pontuação média que conseguirem.

Lucy Kellaway é colunista do “Financial Times”. Sua coluna é publicada às segundas-feiras na editoria de Carreira do Valor Econômico, 13/10/2014

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